A utilidade do Falómetro na luta contra a imigração ilegal

Na Republica Checa a obtenção do estatuto de refugiado político por homossexualidade está sujeita a prova física através de um teste médico que dá pelo nome pouco poético de “teste falométrico”. No caso concreto de dois Iranianos, descrito na edição francesa do Slate, as provas documentais (convocação da polícia Iraniana por actividades imorais) é insuficiente para convencer as autoridades.

Imaginem-se os rapazes com o aparelho acima fotografado ligado onde imaginam vendo filmes pornográficos tudo isto por imposição de um funcionário que decidiu que o papel que apresentaram não era bom, para as mulheres suponho que o aparelho seja ainda mais impressionante. Para além da insuportável violação da privacidade apontada no artigo do global post esta notícia, quando interpretada no contexto actual Europeu (mudança das leis de asilo em Inglaterra, repressão dos ciganos em França, etc), mostra como as ideias da extrema direita se estão a difundir devagarinho na União Europeia.

Outro aspecto que esta polémica evidencia é a ideia que os comportamentos humanos se podem reduzir a aspectos físicos mensuráveis, desde a invenção do QI por Alfred Binet que muita gente pensa ser possível medir a inteligência ordenando os indivíduos numa escala que vai de idiota a génio. Não me espantaria se um dia destes alguém tentar reduzir a orientação sexual e a afectividade a uma escala (não me atrevo a imaginar os graus dessa escala)…

Este artigo foi publicado em cinco dias. Bookmark o permalink.

15 respostas a A utilidade do Falómetro na luta contra a imigração ilegal

  1. António Figueira diz:

    Belo post, welcome back Pedro! (nada como vires a Portugal para te pores a escrever…) Abraço, AF

  2. antónimo diz:

    são as câmaras de vigilância, são as revistas nos aeroportos, são os reforços policiais, são as expulsões de estrangeiros, as obrigações higienistas, os exames médicos obrigatórios no trabalho, as limitações à entrada no espaço schengen, outros povos apelidados de piigs. só não vê quem não quer. o securitarismo introduz-se aos poucos até chegar ao nazismo. já antes foi assim.

  3. Essa é de gritos !!
    Vou-me disfarçar de iraniano e pedir asilo na Rep. Checa, quero absolutamente ver se passo no teste.
    Por mim até podem pôr-me na frente um boi nu, ou em alternativa uma foto da falecida mulher do Mao, mas essa vestida, nua tirava a pica toda…
    😀

  4. Pedro,
    Excelente post. Se estiveres em Portugal deves vários copos.

  5. pedro pousada diz:

    Socialismo Real volta que estás perdoado.

  6. V. KALIMATANOS diz:

    Curioso que com tanto panasca que anda por esse mundo tinha logo que ser dois gajos do Irão. Estes sionis não perdem uma…

  7. O Beirão diz:

    Vá lá saber-se porquê, ontem à tarde foi-me censurado um singelo comentário ao post de Paulo Jorge Vieira, sobre Cavaco Silva. Quem tem medo da verdade? Temos de ser todos uma mansa manada bovinóide!?…

  8. V. KALIMATANOS essa expressão que vc. utiliuzou é do mais insultuoso que há …
    Cuide-se , ou ainda algum desses o descobre e vc. fica com as trombinhas a rojar pelo chão…
    Alguns deles (e dos amiguinhos deles, nos quais me incluo) temos caparro e ‘skillz’ para o deixar de boca muda… de várias formas.

    🙁

    • V. KALIMATANOS diz:

      James Cook,
      Não te excites, pàzinho. A minha utilização do malvado termo deveu-se a que na altura não me lembrava muito bem de qual a grafia correcta do termo mais académico, e profundo, homocecossual. Mas concedo, fui insultuoso e tu defendeste a fraternidade com muito arrojo. Só do que não gostei foi dos maus tratos físicos que me prometeste se descobrísses onde eu morava.

      E fiquei traumatizado. Deixa-me resumirt-te em latim de alcova ilícita o estado de nervos em que me deixaste com as tuas ameaças: “Sevicias qum mea pila ficarum tum canina”. Nota o double-entendre da palavra “sevicias”, se visses, sevícias, na tradução para protuguês “se visses como a minha pila ficou tão pequenina”. Tudo causado pelo medo e quem tem isso tem cu, que é, como sabes, o buraco por onde saiem os resultados de alterações repentinas ao sistema do grande simpático, na forma de calda muito odorosa à temperatura do corpo.

      Quanto à outra forma mais cordata de me corrigires que insinuas, aposto que que és encorajado pelos vastos conhecimentos que julgas que tens de manipulador de línguas. Tenho notado as tuas bufinhas curtas em francês, não julgues. E numa visita ao teu portal de cães esbeltos e nervosos (deixaste a porta aberta, não te queixes) reparei que classificas coelhos e esquilos como objectos, num inglês meio-farrusco duma ponta à outra. Vai lá e muda isso antes que a sociedade protectora dos direitos dos animais te pregue com os costados no tribunal. É que, não esqueças, a homocoisa também se manifesta em seres inferiores. The real McCoy, de facto, sem corantes nem conservantes.

  9. M. Abrantes diz:

    Parece anedota.

    Mas concluir que esta idiotice “(…) mostra como as ideias da extrema direita se estão a difundir devagarinho na União Europeia(…)”, é muito elaborado, Pedro. Não imaginava os fachos adeptos de laçar pirocas.

    De onde lhes veio a ideia? Foi das cabecinhas deles, ou andaram a ler os manuais da Stasi da RDA, ou do NKVD da URSS, ou do Ministério da Segurança do Estado da China, ou do Departamento Central Revolucionário de Investigação da Etiópia?

    • Pedro Ferreira diz:

      Caro M. Abrantes, o meu comentário refere-se à política actual e não ao passado. Que eu saiba os únicos movimentos assumidamente homofóbicos actuais são os de direita conservadora. Em França que conheço bem estas posições são assumidas pelo MPF de Philippe de Villiers, MCS de Christinne Boutin e pelo FN de Le Pen.

      No passado a homofobia foi comum a todos os regimes políticos, com algumas nuances entre os que procuravam “curar” e os que procuravam exterminar. Mesmo as democracias ocidentais são responsáveis de verdadeiras injustiças, basta lembrar um dos maiores matemáticos do século XX, Alan Turing, que após ter tido um papel determinante na quebra do código das máquinas Enigma da Alemanha nazi foi condenado a castração química por ser homossexual, tendo perdido o emprego e acabou por se suicidar.

      Pedro

  10. subcarvalho diz:

    M. Abrantes,

    da última que me lembro de alguém “laçar pirocas” passou-se na prisão de Guantánamo sobre detidos sob a alçada do grande estado democrático dos EUA…

  11. V. KALIMATANOS não me excito, no ‘problemo’.
    ‘Tamos entendidos, eu percebi o que querias dixer, e não há da minha parte ameaça nenhuma, só te disse «cuida-te», porque em dizendo isso que disseste em público há gente que não leva a bem…

    Quanto à cena dos meus cães estou no último (já tive doze) e akilo foi uma brincadeira do Stephen (Plaka) inglês filho mau de famílias boas que na altura vivia em Atenas e tinha um Jaguar (e andava a brincar com XHTML) olha o sucesso que ele devia fazer por lá, coitada da namorada dele…

    Já nem tenho esse provedor de serviços i-net, mas essa gente ou anda despistada ou tem preguiça de acabar com akilo…

    😉

  12. Jaime Menezes diz:

    Assim é Pedro, cada vez mais e já não subreptíciamente mas às escâncaras, afloram-se e aplicam-se os ditames racistas e xenófobos. Em tempos, Brecht chamou a atenção para os que irão a seguir e parece que não se acorda. Há que serrar fileiras………

Os comentários estão fechados.