Allegro moderato, ma non troppo pianíssimo!

Desde que a campanha presidencial começou os alegristas já tentaram justificar a sua falta de empatia e capacidade de mobilização com o apoio precoce do Bloco de Esquerda, com a demora do apoio do Partido Socialista, com a ausência de debates, com Cavaco Silva, com a crise, com o assassinato de Carlos Castro, com o Fernando Nobre, com o BPN, com o BPP, com a CGD, com a presença de Fernando Lima na comissão de honra, com o Jose Manuel Coelho, com a chuva de aves no Arkansas, com o voto em branco, com os votos nulos e parece que chegou a vez de apontar baterias (e meia dúzia de impropérios) aos abstencionistas de esquerda.

Assim, os tiros da candidatura do Alegre parecem ter mudado de destino… outra vez. A chantagem, feita sobre quem não se convence das alternativas oferecidas nestas eleições e prefere não confiar o seu voto a nenhuma candidatura, é auto-complacente. O insulto, de que quem não está com as candidaturas contra o Cavaco está com Cavaco, é espúrio e justificativo.

Sem deixar de perguntar porque é que todos esses grandes debates substituíram o debate sobre a governação do engenheiro Sócrates e com isto as razões sobre o silêncio sepulcral desta candidatura relativamente ao actual governo, será que não fazem, vá lá, uma ou duas auto-críticas?

Imaginam-se longos os discursos na noite de dia 23 de Janeiro.

PS: Em função de tudo isto, entre outros factores negligenciados, a campanha de Cavaco Silva fez saber que vai intensificar as suas críticas ao governo. Neste particular sabe que só poderá ter a concorrência da candidatura de Francisco Lopes.

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15 respostas a Allegro moderato, ma non troppo pianíssimo!

  1. o desespero salta todas as barreiras …

  2. Rui F diz:

    E o Coelho está na frente de Lopes nas sondagens.

    Cavaco alinhado com o PC?
    É Natural que sim. Ex presidentes de Camara do PCP (agora independentes) no Alentejo estão com Cavaco.

    • Renato Teixeira diz:

      Há sempre um BE por perto para lembrar ao PCP como se fazem coligações positivas.

      • Rui F diz:

        É muito mais fácil uma aliança PCP-PSD com o PSD a fazer cedências no código do trabalho, do que a mesma aliança com o PS.

        • Renato Teixeira diz:

          Uma vez mais se engana em quem é melhor no quê. Para desmantelar códigos de trabalho, o PS faz bem o serviço sem precisar da ajuda de ninguém.

  3. Renato isso é obra dos «spin-off doctors» que orbitam sempre à volta destes ‘acontecimentos’.
    A ideia é tentar culpabilizar uns quantos, a ver se pega e se se acrescentam uns votos por outros, mesmo que dados contra vontade.

    • Renato Teixeira diz:

      Percebo a ideia mas é francamente limitada e até pode ser contra-producente. Veja, é uma candidatura que hostiliza toda a gente, esquecendo que devia era estar a tentar ganhar votos a toda a gente.

      • LAM diz:

        “Veja, é uma candidatura que hostiliza toda a gente, esquecendo que devia era estar a tentar ganhar votos a toda a gente.”

        “hostiliza toda a gente”?….pelas críticas que se lêem aqui pela mão do Renato, antes pelo contrário. O que tem sido mais relevado é a tal sopa de pedra em que cabe tudo e mais alguma coisa. Aliás, dizer que a candidatura do Alegre hostiliza toda a gente, com a sanha que o Renato tem posto diariamente na campanha contra Alegre, pode levar a pensar que mais do que a candidatura de Alegre, há aí uma grande pedra no sapato…
        (não sei,digo eu, cheira a isso…)

        • Renato Teixeira diz:

          Uma pedra não, várias, mas não justificam a minha campanha, declarada, contra a candidatura do Alegre.
          Isso deve-se ao facto de, hoje, ser mais importante derrotar o socratismo do que o cavaquismo.

          A hostilização, para lá da pandilha que os forma, é contra tudo e contra todos os que, principalmente à sua esquerda, lhes fazem críticas. Fica-se com a impressão, como há dias li alguém escrever por aí, que quem não está com Alegre, Sócrates e Louçã só pode estar ao serviço da CIA, da Opus e do Cavaquismo, num caso claro de acumulação ilícita de cargos e reformas.

          • LAM diz:

            uma coisa serão as críticas, algumas justíssimas que aliás compartilho, outra são enxurradas quase diárias de críticas a uma e uma só candidatura, como se a deAlegre fosse (e aí eu acho que não é), a pior coisinha que aí está. E não é, apesar (um enorme “apesar”) de ser a candidatura “oficial” do Ps, porque ninguém estará tão incomodado nem engoliu um sapo tão grande quanto Sócrates o que, a mobilização em acções de campanha, pelo menos o que tem passado nas tvs com muito poucos apoiantes, tendo em conta o apoio formal de um grande partido, tem mostrado que o apoio socratista é meramente formal para cumprir calendário. Não acho por isso ( independentemente de opções estranhas entre cavaquismo ou socratismo), que o maior sucesso da campanha de Alegre dite qualquer tipo de maior apoio a Sócrates. Antes pelo contrário e como se tem visto às figuras mais tenebrosas do socratismo, uma continuidade de Cavaco vinha mesmo a calhar.

          • JMJ diz:

            Pegando nas palavras do Renato, hoje, importante, importante é mesmo fazer sentir a todos os portugueses que Cavaco, Alegre, Nobre e Moura e Socrates, Passos Coelho e P. Portas são uma e a mesma coisa.

            Não são faces da mesma moeda. São dedos da mesma mão que nos rouba todos os dias as moedas que levamos no bolso!

            Cavaquismo, Socratismo, Soarismo, Guterrismo, Barrosismo… não são mais do que cabeças da mesma “Hidra de Lerna”. Matemos a Besta e morrerão as cabeças.

          • Renato Teixeira diz:

            Discordamos LAM. Para mim é a candidatura que mais merece críticas diárias e não só até ao dia 23 de Janeiro.

            É que esse seu “apesar” é absolutamente central para clarificar campos à esquerda e se para outra coisa esta eleição não servir, basta-lhe o facto de ficar claro que há caminhos que não se devem fazer, nem repetir.

  4. Mariano Carvalho diz:

    Alguns elementos estão a ajudar a campanha de Cavaco Silva:

    -A comunicação social.

    -A campanha de Fernando Nobre.

    -(neste espaço) Os -posts- lançados pelo pseudo-esquerdista, que se diz anarca, Renato Teixeira.

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