Fala o Renato, meu oponente e companheiro de armas, do “sonho molhado” da direita radical, a das saudades do bombismo de 75 (ELP / MDLP), falo eu agora dos meus sonhos molhados, onde entram Caravaggio, Estaline, Mao e, sobretudo, Shyla Stylez! (e isto é uma resposta ao post do Renato Teixeira)

SHYLA STYLEZ; site: http://shylaxxx.com/tour/index.php?nats=MC4wLjEzLjE2LjAuMC4wLjAuMA
Genuíno! Horas de contemplação, como diz o outro.

O post do Renato a que me refiro, todo ele tresandando de anti-sovietismo primário (meu caro amigo, revê isso, pá!), é acompanhado de uma foto (montagem) e legenda sintomática; diz, nessa fotomontagem, o grande naïf Trotsky que tem as “mãos limpas” e “quem nunca aterrou por aqui fui eu”. Mas o que é isto, ó camarada Renato, erigirmos como símbolo alguém que “tem o cadastro limpo”. Que puritanismo é o teu, camarada de armas?? Também achas que a transformação social é um convite para jantar? – que eu aceitaria de bom grado, como o vinho e o arranque da V Internacional. Talvez agora com sede e gestação na América Latina, mas sempre respeitadora do passado, de Moscovo a Pequim. Não vou lá por menos. Por isso, é claro que insisto naquilo que chamas a “heterodoxia soviética”. Sim senhor, insisto!

Desculpa lá, mas às vezes fazes-me lembrar os violentíssimos discursos do nosso companheiro Enver Hoxha (a quem presto homenagem), quando se balançava para as críticas à URSS kruchoviana (e tu até vais mais longe, apontas armas para toda a URSS depois dos anos 20!). Mas ele era lúcido, o Hoxha, extremamente lúcido, porque sabia que aquela (a URSS) era a pátria da emancipação, o lugar que mostrou ao mundo outro mundo (assim tornado possível), por isso ele afirmava no Relatório ao VII Congresso do Partido do Trabalho da Albânia (anos 70); lê com atenção: “Um outro grande mal, MAS NÃO IRREMEDIÁVEL [sublinhado meu!!], é que os revisionistas modernos nos países onde tomaram o poder, aproveitaram-se da revolução proletária e da ditadura do proletariado, e há os que se tornaram superpotências como a União Soviética”. Repara, caríssimo, Hoxha ataca a URSS de Kruchov, mas tu vai mais longe em nome das “mãos limpas” de Trotsky: atacas tudo o que decorreu depois da morte de Lenine. E, possivelmente, também atacarás a frente chinesa, coisa que eu nunca faria. E explico porquê. Segue a coisa.

Questionava Mao em 1928: “porque é que o poder vermelho pode existir na China?” Mao, um estratega inultrapassável, tinha a resposta na ponta da palavra e do fuzil (claro): “A existência prolongada, num país, de uma ou de várias pequenas regiões onde o poder vermelho se consolidou, zonas rodeadas pelo poder dos brancos, constitui um facto absolutamente novo na história da humanidade”. Entendido? Trata-se apenas de dizer que é possível um processo novo, e que ele estava à frente dos olhos, era mesmo uma evidência táctil – o que Trotsky depois de abandonar a causa deixou de experimentar e acreditar. Sinaliza-se isto mesmo em Mao: se podem existir pequenas freguesias ou comarcas ou outra forma de demarcação governadas pelos comunistas (e, actualmente, poderíamos considerar as “juntas de bom governo” do Exército Zapatista, embora este não procure o poder para se instalar na cidade capital e governar todo o país – diferença fulcral em relação ao maoismo, mas não empolável), se podem existir pequenas zonas comunistas, esse ineditismo, este facto absolutamente novo, concorre para o estabelecimento de uma relação entre invenção e nova realidade.

Um outro texto de Mao muito me interessa, “De onde vêm as ideias correctas” (1963). Uma “ideia correcta” é uma “ideia verdadeira”, a verdade é correcta, porque, circularmente, uma ideia incorrecta não pode ser verdadeira. Mas já sairemos do círculo. O ponto de partida é este, muito curioso e directo: a finalidade do mundo é a sua transformação. Não é possível uma política de emancipação e transformação sem esta premissa. Mas o mundo não pode ser transformado sem que seja conhecido com toda a exactidão. Esta premissa aproxima-se da intuição pura e da invenção política (de que Mao é um dos mestres). Conhecer minuciosamente uma coisa tem por objectivo destituí-la (ou destruí-la) – a realidade é para ser mudada, claramente.

Como? O primeiro passo do conhecimento da realidade é a sua assimilação perceptiva, o conhecimento exacto. A percepção conduz-nos ao conhecimento conceptual, mas o conhecimento não é, em si, uma meta. A meta é a transformação da realidade. Total, e não tenhas medo deste “total”. Porque total é mesmo total.

E este é obviamente o grande mérito de Estaline e da sua frase: “Estamos 50 a 100 anos atrasados em relação aos países mais avançados. Temos de percorrer esta distância em 10 anos. Ou conseguimos fazê-lo ou seremos esmagados”. O que acrescenta uma outra tese: se não transformarmos, transfigurarmos, a realidade/sociedade por ela seremos engolidos. Daí o recurso à violência. Inevitável, meu caro. Ora, o problema de Trotsky é o de, de facto, ter as “mãos limpas”. E isso, neste contexto, não faz sentido absolutamente nenhum!

Entendido??

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26 respostas a Fala o Renato, meu oponente e companheiro de armas, do “sonho molhado” da direita radical, a das saudades do bombismo de 75 (ELP / MDLP), falo eu agora dos meus sonhos molhados, onde entram Caravaggio, Estaline, Mao e, sobretudo, Shyla Stylez! (e isto é uma resposta ao post do Renato Teixeira)

  1. Renato Teixeira diz:

    Enfim uma resposta à altura dos acontecimentos: Contra os bombistas de 75, marchar, marchar.

    Quanto ao resto vou ver se entendo que por estes dias estou pouco habituado a polemizar com mais de dois neurónios. Más companhias o que se há-de fazer.

    Vejo no entanto que corrigiste a pronúncia. Auf.

    • Carlos Vidal diz:

      Mas atenção que a merda do “Woof… Woof…” ainda ecoa nos meus ouvidos.
      Ou melhor, já desapareceu.
      (Grande 2011, pá!)

      • Renato Teixeira diz:

        Se for pelo menos tão mau como o de 2010 será bom de certeza. Já diria o velho Marx: “Viva a crise!”

  2. Postiga diz:

    Calos Vidal,

    queira desculpar-me a minha ignorancia, mas onde e que o Trotsky renuncia à violência?
    A diferença aqui é que Trotsky não entrava em alianças com forças burguesas.

    “O que acrescenta uma outra tese: se não transformarmos, transfigurarmos, a realidade/sociedade por ela seremos engolidos.”
    Correctissimo, e o que aconteceu na República de Weimar na Alemanha?

    Quem é que perante essa realidade que necessitava e necessita ser transformada, inventou a maravilhosa e prodigiosa fantasia de que era possível o “socialismo num só país”?
    Tendo como consequencia directa o abandono da luta pela Revolução Mundail.
    A actuação das tropas estalinistas no caso da Guerra Civil Espanhola é bem reveladora disso.
    Estaline foi o coveiro de tudo o que o carlos vidal fala como sendo conquistas do mesmo, foi uma praga que deturpou toda a teoria desenvolvida por lenine e marx.

    Eu não recuso a violência para a tomada do poder, não tenho essa ingenuidade, mas a verdade é que esse traidor a recusou quando invetou essa teoria tenebrosa do “socialismo num só país”. Essa política voi seguida depois até acabar no cair de podre do regime soviético.

    E não se abespinhe, apesar disto, concordo que foi mau para todos os trabalhadores do mundo a queda do bloco soviético que mesmo sendo burocratizado fazia uma certa pressão dialética com o ocidente.

    Não se engane, Estaline foi um contra revolucionário do pior calibre!

    • Carlos Vidal diz:

      Sim, sim, caro Postiga, Trotsky não se aliava a forças burguesas desde logo porque, logo nos anos 30 – cedo demais, muito cedo! -, considerava os bolcheviques como “nova burguesia”. Precipitação, muita precipitação para com um processo que tinha o mundo todo contra si, e uma revolução ainda não consolidada!

      Mantenho-o, contudo, na minha galeria de retratos cá em casa, pelo notável escritor, pensador e pelo que fez em Outubro.
      Só assumindo esta história globalmente, sem aprofundar barricadas, se pode passar a uma nova etapa ou uma nova Internacional (como diz o Renato).

    • Renato Teixeira diz:

      Não diria melhor que este Postiga. De resto, a acusação de que Trotsky roeu a corda aos efervescentes anos da Revolução Russa não faz sentido e tu sabes bem disso. Falas que abandonou nos anos 30 e acusas de ter sido demasiado cedo, mas não terás, seguramente, o despudor de considerar o seu amarelismo nas várias décadas de envolvimento do camarada no processo. Dos primeiros passos, mais temerosos é certo, e depois de ver o seu menchevismo corrigido por Lenine, Trotsky foi uma das alavancas quer da preparação da revolução quer da sua primeira década. Em todo este tempo Estaline era um Woof Woof que mal apitava para o que quer que fosse.
      Quando digo que tem o cadastro limpo é de, como afirma o Postiga, referia-me às unidades com os partidos burgueses. E nota que exclui o que se passou com a corrente na Europa no último terço do século, mais precisamente a partir de François Mitterrand.
      Desfeito algum pó na discussão seria mais interessante seguir os caminhos que qualquer uma das três perguntas do Postiga abrem, do que trocar argumentos sobre o tamanho das pilas.

      • Renato Teixeira diz:

        Para o futuro é que a porca torce o rabo. Com ou sem novas internacionais, capazes de agregar a resistência que hoje tem, graças ao regime e à esquerda democrática, muito mais clareza quanto ao divisor de águas, continua a parecer difícil gerar acordos quanto ao “que fazer” no campo da revolução. Nota, os reformistas aplicam a mesma receita de sempre. Crescer com o movimento, definhar com a burguesia. Agora o campo anticapitalista, tirando este ou aquele país ainda muito localizado, continua distraída eu borrada de medo da sombra. Como é evidente continuaremos a ter a ajuda dos factos, o que faz perceber porque Marx era tão apaixonado pelos momentos de crise, mas se ficarmos presos à tal heterodoxia de que tanto gostas estaremos sempre a optar pela estratégia que já deu provas de não merecer a nossa confiança.
        Mais guerras civis espanholas desperdiçadas? Mais Alegres e Soares? Mais Novembro? no campo da política. Mais processos de Moscovo, mais burocracia, menos democracia proletária, no campo da organização do partido?
        É por aí que vamos a algum lado?

  3. Ricardo Noronha diz:

    Ò Carlos, isto estava a andar tão bem…
    Como gostar da formulação de Spinoza e conviver alegremente com a farsa dos processos de Moscovo? Como denunciar os tortuosos argumentos contra o Wikileaks e avalizar os tortuosos argumento a favor da nomenklatura? Como prezar a revolução enquanto momento verdadeiro e simultaneamente relativizar a mentira que estava na base do estalinismo?

    • Carlos Vidal diz:

      Ricardo, até compreendo, e muito bem, aquilo que dizes. Mas, duas (ou três) questões:

      – tenta ler o post completo, sff. Estaline está lá, sim, mas numa pequena parte.
      – contudo, essa pequena parte é um todo, concedo – é a minha posição de sempre: nem com Spinoza, nem com Badiou em cima da minha cabeça, digamos, eu estou disponível para deitar fora a experiência da URSS.
      – em terceiro lugar, sempre achei e escrevi, não só aqui, que Mao era um grande pensador; a sua questão “o Um divide-se em dois”, que vem de Hegel e Lenine, é fundamental para o pensamento, e não apenas político. (Foi-me de uma utilidade extrema na minha análise, livro a aparecer, sobre a obra vídeo de João Onofre, por exemplo – onde trabalho sobre o tema da interpretação de forma pessoal.)

      Por último, não aceito, assim tão rapidamente, que a base do “estalinismo” fosse a da mentira pura e dura. Podes inquietar-te com a sua trajectória. Mas confundir, sem mais, trajectória com base, não me parece interessante.
      Mas, posso estar redondamente enganado.

  4. Niet diz:

    Meus caros: Tenho tentado desejar um Bom Ano ao Renato. Como ele anda muito frenético não me foi possível fazê-lo. Realizo-o agora: com votos que se supere a si mesmo. Sempre. Ao C. Vidal já lhe transmiti os meus votos, há dias, e por diversos meios. Agora uma tese para meditarem: Como dizia um dos heróis de Maio 68, o bom revolucionário deve fazer amor uma vez por dia, pelo menos. Quais playmates, qual carapuça, C. Vidal. Abordem, sabordem e sabotem o que tiverem à mão, como o faz o enorme M.S. Ramos( Conhecem o “O Sol da Meia Noite?” Um dos maiores romances do início do século XXI, escrito por ele, e onde surjo como a anti-personagem (quase) …) e como o confessou – pelo menos uma vez que li- o António Lobo Antunes. E não se esqueçam : ” L´érotisme est la substitution de l´instant ou de l ´inconnu à ce que nous croyions connaitre. Nous ne connaissons pas l érotique, nous ne reconnaissons en lui que ce passage du connu à l ´inconnu, qui nous érige à n´en plus pouvoir, tant il est vrai que l ´homme aspire d ´abord à ce qui n´arrive pas! tant il est vrai que ce qui arrive est l´insatiable désir de ce qui n´arrive pas ! “( G. Bataille). Niet

    • Carlos Vidal diz:

      Caríssimo Niet, grande 2011 também para si.
      E passemos a uma proposta essencial: àquilo que poderíamos chamar de uma “aliança” (sagrada ou “de primeira”) entre Badiou e Bataille.
      Quem a pode protagonizar com efeitos concretos??
      (Note que a senhora da foto não é uma playmate, é uma actriz!)

      • Niet diz:

        Caro C. Vidal: Essa insistência mirabolante no Estalinismo deixa-me por terra. Acha que o Badiou é mesmo estalinista? Ele que se confessa marxista- e não leninista? Ok. Badiou tem aquelas obsessões pela Revolução Cultural Chinesa como o Foucault embandeirou em arco com Kholmeny em 1979…Agora Bataille-que teve polémicas duríssimas com o Sartre ” estalinista “-opôs-se veementemente- ao lado de Breton e de Camus – contra Estaline e os seus crimes…que Sartre tentou menorizar e esconder. E já agora como introdução fortíssima ao problema do Estalinismo, remeto-o para esta tese de Castoriadis:” O comunismo realizado representou um monstruoso desvio do movimento operário revolucionário. Colocou no poder uma nova classe dominante, a burocracia do Partido-Estado que explorou e oprimiu a população como nenhum outro tipo de regime conhecido na História; porque nenhum regime dispôs de tantos e sofisticados meios técnicos e ideológicos de terror, de intervenção na vida quotidiana das pessoas, de manipulações ideológicas comparáveis. Destruiu o movimento operário dos outros países, subordinando-o à política imperialista da Rússia. Corrompeu e prostituiu, de maneira irreversível, as ideias e o vocabulário do movimento revolucionário, desconsiderou a ideia de transformação social; fez nascer a miragem nas populações que oprimia de que o regime capitalista era um paraíso…”.( In ” Une Société à la Dérive “, C. Castoriadis, págs.231/235). E Castoriadis foi incensado por Deleuze e Guattari de forma excepcional, meu caro, aquando da publicação das suas obras na 10/18 em 1972. Portanto, não se trata nem de um demagogo nem de um irresponsável, mas, sim, de um dos maiores filósofos e pensadores políticos de todos os tempos. Salut! Niet

        • Carlos Vidal diz:

          Caro amigo, Já falámos sobre essas coisas todas:
          Sartre versus Bataille (apesar de eu considerar mais importante a oposição Bataille VERSUS Breton), Sartre versus Camus (estou com Sartre), etc.
          Quanto ao Badiou.
          Não creio que se defina como marxista, nem leninista, nem estalinista, nem maoista. Ele apenas valoriza a Revolução Cultural (e acima de tudo a de Outubro) como movimento de massas exterior ao partido.
          Como sabemos, Badiou é, em primeiro lugar, comunista. E considera o século XX como o século da morte da forma “partido”. De resto, diz que aqueles que eu cito no post devem ser objecto de uma discussão entre comunistas, em primeiro lugar; depois, que a conversa se alargue.
          Grande abraço, CV

    • Renato Teixeira diz:

      Frenético? Deixe lá isso camarada Niet. Tenho estado em campanha, a tratar de diferentes “ressurgências”. Bom ano para si também que isto as maneiras ainda contam, principalmente em tempo de barricadas.

  5. O Trotskalhoto (infamemente assassinado à martelada no México por um bandalho qualquer ao serviço da união esgroviética) tinha sido comissário da guerra no tempo do VIL.
    E não foi pêra-doce, quem não alinhava era fuxilado, nas repúblicas moslemishe do Cáucaso, no Báltico (Estónia, Letónia, Lituânia, estes últimos ainda por cima eram semi-polacos, ódio de estimação…) os marinheiros anarquistas de Kronstadt, decisivos no golpe de de Outubro, tudo o que queriam era não morrer de fome, os que não foram mortos no confronto foram fuzilados «exemplarmente». Os que sobreviveram aos poix o grande kamarada Stalin matou-os à fome uns anos depois.

    Isto p’ra não falar sequer do que os agentes de Moskva (Stalin) fizeram em Espanha aos trotskas do POUM e aos anarquistas da CNT/FAI em plena guerra civil em Barcelona e noutros lugares, deveriam era ter verguenza en su jodido focinho.
    Axo que me ia esquecendo de Katyn, a fina flor do exército polaco (todos os oficiais) — não admira que eles se ‘arrefelguem’ quando lhes falam de russos, mass-murdered e enterrados numa floresta, 4 para 5 mil tipos.
    Ordens do fdp Stalin, que tinha na altura um pacto com os nazis e axou por bem abocanhar o leste da Polónia.
    O Mao, conforme já disse ( e a sobrinha, o médico, o Charles Bettelheim e outros) era apenas um imbecil vaidoso e cheio-de-si-mesmo, que instrumentaluzava as queridas massas para os seus propósitos de vingança contra estes ou aqueles, e bojardava umas merdas, a fingir que sabia do que estava a falar.
    However, houve um livrinho que se a proveitava (partes), «A propósito do métodos de direcção». Tudo bem espremido dava em ‘Não te atrevas a chegar atrazado, pah !’.

    Essa gente consegue alcançar o mais alto grau da nojeira absoluta: assassinar camaradas é um luxo, como é que se diz ? incontornável.

    🙁

  6. Pedro Pousada diz:

    Entrevista do historiador norte americano Grover Furr ao jornal georgiano Georgian Times, leiam que faz bem à saúde.

    “ANTISTALINISM” – THE MYTH OR REALITY?
    The Georgian Times continues publishing its exclusive interviews with Dr.Grover Furr, a professor of the Montclair State University, New Jersey, USA.

    To discuss “antistalinism” we need to start with “Stalinism.” This word was inevitable once the term “Leninism” came into use. Stalin used the term “Trotskyism” as early as November 19, 1924. No doubt the term “Stalinism” could be traced to about this time too. The word “Stalinism” seems to have been invented by Trotsky. He used it in his joint declaration with G. Evdokimov of June 28, 1927.

    At first “Stalinism” simply meant the policies associated with Stalin’s leadership. Lapsed German communist Arthur Rosenberg used in July 1927 to mean the acceptance that world revolution was not imminent. Trotsky used “Stalinism” to contrast Stalin’s policies with “Leninism”, and Stalin used “Trotskyism” the same way.

    But “Stalinism” came to have another meaning, far removed from reality. Here are some definitions: “Stalinism” – Events, which occured in USSR in 1930-50s and are connected with the activities of J.V. Stalin – the regime of private power, meaning the control of all aspects of social life, mass repressions, etc.” – Kuznetrsov’s Explanatory Dictionary of Russian Language.

    Dmitry Pospielovsky in his book “Restalinization or Destalinization?” says: “A formal definition of Stalinism would run something like this: a one-man dictatorship in which a single dictator ruling arbitrarily, uncontrolled by any party organs, is the sole interpreter of the Marxist-Leninist dogma, and is surrounded by the cult of his personality.” (Russian Review 27 No. 3 (July 1968), 307-320, at p. 309).
    Most definitions of “Stalinism” are similar to these two.
    The most important thing about these definitions is that they are false in every detail. Stalin was never a “dictator” by any definition. Party leaders could and did overrule him. There was never “strict control of all aspects of life” in the USSR.
    A number of theorists, and much of the Soviet leadership in his day disagreed with his interpretation of Marxism-Leninism.
    Stalin personally opposed the “cult” and called it “harmful”. He acquiesced to it because other leaders urged him do so. Malenkov even admitted this shortly after Stalin’s death.

    “Antistalinism” is a falsification of the history of the USSR during Stalin’s time. It is based on historical falsehoods, untruths such as those above and many others. These historical falsehoods can only flourish because they serve the interests of anticommunism. “Antistalinism” is a form of anticommunism. In my view there are three major sources, or “streams”, of “anti-Stalinist” falsehoods: Leon Trotsky, Nikita Khrushchev, and Mikhail Gorbachev.
    Among early sources of “antistalinist” falsehoods Leon Trotsky was the most important. His vicious lies about his own activities, about Stalin, and about the USSR during his time, made him very popular among all stripes of anticommunists. He also attracted some honest people into his organizations because he framed his falsehoods in a “left” disguise. The capitalists helped him spread his falsehoods.

    Honest criticism is very helpful to any undertaking. There was plenty of honest criticism and disagreement during Lenin’s lifetime. Trotsky’s viewpoint – that socialism could not prevail in only one underdeveloped country, the USSR – was shared in part by many others, including Lenin. That, and other criticisms Trotsky (and others) raised, were worthy of discussion.
    Trotsky’s role in the communist movement was negative and destructive not because he disagreed with Stalin about how to build socialism, but because Trotsky was a falsifier on a grand scale. Trotsky’s role was harmful and reactionary because of Trotsky’s dishonesty.

    Trotsky was out for himself, for political power. He was a supreme individualist, unable to work collectively. When his proposals were defeated in the debates of the 1920s he could never submit to the majority and follow the Party’s line. Instead he conspired secretly and dishonestly. When he was exiled for doing this Trotsky’s falsehoods and lies became more and more outrageous. All anticommunist propagandists and “scholars” since then have drawn heavily upon Trotsky’s falsehoods about Stalin and the USSR.

    The second great source of “antistalinism” was Nikita Khrushchev. Khrushchev set about fabricating falsehoods about Stalin and Soviet history on a truly grand scale. I’ve written about some of this in “Antistalinist Villany” ( Antistalinskaia podlost) . Several more of my essays about Khrushchev’s lies and those he sponsored will be published before long.
    Trotsky and Khrushchev are two of the three major “rivers” of anti-Stalin lies. Others like Alexander Orlov invented their own falsehoods but also copied from these two.
    The third great source of “antistalinism” is the falsehoods created and spread during Gorbachev’s time and by his regime. Gorbachev-era “historians” drew from Trotsky and, especially, Khrushchev, and added further falsifications of their own. The Gorbachev-era falsifications continued under Eltsin and continue today. My colleague, Vladimir L. Bobrov of Moscow, and I analyze more of these Gorbachev-era falsehoods in our forthcoming book “1937 god. Pravosudie Stalina”, to be published very soon by Yauza.

    Khrushchev’s speech to the 20th Party Congress in February 1956 had a powerful impact on the minds of three generations of Soviet people. It changed the USSR and sabotaged the communist movement worldwide. You have revealed 61 lies in Khrushchev’s speech. Please briefly review a few of the most outrageous of Khrushchev’s lies.

    In fact, every single “revelation” or accusation Khrushchev made against Stalin and Lavrentii Beria is false. A few examples: The “cult of personality.” Stalin had opposed it – but Khrushchev promoted this disgusting “cult” vigorously. Khrushchev claimed Stalin “morally and physically annihilated leaders who opposed him.” In reality, this never happened, not even once. Khrushchev deliberately falsified all the documents he quoted during the speech: Pavel Postyshev’s remarks at the February 1937 Central Committee plenum; the so-called “torture telegram” of January 1939; the text of Robert Eikhe’s letter.

    What lie was most outrageous? Probably that the “rehabilitation reports” Khrushchev referred to are all fake! Many were published in 2000. All are dishonest. None of them prove that the people “rehabilitated” were innocent. I discuss some of them in detail in my book.

    After the Speech Khrushchev and those under his direction continued to lie – for example, about the Moscow Trial and Tukhachevsky Affair defendants. They continued to lie at the 22nd Party Congress in 1961. Virtually all the “revelations” made in Khrushchev-era books are also lies, because based on false information provided by Khrushchev’s people. The implications are enormous.

    Modern falsifiers of Soviet history, from Gorbachev’s time to today, still rely on Khrushchev-era falsehoods about the Stalin period. In addition they continue to invent new falsifications.

    COLLECTIVIZATION IN USSR SAVED THE LIVES OF A GREAT MANY EUROPEANS

    GT Continues its series of interviews with Dr Grover Furr – a professor at Montclair State University, Montclair NJ USA

    I have been interested in the topic of collectivization and famine (Golodomor) for a long time.
    I’ve been in contact for years with Dr. Mark Tauger, professor at West Virginia University and the best researcher in the world on the question of Soviet famines. Unlike other researchers, Tauger is strictly objective, neither anticommunist nor pro-Stalin or pro-communist. He is looking for the truth.

    According to Tauger, there were hundreds of famines in Russian history, about one every second or third year. There were serious famines in 1920-1921, 1924, 1927, and in 1928.

    Q: Why do some historians believe that collectivisation and industrialisation were the biggest mistakes of Stalin and the Bolsheviks?

    A: In 2001 Tauger published an article about the 1928 famine titled “Grain Crisis or Famine?” The “Volga famine” of 1920-1921 is well known, in part because of the Nansen relief commission, which took many horrifying photographs of the suffering. But the famines of 1924 and 1927-1928 are largely ignored. When they don’t ignore them, anticommunist researchers deny that these were “famines”, calling them instead “regional and local problems.”

    They do this in order to hide the fact that famines of greater or lesser intensity occurred in Russia very frequently. Anticommunist writers would like others to believe that such famines were rare until collectivization. But in reality, famines were common, and collectivization was largely an attempt to solve this perennial problem.

    In a famous passage in his memoir of World War II, Hinge of Fate, Churchill quoted Stalin as saying:

    “Ten million,” he said, holding up his hands. “It was fearful. Four years it lasted. It was absolutely necessary for Russia, if we were to avoid periodic famines, to plough the land with tractors.”

    Churchill wrote these volumes years later and his memory was probably far from precise. But no one has suggested that Churchill invented this passage about “avoiding periodic famines.” Indeed, it is true.
    Tauger is currently at work now on a study of these previous famines.

    Therefore, collectivization was necessary not simply to fund industrialization – though it was indeed essential for that purpose. It was essential to put an end to periodic famines, during which a great many people died.

    And 1932-33 was the last famine, except for the postwar famine of 1946-1947, the basic cause of which was the immense destruction caused by the war. This fact is virtually always erased in discussions of the famine of 1932-33.
    Collectivization caused death, for sure! Nobody denies it, certainly not I.

    Not to collectivize would also have caused death. The status quo caused deaths – from famines… Continuing the NEP (New Economic Policy) would have caused deaths from famines.

    So, all conceivable choices cause death. Two ways to approach this are: First – the death of whom?; and Second – how many?

    Collectivization was aimed at those who dominated the villages – the rich peasants (“kulak”). The status quo concentrates most suffering among the poorest. The status quo favored the rich over the poor. Collectivization favored the poor over the rich. In fact, the rich get richer during famines, since they can buy up foodstuffs and then force prices up.

    How many, if there was no collectivization? There are lots of possibilities. Here is one. War – the Bolsheviks were convinced that some combination of European powers, perhaps with Japan, would invade the USSR, and sooner rather than later. That is exactly what happened.

    Collectivization made industrialization possible. Without industrialization the USSR would have had no modern army.
    The Nazis almost conquered the USSR as it was, killing 28 million completely innocent Soviet citizens.

    Q: Suppose there’d been no modernized Red Army, and the Nazis had conquered the USSR?

    A: If the Nazis had conquered the USSR a great many more Soviet citizens would have been killed. That was Hitler’s plan. With no two-front war to worry about, and with all the resources of the USSR at his disposal, Hitler would have been a much more serious foe against the Allies. Hundreds of thousands, maybe millions more Allied soldiers and civilians would have been killed by the Germans and their allies – including the Ukrainian Nationalists, the Ukrainian Insurgent Army (Украiньска Повстаньска Армiя), also known as the 14th Waffen-SS Division.

    Hitler had serious plans to invade the British Isles. He might have done that! How many citizens of the UK would have been killed? A lot!

    The Japanese would have been far, far stronger against the Allies in the Far East. They’d have gotten men and materiel from the Nazis, Sakhalin petroleum from the conquered USSR. They’d have killed many more British, French, Dutch, Chinese, Vietnamese, and Americans.

    And let’s not forget about the Jews. With a free run throughout Europe – for Hitler had already made quick work of the British and French armies.

    Q: do you think Hitler would have killed even more Jews than he did?

    A: I think it’s unquestionable. Of course he would have! Along with a huge number of other “Untermenschen” (недочеловеки), mainly Slavs.

    Therefore, one could say — very reasonably — that Collectivization in the USSR not only saved a great many lives of Soviet citizens. Collectivization saved the lives of a great many Europeans, Chinese, Americans, and even Japanese and Germans. The longer the war lasted, the more soldiers and citizens in the Axis countries would have been killed too.

    That means in terms of the good that it did and the evils that it avoided, collectivization, with all of its problems and deaths, was one of the great triumphs of the 20th century.

    The only alternative to collectivization of agriculture was to allow famines to continue every 2-3 years indefinitely, as the Tsars had done; and to forego industrialization for decades, if not forever (if the Nazis had their way all Slavs would be reduced to uneducated serfs).

    Without very rapid (“crash”) industrialization, the Red Army could not have been ready to fight the Nazi invasion.

    Looking back on the Bolsheviks’ experience with collectivization and industrialization we can learn a lot. The Chinese Communists, Vietnamese Communists, etc., certainly did! They resolved not to slavishly imitate the Soviet example, and they did not do so.

    But the Bolsheviks – “Stalin”, if you insist – were the first. They did not have the benefit of hindsight. It is to be expected that they would make many decisions that later turned out to have been mistakes. That is always the case with pioneers.

    During collectivization the Bolsheviks made many, many errors. But it would have been an immeasurably greater mistake not to try in the first place!

    And here is the problem. It is unfashionable, “politically incorrect,” to point these things out. The prevailing anticommunist, and specifically anti-Stalinist, orthodoxy – especially among elites, East and West – make it literally unprintable. It’s a fact, it’s the truth – but “you can’t say it.”

    I am not trying to “find excuses” for Stalin and the Bolsheviks of his day. They simply did the best they could.

    Given what they knew, and the situation of the USSR in 1928, there was no other recourse for them but crash collectivization and industrialization.

    No historian or economist has ever come up with a viable alternative plan that the Bolsheviks could have adopted in 1929. Not one! Even if someone were to invent such a plan, however, he would then have to show that the Bolsheviks – Stalin or somebody else – could have known about it in 1928.

    I doubt this will happen. We know today that there were a great many casualties caused by collectivization. But we only know that because we can look back and see how it developed. Stalin and his comrades could not see that in 1928. They did not have the benefit of historical hindsight – of being able to learn from their own experience!
    Today, we do. Even so, no one has come up with a workable alternative. Therefore, historically speaking, there WAS no alternative.

    This is a direct, though polite, challenge to anti-Stalin, anticommunist historians and others to stop all the hand-wringing and moralizing, and explain what the viable alternatives to collectivization were.

    GROVER FURR: “THE DEPORTATION OF NATIONALITIES WAS EXCUSABLE”
    Q: Professor Furr, what about the wartime deportation of people? What happened is more or less known, so the real question is: How can these deportations possibly have been justified? Were they not a form of genocide?

    A: In his secret speech to the XXth Party Congress on February 25, 1956, Nikita Khrushchev raised three objections to these deportations: (1) that there were “no exceptions”; (2) that they were “not dictated by any military consideration;” (3) that “whole nations” were punished “for the hostile acts of individual persons or groups of persons.”

    None of these claims is true. N. Bugai, the leading Russian expert on deportations and a strong anti-Stalinist, documents some exceptions to the deportations for veterans and their families. Bugai also stated that “… the Soviet government had by and large allocated its priorities correctly, basing those priorities on its right to maintain order behind the front lines, and in the North Caucasus in particular.”

    Q: But should whole nationalities have been deported?

    I think this can be answered in two points. First, how massive were the rebellions among these ethnic groups, and second, there is also the question of genocide. To split up a small national group that is tightly knit by a unique language, history, and culture, is in fact to destroy it.

    In her famous book “GULAG”, the American anticommunist, Ann Applebaum denies that there were massive rebellions and desertions. In my book Antistalinskaia Podlost’ I cite facts which were uncovered by other researchers that prove that these pro-Nazi rebellions did involve most of the people in the ethnic groups in question.

    For example, over 90% of Crimean Tartar recruits deserted. Researcher J. Otto Pohl has argued, from German sources, that not all these men joined Nazi forces. Even if true, this makes no difference as the Soviets could not have known this, and most would have joined anti-Soviet partisan or bandit groups.

    Likewise, 93% of Chechen and Ingush men drafted to military service in 1942 deserted, went into hiding, joined the Nazis, or joined rebel or bandit groups. In February 1943, pro-Nazi Chechen nationalists led a major pro-German rebellion under the Nazi flag,

    Grigory Tokaev and Viacheslav Molotov both agree that there were large anti-Soviet rebellions in these areas during the war. The only difference: Tokaev thinks the rebellions were justified.

    Historian, V. I. Zemskov has specialized in deportations in general. His estimate is that out of 151,720 Crimean Tatars deported, 191 died during the course of deportation. That is 0.13 per cent. Not 13% or 1.3%.

    According to Bugai and Gomov, “NKVD records attest to 180 convoy trains carrying 493,269 Chechen and Ingush nationals and members of other nationalities seized at the same time. Fifty people were killed in the course of the operation, and 1,272 died on the journey.” This is 0.27 per cent; 0.26 per cent if you exclude the 50 killed in the course of disarming, etc. Since it happened in the winter during the fiercest war in world history, that figure does not seem very high. It is probably a lot lower than the rate suffered by Soviet civilians in the occupied areas.

    In the case of the Chechen-Ingush and the Crimean Tatars, collaboration with the Nazis was massive, involving most of the population. To try to isolate and punish “only the guilty” would have been to split the nation up. This would probably have destroyed the nation and there would have been very few young men for the young women to marry. Instead, the national group was kept together, and their population grew.

    Q: But if the deportations of nationalities, like the collectivization of agriculture and so-called “Holodomor”, are not simply excusable, how do you account for all the criticism of them by respected historians everywhere?

    A: I don’t think this is hard to understand. These events of Soviet history, especially of the Stalin period, are misinterpreted, distorted, lied about, in the service of extreme anti-working class, right-wing nationalism.

    The deportations that I discussed above were the result of large-scale Nazi collaboration. In order to justify this Nazi collaboration and create a myth of a “heroic past” for the right-wing nationalists of these groups, this Nazi collaboration must be depicted as “justified”, and the deportations as “unjustified.”

    • Renato Teixeira diz:

      Gosto sempre dos recortes psicanalíticos metidos a talho de foice no debate político: “Trotsky was out for himself, for political power. He was a supreme individualist, unable to work collectively.”

      Parei evidentemente por aqui. Há que ter critérios. Mas atenção. Faria o mesmo se se tratasse de Estaline. Deixemos essas modernices da análise de carácter para os pós-modernos. Escolhamos antes o carácter dos factos que são, regra geral, mais reveladores.

  7. Ricardo Noronha diz:

    Mas é precisamente porque assumimos a experiência soviética como um momento fundamental na história da emancipação humana (isto assim soa um pouco cristão, mas tu percebes o que estou a dizer) que o estalinismo deve ser para nós um problema cheio de pertinência. Penso que confundes por vezes uma crítica política (necessária) com uma condenação moral (absolutamente inútil e dispensável). Ou seja, o que me interessa no estalinismo não é o seu passado, mas a sua actualidade. E essa actualidade assenta numa base recheada de pressupostos falsos, funciona segundo uma mecânica de encobrimento e falsificação. A importância do estalinismo não está no debate sobre a colectivização ou as deportações de massa – que são assuntos historiográficos cheios de interesse, mas secundários do ponto de vista política. A importância do estalinismo está na forma-partido que lhe sobreviveu e na manhosa mescla entre nacionalismo e progressismo que caracteriza a orientação da maioria dos partidos comunistas.
    Será assim tão automática a distinção entre base e trajectória? Ou seja, será conveniente admitir que uma pode ser separada da outra sem que ambas percam o seu sentido?
    Essa frase do um divide-se em dois parece-me uma aproximação um pouco grosseira à dialética. Mas suponho que haja coisas piores nesse campo e se o João Galamba começa a escrever sobre o assunto temos o caldo entornado.

    • Carlos Vidal diz:

      Caro Ricardo

      «Mas é precisamente porque assumimos a experiência soviética como um momento fundamental na história da emancipação humana (isto assim soa um pouco cristão, mas tu percebes o que estou a dizer) que o estalinismo deve ser para nós um problema cheio de pertinência.»

      Aqui, de acordo e sem discussão.
      Vamos examinar a continuação do teu comentário:

      «Ou seja, o que me interessa no estalinismo não é o seu passado, mas a sua actualidade. E essa actualidade assenta numa base recheada de pressupostos falsos, funciona segundo uma mecânica de encobrimento e falsificação.»

      Aqui, já a coisa começa a complicar-se. A quem ou a quê te estás a referir?
      O período de Estaline está condenado desde os anos 50, numa base de factos e transparência supostamente total e inequívoca. Correcto?
      A ser assim, a que te referes quando falas em pressupostos falsos, mecânica de encobrimento e falsificação?
      Estás a propor uma reavaliação do período de Estaline? De Estaline?
      Não disse “recuperação”, disse “reavaliação”.

      (Quanto ao teu último parágrafo: como nenhum de nós tem consideração intelectual, ou “pensante” ou outra do género, pelo João Galamba, passemos isso à frente.)

  8. E por amor de zeus, don’t get me started no grande kamarada Enver y sus muchachos.
    Houve uma «delegação» (é assim que se dix ? Adoro o termo…) de tipinhos da UDP/PCP-R que foram convidados a ir lá espreitar aquilo nos idos de setenta e tal. A malta conhecíamo-nos todos, daí esprememos os gajús/as.
    O que eles contaram era inenarrável, pobreza, podridão, submissão, falta de tudo e do elementar.
    Pouco me admira que tenham dado em contrabandistas e mafiosos disto e dakilo, estava-lhes na massa do sangue desde Alexandre-o-grande, a mãe dele era dali, na altura akilo chamava-se Ilyria (salvo erro).
    Passei ao largo num barco (transportes públicos) do Pireu para Brindisi.

    😉

  9. Miguel Lopes diz:

    “Khrushchev claimed Stalin “morally and physically annihilated leaders who opposed him.” In reality, this never happened, not even once.”

    Hum?

    • Renato Teixeira diz:

      Como eu dizia mais atrás. Os factos, têm muito mais carácter. Isto trata-se de negacionismo puro. Incapaz de produzir qualquer debate.

  10. Pedro Pousada diz:

    Caro Renato
    Negacionismo de quem? De um investigador que lê fontes primárias em russo, analisa documentos originais e colabora com investigadores russos assim como com alguns dos mais conceituados investigadores historiográficos norte-americanos sobre a União Soviética do tempo de Estaline (e não estou a falar de Robert Service ou Richard Overy mas de investigadores como J.Arch Getty, Marc Tauger ou Robert E.Thurston)? Já te deste ao trabalho de ler de facto os seus artigos? É que ele não faz um exercício de negação por motivos ideológicos ou por empatia pelo “paizinho dos povos”, ele demostra é a inveracidade de muitas afirmações e o carácter mentiroso com que a história da URSS está a ser construída pela historiografia burguesa, e insiste, aliás, que a sua investigação e as suas teses necessitam de um contraditório e estão sujeitas a serem desmentidas (ou não) pela abertura de facto dos arquivos da ex-URSS (que continuam de acesso reservado apenas a historiadores anti-comunistas); o seu trabalho não se dirige ao endeusamento de Estaline (na correspondência que mantive com ele explicou-me que o revisionismo ou se quiseres o krutchovismo, a ascenção de indivíduos anti-leninstas à chefia do Partido, ocorreu no período de governo de Estaline: “We must discover the truth, whatever it is, so we can figure out What went wrong? Something did! These two great revolutions (a soviética e a chinesa) were reversed FROM WITHIN, not by invasion or even espionage from without. Khrushchev was a bad guy! but Khrushchev was a major leader during Stalin’s time.So were all those Party leaders present at the 20th party congress in 1956 when Khrushchev gave that infamous “Secret Speech”, with all its lies. Many of these men must have known that much of what Khrushchev was saying was false. But they all went along with it. Which means that the PROCESS that led to Khrushchev, and eventually to the end of the USSR, began at least under Stalin.”). Creio que o negacionismo existe é na forma como certos apologistas do pensamento político de Trotsky se recusam a analisá-lo e a críticá-lo pelas suas falhas e incompetências como muitos defensores do projecto socialista soviético o fazem em relação a Estaline; a historiografia contemporânea sobre a URSS que se coloca ao lado da causa operária e do projecto comunista não só corrigiu a sua percepção do período de Estaline como olha para essa época com atenção crítica relevando o positivo e tentando compreender os factos que levaram às distorções e aos crimes. Ou seja não fazem tábua rasa do que foi a URSS e do que ela foi graças ao governo e às políticas progressistas de Estaline. Não sei se é cegueira, miopia ou medo de “matar o pai” que afecta a tua análise. Bom Ano!

    • Miguel Lopes diz:

      Caro Pedro Pousada.

      Estou mesmo disponível para aprender tudo outra vez.
      Diga-me: o que é que eu penso que sei (e não sei) sobre os Processos de Moscovo e a Grande Purga?

      Cumprimentos

  11. Renato Teixeira diz:

    Nenhum problema em matar pais do que quer que seja. Mas sem recorrer a Freud de pacotilha. Bom ano pois. A ver se é em 2011 que se junta ao colectivo de escribas. Diferenças à parte é sempre um prazer ler o que escreve.

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