Facultativo ou Obrigatório?

Se o voto em Portugal fosse obrigatório, o que é que mudava?


1º – Seria democraticamente correcto?
2º – Que mecanismos deviam/poderiam ser implementados para esse efeito?
3º – Ganharia a esquerda mais votos?
4º – Tanta foi a luta para que as mulheres, por exemplo, pudessem exercer o direito de voto, porque não torna-lo agora obrigatório?
5º – Quais os entraves que seriam colocados?

PS: Este post é apenas uma forma de debater a importância do voto no regime em que vivemos.

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16 respostas a Facultativo ou Obrigatório?

  1. Joaquim O. diz:

    É uma boa questão.

    1. Os americanos provam que impor democracias é uma contradição em termos.
    2. Saramago defende que votar em branco é uma arma.
    3. Os “mercados” explicam que o nosso voto vale o que vale.

    É uma boa questão.

  2. Renato Teixeira diz:

    “4º – Tanta foi a luta para que as mulheres, por exemplo, pudessem exercer o direito de voto, porque não torna-lo agora obrigatório?”

    PS: Sem que isso me pareça um problema nem tão pouco exija uma resposta, é só para dizer que esta pergunta faz desta posta uma declaração política.

  3. Bruno Carvalho diz:

    Um direito é um direito, Daniel Medina. Não é uma obrigação.

  4. Subscrevo.
    Ninguém tem nada a ver se eu exerço ou não exerço os meus direitos.
    É justo que os tenha, se o faço ou não é cá comigo, o Estado que não se meta faxavôr. Já se mete no mais-que-suficiente, e retira-se pela esquerda baixa de onde se calhar deveria estar metido.

    🙁

  5. helder diz:

    Sou daqueles que defende o voto obrigatório.
    Até pq se a nossa constituição impede a mudança de regime e impõe a democracia como única solução, faz sentido que votar seja um dever.
    Acredito que mudaria muita coisa, a começar pelas justificações esfarrapadas para a abstenção, “era ponte e estava Sol”, “as pessoas estão contentes e acharam que não havia necessidade”. Com o voto obrigatório os politicos seriam, finalmente, responsabilizados pela bosta que fazem .

  6. subcarvalho diz:

    1º – Seria democraticamente correcto?
    Seria. Nestas democracias é sempre correcto obrigar toda a gente a seguir a cartilha! Para quem, como eu, não é democrático, ´´e que já e´um problema. Mas isso resolve-se com o exílio!
    2º – Que mecanismos deviam/poderiam ser implementados para esse efeito?
    Introdução imediata de um chip em todos os recém-nascidos com leitura automática, no dia de elições, através da box da Zon/TV cabo.
    3º – Ganharia a esquerda mais votos?
    A esquerda, a direita e o centro…era um fartote de votos, boletins e tinta da china nas pontas dos dedos…desculpem, esqueci-me do chip, já não é precisa a tinta!
    4º – Tanta foi a luta para que as mulheres, por exemplo, pudessem exercer o direito de voto, porque não torna-lo agora obrigatório?
    Obrigatório, disciplinado, ordeiro e limpo…sem cheiros e sem cores. Tudo igual.
    5º – Quais os entraves que seriam colocados?
    Poucos ou nenhuns. Tirando a necessidade de ir já tirar um curso de informática para me tornar um hacker revolucionário e escangalhar o sitema de chips.

  7. M. Abrantes diz:

    Sim, julgo que as pessoas poderiam ser obrigadas a votar.

    Mas para isso deveriam estar informadas, certo? Eu, cidadão consciente e responsável, que vivo e respiro a luta pelos direitos dos cidadãos intensamente, aliás nem sequer consigo dar uma queca sem pensar no assunto, não quero o meu governo escolhido por uma montanha de zombies, despromovidos a carneiros, que nem sequer sabe o nome do presidente do seu próprio país.

    As pessoas seriam então obrigadas a assistir, mensalmente, digamos, a um número mínimo de horas dos magníficos debates do nosso parlamento, para aprenderem como pode um ser humano deixar de ter pensamento próprio, e comportar-se como um cachorro que ladra e a abana a cauda quando o chefe arrota, de preferência com os punhos no ar, as mãos com os dedinhos em ‘v’, ou outras formas de manifestação fáceis de seguir por quem tenha QI superior a 15.

    Poderia haver até um jornal oficial do governo, ou do partido que mande, ou do caralhito, vai dar ao mesmo, que as pessoas tivessem que ler, sendo depois sujeitas a uma avaliação. Quem não atingisse os mínimos ia para um reformatório.

    Bora lá obrigar o pessoal a votar! É pra ontem?

  8. V. KALIMATANOS diz:

    Ó Medina,

    Se você é estudante e tem 25 anos, o que é que andou a fazer até aos 24?

  9. Pingback: Abortar, abortar, abortar, sff | cinco dias

  10. Youri Paiva diz:

    Já estou a ver a malta arranjar «desculpas» para não votar como «desculpas» para não comparecer naquela coisa fascista que é o Dia da Defesa Nacional.

    Levantas questões muito pertinentes, levantas. Entretenimento.

  11. miguel serras pereira diz:

    Retomo aqui parte de um comentário que deixei no Vias sobre este mesmo assunto (http://viasfacto.blogspot.com/2010/12/o-voto-obrigatorio.html).

    Se exceptuarmos o cenário mítico do comunismo integral (em que cada um se serve dos bens que quer, quando e como quer e sem contrapartida, na ausência de regras de atribuição e distribuição), até mesmo numa regime económico plenamente democrático (ao nível macro: igualização de rendimentos; ao nível micro: autogestão ou gestão democrática do trabalho), trabalhar ou assegurar certas tarefas definidas como indispensáveis pelo autogoverno dos cidadãos continará a ser “obrigatório” (isto é, não poderá resultar do simples arbítrio individual incondicionado). Provavelmente, nesse quadro, essas tarefas obrigatórias serão a contrapartida da plena participação igualitária de cada um nas decisões que se lhe aplicam – ou ainda, um aspecto da obrigação de participar no exercício da cidadania governante.
    Ora, a mesma ordem de razões poderá valer para o voto. Este é um direito ao qual corresponde o dever de assumir uma responsabilidade. E confesso que a ideia não me parece chocante, mas bastante razoável.
    Admito, contudo, que seja defensável uma outra posição: quem não quiser votar não votará, mas será obrigado pelos resultados da votação tal como se tivesse votado – poderá renunciar ao exercício do direito de participar na definição da lei ou das regras que o vinculam, mas não aos deveres que elas (lei geral e regras particulares) lhe impõem.
    Conclusão e pressuposto: a sociedade livre e igualitária a que podemos chamar “autónoma” ou “democrática” (“democrática libertária”, entenda-se) partilha com todos os outros tipos de sociedade humana conhecidos (ou, até ao momento, concebíveis sem contradição) o traço essencial e decisivo de não ser uma associação voluntária. É, de resto, por isso que a política, no sentido mais nobre do termo, é uma necessidade da nossa liberdade, quer a consideremos na perspectiva individual, quer na colectiva e comum.
    O meu ponto não é tanto saber se o voto deve ser ou não obrigatório, como pôr em evidência que há obrigações e responsabilidades cuja imposição política explícita é condição daquilo a que chamamos democracia e liberdade.

    Saudações libertárias

    msp

  12. O Submarino diz:

    A esquerda tinha mais votos. Os pobres dos meios urbanos,acham que a vida deles não muda,com o voto.por isso não o fazem. Alguns não são correctos pois até têm alguns apoios. O voto devia ser obrigatório, acabavamos de vez com os individuos, que nunca foram votar e nem pagam impostos,e passam a vida da debitar postas de pescada.

  13. Ora aí está msp:
    Citando: …quem não quiser votar não votará, mas será obrigado pelos resultados da votação tal como se tivesse votado – poderá renunciar ao exercício do direito de participar na definição da lei ou das regras que o vinculam, mas não aos deveres que elas (lei geral e regras particulares) lhe impõem.

    Inteiramente de acordo..

    • pêga diz:

      (atento à mesma citação)
      Posto assim de uma maneira muito calhordas e pessoal: o único “ganho” que vejo em punir a não votação (de outro modo não percebo de que se fala) é dar uma expressão real à abstenção, da qual participo, e confundir-o-gato (que nunca se sabe o que há-se sair daí). Tenho para mim 2 ditados que são “quem não governa merece ser governado” e também “se não gostaste deste filme, que fizeste para o melhorar?” e de quando em quando lá me vejo envolvido numa situação que só não é política se polis em vez de cidade quiser dizer partido. Dá a sensação que se TEM que votar numa abstração nacional, na pele do país. A vida de partido força da sua propria dinâmica é sempre nacional, é vida de franchise, com (estado de espírito) em bruxelas. Ou então a malta interessante está toda underground, não? A agitar agremiações civis em dupla “filiação” com o savoir faire que sempre vai apanhando. A pedir votos quando na realidade já está a ir por outro caminho.

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