O dia em que a “voz dos mercados” se irritou com um candidato menos suave

Não penso que os debates com Nobre e Alegre tenham corrido especialmente bem a Francisco Lopes. No primeiro, Francisco Lopes, deixou-se irritar pela atitude de arrogância moral/social do candidato-que-viu-uma-galinha-comer-não-sei-o-quê e que, naturalmente, perante o “Presidente da República” se revelou de um imenso servilismo. No caso do debate com Alegre optou por não tornar ainda mais débil as contradições da candidatura do seu oponente, preparando o confronto com Cavaco.

Já o confronto com Cavaco correu-lhe muito bem. A abrir, Francisco Lopes, trouxe para cima da mesa a questão do BPN e as responsabilidades de Cavaco de uma forma que a imprensa suave (neste ponto estou de acordo com Cavaco) nunca fez. Cavaco, visivelmente irritado e nunca olhando de frente o candidato, socorreu-se da colaborante moderadora para evitar responder. Com a boca seca e discurso empastado, Cavaco notou que representava a candidatura moderada por oposição ao radicalismo de Francisco Lopes. O que seria certo, caso as candidaturas seguissem pelo mesmo caminho.

Como Francisco Lopes notou as duas candidaturas seguem caminhos bem diferentes. Cavaco é um fiel seguidor dos mercados, Francisco Lopes entende que há outro caminho a trilhar, com outras políticas e em conjunto com os povos dos outros países alvos da especulação financeira. Ontem ficou muito claro que, repetir a eleição de Cavaco, será abrir as portas de Belém, aos bancos e demais especuladores financeiros. Cavaco é o candidato do FMI.

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3 respostas a O dia em que a “voz dos mercados” se irritou com um candidato menos suave

  1. Pingback: O guarda-Costa de Cavaco | cinco dias

  2. M. Abrantes diz:

    Cavaco não pode estar confortável, porque a sua carreira é feita no lado e nos princípios que causaram a crise (bem como a de muitos esquerdistas aburguesados, que gastam o tempo de antena a palrar sobre os mais desfavorecidos).

    Lopes e Cavaco nunca se encararam (não foi só Cavaco, meu caro), o que mostra uma grande falta de respeito pelo significado do debate político. É curioso ouvir as pessoas pregar solidariedade e união, estamos em crise e até é Natal, e depois verificar que nem sequer são capazes de encarar quem está a falar com elas, num lugar onde se dirigiram propositadamente para confrontar opiniões.

    Se nem sequer se encaram entre eles, quando deveriam fazê-lo, então não esperemos que encarem um cidadão que se lhes dirija.

    Lopes foi determinado, a proposta que fez de uma oposição consertada aos mercados até pode ter sentido, mas não com a conflitualidade, intolerância, caceteirismo no debate e visão unicolor que caracterizam o partido do candidato Lopes. Ninguém acredita, esqueçam, mudem de bandeira, reinventem-se, ninguém engole mais a vossa conversa (o que não é bom, porque há mensagens da esquerda que são úteis à política).

    Uma perda de tempo votar em algum destes candidatos.

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