“Sem amor e sem raiva as bandeiras são pano que só vento electriza em ruidosa confusão de engano.”

A esquerda Alegre perdeu de vez o tino. Sem saber como defender a sua candidatura só falam de Cavaco Silva, numa estratégia que ainda vai render mais votos ao “professor”, à abstenção, aos votos brancos e aos nulos. A esquerda que não vota num “gajo qualquer”, nem “a bem da nação”, agradece.

Título roubado ao poema “Pior que não cantar” publicado no livro Terceira Idade, de Mário Dionísio. Vale a pena reler a citação no seu conjunto:

Pior que não cantar é cantar sem saber o que se canta

Pior que não gritar é gritar só porque um grito algures se levanta

Pior que não andar é ir andando atrás de alguém que manda

Sem amor e sem raiva as bandeiras são pano
que só vento electriza
em ruidosa confusão
de engano

A Revolução
não se burocratiza!

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37 respostas a “Sem amor e sem raiva as bandeiras são pano que só vento electriza em ruidosa confusão de engano.”

  1. Leitor Costumeiro diz:

    É Bonito!!
    Posso espalhar este cartaz por aí?
    É melhor que os outros candidatos…

    • Renato Teixeira diz:

      A criação original é de Gui Castro Felga e anda por aí sem adaptações em qualquer blogue da esquerda Alegre.

  2. Leitor Costumeiro diz:

    Hum!!!Isso já anda assim?!
    Já sabem que dizer pra votar em Alegre, não mobiliza…

  3. Tiago Silva diz:

    Apesar de me ter apercebido que no Facebook o Miguel Cardina, por exemplo, achava muita “piada” a este cartaz, achas mesmo que foi feito pelos Alegrófilos?

    Either way, é um facto que ela reflecte, de alguma forma, a política levada a cabo por esse sector. Reflecte o esvaziamento do discurso, a política feita tão somente pela negação. E quando é feita através de retórica positiva, é através de frases feitas e politicamente inócuas.

  4. Tenho pena de não ter sido aluno de várias pessoas, entre elas Mário Dionísio.

    Não se pode ter tudo, e andar ao mesmo tempo em todos os lugares, sobretudo se és um puto que faz o que o paizinho e a mãezinha te mandam fazer.
    Muito bonito, e soberbamente escrito, PT de lei.

    Gracias Renato>.
    🙂

  5. Pedro Lourenço diz:

    Mas não é importante que Cavaco não vença?

    Mais que importante era um sinal de sanidade que o eleitorado desta país dava.

    • Renato Teixeira diz:

      Importante era, mas essa possibilidade gorou-se com as escolhas feitas pelos partidos à esquerda. Agora a única sanidade que encontro é mostrar nas urnas (ou fora delas) que a via da conciliação é um erro profundo.

  6. Ho chu Minh diz:

    “A bem da nação” é um slogan tenebroso.

    E isso do “vote noutro gajo qualquer” é duma pessoalização das questões políticas que só serve para branquear as responsabilidades políticas (quando não judiciais…) do PS (sem D). Ou Sócrates, Alegre, Cavaco e tutti quanti não andaram sempre de acordo no essencial do que todos fizeram nestes últimos 25 anos?

  7. Ho chu Minh diz:

    o poema é lindo

  8. Aki só entre nós: “Cacaco” vença (o que vai acontecer) ou não vença (o que não vai acontecer) nada de fundamental, importante, decisivo, etc. vai mudar aqui (previsão que só me responsabiliza a mim).

    Talvez seja tempo de começar a imaginar coisas melhores para depois…
    Têm cabeça, usem-na.

    😉

  9. J diz:

    é um pouco frustrante olhar para tantos candidatos e perceber que ó mehor que se arranja é o Cavaco, mas é a triste verdade

  10. xatoo diz:

    Existe um pacto de regime entre o partido dito socialista e o partido social-democrata, duas impossibilidades politicas no actual estádio de desenvolvimento degradado do capitalismo. As coisas não podem funcionar de outro modo. Pela existência de um contrato neoliberal entre Cavaco e Sócrates, no qual um encobre o escândalo BPN enquanto a contraparte lhe paga com o encobrimento do escândalo Freeport.
    Com este pano de fundo, absorvido pelas duas cliques de negócios, se não existem partidos de esquerda, como se pretenderia que existisse um candidato de esquerda? – de qualquer forma há diferenças: não se consta que Alegre tenha alguma vez sujado as mãos em negociatas por lucros pessoais. Ao contrário de Cavaco, como estamos agora a ver cada vez melhor. Enterrar a Múmia de Belém não é uma qualquer falta de opção, é uma obrigação higiénica nacional

  11. O Beirão diz:

    De que se estava à espera destes crâneos esquerdóides? Coitados, vão ficar piores que uma barata tonta dia 23, à noite. A derrota do ‘desertor’ vai ser devastadora. Com estrondo!

  12. miguel serras pereira diz:

    Eu estou como o James Cook Alvega. A votar em gajos assim, é que não me apanham a mim (http://viasfacto.blogspot.com/2011/01/votar-em-gajos-assim-e-que-nao-me.html)
    No entanto, há indícios fortes de que, numa eventual segunda volta, Francisco Lopes recomendará o voto em Manuel Alegre. Lê-se, com efeito, no Público:

    ‘O candidato presidencial Francisco Lopes associou hoje o Presidente da República a uma iniciativa do BPP, desvalorizando a participação de Manuel Alegre numa publicidade deste banco, e acusou os governantes de promoverem uma “fusão” com o poder económico.
    Em declarações aos jornalistas no final de uma acção de contacto com trabalhadores da Mitsubishi, no Tramagal, Francisco Lopes afirmou que a publicação de um texto literário numa publicidade ao Banco Privado Português do seu adversário na corrida presidencial Manuel Alegre “é uma questão arrumada no passado”, que “parece ter sido esclarecida”.
    No entanto, sublinhou, “há também uma associação do actual Presidente da República e candidato Cavaco Silva muito clara ao ex-presidente do BPP João Rendeiro, a que se associou assumindo responsabilidades institucionais, numa promoção que andava a fazer pelo país do empreendedorismo”’. (http://www.publico.pt/Pol%C3%ADtica/francisco-lopes-associa-cavaco-a-iniciativa-do-bpp_1473914)

    msp

    • Renato Teixeira diz:

      MSP, fica-lhe mal fazer publicidade na posta de alguém sem o ingrediente civilizador que tanto aprecia. Pelo menos sem antes avançar uma ou duas auto-críticas. Sabe o que é isso?

      • Niet diz:

        Caro Renato: Duas questões, que até não colidem… Tenho perdido horas/dias a procurar elementos sobre a ” herança ” política de Trotsky e suas consequências; e descobri nos arquivos do Instituto de História Social de Amesterdam um leque de textos de Boris I. Nikolaievsky absolutamente fabulosos. Aliàs, essas ” montagens ” de Fürr, Arch Getty, Tauger e cia, dizem respeito aos Anos 30 e ao Estalinismo termidoriano mais sangrento, tentando criar a visão escabrosa de um ” pacto de terror ” ideologico entre Lénine,Trotski e Estaline.
        O grande pensador da ” Revolução Traída” bem nos alerta: ” Nenhuma ideia progressista partiu de uma ” base de massas “. É no extremo da situação múltipla que uma ideia toca as ” massas ” se, bem entendido, ela responde por si-própria às exigências do movimento da História. Todos os grandes movimentos começaram como ” residuos ” de movimentos anteriores. O Cristianismo foi antes de mais um resíduo do Judaísmo. O protestantismo um ” resíduo ” do catolicismo abastardado. O grupo Marx-Engels constituiu-se como ” resíduo ” da Esquerda hegeliana. A Internacional Comunista formou-se durante a I Guerra Mundial a partir dos ” resíduos ” da social-democracia internacional “.
        Creio, meu caro, que a luta ideológica se trava pela distinção e a separação dos processos de argumentação e diálogo, evitando o falar por falar que só pode fazer o ” jogo ” da ideologia dominante do capitalismo discricionário e desigualitário mais letal. Por isso, fico radiante por o ver defender o Leão Bronstein, com unhas e dentes.
        II. Sobre o tema do seu post. Infelizmente, nada de importante pode ser gerado deste presente ” cenário ” das presidenciais lusas onde, ao contrário do que assistimos nas Presidenciais do Brasil, os dois maiores candidatos não se distinguem por claras e frontais opções políticas e económicas. De qualquer das formas, Alegre tem outra postura e visão humanista face ao verdadeiro candidato da “nova-direita “que sugere mundos&fundos ao seu eleitorado tradicional e revanchista. Salut! Niet

        • Renato Teixeira diz:

          Já ouvi maravilhas desse instituto. Diz que até imagens de Marx tem à entrada. Imagino então o sumo.
          Curtos anos trinta esses, que juntam Trotski e Estaline. Mas se diz que vale a pena a teoria do pacto do terror, quem sou eu que nunca lá fui para desconfiar. Contudo, até o nome cheira a esturro. A ser verdade também pode não ser preocupante. Se os pactos que se baptizam com a palavra terror forem inversamente proporcionais ao que as operações de liberdade têm de liberdade, poderemos ficar descansados.

          De acordo quanto à importância dos resíduos e quanto à leitura destas presidenciais.

          • Niet diz:

            Renato Teixeira: Querer associar os métodos de Estaline a Lénine e Trotski é uma visão contra-natura e escabrosa, ensaiada pelos mencionados ” historiadores “. Creio que confundiu, cuidado! Niet

          • Renato Teixeira diz:

            Bem me parecia.

  13. Estou interessado nisso [b]Niet[/b].
    Linkinhos, ou vou seguir a sua trajectória e perde ros mesmos dias/horas ?

    🙂

  14. *Ooops… [b]Niet[/b] = Niet (diff. html codes…)
    😉

  15. Pingback: cinco dias

  16. Niet diz:

    Major Alvega: O Boris Nikolaievski reuniu grande número de inéditos de Trotski em Paris, porque dirigia um anexo na cidade-Luz do IISG até meados dos anos 60.Eu li essa referência num Blogue teórico com textos avulso do Leon Bronstein, e fiquei radiante. Textos do Boris só lá existe um de poucas páginas, o que não invalida a odisseia do espólio reunido. Sobretudo, será um grande romance só tentar sinalizar como tal espólio foi conservado em Paris, placa-giratória da espionagem soviética durante dezenas de anos.
    Niet

  17. Youri Paiva diz:

    Este cartaz está bem feito, seja feita a justiça. E, de facto, a maior preocupação é não ter novamente Cavaco Silva. Além de que é exemplificativo destas eleições à esquerda: pouco importa qual seja o candidato, desde que não seja Cavaco.

    É também uma forma de não discutir a ponta de um corno. Votem filhos, votem num qualquer que pouco importa.

    • Renato Teixeira diz:

      O problema é que para não ser Cavaco era preciso que a esquerda tivesse garantido um candidato que não fosse do Sócrates e da outra metade das razões à qual chegámos.

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