Daniel contra Daniel – O jogo de espelhos na primeira pessoa

BE e PS em pleno acto de campanha presidencial

Daniel Ol(i)veira chama a atenção para o grave facto de eu ter dito que ele ter elogiado o governo e o governo o ter elogiado a ele, não era motivo de grande optimismo. Isto a propósito de um projecto de lei do Governo Sócrates que até o PCP e o BE se opuseram, seguramente por serem aliados do desvio de recursos públicos para as escolas privadas.

Nem o facto de ter sublinhado que nesta altura do campeonato não devemos perder um minuto à procura do que nos unifica com o governo que estamos (estaremos?) a tentar derrubar, o Daniel não percebeu que o que estava em causa não era o conteúdo da sua posta, mas a sua política de unidade com o Partido Socialista. Daniel, sempre com a resposta pronta, dispara: “manter uma posição ideológica coerente, é demasiada trabalheira quando se pode definir o inimigo e ter sempre a posição oposta a ele. Mesmo que para isso tenhamos de ser aliados dos que querem destruir tudo aquilo que defendemos. O que interessa é vigiar os desvios de cada um, mesmo que para isso nos desviemos tanto daquilo que dizemos defender que já nem sabemos bem de que lado estamos. O título do post do Renato é “jogo de espelhos”.

E porque haveria de procurar acordo com quem estou a combater? Pensamos e temos opinião sobre qualquer assunto, mas transformar qualquer assunto em matéria de opinião obedece a um critério político. Logo, para manter uma posição ideológica coerente, é demasiada trabalheira gastar um segundo a encontrar acordos com Sócrates, a não ser claro, para sobre eles não dizer peva, pelo menos até que este volte a ter que parecer de esquerda na futura oposição ao Passos Coelho.

Assim, ao ser aliado dos que querem destruir tudo aquilo que defendemos, Daniel Oliveira não percebe que o oportunismo sempre foi um problema maior do que o sectarismo no campo da esquerda que quer ir além da humanização do regime. Resta-lhe assim vigiar os desvios de cada um, mesmo que sobre os seus desvios, uma vez que faz algum tempo que defende quem está do lado do actual estado de coisas. O título do post: “jogo de espelhos” é assim inteiramente merecido, como todas as fotomontagens que coloquem juntos aqueles que se quiseram juntar, alegremente. A minha dúvida é se, quando chegar ao fim a luta contra quem está à sua esquerda, com tantos estranhos aliados que vai escolhendo, dos quais se destaca o PS e o Governo Sócrates, o Daniel não terá dado demasiados passos atrás para ver em frente o que quer que seja. A única coisa que estará pronto é para liquidar as suas (suas?) convicções pelas costas, tal foi a escassez de passos que entretanto deu em sentido contrário aos que nos governam a vida.

Texto adaptado da prosa sempre esclarecedora do Daniel Oliveira

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