Nem só de Manuel Alegre vive o BE – Corrente interna apela ao voto em branco ou em Francisco Lopes

“(…) O Bloco de Esquerda, partido de que fazemos parte, não será um mal menor votar e apoiar Manuel Alegre? O problema é que este raciocínio é o que tem primado na esquerda, há mais de trinta anos, apoiar e votar no mal menor. E tem sido o “mal menor” que tem dado cabo do país e dos seus trabalhadores, das gerações futuras e do meio ambiente. Com efeito, o PS, todos os seus governos, todos os seus secretários-gerais foram os mais acérrimos executantes da destruição da vida de quem trabalha e os mais acérrimos defensores do capitalismo em Portugal e no mundo.

(…) O próprio Manuel Alegre, o de hoje, não deixa de se reconhecer no PS, não se separa nem um milímetro de José Sócrates, e todas as críticas que aqui e acolá faz são sempre na óptica de poupar o actual governo.

(…) O que nos falta nestas eleições presidenciais não é um Bloco envergonhado, mais ou menos firme ao lado de Alegre, mas um Bloco com coragem, que tivesse afirmado uma candidatura verdadeiramente anticapitalista.

(…) Resta, portanto, o voto em branco ou no candidato do PCP. Admitimos ambos os votos como votos possíveis, dado que no actual quadro político das candidaturas concretas presentes ao sufrágio, a 23 de Janeiro, não existe qualquer outra possibilidade coerente.”

Ruptura – FER

Este artigo foi publicado em cinco dias and tagged , . Bookmark the permalink.

35 respostas a Nem só de Manuel Alegre vive o BE – Corrente interna apela ao voto em branco ou em Francisco Lopes

  1. António Dias diz:

    O Renato já leu o livro “Cão Como Nós” de Manuel Alegre?

  2. Uma corrente/ grupo interna do BE a apelar directamente a outra opção que não a oficial parece-me grave, dá a ideia de existência de um partido dentro de outro, o BE. Entendo a divergência individual como é o meu caso, natural, agora apelo organizado (direcção da corrente indica o voto aos seus) não, pode provocar fracturas insanáveis.

    • Renato Teixeira diz:

      Isso foram portas abertas no tempo do Soares.

    • Miguel Lopes diz:

      “Entendo a divergência individual como é o meu caso, natural, agora apelo organizado (direcção da corrente indica o voto aos seus) não, pode provocar fracturas insanáveis”

      Creio que esses apetites centralistas e autoritários é que podem causar fracturas insanáveis!
      A divergência, essa é saudável e recomenda-se. Ajuda a combater a cultura de groupthink e o cheiro a rebanho seguidista que costuma atrair toda a espécie de carreiristas.

      Cumprimentos

  3. [b]Renato[/b], não tenho a certeza absoluta, (até porque nunca lá estive, mas as coisas vão-se sabendo cá fora) mas creio que esses gajús eram/são uma mistura de ex-pessoal da OCMLP (o ‘Grito do Povo’ carago do Puarto) e trotskas da linha dura, o chefe era um tal de Gil qq. coisa.
    Nem sabia que não tinham já sido assimilados
    😉

    • Renato Teixeira diz:

      A ver vamos, a ver vamos.

    • Paulo Jorge Vieira diz:

      a bem da verdade… caro James o Renato foi um elemento destacado e dirigente dessa corrente que linkou neste post

      • Tiago Mota Saraiva diz:

        “a bem da verdade…” porquê?

        • Renato Teixeira diz:

          Também me escapou Paulo. Queres esclarecer?

          • achei interessante o Renato ter publicado uma posição pública de uma organização da qual saiu…

          • Carlos Vidal diz:

            Este Paulo Jorge “qualquer coisa” Câncio, não esclarece nada. Actua por insinuações primárias, não esclarece nada, porque nem a si próprio esclarece. Não sabe ao que anda. Como se um ex-qualquer coisa não pudesse citar ou linkar essa coisa, ou dela se aproximar ou reaproximar, de todo ou pontualmente.

          • Renato Teixeira diz:

            Por essa ordem de razão, deveremos questionar, quando falas sobre orientação sexual, se já terás tido outra que não a tua? És um provocador inqualificável que ainda por cima suja as mãos com métodos delaccionistas sem nenhuma razão pois em momento nenhum escondi a minha agenda de interesses.

            Em mais 600 post meus não encontrarás um a considerar a política do Ruptura FER, e neste também não considero. Apenas e só como estamos em plenas presidenciais, a sua posição sobre elas justificava uma linkagem. Tenho seguramente muitas ideias sobre essa corrente e haverá motivos que me fazem continuar sem falar dela, seja em que condições.

            Assim tu tenhas a gentileza de respeitar essa sabática.

          • Carlos Vidal diz:

            Certeiro, Renato Teixeira, e no ponto certo.
            Mas não esperes resposta: aquela coisa não dá para mais.
            (Ainda virá para aqui dizer que na adolescência lias Hayeck, e outras coisas piores: que partiste uma cadeira na sala de matemática, que colaste um cartaz no recreio, que foste macrobiótico…..)

          • Renato Teixeira diz:

            Nem Hayeck, nem macrobiótico. 😉

  4. Vítor diz:

    no próximo domingo faz seis anos que o meu pai partiu desta existência. O meu pai era um republicano e comunista. Nestas eleições, estaria ao lado de Francisco Lopes, mas não atacaria o candidato Manuel Alegre, como faz o Renato Teixeira.
    Através dele, amo a leitura e considero que aquilo que me disse uma vez faz sentido: é preferível alguém que saiba ler e escrever, do que alguém que apenas lê estractos bancários.
    Sim, é preferível alguém que escreve na presidência, do que outro que vende acções de bancos falidos.
    O António Dias leu o “Cão Como Nós”, um livro que gostei. Outros leram os poemas.
    Agora, é altura de defender o escritor, contra estes ataques repetitivos de alguém que não se sente.
    Por isso, eu proponho a todos o seguinte: a partir do próximo domingo até ao final da campanha, contribuir com um poema ou uma citação de um livro de Manuel Alegre nas caixas de comentários do Renato Teixeira.
    A favor da literatura, contra o artificial do candidato da direita e esta anomalia repetitiva do Renato Teixeira.

  5. Carlos Vidal diz:

    Ora bem, Renato, aos poucos vais lá parar – não como mal menor, mas como “positividade”.
    Porque a importância do voto em Francisco Lopes é cada vez mais óbvia.
    E, está visto, vais perdendo a vontade de votar em branco (é uma coisa muito ingénua), ou nulo (é melhor que “branco”, mas não passa de um desabafo temporário, uns segundos de “festa”), ou praticar a abstenção (aqui, sim, a coisa é a mais correcta, é a verdadeira desobediência para quem não se revê nem no processo que levou a estes candidatos nem em ninguém).
    Eu voto Francisco Lopes.

    • Renato Teixeira diz:

      Eu votaria se tivesse a garantia de não estar a dar o meu voto, ainda que recauchutado, à candidatura Alegre. Brancos, nulos e a abstenção terão grande significado político. Infelizmente.

      • Carlos Vidal diz:

        Não, como crítica e recusa global de um sistema, só a abstenção conta.
        As outras formas são “participação”, “obediência”: isto é, recusas a situação que conduziu aos candidatos presentes, não vais às assembleias de voto. Ou recusas um mundo, ou nele participas (nulo ou branco, é participar).
        Noutra perspectiva, o voto em Francisco Lopes não pode ser “convertido” em voto Alegre. Votas Lopes. Numa 2ª volta, se houver e se sobrar Alegre (espero que não), não tens de comparecer. O voto Lopes nunca é voto “Alegre recauchutado”.

        • Renato Teixeira diz:

          Não estamos de acordo. Acho que há eleitores que votam em todos os candidatos contra o estado actual de coisas, levados na corrente eleitoral que varre o país. Votarão na sua maioria branco e nulo, e alguns ficarão convencidos, freudianamente, que estão a votar para derrotar o cavaquismo. Outros ainda votam naquele que mais chateia o que menos gostam. O mapa dos estados de espírito deve dar para tudo.
          Em sentido inverno alguns abstencionistas são potenciais fascistas embora concorde que a maioria destes tenha a progressiva noção que os que mandam nisto a turno são uma quadrilha de bandalhos.
          Em alguns contextos, como este, essas expressões eleitorais ganham, alguma, ainda que pouca, expressão política.
          Quanto a Francisco Lopes, também aqui, é esperar para ver, embora, também paradoxalmente, a mais que provável vitória de Cavaco já na primeira volta possa resolver o dilema.

          • Carlos Vidal diz:

            Atenção que uma coisa é aquilo que leva as pessoas a votar nulo (o que é, para todos os efeitos, uma comparência nas assembleias de voto e um sinal de participação nos Registos), outra é aquilo que tu ou eu pensamos sobre o votar nulo e a abstenção.
            Se achares que estamos, por via de um sistema iníquo sem emenda, perante uma farsa eleitoral (e é mais ou menos nesse sistema que vivemos, onde só podem ganhar PS ou PSD), então votar nulo é votar: é isso que constará nos Registos – que foste lá e votaste, e participaste num sistema, este, bipartidário e antidemocrático.
            Quanto ao PCP e ao Francisco Lopes, têm uma mensagem muito clara: Lopes nunca repetiu a lenga lenga do costume do “presidente de todos os portugueses”, pois sempre foi muito claro acerca daqueles que não representa. E isso mais ninguém fez nem faz!

  6. susana diz:

    e o “sentido inverno” é irreversível.

  7. Manuel diz:

    Bom, se o Renato me permite, começo eu, pois não estarei amanhã em Lisboa:

    Cão Como Nós

    Como nós eras altivo
    fiel mas como nós
    desobediente.
    Gostavas de estar connosco a sós
    mas não cativo
    e sempre presente-ausente
    como nós.
    Cão que não querias
    ser cão
    e não lambias
    a mão
    e não respondias
    à voz
    Cão
    Como nós.

    (De Manuel Alegre, em 2002, “Cão Como Nós”)

    Este é um belo livro, talvez até um hino à literatura portuguesa e, se me permite o Renato, quem escreve assim, sente.
    Os que vendem acções e lêem os extractos de contas bancárias, não sentem.

    Saúde e bom fim-de-semana

    • Renato Teixeira diz:

      Não vejo que as capacidades literárias do Alegre nos salvem do Cavaquismo. Mas cite, cite, que o poeta é bom em armar os outros de argumentos contra a sua natureza política.

  8. Posso meter-me nesta ‘conversa’ ?
    Só conheci este gajo muito vagamente, mas ele foi casado com uma grande amiga minha.
    A “lírica” é desse «tio» de que os senhores estavam falar aí acima.

  9. Ho Chi Mihn diz:

    Boa merda os versos do Alegre. E que tal citarmos Ary dos Santos?

    Serei tudo o que disserem
    Por inveja ou negação:
    Cabeçudo dromedário
    Fogueira de exibição
    Teorema corolário
    Poema de mão em mão
    Lãzudo publicitário
    Malabarista cabrão.
    Serei tudo o que quiserem:
    Poeta castrado, não!

    Os que entendem como eu
    As linhas com que me escrevo
    Reconhecem o que é meu
    Em tudo quanto lhes devo:
    Ternura como já disse
    Sempre que faço um poema;
    Saudade que se partisse
    Me alagaria de pena;
    E também uma alegria
    Uma coragem serena
    Em renegar a poesia
    Quando ela nos envenena.

    Os que entendem como eu
    A força que tem um verso
    Reconhecem o que é seu
    Quando lhes mostro o reverso:
    Da fome já não se fala
    -É tão vulgar que nos cansa-
    Mas que dizer de uma bala
    Num esqueleto de criança?

    Do frio não reza a história
    -a morte é branda e letal-
    Mas que dizer da memória
    De uma bomba de napalm?

    E o resto que pode ser
    O poema dia a dia?
    -Um bisturi a crescer
    Nas coxas de uma judia;
    Um filho que vai nascer
    Parido por asfixia?!
    -Ah não me venham dizer
    Que é fonética a poesia!

    Serei tudo o que disserem
    Por temor ou negação:
    Demagogo mau profeta
    Falso médico ladrão
    Prostituta proxeneta
    Espoleta televisão.
    Serei tudo o que disserem:
    Poeta castrado, não!

    • Renato Teixeira diz:

      Nada como subir o nível literário. O final é retumbante:

      “Serei tudo o que disserem
      Por temor ou negação:
      Demagogo mau profeta
      Falso médico ladrão
      Prostituta proxeneta
      Espoleta televisão.
      Serei tudo o que disserem:
      Poeta castrado, não!”

  10. O Ary era um gorducho sensacional.
    🙂
    A irmãs dele vivia a 20 metros de mim noutra semi-aldeia, e uma vez (a gente encontrava-se no café e falávamo-nos…) ofereceu-me um CD com o Ary a recitar o seu próprio ‘stuff’.
    Andava à procura dele (CD) a ver se vos conseguia dizer o nome d’ele, mas estive uma meia-hora a revistar gavetas e só encontro o que não quero…
    Mas é uma coisa sem música, com ele a dizer e mais nada, se bem estou lembrado.

  11. Corrigenda:
    * irmãs = irmã.

    🙁

  12. O Paulo Jorge não se preocupe, , uns 3/4 desse pessoal, estou a falar do <Bloc'u e do PêCêPê ( e também dos outros todos, já agora…) foram meus/nossos colegas nas facs. desta vida.
    Podíamos não nos frequentar, mas conhecíamo-nos todos, à época.
    Agora claro que é diferente, e há muita mais gente, impossible to keep track of all of them.

  13. francisco caetano diz:

    ESPERO que o voto em francisco lopes não seja a antecâmara do voto em alegre. o que li em victor[dias] não me deixou lá muito tranquilo. admiro concordo e respeito v.d. mas essa porta aberta à votação em m.a. numa hipotética 2º volta!!!!!!!primeiro deve-se votar em f.l.com TODA a confiança e só depois se deverá tecer considerações sobre o primado da escrita em relação ao preenchimento de cheques para compra de [boas]acções em bancos manhosos.

  14. Luis Costa diz:

    Errado!!!!
    podiam apelar ao voto do Nobre, porque ele é transversal, tem apoios de militantes de todos os partidos e ele pode chegar à 2 volta, tem sensiblidade social e é contra o sistema politico como está.

    Luis Costa

  15. Pingback: Pérolas revolucionárias | Total Blog

Os comentários estão fechados.