“Paparazzi Anti-Genocídio” – What else?

George Clooney: humanista, playboy ou cão de fila?

Apesar daquele ar pedante armado em Mata Hari, Clooney não é um dos piores actores de Hollywood. Longe, muito longe, da beleza da diva, o actor parece querer aproximar-se da dimensão secreta da espia que coloriu o universo onírico dos nossos avós.

A aliança da qual virou padrinho, a par de outros playboys como Brad Pitt e Matt Damon, e que unifica nada mais nada menos do que a Google, a ONU, a Tellon e a universidade de Harvard, foi baptizada de forma sugestiva e, apesar da pintura do paleio humanitário, deixa a descoberto algumas das suas intenções: “Satellite Sentinel Project”.

As boas maneiras vendidas na apresentação do projecto esfumam-se com a visita ao site da organização e às capacidades que estes novos satélites terão de controlar hoje as patas do império no Sudão, amanhã as bombas que começaram a fazer estalar o verniz na Grécia e na Itália, para mais à frente espreitar para dentro de toda a actividade humana pouco compatível e cada vez menos tolerante com o anormal estado de coisas.  Do mais singelo e integrado associativismo às enormes capacidades que se estão a gerar no campo da resistência.

O “medo”, que Esther Mucznik, sábia mas sedenta de sangue, considera, no Público de ontem, ser “mau conselheiro”, capaz de “turvar-nos o pensamento e paralisar-nos”  (uma delícia a primeira pessoa do plural) e conduzir à criação de vazios “propícios aos falsos profetas de amanhã tão radiosos quanto falsos”, é a verdadeira razão do programa. A bonomia do iniciativa serve apenas para que um velho projecto continue a sua epopeia rumo ao absolutismo. Paradoxalmente, ou talvez não, os Wikifóbicos serão os maiores entusiastas do controlo de cada vírgula da parte da sociedade que se dedica à subversão, continuando a clamar pelo segredo de Estado quando em causa está a prossecução impune do seu terror.

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6 respostas a “Paparazzi Anti-Genocídio” – What else?

  1. maradona diz:

    O esforço para “debater ideias” é uma das coisas que mais admiro em vossas excelências; é que não páram, sempre a pensar nas merdas e o caralho. esto agora do sudão está bem caçada; e aquela cena de cada trabalhador só poder ter duas casas é outra das ultimas, também extremamente visionária (enfim, uma ocado copiona, mas pronto): não é uma, não são três, mas exactamente duas. ve-se que pensaram nisso, com raciocinios e essas cenas assim; um gajo fica curioso com o que é que têm mais preparado para a gente. Deve ser por serem todos tão cerebralmente activos que depois têm projectos para o país e o mundo (ah, e os trabalhadores, esquece-me sempre desses gajos), e eu não, o meu único projecto é obedecer (de perferência deitado). um bom ano para todos vocês (eu incluído): este é, de muito longe, o meu blogue preferido, a minha melhor escapatória da malha conceptual que o império me impige sem que eu me aperceba; desde que descobri o 5 dias que nunca mais vi o mário crespo. we’ll always have Corpo de Intervenção da PSP.

    bom ano
    pessoa sob a capa do anonimato

  2. V. KALIMATANOS diz:

    “os Wikifóbicos serão os maiores entusiastas do controlo de cada vírgula da parte da sociedade que se dedica à subversão”.

    Depende daquilo que você entende por “wikifóbicos”, Renato. O que palpito é que ao meu amigo lhe deve sobrar muito pouco tempo para ler (e compreende-se com um output como o seu, mas infelizmente nunca nos fala das subidas e descidas do preço da lamejinha na bolsa) as novidades wiki em terras do ultramar em relação a este blogue. Gostaria de ser um wikífilo. Ajude-me a sair desta confusão.

    • Renato Teixeira diz:

      Veja, todos temos patrão. E enquanto o meu for das novas nações africanas, continuarei a nada escrever sobre as suas saudades insistem em chamar de Ultramar. Fidelidade laboral é uma coisa muito linda. Conhece o fenómeno? Um vendido espúrio é o que é.

      Quanto ao resto, claro. Deixo as leituras para o Maradona uma vez que estou demasiado estafado com a dimensão do meu output.

      Ó Kalimero, tanta cagança devia dar direito a uma lamela de imodium.

      • V. KALIMATANOS diz:

        Renascido,

        O que eu lhe perguntava, se não estou esquecido, era o que você entende por “wikifóbia”. Se você vê “cagança” nessa simples pergunta, que dizer então da cagada que você praí alinhavou como resposta. O termo “ultramar” só tem a ver exclusivamente com territórios africanos, novos ou velhos, na cabeça de pessoas como você, maus navegadores, embora excelentes na bicicleta.

        Vá ao Proudhon, talvez o homem o ajude. Ajudar, ajudaria, mas duvido que o que há faça parte da sua bisblhioteca.

  3. Numa nota absolutamente lateral: akeles anúncios da Nexxxxpresssumica com ele e o João Malqueoviste são absolutamente geniais…
    Comprei a minha há 3 ou 4 anos, (125 € mas era uma promoção, a Nesxxelética devolveu-me 50€ duas semanas después…) mas axo que o aparelhómetro está a precisar de estaleiro.
    O coffee é excelentex, entregam no dia seguinte à encomenda, e custa 30 e tal cêntimos, por comparação com os 55-60 da bica em qualquer estabelecimento…

    😉

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