Criminalização do punho levantado

Entre as provas que levaram à acusação de um independentista basco pela Audiência Nacional, está a saudação com o punho levantado. O detido fez o gesto ao público na sala de audiências. Segundo a sentença, “a experiência demonstra que é característica de indivíduos, senão integrados na ETA, pelo menos que se encontram no meio ou são afins a esta organização”. A democracia de Daniel Oliveira no seu melhor.

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7 respostas a Criminalização do punho levantado

  1. José Manuel diz:

    O que diz a notícia é que a acusação era a posse de substancias explosivas e falso testemunho. Não foi condenado por levantar o punho. Há aqui uma grande diferença entre o que diz a notícia e o que se pretende passar.

    O que se devia perguntar era qual o objectivo e armazenar substancias explosivas.

    • Bruno Carvalho diz:

      Ninguém disse que foi condenado por levantar o punho. Mas a sentença refere os motivos pelos quais foi condenado e um deles foi o de ter levantado o punho. Parece que quem quer apagar a gravidade do facto é o José Manuel. Parece-lhe normal isto?

      • Justiniano diz:

        Caro Bruno, o que me parece é que Vcmcê mareia em má-fé, sobre forma e substancia!!! E em profunda e íntima contradição apela ao que se não compreende!! A gravidade do facto!!? Democracia!!? Normal!!?? Como quem busca a prova do convencimento e remissão!!
        Mais lhe valia manter-se prelado da parte!! Oferecer-se, talvez, à justificação do facto, pela justeza, pela rectidão e, assim à laia da corneta, afectar a legitimidade do auto!!

  2. José Manuel diz:

    O levantar o punho foi considerado “prova” ou “confissão implicíta”. Necessitava ter presenciado a cena para tirar a conclusão mais precisa.
    Discordo que se tenha ilegalizado o Batasuna ou os seus sucedâneos, porque entendo que o sector da sociedade basca deve poder exprimir-se livremente, mas entendo também que os outros sectores da sociedade basca (autonomistas, espanholistas e outros) também têm o mesmo direito) A ETA é o primeiro a negar esse direito à sociedade basca através da criação dum clima de ameaça e coacção violenta. Seria possível fazer esta conversa, de cara descuberta numa qualquer esplanada de Bilbao, sem medo de ficarmos marcados? As acções da ETA são dirigidas em primeiro lugar contra os próprios bascos e impõem nesta região uma verdadeira “Omertá” à siciliana. Não há aqui nada de revolucionário, antes pelo contrário.
    Outra aberração são os “sindicatos nacionalistas” que actuam na divisão dos trabalhadores e no seu enfeudamento a conceitos chauvinistas contrários à luta de classes.
    Importa também dizer que a ETA não são apenas os operacionais mas também a sua estrutura logistica de apoio incluindo os que garantem os pontos de apoio, os que fornecem o material, etc. Como dizia o Lénine não passam de burgueses armados com bombas.

    • Bruno Carvalho diz:

      Bem, agora já diz que precisava de ter presenciado a cena. Amigo, eu transcrevi o que vinha na sentença. Ou seja, é o que o juiz confirma e repito: “a experiência demonstra que é característica de indivíduos [levantar o punho], senão integrados na ETA, pelo menos que se encontram no meio ou são afins a esta organização”.

      Sobre os outros sectores da sociedade poderem pensar o que quiserem, penso que a análise que faz é errada. Porque parte do pressuposto de que os espanholistas vivem aterrorizados e não podem falar como se os independentistas não vivessem aterrorizados e não corressem o risco de ir presos se forem apanhados a dizer certas coisas. Vê-se claramente não só de que lado está como também não compreender que há um agressor e um agredido. Estejamos ou não contra a ETA, ela não apareceu do nada. Apareceu como resposta a uma agressão e como meio para atingir um fim.

      Ou seja, vem-me falar em violência e clima de ameaça como se a ilegalização de quase todas as expressões pacíficas da esquerda independentista não fosse resultado de violência e de um clima de ameaça.

      É falso que a maioria das acções seja dirigida contra os bascos. A maioria das acções era dirigida contra elementos das forças de segurança. A ETA foi a força que na Europa mais altas patentes das forças de segurança eliminou. A que menos inocentes (se considerarmos inocentes como todos aqueles que não têm qualquer relação directa com o conflito) matou. Há em Portugal muita gente que admira o IRA e que rejeita a ETA esquecendo-se da mortandade que a luta provocava na Irlanda. Ali sim, quase que não havia critério nos alvos a abater.

      Os sindicatos nacionalistas – a que chama aberração – são os mais representativos no País Basco e os mais combativos de todo o Estado espanhol. Não tiveram qualquer pudor em marcar uma greve geral para Junho, na altura da votação do Orçamento (os espanhóis marcaram em Setembro). E não tiveram qualquer pudor em marcar para o próximo dia 27 de Janeiro enquanto os seus sindicatos espanhóis andam a negociar a paz social com o governo de Zapatero em troca de subsídios para as CCOO e para a UGT.

      Quanto a Lénine, leia as passagens sobre o direito das nações à autodeterminação.

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