Zizek, Wikileaks e o acordo de cavalheiros

A supreme case of tact in politics is the secret meeting between Alvaro Cunhal, the leader of the Portuguese Communist Party, and Ernesto Melo Antunes, a pro-democracy member of the army grouping responsible for the coup that overthrew the Salazar regime in 1974. The situation was extremely tense: on one side, the Communist Party was ready to start the real socialist revolution, taking over factories and land (arms had already been distributed to the people); on the other, conservatives and liberals were ready to stop the revolution by any means, including the intervention of the army. Antunes and Cunhal made a deal without stating it: there was no agreement between them – on the face of things, they did nothing but disagree – but they left the meeting with an understanding that the Communists would not start a revolution, thereby allowing a ‘normal’ democratic state to come about, and that the anti-socialist military would not outlaw the Communist Party, but accept it as a key element in the democratic process. One could claim that this discreet meeting saved Portugal from civil war. And the participants maintained their discretion even in retrospect. When asked about the meeting (by a journalist friend of mine), Cunhal said that he would confirm it took place only if Antunes didn’t deny it – if Antunes did deny it, then it never took place. Antunes for his part listened silently as my friend told him what Cunhal had said. Thus, by not denying it, he met Cunhal’s condition and implicitly confirmed it. This is how gentlemen of the left act in politics.

Este artigo foi publicado em cinco dias. Bookmark o permalink.

11 respostas a Zizek, Wikileaks e o acordo de cavalheiros

  1. xatoo diz:

    yes, do ponto de vista burguês “this discreet meeting saved Portugal from civil war”
    mas não salvou as classes proletárias de serem alvo de uma guerra continuada de baixa intensidade que já dura há 30 e tal anos – a missão dos burocratas reformistas do pcp neste contexto tem sido precisamente liderar o ressentimento das gerações que ficaram lixadas com o pacto anti-revolucionário (como se está a ver nas condições de vida actuais dos mais jovens)

  2. En importante recordar que, después de todo, la controversia de Wikileaks no es primariamente sobre temas legales abstractos del pasado, sino sobre lo que está sucediéndoles a seres humanos de carne y hueso hoy http://www.facebook.com/pages/SinPermiso/106764166044474

  3. susana diz:

    obrigada.

  4. Ricardo Noronha diz:

    Saberá Zizek alguma coisa sobre o tema de que está a falar? Há tanta confusão na caracterização da situação que se poderia dizer que este Cunhal e este Melo Antunes são personagens de uma fábula. Cavalheirescos como D. Quixote, dir-se-ia mesmo.

  5. mesquita alves diz:

    Boa tarde,
    A que propósito 10% da população, mal medidos, iriam maNdar nos outros 90%?
    Isto não é a PT
    Ponham-se no seu lugar.

    • koshba diz:

      Já não tem essa percepção no caso da Venezuela,of course…

    • coraçaodeatum diz:

      Pois! o melhor é votarmos num fiel servidor onesto(sic-não é Honesto!)dos bancos e da gestão rigorosa,de topo, de alta gama(do verbo GAMAR).
      De 115 ‘governantes’, 85 foram logo para os bancos-é uma coincidência do caraças.
      Ou seja, a minoria das minorias,os q fazem os negócios ‘suspeitos’é q está bem representada na mesa,na mama do Estado,entendeu?E o cavaco,é o omem onesto, é quem reprenta a mafia portuguesa,SLN’s,Wainfleets,etc…viva esta demo cra cia?,não é wise guy?….

  6. Escreveu Álvaro Cunhal

    “Quanto ao «Grupo dos Nove», Melo Antunes (tal como Eanes e Costa Gomes) defendia uma solução política da crise. Indo no dia 26 à televisão declarar que «a participação do PCP na construção do socialismo era indispensável», deu importante contribuição para a defesa da democracia.
    Como na altura considerámos, essa atitude expressava um objectivo político e uma apreensão: o objectivo de assegurar um regime democrático para o que considerava indispensável o contributo do PCP e a apreensão de que, se a extrema direita desencadeasse a repressão contra o PCP, ele e seus amigos acabariam também por ser reprimidos.”

  7. Escreveu Álvaro Cunhal:
    “Quanto ao «Grupo dos Nove», Melo Antunes (tal como Eanes e Costa Gomes) defendia uma solução política da crise. Indo no dia 26 à televisão declarar que «a participação do PCP na construção do socialismo era indispensável», deu importante contribuição para a defesa da democracia.
    Como na altura considerámos, essa atitude expressava um objectivo político e uma apreensão: o objectivo de assegurar um regime democrático para o que considerava indispensável o contributo do PCP e a apreensão de que, se a extrema direita desencadeasse a repressão contra o PCP, ele e seus amigos acabariam também por ser reprimidos.”

  8. miguel serras pereira diz:

    Bem comentado, sempre intrépido camarada Ricardo.

    msp

  9. Este Delgado ligou a cassete . . .e deixou-se dormir. Quando acordou
    ão se lembrou da declaração SOLENE de Álvaro Cunhal:
    PORTUGAL JAMAIS TERÁ UMA ASSEMBLEIA DA REPÚBLICA BURGUESA!
    Depois o tal *tramado* equilíbrio de forças fê-lo reconsiderar. MAS BEM LUTOU
    PARA QUE A SUA PREVISÃO/AUGÚRIO/PROFECIA ganhasse realidade . . .
    ( e agora estaríamos a auferir da suprema felicidade URSSica)

Os comentários estão fechados.