Islamofobia divide Novo Partido Anticapitalista (NPA) francês

Uma parte do partido teve toda a coragem: “uma mulher pode ser feminista, defender valores seculares e usar um véu ao mesmo tempo”, afirmou  Besancenot ao defender que o partido fosse representado, também, por Ilham Moussaïd (muçulmana praticante, que se identifica igualmente como uma feminista pró-escolha), nas eleições regionais. Apesar da coragem da sua figura pública, especialmente por estarmos num país onde o direito ao uso do véu é permanentemente atacado, outra parte do partido preferiu a cobardia de continuar a inverter as prioridades e ficar amarrada à linha dura do feminismo burn the bra, ou como se brincava nos meus tempos de República: First you lick my clit, then i’ll suck your dick.

Em consequência disso doze militantes já abandonaram o partido e a sua direcção teme uma crise profunda na base, motivo que a tem feito adiar, sine die, o congresso.

No impasse, doze militantes já abandonaram o partido em nome da unidade e com esta clareza: “não desejávamos que o próximo Congresso fosse confrontacional. Queremos permitir um debate calmo. Alguns tinham medo de nós, mas nós não queríamos islamizar o partido. (…) Precisamos de nos concentrar naquilo que nos une, na luta pela igualdade entre homens e mulheres, e não dizer que nos deveríamos vestir todos da mesma forma, que não podes usar um véu porque se o fizeres não és uma feminista. Penso que é uma demonstração de falta de respeito. Não me sinto representada por feministas que dizem que o véu é sempre uma questão de obrigação. Há muitas feministas que concordam comigo, que vêm que estou a travar as mesmas batalhas que elas, e elas apoiam-me.”

A “burocracia democrática” prepara-se assim para seguir caminho sem sequer olhar para trás. Com tantos anos de história é lamentável que não percebam que seguem menos capazes de combater a opressão religiosa e de classe sobre as mulheres bem como ver que o trilho que escolheram deixou o NPA muito menos feminista.

Via Rubra onde pode ler o resto da história.

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14 respostas a Islamofobia divide Novo Partido Anticapitalista (NPA) francês

  1. Às vezes as mulheres mandam… em Itália («Lotta Continua») primeiro reuniram números e correram com uma data de gajús demasiado machistas do Comité Central e dos regionais (alguns dos meus ‘amigos’ foram nessa leva).
    Depois, como já não havia movimento fizeram akilo que o MES cá fez depois: auto-dissolveram a organização.
    Nessa altura aplaudi, sem movimento as «organizações» só servem p’ra dar poleiro a imbecis que não sabem mais o que fazer.
    🙂

  2. Marota diz:

    First he lick her clit, then she cut his dick, sounds better…

  3. Marota diz:

    licks and cuts 😀

  4. [b]Marota[/b] o que nos vale é que aparentemente a sra. está na Alemanha, portanto ‘taremos safos, quer do cut quer do lick.

    Aber du wiesst, du weiss, vieleicht dass wollen vier…

    😉

  5. pêga diz:

    no dia em que vir deputados de rastas….

    Estratégicamente, perder o véu (quando se está livre da coação que obriga a usa-lo, que vai da força bruta à desolidarização familiar/comunitaria, real, não simbolica!) implica deixar de trabalhar COM a minoria em questão (partido de massas, né?)

    Posto de uma maneira estúpida, é como ir de fato de treino à entrevista de emprego.

    É uma questão curiosa. Para com bater aquela de “o meu marido não me deixa sair com essas roupas” então obriga-la por lei a andar de mini-saia.

    • Renato Teixeira diz:

      Veja, a ideia é precisamente a contrária, dando neste campo primazia à liberdade. No campo dos costumes não combater véus com mini-saias.

      Quanto a deputados de rastas qual seria o problema? Também os há carecas, de madeixas e com cabelo à foda-se.

  6. pêga diz:

    ah ah, eu não ACHO que seria um problema deputados de rastas. Ou não me fiz entender, ou não percebeste.

  7. pêga diz:

    Ei renato….não era bem para o autor, mas um comentário entre comentários….(atiçado por aquele primeiro “às vezes as mulheres mandam”)

  8. pêga diz:

    religião, nação, mulheres….nunca foi um assunto fino até ao momento. E descamba num piscar de olhos

  9. Pingback: Onde andam as feministas quando mais precisamos delas? | cinco dias

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