Cortar o papel para não cortar a língua

O procurador-geral da República (PGR), Pinto Monteiro, cumpriu à letra as indicações do presidente do Supremo Tribunal de Justiça, Noronha Nascimento, para destruir nos seus despachos sobre o caso Face Oculta – cuja instrução se inicia hoje, em Lisboa – as transcrições das conversas entre o primeiro-ministro, José Sócrates, e o ex-banqueiro Armando Vara. Pinto Monteiro não se limitou a rasurar ou a eliminar as passagens dessas conversas: as folhas dos autos foram retalhadas à tesoura nos sítios onde estavam registados os diálogos entre Sócrates e Vara.

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Uma resposta a Cortar o papel para não cortar a língua

  1. JP diz:

    Li e não acreditei. Verifiquei a data do jornal e não era 1º de Abril….

    A justiça portuguesa ainda está na idade média. Qualquer editor de texto permitiria eliminar essa escuta de forma mais elegante, simples e – mais importante – rápida. Desta forma houve alguém cujo único trabalho durante dias foi andar a fazer recortes. Qual foi o custo disto? Quantos processos estiveram em espera? E isto na PGR!!!

    Ainda se lembram do registo de alterações no processo Casa Pia que estava activo nas impressões e adiou alguns dias a entrega das sentenças??!?!?

    Se isto é assim no mais simples procedimento como será a qualidade da própria justiça? E da restante administração pública? Assim não me admiro nada da demora na justiça. É muito muito triste…

    Enfim, ficarei à espera da notícia em que os monitores são trocados por terem usado corrector nos ecrãs…

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