Então as FARC não estavam derrotadas?


Resistência estudantil em Bogotá

Na saudação natalícia às forças armadas, o presidente colombiano Juan Manuel Santos reconheceu que, nos últimos dez meses, o Estado somava mais de 2500 baixas na luta contra a resistência. Em comparação, em todo o ano de 2010, os Estados Unidos e os seus aliados sofreram 709 baixas no Afeganistão. A diferença dos dados atesta a dimensão do conflito que se vive na Colômbia. Contudo, os meios de comunicação social continuam a aplaudir e a forjar supostas vitórias do Estado colombiano enquanto silenciam o massacre contra comunistas, sindicalistas, estudantes e indígenas.

Nos últimos anos, as FARC sofreram importantes golpes na sua organização. Para além da morte natural de Manuel Marulanda, caíram, entre outros, os membros do secretariado Ivan Rios, Raul Reyes e Mono Jojoy. Contudo, poucos parecem perceber – ou querer perceber – que por muitos comandantes que matem outros tantos se levantarão para tomar as suas armas. Enquanto não houver justiça para os trabalhadores da Colômbia, os oligarcas não terão paz.

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35 respostas a Então as FARC não estavam derrotadas?

  1. l'outre diz:

    Estas são as mesmas FARC que raptam civis inocentes?

    A luta pelos direitos dos trabalhadores (assumindo que é isso que realmente lá andam a fazer) faz-se mantendo não-combatentes (civis) em cativeiro durante anos a fio? Devem estar a defender o direito desses civis a não trabalharem… deve ser isso…

    Haja decência…

    Crime é crime, quer seja contra anti-comunistas, quer seja contra auto-intitulados comunistas (tenho algumas dúvidas que as FARC sejam verdadeiramente comunistas, um verdadeiro comunista luta pela liberdade, nunca para privar os outros dela).

    • Bruno Carvalho diz:

      Não sei o que entende por civis mas eu vejo o mundo dividido entre quem explora e quem é explorado. E, na Colômbia, mais criminosos que os soldados do Estado colombiano são os oligarcas e os políticos que os representam e que gerem a repressão violenta contra os trabalhadores. Infelizmente, na frente de batalha, não são esses que combatem. Mas as pessoas como o l’outre devem achar que os principais inimigos são os soldados e os polícias e não os coitadinhos dos civis que dão as ordens.

      • l'outre diz:

        Civis são não-combatentes. Os civis devem ser protegidos de acções militares precisamente porque não constituem ameaça militar. Por definição os civis não podem participar em qualquer “massacre contra comunistas, sindicalistas, estudantes e indígenas”.

        Neste mundo existem aqueles que exploram, aqueles que são explorados e todos os que ficam a meio caminho, os que nem exploram nem são explorados. Tipicamente são pessoas da classe média, que se sentem realizadas, i.e. que sentem que lhes é dado aquilo que é justo face ao que produzem. São pessoas que, não tendo muito, não querem mais do que aquilo que já têm, apenas querem continuar a fazer o que gostam e a receber uma compensação justa por esse trabalho. Essas pessoas existem e, ao contrário do que possa pensar, representam a maioria da população nos países desenvolvidos.

        Muitos dos civis raptados pelas FARC são trabalhadores, não são políticos ou oligarcas capitalistas. Não faz sentido o partido que defendeu com o sangue de tantos militantes os valores da liberdade em Portugal, venha agora defender organizações que privam outros dessa mesma liberdade.

        Só para deixar bem claro: Não tenho nada contra a luta que as FARC travam em prol dos trabalhadores, mas repudio em absoluto os seus métodos (especialmente o rapto de civis).

        • Bruno Carvalho diz:

          Os civis são não-combatentes. Mas numa luta revolucionária a batalha trava-se entre trabalhadores e capitalistas. Aliás, todos os guerrilheiros eram civis antes de serem obrigados a fugir para as montanhas.

          Essa questão dos civis serve-te para justificar o não combate contra os oligarcas. Para mim, os oligarcas são o objectivo prioritário. São cabeça do problema.

          Sobre essa história da classe média, deixo-a contigo para que delires no teu mundo com gente que não é explorada e que não explora.

          E sobre os trabalhadores raptados, espero que nos tragas mais informação sobre o assunto.

          • JDC diz:

            Portanto, é a ideia do “se não estás connosco, estás contra nós”. E quem decide a “intensidade mínima de combate” aos oligarcas para que as pessoas ficam a salvo de serem raptadas? O Renato ou o chefe das FARC?

          • l'outre diz:

            A partir do momento que peguem em armas deixam de ser civis, independentemente de serem pro-patronato ou pro-trabalhador. A distinção é clara a nítida, assim como a necessidade dessa distinção.

            A existência de civis não implica o fim da luta. A luta em si não é reprovável, o ataque militar, deliberado a civis é que é. Por vezes civis inocentes morrem durante batalhas, chama-se a isso danos colaterais. É lamentável, mas acontece. No entanto as FARC mantêm civis em cativeiro durante anos, isto revela que os civis não são “danos colaterais” na guerra, mas sim ALVOS das FARC. As FARC estão em guerra também contra estes civis (muitos dos quais trabalhadores), o que é reprovável a todos os níveis.

            Quanto aos trabalhadores que estão contentes com a sua vida, sugiro-lhe que contacte com mais gente. Conheço muitas pessoas que têm um enorme prazer em ir todos os dias trabalhar porque: 1) gostam daquilo que fazem; 2) Sentem que são justamente recompensadas pelo trabalho que fazem. É típico estas pessoas dizerem coisas como “Para que é que eu quero ganhar o euromilhões, nem saberia o que fazer com tanto dinheiro”, ou “eu podia estar a ganhar bem mais se estivesse a fazer XYZ, mas prefiro estar aqui a fazer o que gosto”. São pessoas que têm todas as suas necessidades materiais, profissionais e afectivas satisfeitas, e como tal não são exploradas (se lhes perguntar se se sentem exploradas responder-lhe-ão exactamente isso, que não são exploradas). Muitas dessas pessoas também não estão em cargos onde possam explorar quem quer que seja.

            Conheço muita gente assim, e nas mais variadas profissões, das mais humildes: pescadores, agricultores, secretárias, operários fabris; às mais abastadas: professores, médicos.

      • subcarvalho diz:

        Bruno,
        alguma razão para o meu comentário ainda estar à espera de moderação?

    • subcarvalho diz:

      Meu caro,
      na esmagadora maioria dos casos, para se conquistar a liberdade é necessário acabar com a liberdade do carrasco…

  2. Renato Teixeira diz:

    Mais um caso, a juntar aos outros tantos, de jornalismo “zombie”.

  3. Renato, desculpe discordar, fui lá ver e voltei vivo e tudo, ‘caganda sorte.
    Não há nada como a realidade.
    As FARC e o ELN( ? ) hoydia são contrabandistas da «branca», recrutam (muitas aspas) campónios à força, e fazem aos peoples a mesma coisa que o exército nacional e os paramilitares de direita lhes fazem, é só escolher a aldeia e por quem quer ser assassinado…
    🙁

  4. Bruno Peixe diz:

    l’outre (sic)

    volte o seu pensamento de cabeça para baixo. A criminalidade é que é um fenómeno político, e não a política um fenómeno criminal.

    • l'outre diz:

      Não percebo muito bem o que quer dizer, mas a criminalidade é um fenómeno de justiça, e o rapto (seja de quem for) é um crime.

      • Bruno Carvalho diz:

        Claro e a revolução vai ser feita por decreto-lei…

        • l'outre diz:

          Nada é impossível camarada. Não descarte “a priori” essa possibilidade. Diversos estados fizeram transições de regimes fascistas para regimes democráticos sem recorrem a revoluções (entenda-se por revolução um golpe de estado). Teoricamente, nada impede o surgimento de um estado comunista por outras vias que não a revolucionária.

  5. koshba diz:

    Pq é q aparecem comentaristas ‘neutros’ a dar o ar de sua ‘justiça’?pQ É Q NÃO FALAM DOS MILHARES DE pessoas mortas (os FALSOS POSITIVOS,gente sem ter nada a ver com ‘isso’,vamos lá…),sindicalistas mortos,,MILHARES Presos,TORTURADOS E INCLUSIVAMENTE SEI DUM CASO ESTROPIADO,IE,seus demo cratas,com arranque de membros-é isto q a UE apoia.Xor major alvega,o xor é um ponto do caraças,enfim uma vedeta.Só para saber q as operações com droga se fazem a partir de produtos quimicos controlados(entre as quais a Bayer,a…)a LAVAGEM DE DINHEIRO-já agora pode ir perguntar à comissão de honra do cavaco,como é que se faz,como se trafica com os aviões da CIA.Talvez indo num workshop ao Kosovo fique com o know-how,em contrapartida pode ser que trave conhecimento com algum trader da Base….
    Ah,BondSteel e o stuff hub

  6. Ho Chi Mihn diz:

    Parole, parole, parole.
    A violência é a parteira da revolução e a revolução é a inevitabilidade da tirania.

    Sr. L’ outre: pessoas como você nunca fizeram nem farão nada. Limitam-se a lamentar…

  7. Bruno Carvalho fui discretamente, mas tinha lá amiguinhos, é uma safa e gasta-se menos em hotéis, topas ?
    Fotografias ? Máqina photográfica ao peito ?? Isso é estar a pedi-las, fotografa com os olhos.
    E no Peru era muito pior, nem te digo nem te conto, as criancinhas têm brutas facas (muito afiadas) punham-se aos pares à tua volta, e depoix os teus bolsos detrás dos jeans eram tirados fora. Isto no meio de Lima.
    Eu estava avisado, daí tinha uma quantia irrelevante no dito bolso (não ter nada igual a bruta facada, ter muito és trouxa…) e portanto cavei dali pr’o Brasil (onde eu vivia) logo que pude.
    Em vez de leres umas merdas por aki e por ali, vai ver como é a pôrra da realidade, talvez ela te morda se fôres suficientemente estúpido

  8. Pedro Pousada diz:

    É uma mentira pegada que as gloriosas Farc sejam uma narco-guerrilha; isso são cascas de bananas do jornalismo corporativo bolsado em Portugal pelos Jornais da situação.Não são as Farc quem controla os laboratórios high-tech onde se produz a coca introduzida nos EUA por via marítima e aérea ou quem controla o parque aeronautico que facilita o transito de tão preciosa mercadoria até à terra dos founding fathers; quem é que possui o controle sobre as importações de ácido sulfúrico dos estados unidos para a colômbia, material, aliás, essencial, para a produção de cocaína?Já nos anos 90 numa entrevista sobre o problema do narcotráfico o saudoso Raul Reyes comentava que os EUA tinham perfeita consciência que o excesso de importações desse produto tóxico (a colômbia era o principal importador latino-americano desse produto) se destinava à industria da produção de cocaína e mesmo assim nada faziam para obstar o acesso por parte dos traficantes.Money begets money. Nessa mesma entrevista Raul salientava que a produção de folha de coca existia antes do negócio da cocaína e que as farc protegiam os pequenos agricultores das pressões dos verdadeiros donos do negócio da cocaína.
    Não me façam rir com argumentos de polichinelo! A ONU e os próprios serviços norte-americanos sabem bem que os verdadeiros parceiros dos gangues que dominam o tráfico são forças armadas-exército, marinha e força aérea- colombianas.

    • l'outre diz:

      Em abono da verdade a cocaína é muito low-tech, faz-se com facilidade num vão de escada. As drogas que exigem laboratórios razoavelmente sofisticados são de outro tipo (desde o ecstasi às anfetaminas, não esquecendo o velhinho LSD). Já o ácido sulfúrico, não é apenas fácil de fabricar, como tem inúmeros usos legítimos (não apenas a produção de droga).

  9. miguel cunha diz:

    Deixo aqui o excerto de uma posta de um bloger brasileiro que faz um boa síntese da problemática FARC-nartcotráfico (quem quiser ler toda posta, é só seguir o link http://blogdodaniellopes.blogspot.com/2008/03/farc-e-o-narco-trfico.html):

    “FARC e o Narcotráfico”

    “(…)as FARC não possuem ligação com o narcotráfico. Pelo contrário (…) o controle do narcotráfico está nas mãos de membros do governo e de grupos económicos que sempre dividiram o poder no país.
    As FARC-EP condenam o narcotráfico, bem como possuem propostas bastante claras para o seu combate.
    Esse discurso do narcotráfico como fonte de financiamento da guerrilha, é um discurso que busca tão somente a criminalização da luta política como justificativa do massacre de populares e lutadores. (…)
    O único contacto que as FARC-EP possuem com o narcotráfico é aquele a que todo e qualquer pequeno agricultor da Colômbia possui: o contacto com o plantio.
    A Colômbia vive uma situação extremamente complexa. Lá inexiste qualquer apoio estatal à agricultura familiar, à pequena propriedade. Também existe uma política de grilagem e pistolagem muito forte.
    Além disso, em regiões onde a resistência de pequenos agricultores acaba por atrapalhar tal política tradicional, simplesmente diz-se área de tráfico e é feita a pulverização com desfolhantes por aviões, eliminando toda a vegetação da área e toda a agricultura.
    Assim, para os pequenos agricultores, acaba existindo um único meio de garantir a própria subsistência, que é o plantio do único produto com compra garantida e segurado pelo comprador: a folha de coca.
    É importante ressaltar que tais pequenos agricultores fazem o plantio, o cultivo, tendo a comercialização do produto garantida pelos cartéis da droga, mas a preços ínfimos, que lhes garante uma renda suficiente apenas para a sobrevivência, não podendo chamá-los de membros do crime organizado.
    Daí, o contacto que as FARC-EP possuem, é que nas áreas sob seu controle e forte influência, cobra-se uma contribuição, um imposto, pois que em tais áreas as FARC actuam até mesmo em substituição completa ao Estado.
    Tal imposto é pago tanto por agricultores tradicionais, como por aqueles que plantam sob ordens de traficantes.
    Pode-se perguntar se as FARC-EP não deveriam combater tais traficantes, erradicando o plantio dessas áreas então.
    Porém, daí surgem dois problemas básicos:
    1 – Como garantir a subsistência daqueles agricultores daí?
    2 – Será possível abrir mais uma linha de combate com sucesso?
    O governo colombiano, junto ao governo estadunidense, não possuem o menor interesse no combate ao tráfico.
    O tráfico é controlado justamente pelos grupos que sempre estiveram a frente do governo colombiano, inclusive, com envolvimento pessoal do Uribe. Aliado a isso, o tráfico vem a servir como justificativa para o apoio estadunidense para o combate às FARC, bem como, garante rios de dinheiro disponível à eles por meio de tal apoio.
    O governo estadunidense, por outro lado, não tem na sua política a prioridade de combate ao tráfico, pelo contrário, visto que os valores movimentados por este são bastante interessantes do ponto de vista económico.
    Observe-se que o ponto chave é a justificação do combate à guerrilha.
    Como uma guerrilha política, não teria como justificar a forte presença militar dos EUA na Colômbia, nem a ajuda milionária proveniente dos EUA.
    Assim, construiu-se o discurso do narcotráfico a fim de justificar tais acções.
    Observe-se que toda a acção do Plano Colômbia localiza-se ao sul do país, onde concentram-se as acções e os acampamentos das FARC.
    Entretanto, ao norte, onde concentra-se o tráfico, elas são inexistentes.”

  10. Miguel diz:

    Caro Bruno Carvalho,

    Decididamente, estamos tramados para fazer a revolução com pessoas como o caso do «l’outre», cheios de complexos e moralismos.

    A meu ver, estas pessoas – que se dizem de esquerda e até se afirmam de comunistas – lêem muitas vezes o «Público» ou o «DN», consumindo todas as mentiras e falsidades que a comunicação social – o chamado «mainstream» – difunde. Ou seja, se ouvem falar muitas vezes numa “FARC terrorista», logo admitem que as «FARC» são uma organização terrorista, nunca fazendo uma pesquisa de fundo ou lendo algumas das publicações ou artigos «independentes» difundidos, na maior parte dos casos, na «net».

    Para alguns, se aquilo «é o que dizem», então é-o, de facto, sem hipótese de esclarecimento ou debate.

    Durante a guerra entre os E.U.A. e o Vietname, alguns soldados americanos, especialmente os criminosos pilotos dos «B-52» abatidos também foram postos em cativeiro.
    Resta perguntar se uma pessoa, como o «l’outre» (ou «o outro» que eu não quero ser) também estaria ou estará contra os guerrilheiros vietnamitas?

    Saúde e bom trabalho.

    • l'outre diz:

      Quanto a publicações “independentes” difundidas na “net”, o Miguel claramente não deve conhecer o conceito de “peer review” (revisão por pares em português) amplamente utilizado nas ciências. Nem tudo o que o Público ou o DN publica corresponde a toda a verdade, mas nem tudo é também totalmente falso. O mesmo pode ser dito de todas as outras publicações, desde O’Avante ao Times. Eu tendo a ser cauteloso nas minhas fontes de informação, procurando sempre confirmação de outras fontes, de preferência mais fiáveis, assim como procurando activamente argumentos contraditórios. É um defeito da minha formação científica.

      Pilotos de B-52 (e soldados em geral) não são civis. O que é condenável é o rapto de civis, não de combatentes inimigos.

  11. a razão acaba quando se usam os mesmos métodos do suposto “repressor”.

  12. Miguel Lopes diz:

    Caro l’outre,

    Eu também defendo que a libertação de todos os civis, mas não dos polícias , soldados e outros combatentes.
    Obviamente que também defendo que as FARC-EP respeitem as Leis de Guerra. E se a guerrilha viola alguma dessas convenções, isso deve ser denunciado. Mas outra coisa é usar isso para exercício de cobardia, que consiste em vincar um distanciamento em relação àqueles que só podem resistir à tirania pela luta armada. O incómodo dos cobardes é apenas causa da impopularidade mediática destas posições, e não de uma verdadeira reflexão sobre o assunto. Quem deste lado pode fazer a mesma luta no conforto de uma bancada parlamentar tende a jogar nesse cinismo.
    Nunca esquecer que daquele lado eles não têm esse conforto, e no último processo de paz em que acharam que já podiam descansar – sentadinhos na cadeira institucional -, acabaram todos com um balázio na testa.

    “Civis são não-combatentes”

    Sim, mas isso não é o mesmo que dizer que quem não é do exército é não-combatente. Uma pessoa pode ser um combatente ilegal, como é o caso dos mercenários
    (http://en.wikipedia.org/wiki/Unlawful_combatant).

    “rapto (seja de quem for) é um crime”

    A Quarta Convenção de Genebra fala em “tomada de reféns”.

    Mas pronto, a discussão ao menos vai mais avançada porque nas notícias normalmente aparecem as palavras ‘rapto’ e ‘sequestro’ relacionadas com a prisão de combatentes. Para esses fica este artigo: http://anncol.eu/conflicto-social-y-armado/11/los-prisioneros-de-guerra-no-son-secuestrados557

    Cumprimentos

  13. Miguel diz:

    Caro Bruno,

    Apenas mais uma achega para este bom debate, em torno do tema das FARC…

    Fico estupefacto, quando leio o «l’outre» dizer a frase:

    “Haja decência…”

    Ao que parece, já não nos chega a realidade vivida em 1930-31, quando republicanos eram acusados e perseguidos por inspectores ligados à ditadura.
    Em vez de inspectores, hoje temos os “salarzinhos” ou os “inspectorezinhos” que aparecem, aqui, nestas caixas de comentários e que se afirmam «de esquerda»…
    Que vergonha para um ser, tornar-se nesta espécie de moralista …

    «Haja decência…»… uma frase que parece saída de alguma dessas paróquias de província.

    Um abraço

    • l'outre diz:

      Decência é uma virtude humana e não religiosa. É o acto de agir Honradamente, de praticar o Bem em vez de o Mal (na sua acepção filosófica). É um pilar da civilização e um ponto basilar das relações interpessoais e da vida em sociedade. Todo o ser humano, do mais ortodoxo comunista ao mais ferrenho capitalista deve almejar a ser decente.

  14. Pessoal: ‘cês axam mesmo que as armas e a s balas, eos uniformes, e toda a parafernália saiem à borla ? Ingenuidade.
    Claro que as FARC e todos os outros tinham os seus produtores de coca.
    Claro que se a coca vale dez vezes x em cima de couves ou cenouras, quem é o «paisá» que as vai fazer ?? Só se fôr estúpido…
    Depois como toda a gente quer ter uma mãozinha no negócio porque a coisa dá, , é só escolher quem é o teu protector (tens que ter um, ou vais à vida…) geografia e relação de forças mandam, axas que os agricultores dão a mínima para uns ou p’ra outros ?? Questão é saber: quem manda aki ???
    A quem é que a gente paga tributo ????

    Tontinhos, nunca lá foram (nem quiseram ir, dá muito trabalho) e axam que a vossa excelsa sabedoria vem toda nuns livros, a realidade é uma coisa incomodativa que se transforma/ignora fácilmente num texto muita bem enjorcado, assim vos valha engenho e arte…
    Pois… boa noite.

    🙁

  15. koshba diz:

    ‘Neste mundo existem aqueles que exploram, aqueles que são explorados e todos os que ficam a meio caminho, os que nem exploram nem são explorados. Tipicamente são pessoas da classe média, que se sentem realizadas, i.e. que sentem que lhes é dado aquilo que é justo face ao que produzem. São pessoas que, não tendo muito, não querem mais do que aquilo que já têm, apenas querem continuar a fazer o que gostam e a receber uma compensação justa por esse trabalho. Essas pessoas existem e, ao contrário do que possa pensar, representam a maioria da população nos países desenvolvidos.’
    Na Alemanha de Weimar também era assim o pensamento(?),desde q se sinta realizado e bem pago!!!,que se foda a ignomínia, a escravidão, os tráficos de mercadoria(droga,mulheres para atacar,órgãos frescos Humanos,armas,…)pq há um núcleo de atrasados sociais/mentais que se sente bem e q é a classe ‘Média’,concerteza q deriva da Idade Média…

    L’outre(ou seria L’autre?) do Mário de Sá Carneiro e cantado tão bem pela Calcanhoto,porque é q não vai morrer longe com a sua fraca figura mental,pelo seu egoismo,pela sua pesporrência de se sentir bem para que o mal possa proseguir.Francamente,e a classe Inferior?uma vez q há a Média

    • l'outre diz:

      Na Alemanha de Weimar as pessoas não se sentiam justamente compensadas pelo seu trabalho. A hiper-inflação galopante “comia” os rendimentos de todos (sim até dos capitalistas, mas eles tinham outros métodos para a compensar). Desconhecia que a Alemanha de Weimar tivesse esses problemas que aponta. É especialmente intrigante que a Alemanha de Weimar tivesse problemas com órgãos humanos, visto que os primeiros transplantes (um rim) foram feitos nos anos 50 (se a memória não me falha), uns bons 20 anos depois da República de Weimar ter desaparecido.

      As pessoas sentirem-se realizadas em nada diminui a sua preocupação com terceiros, ou a sua disponibilidade para melhorarem a vida de outras pessoas. Bem pelo contrário, muitas destas pessoas satisfeitas com a sua vida, são das que mais generosamente contribuem com bens materiais e tempo (voluntariado) para causas de solidariedade social (a julgar pelas pessoas nesta situação de vida que conheço).

      A referência à classe média, serve apenas para contextualizar. É um termo actual e técnico, que se refere a pessoas com rendimentos médios (não muito baixos, não muito altos). Nunca em nenhum momento disse que determinado ser humano é superior (ou inferior) a outro.

      l’outre (em vez de l’autre) é uma pequena brincadeira com muitos anos de vida.

      E francamente desejo que o koshba encontre o seu lugar no mundo. Um sítio onde se sinta feliz e realizado. Aliás, eu acredito que o Éden comunista é o local onde TODOS têm esta felicidade. A luta comunista é por levar este sentimento de felicidade e realização a TODOS e não apenas a ALGUNS. Espero que encontre esta felicidade, mas nunca se esqueça de continuar a lutar por aqueles que ainda não a têm.

  16. Pedro Pousada diz:

    Quando referi laboratórios high-tech estava a ser irónico e referia-me às Haciendas, com salões de jogos, pistas de aviação, piscina, jacuzzi e televisão de satélite onde trabalham os armazenistas da droga colombiana, protegidos pelas autoridades, está claro. Não existem palácios nem vivendas de luxo na selva guerrilheira…Mono Jojoy foi asssassinado quando dormia num bunker debaixo de terra o que não é como sabemos um resort de 5 estrelas. O retrato do jornalismo corporativo sobre as Farc é coxo como uma mentira. E eles estão bem vivos, oh se estão.Que digam as forças armadas colombianas que fartam-se de levar porrada e só tem magros êxitos à custa de traições e assassínios selectivos.

  17. André diz:

    Há que parabenizar este blog pelo seu apoio a um grupo terrorista. Sinceramente os meus parabéns.

    • Bruno Carvalho diz:

      Como deve calcular, o artigo só me compromete a mim. Pode haver quem apoie e quem não apoie as FARC neste blogue. De qualquer forma, sim, tenho orgulho em apoiar uma organização revolucionária que se bate contra um Estado terrorista.

      • André diz:

        Estado terrorista? E o que são as FARC? Algum exército de libertação contra um ditadura opressiva? Só na Lua…

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