Patriótico e de esquerda

“Há por aí quem confunda patriotismo com nacionalismo burguês e há quem julgue que o patriotismo é um elemento central das políticas de direita e até uma bandeira exclusiva dessas alas reaccionárias da política. Para esse mito, contribui a própria direita, mas também algumas franjas da esquerda burguesa que contornam o conceito de nação e de pátria para vender a ilusão de um europeísmo progressista e de uma globalização humana. A suposta oposição entre “internacionalismo”, “solidariedade internacionalista” e “patriotismo” é uma contradição que só poderá suster-se no quadro do pensamento dogmático da classe dominante, estático e retórico. No entanto, a mesma classe dominante que opõe o sentimento internacionalista do povo ao patriotismo, é a que estimula o nacionalismo burguês, de integração e assimilação da doutrina dominante pelas classes populares.”

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16 respostas a Patriótico e de esquerda

  1. Tiago Silva diz:

    Muito interessante. Quem é o autor?

  2. Augusto diz:

    Proletários de todos os paises uni-vos.

    Há algo de mais internacionalista e menos patriótico , ( ou patrioteiro) , que esta frase.

    Jaurés foi assassinado em 14 , exactamente porque se opunha ao dito patriotismo, patrioteiro que levou á Primeira Grande Guerra.

    Foi exactamente contra esses patrioteirismos que Lenine se bateu.

    Mas hoje parece que isso está tudo esquecido, exactamente por aqueles que se reclamam dos ensinamentos de Marx e Lenine…..

    • RML diz:

      Efectivamente, se há coisa que Lénine nunca tratou foi a questão da autodeterminação dos povos…

    • anónimo diz:

      Tretas!
      O Lopes é uma mais valia para a Esquerda. Pelo que analiso o BE é uma fraude de evitar. E vacinei-me…
      Apesar de alguns erros, os factos e o tempo vem dando razão aos comunistas.

    • jal diz:

      A incompreensão e ignorância certamente serão minhas, mas em que é que a unidade dos proletários de todo o mundo afasta ou prejudica o patriotismo na concepção que os comunistas lhe dão?
      Porque confunde conceitos, porque é que o exemplo que vai buscar é precisamente o da Guerra dos nacionalismos burgueses?

      Provavelmente se se reclamasse dos ensinamentos de Marx e Lenine evitaria confusões conceptuais e compreenderia que o seu comentário prova exactamente a teoria da mistificação decorrente da dominação ideológica das classes dominantes.

  3. OS TRABALHADORES NÃO TÊM PÁTRIA
    Manifesto do Partido Comunista, K. Marx, F.Engels

    In the more developed capitalist countries it is perfectly true that ‘the workers have no fatherland’ and that ‘united action’ of the workers, in the civilised countries at least, ‘is one of the first conditions for the emancipation of the proletariat’
    V.I. Lenin, The Teachings of Karl Marx

  4. Miguel Lopes diz:

    Fui ler tudo. Só é possível fazer esse contorcionismo que fez o Miguel Tiago se dermos um significado preciso que a palavra não tem. É assim uma coisa polissémica e redonda que não quer dizer absolutamente nada de concreto.
    O autor ainda tenta saltar por cima disso: “a própria concepção de pátria difere de acordo com a perspectiva de classe”. Claro, assim já podemos brincar com as palavras à nossa maneira.

    No manifesto comunista não se defende “esta pátria” contra a exploração de uma nação por outra, porque também “esta pátria” é a exploração do proletariado pela burguesia. Defende-se que os trabalhadores não têm pátria porque “esta pátria” é uma expressão da classe dominante, é uma unidade com antagonismos de classe. “Esta pátria” tem que ser destruída para os trabalhadores se “constituírem a si próprios como nação”.

    É exactamente a ideia contrária que o Miguel Tiago tenta passar quando diz: “Patriótico porque do Estado do país e da nação, dependem as vidas dos trabalhadores!” Ou seja, os trabalhadores não são a pátria, mas sim dependem da pátria.

    Assim, se dissermos que patriota é aquele que pretende destruir “esta pátria” para constituir os trabalhadores como pátria, então até eu sou patriota. Caso contrário, isso é apenas uma mesura rançosa de campanha eleitoral.

    Cumprimentos

  5. Miguel Lopes diz:

    Ó Bruno, vou-te só fazer esta pergunta: achas que cantar loas aos egrégios avós é uma expressão desse “patriotismo de esquerda”?

    Abraço

    • Bruno Carvalho diz:

      És muito rápido a assegurar que certas palavras não querem dizer nada ou que não querem dizer aquilo que outros dizem. Mas que raio tem o hino a ver com a questão do patriotismo? Quem te disse que me identifico com essa parte do hino? Para ser patriota tenho de gostar do hino ou identificar-me com a luta e as reivindicações dos trabalhadores portugueses contra o capital?

  6. Miguel Lopes: aconselho-te a ler a passagem em que Marx refere que os trabalhadores não têm pátria. Vou facilitar-te: “Os trabalhadores não têm pátria. Não se pode exigir deles aquilo que não possuem. Como o proletariado de cada país deve, em primeiro lugar, conquistar o poder político, erigir-se em classe nacional dirigente, tornar-se ele próprio a Nação, ele é ainda nacional sob este aspecto, mas de maneira alguma no sentido burguês do mundo”.

    A ideia parece-me suficientemente clara para não ser confundida com um apelo a um internacionalismo inconsequente.

    O Miguel Lopes persiste precisamente na concepção, na minha opinião errónea e descrita no texto que escrevi no http://imperiobarbaro.blogspot.com que é o de confundir as relações sociais dominantes com pátria/país. Esse é o objectivo da burguesia.
    Os anarquistas, esses sim, sempre se opuseram à noção de nação porque a entendem como um “resultado directo do capitalismo” como afirma Andrés Nin, por exemplo. Mas o marxistas não têm por hábito ignorar as condições pré-existente ou advogar o regresso ao comunismo primário.

    Aliás, relembremos que marx escreve num contexto em que vez alguma um estado organizado havia sido uma pátria operária. Ainda assim, julgo bastante compreensível que a ideia da frase não é dizer que o “operário não deve ter pátria” mas sim que o operário se encontra “despojado de pátria”. O que é, na minha opinião, uma verdade, na medida em que não existe um país em que as relações de produção sejam, efectivamente, comunistas.

    Contorcionismo parece-me ser a constante afirmação esquerdista de apoio à União Europeia enquanto simultaneamente se dizem do lado dos trabalhadores portugueses.

    Parece-me evidente que o operariado é, por natureza, patriótico (no sentido de valorizar o desenvolvimento do seu país, por dele depender a sua sobrevivência), ao contrário da burguesia e do capital. Um por dispor da capacidade para alterar a sua dependência de um ou outro país, outro porque é impessoal e se traduz numa força social intangível.

    Se alguém entende na palavra ou no conceito de “patriotismo” uma expressão de superioridade ou de desejo imperialista, julgo que o fará com consciente vontade de distorção da mensagem, tendo em conta a sua origem.

    RML: Lénine pronunciou-se várias vezes sobre a autodeterminação dos povos, particularmente em relação ao imperialismo e ao capitalismo. Mas inclusivamente escreveu sobre isso uma brochura chamada “A revolução socialista e o direito das nações à auto-determinação”. Talvez fosse interessante tentares apanhar a brochura para ler. Stáline, mais adiante, volta às questões da auto-determinação dos povos em “a questão nacional”.

    Os movimentos de libertação nacional, a constituição da URSS, a questão nacional colocada no movimento operário internacional entratanto também consolidaram a importância da luta no plano nacional, pela libertação do proletário nacional. Estou convencido que o melhor contributo que cada povo pode dar para a emancipação e revolução internacionais é precisamente fazer a revolução no seu país. Não concebo um internacionalismo sem patriotismo, pura e simplesmente porque, tal internacionalismo se traduziria num conceito idealista, distante das relações sociais e materiais, determinantes que são a sua compreensão e alteração para nós, materialistas.

  7. Capitolino diz:

    “Antes de eu ser de esquerda já era da Pátria. A Pátria é a minha Politica”
    Pátria Ou Morte.

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