Ai, debates, debates…

Cavaco Silva acaba de se abespinhar com a acusação de que quer acabar com o “estado social”.

Resposta da abespinhação: É um grande apoiante das Instituições Particulares de Solidariedade Social (!)

(…)

Linha forte da declaração final do candidato CS: Não é tempo de experimentar coisas novas (i.e., há que manter a receita que nos meteu no buraco onde estamos).

Linha forte da declaração final do candidato MA: é a candidatura da tolerância (será, mas a que propósito vem isto, neste debate?) e da solidariedade social (esperemos que sim, mas porque é que não comentou aquela abespinhação do CS, que lhe dava a si razão?)

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10 respostas a Ai, debates, debates…

  1. E porque é que o José Manuel Coelho anti/nazi madeirense não teve oportunidade de debater com Cavaco e o Moura teve?

    • antónimo diz:

      o coelho só tornou pública a candidatura, pelo menos que eu desse por isso, há cerca de uma semana e meia.

      não percebi é por que é que o manuel joão vieira não foi convidado, pois manifestou intenção antes do sorteio dos debates

  2. Carlos Vidal diz:

    (Caro Paulo, li mal, ou em vez de CV devia estar CS?)

  3. Marco diz:

    O Alegre foi ridículo. Que erro de casting…

    • paulogranjo diz:

      Não diria ridículo, mas quase parecia empenhado em tornar-se irrelevante.
      Estava a ver a coisa com uma descontração pouco dada a análises antropológicas dos detalhes mas, mesmo assim, foi gritante que o homem entrou ali com um guião de conduta e discurso ditado por acessores de imagem (pelos vistos pouco competentes, pois só tinha a perder com aquela atitude) e sem qualquer flexibilidade mental, atenção à dinâmica do debate ou ao oponente. É a única coisa que explica que uma bestialidade destas lhe tenha passado ao lado.
      Com o Cavaco passava-se o mesmo, mas a posição dele é diferente e muitíssimo mais confortável.
      Mas é muito interessante que esta bujarda do estado social e das IPSS viesse, muito claramente, preparada como uma das coisas a terem que ser ditas. Isso indicia várias coisas. Como o homem não é estúpido ao ponto de imaginar, com seriedade, que as misericórdias e bancos alimentares substituem a segurança social, aquela indignação preparada parece partir de vários pressupostos tácticos:
      – que uma frase daquelas passa publicamente, não apenas como preocupação social, mas como defesa do “estado social” (e continuo sem perceber a ausência de reacção do Alegre);
      – que o pagode é suficientemente estúpido para que a coisa passe de forma eficaz, sem que se perceba que está a fazer dos outros estúpidos (o que é uma jogada perigosa, mas por vezes bastante eficaz);
      – que, para os acessores e o próprio Cavaco, a frase até faz algum sentido e não parece tão obscena quanto é, ou não se arriscariam a avançar com ela…

      • marco diz:

        Caro Paulo:

        Eu continuo a insistir no “ridículo”. Porque do cavaco a malta sabe o que a casa gasta. Essa da assistêncizinha cola muito bem. A malta prefere os bem vestidos e as giras da caridade aos bigodes e às rastas dos “invejosos” da redistribuição da riqueza via estado social ou apropriação dos meios de produção. Dar um pacotinho de sopa calha sempre bem, arrancar alguém da pobreza é “uma granda bolta”.

        Sinalizo aqui três momentos em que adora ter estado na sala do Louçã:

        1º – Quando o cavaco se põe a jeito com a estória do Estado social e o bardo sai-se com as declarações do presidente checo: 99,9 por cento da malta deve ter perguntado « a personagem está a falar do quê?»

        2º- A forma atabalhoada como meteu a SLN e o BPN, à americana. Se os tais assessores achavam fundamental esta triste estratégia incontornável que tal uma expressão simples como: «O candidato CS acha que têm legitimidade para tratar com o “buraco negro” das finanças nacionais, na medida em que obteve mais valias-económicas no processo?». Pior, quando CS lhe disse que as explicações estavam disponíveis e que o bardo não as conhecia, este fechou a matraca. Ridiculo, não. Lamentável.
        Depois aquela declaração sensaborona sobre os milhões já injectados, usando indiscriminadamente euros e contos, olhando para a Judite como quem diz « são estes os valores não são?»… Nem um palavra sobre os motivos, as lógicas e os interesses que conduziram a esta situação, enquanto o bom aluno, o cidadão em que qualquer regime pode confiar desfiava a converseta do respeitinho para com os credores e as instituições.

        3º – A inenarravel declaração, arremedo de jogada defensiva por antecipação, sobre as taxas moderadoras « uma coisa é se for para impedir o entupimento dos serviços outra é…». E calou-se. Naturalmente. Nem o mais sofisticado dos sofistas tentaria destrinçar entre um “desempregado que recebe 486 euros e costuma intupir os serviços» ou «um empregado que recebe 486 e costuma intupir os serviços».

        E terminou apelando ao meu voto. Dirigiu-se ao «povo de esquerda». Ora eu que faço parte desse grupelho de malfeitores estou-me pouco f. se os diplomatas europeus gozam com o país em público ou só nos telegramas. Gostava era de ouvir alguém dizer coisas de esquerda, estilo «o liberalismo desenfreado de que o candidato CS foi um dos mais precoces e aguerridos arautos está destruir as conquistas sociais conseguidas por três gerações de assalariados europeus» ou « os actuais governos europeus parecem empenhados em defender o modelo economico vigente, mesmo que isso implique empobrecer franjas significativas da população» ou ainda « enquanto cidadão e enquanto candidato acho aberrante que um português que ganhe 486 tenha de pagar para aceder ao mais básico dos serviços de saúde».

        Já não votava na personagem na primeira volta, mas quando o debate acabou saiu-me um sonoro « f. nem que a alternativa fosse o César das Neves, o Alberto Gonçalves ou o Luís Delgado, eu votava neste cromo»

  4. Não vi a «coisa», mas quando cheguei a casa estavam os comentadores do costume a comentar que o M.A. tinha (de novo ?) passado ao lado de uma grande oportunidade, para faxer o quê é que não entendi bem…

    • paulogranjo diz:

      Talvez eles também não tenham entendido muito bem.
      Do pouco que entendi, tentei clarificar na resposta anterior, ao Marco.

  5. Estão a repetir o importante evento na SAICX N while I type.
    Azar, vou ter que sair outra vex, o dogue precisa…
    😉

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