fucking geography

“Para nós, parecia óbvio que a cidadania sexual tinha uma geografia, ou uma série de regiões, em diferentes escalas. Todos os aspectos da cidadania têm geografias, na verdade. Talvez essa seja apenas a maneira de pensar dos geógrafos – mas a forma como nos aproximamos da cidadania sexual teve um efeito positivo em inúmeros estudiosos na área. Esse livro é bastante apreciado por pessoas que trabalham com cidadania sexual e assuntos relacionados, por exemplo, aos estudos jurídicos queer. Eu acho, em grande parte, que foi devido à abordagem geográfica que, inevitavelmente, a obra tomou. É evidente que uma grande parte do debate sobre cidadania sexual tem se dado na escala global, a noção de uma “cidadania gay global”, ou do que Lisa Duggan chamou de “a nova homonormatividade”, que é uma espécie de modelo ocidental globalizado do “bom cidadão gay”. Mas nós não queríamos ver isso de um modo tão simples. Como geógrafos, estávamos conscientes de que os fluxos globais, não produzem apenas homogeneidade. O modo como eles “aterrizam” e interagem em locais específicos, produz uma paisagem variada. O problema com a globalização desta “nova homonormatividade” é que ela é acompanhada de um script sobre como ser gay e isso é encarado com resistências e também aceitações. Ao mesmo tempo, a “tolerância” é tomada como um sinal de ser moderno e isso tem sido usado com eficácia, em alguns lugares, para defender direitos com base no desejo de ser visto como moderno (ou ocidental, ou europeu, ou qualquer outra coisa) . Estes são realmente interessantes e importantes temas que são profundamente geográficos.” (David Bell)

David Bell é um dos mais interessantes geógrafos britânicos que se tem dedicado ao estudos das sexualidades. Há algumas semanas tive a oportunidade de o entrevistar (em conjunto com a minha amiga Joseli Silva), entrevista essa que agora foi publicada no nº2 da Revista Latino Americana de Geografia e Género que contem todo um conjunto de artigos que mostram a vitalidade por terras latino americanas dos estudos sobre espaços, género e sexualidade.
Divirtam-se a ler a entrevista

(também aqui)

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