Às vezes, vale a pena escrever…

Estou de acordo com o António Paço: um dia em que um ditador foge do país à frente de protestos populares e Berlusconi deixa de ser inimputável pelos seus crimes e aldrabices é mesmo de uma safra excepcional.

(Mesmo que a reforma do Le Pen não pareça vir mudar muito e continuemos ensombrados pelas cheias na Austrália e no Rio de Janeiro, para além da tal de crise…)

Uma safra de tal forma excepcional que não resisto a acrescentar-lhe outra boa notícia, que tenho andado a guardar para as pessoas mais próximas durante as últimas semanas.

Saberão alguns de vós que escrevi, há coisa de um ano, um despretencioso livro que conta a história de vida de um transcontinental homem dos sete ofícios, Álvaro, centrado no enredado e nómada grande amor da sua vida, com a Rosita (há alguns excertos disponíveis aqui).

Ora acontece que uma leitora ficou emocionada com a história e conseguiu descobrir a Rosita numa cidade do interior.
Acontece que o Álvaro estava excepcionalmente em Portugal, para tratamento médico.
Acontece que ambos se queriam rever e se reencontraram, 40 anos depois. E continuaram a rever-se.
Acontece que estão felicíssimos com isso.

Diria o saudoso outro que «E assim acontece».
Diz a minha senhora que ganhei um lugar no céu.
Digo eu que, às vezes (às vezes…), vale a pena escrever livros.

(E, para não estragar o dia, o planeado post sobre uma forma alternativa de ver económica e politicamente a crise vai ter que esperar.)

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