Um problema de contabilidade – 1 138 297 – Será maior o todo do que a soma das partes?

Cavaco Silva rouba votos a Manuel Alegre uma vez que o eleitorado do centrão, que já gosta pouco de votar num candidato do PS para as presidenciais, nunca votará num que também é apoiado pelo BE. Francisco Lopes rouba votos a Manuel Alegre uma vez que capitaliza a crítica que este não quer nem pode fazer aos PEC’s e ao governo Sócrates, engenheiros primeiros da sua candidatura. Fernando Nobre rouba votos a Manuel Alegre, não porque alguém queira protestar o que quer que seja ao votar no homem forte da AMI e do Soares, mas porque arrecada os votos da aristocracia progressista que votou no patriótico poeta em 2006. Defensor Moura rouba votos a Manuel Alegre porque, além de também ser do PS, canaliza o voto anti-Alegre no seio do seu partido de sempre. José Manuel Coelho rouba votos a Manuel Alegre porque vai buscar o voto do desassombro. Os votos brancos, os nulos e a abstenção roubam votos a Manuel Alegre, uma vez que muitos dos que foram a jogo, há cinco anos, com a treta da cidadania, regressam agora a “casa”, fodidos ou resignados, porque o mais que lhes oferecem são as facturas das alianças em nome do capital humanitário.

Perante saque tão descarado, onde até Manuel Alegre rouba votos a Manuel Alegre, a pergunta impõe-se: quantos se irão acrescentar a Manuel Alegre para que o todo da sua candidatura seja maior do que as partes que a constituem?

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16 respostas a Um problema de contabilidade – 1 138 297 – Será maior o todo do que a soma das partes?

  1. Von diz:

    Comentário global: Dali, fundamental, Deolinda, sublime, Alegre e Cavaco, cinzentos, Defensor, amarelo incómodo, Nobre, qualquer tom desmaiado, Francisco, surpreendentemente colorido, Coelho, um em cada esquina de cada ministério.

  2. Zellig diz:

    Caro Renato,
    com tanto ataque dirigido ao Cavaco, sinto-me quase coagido a votar nele… peço desculpa no Alegre.
    O discurso do único candidato que chama professor ao outro é parecido, só está lá para atacar o Alegre.
    O Alegre não é o candidato da minha preferência, aliás nenhum é, mas cá para nós que ninguém nos ouve, contra o Cavaco até no Noddy e o seu carro amarelo.
    Não me esqueci quem é Cavaco, não me esqueci do abate dos barcos de pescas, da ponte 25 de Abril, da Marinha grande e muito menos das bastonadas da policia nas manifestações de estudantes.
    Apelar ao voto em branco contra Cavaco é esquecer quem ele é e o que representa.

    • Renato Teixeira diz:

      Se a sua memória fosse tão boa relativamente ao PS como é relativamente ao PSD, estou certo que me compreenderia melhor. Para além de saber quem ganha com a vitória do Noddy, importava esclarecer o que é que se ganha se o Carrinho Amarelo virar o carro da presidência.

      • A.Silva diz:

        Tenho para mim, que perante a iminência da eleição de sua eminência cavacal, seria bom que ele não fosse coroado logo à primeira, que tivesse que ir a uma segunda volta, para assim ficar com essa “nódoa” a retirar-lhe o brilho (e força) do mandato e a cacança.
        E já agora, também pela chatice que isso vai representar para o senhor…

        • Renato Teixeira diz:

          Isso. Já não vamos para derrotar o cavaquismo. Vamos, para derrotar a sua “cagança” e o “brilho do seu mandato”.

          Acho que quando a campanha acabar estão a dizer que se deve ir votar contra Cavaco porque o tipo come criancinhas.

  3. Rui F diz:

    Renato

    dia 24 venho aqui fazer “contas” contigo

    • LAM diz:

      Contabilidade um tanto delirante. Não que Manuel Alegre vá a lado algum, mas que outros candidatos capitalizem (excepção talvez de Nobre, mas por percentagens irrelevantes), o desatino que tem sido a poética candidatura, é um anseio – lá está, a tal pedra no sapato 🙂 – que não vai ter muita margem para se concretizar. (digo eu que, aviso, não sou a Maya nem o professor Bambo).

      • Renato Teixeira diz:

        LAM, precisamente em que parte é que a contabilidade cede ao delírio?

        • Rui F diz:

          Ainda falta o cenário “face oculta” (já que não é mencionada) que o Renato não se cansa de apregoar: A capitulação final do BE.

          Mas dia 24 conversamos.

        • LAM diz:

          ó caro, precisamente, precisamente… como lhe digo não sou a Maya. Mas o seu palpite, se é lógico, que é, nas premissas, tem muito de búzios nas conclusões. Por exemplo, não acredito que o gajo da Madeira vá tirar muitos votos a quem quer que seja, idem para o Defensor Moura que arrebanhará apenas uns milharzitos por Viana. A mesma coisa para Francisco Lopes que, se pode entrar em contabilidades por Lisboa e algumas regiões do sul (ao que consta), é muito pouco visível quando se começa a subir no mapa.

          (apesar mesmo de, agora que nos vamos aproximando do fim da tourné, e vai ficando mais claro que Alegre não vai a lado nenhum, se preveja (aliás já começou), que aquela “avisada” relutância dos responsáveis do PCP em atacar Alegre vá sendo deixada de lado, passando doravante o poeta a estar na mira da campanha de Francisco Lopes.)

          • Renato Teixeira diz:

            Àh! O seu problema é quantitativo. Então tem toda a razão. Em nenhum dos casos estaremos a falar de “muitos votos”. Dos que Manuel Alegre rouba a Manuel Alegre”, aos que rouba lhe rouba o Coelho da Madeira.

          • LAM diz:

            Nããã……faz um post a falar de quem rouba votos a quem, quem vai comer Alegre mais pela curva ou na recta a abrir, e eu é que tenho um problema quantitativo?
            Se se fala num questão de transferência de votos, só tem sentido colocar a coisa quantitativamente. Poeira de um lado para o outro sempre houve e haverá, mas isso nem carece de tanta justificação, um porque sim basta.

          • Renato Teixeira diz:

            LAM, “porque sim” parece ser a sua resposta à matemática levantada que se olhar com mais atenção tem muito pouco de quantitativa.

  4. xatoo diz:

    há que impedir a todo o custo que a Múmia de Boliqueime seja re-eleita à primeira volta; é isso que está em causa. Numa segunda volta, face à dramatização das condições a malta escolhe (entre pouco, mas escolhe) – mas uma certa esquerda com fama de radical, mas com práticas muito pouco racionais, parece almejar a conviver “mais democraticamente” com o Cavaco quanto mais tempo melhor (querem o pior, se não o inimigo principal passaria a ser a ala menos neocon do PS e o Bloco)

    • Renato Teixeira diz:

      Isso. A frente pelo voto contra Cavaco conta consigo. Para lhe tirar o “brilho”, a “cagança” e porque é o pior dos neocons. Votemos contra a múmia mesmo que para isso tenhamos que votar no governo. Acho que o Xatoo não fica em grande posição de mandar farpas a “uma certa esquerda que tem fama de radical”, ou será que me escapa a racionalidade do seu voto?

  5. xatoo diz:

    Renato, partindo de diagnósticos errados jamais chegarás lá…
    confundes as coisas dando uma importância demasiada e uma autonomia ao governo que ele de facto não tem. Há um pacto de regime, uma frente coesa concertada entre a Presidência (que responde perante os aliados na Nato) e o executivo saído da ala neocon do P”S” (que tem a mera função de zelar pela conservação da ordem interna e pela boa cobrança de receitas nos impostos). O “Governo” é um fato de bom corte, por ironia encomendado ao que parece nos melhores alfaiates dos EUA, com um gajo metido lá dentro para ser zurzido pelas massas (sócrates, passos, ou quem seja)

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