Uma pequena contribuição para ajudar a combater a crise

Um hábito muito francês de fim de ano é a publicação de “bêtisiers”: compilações de “lapsus linguae” ou de declarações particularmente divertidas ou ridículas de personagens públicas. Na edição deste ano correspondente à câmara municipal da cidade onde habito (Boulogne-Billancourt) descobri este interessante debate sobre uma taxa municipal aplicável aos hotéis que pode dar aos nossos governantes ideias para uma nova fonte de receitas que permitirá, seguramente, resolver alguns problemas do orçamento de estado:

– Les Boulonnais ne vont pas dans les hôtels de la ville
– (ricanements)
– Vous avez vraiment l’esprit mal tourné. Si des Boulonnais y vont pour ça, c’est normal qu’ils paient la taxe, ils sont en faute.

Tradução livre :

– Os Bolonhenses não vão aos hotéis da cidade
– (risos)
– Vocês têm o espírito deformado. Se os Bolonhenses vão para isso é normal que paguem a taxa, estão a fazer uma asneira.

Será que alguém pode dar, ao ministro das finanças Português, a ideia de criar um imposto dobre o adultério? Tenho a certeza que o rating soberano subia imediatamente.

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3 respostas a Uma pequena contribuição para ajudar a combater a crise

  1. lol Pedro Ferreira
    Estive uma única vex na sua cidade, á conta de uns emigras très sympa que conheci no Sud-Express e me convidaram p’ra ir lá a casa.
    Também andei pela fábrica da Renault (nem sei se ainda existe) mas o tuga-mor era chefe de equipa ali, deu-me um pequeno «tour» lá por akilo, gostei de ver…
    Creio que nos velhos tempos o Sartre, o Geismar e quem sabe se também o Sauvageot andaram ali à porta a distribuir pânflios
    Eu não.

    🙂

    • Pedro Ferreira diz:

      Caro Alvega, muito há para dizer sobre Boulogne-Billancourt, a Renault fechou a fábrica já lá vão quase 10 anos, e temos hoje uma parte importante da cidade em plena transformação…
      Quase tudo foi demolido, mas é interessante notar que mesmo sendo a cidade governada pela direita (UMP) estes decidiram preservar a fachada da Renault onde Sartre pronunciou o célebre discurso aos operários em Maio de 1968
      ( http://dai.ly/dFp6rQ ).

  2. Como lhe disse o meu conhecimento da sua cidade foi absolutamente episódico (2 dias ?), na altura eu estava em Athis-Mons (ao pé de Juvisy), kilómetros de distância…
    Espero que B-B se recomponha de feição, UMP oú pas…

    🙂

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