Clandestinidade na Europa da “democracia”

“(…) Não tenho a intenção de me submeter às autoridades espanholas nem de facilitar à França a execução do Mandato Europeu de Prisão. Depois de alguns dias, a minha vida mudou um pouco. De facto, a minha actividade está proibida em França, em Espanha e no País Basco. Não tenho outra possibilidade que a de ocultar-me para poder continuar a minha actividade política no Batasuna. Decidi deixar de comparecer perante a justiça e de comparecer publicamente.

Continuo no País Basco, entre todos vós, graças a vocês, amigos, e a quem me apoia e me acolhe abrindo-me as portas. Há um valor que jamais desaparecerá que é o da solidariedade.

Obrigado a todas e todos, família, militantes, eleitos…pelo trabalho realizado. Sem vocês, tudo isto não seria possível. Continuemos este trabalho, unamo-nos, creemos entre todas e todos uma muralha contra a repressão. Creemos as condições para a resolução deste conflito. Creemos as condições para o reconhecimento político do País Basco Norte.

Para finalizar esta carta, peço-vos que pensem nas militantes e nos militantes encarcerados e nos refugiados, e nas suas famílias, que passarão as festas da passagem de ano longe dos seus.

Obrigado

Aurore Martin, militante do Batasuna.”

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9 respostas a Clandestinidade na Europa da “democracia”

  1. paulo diz:

    estou quase a chorar
    vai mostrar este post aos familiares das vitimas da ETA.

    • Bruno Carvalho diz:

      Que bonito. Alguém que concorda com a tortura e com o delito de opinião.

    • subcarvalho diz:

      …as vítimas da ETA representam, comparativamente, uma migalha relativamente às vítimas do estado terrorista espanhol…aquele que de tão democrático que é, recusa que os povos que dele fazem parte (à força) tomem nas suas mãos o seu futuro, nem que seja pelo mero exercício de um referendo sobre a independência dos seus territórios.
      Paulo, vá dar banho ao cão!!

  2. koshba diz:

    Axo graça, aos valentes nacionalistas portugueses-gostam da ‘independencia’ de Portugal face a Espanha mas não são nada solidários para com as nacionalidades q fazem parte do array espanhol´ e q se querem ver livres do jugo Castelhano.É aquela do ‘fraco para com os fortes e forte para com os fracos’ o q demonstra a grandeza mural(sic,não é erro pq é o q devem pensar,com as unhas dos pés).Se calhar devem estar a pensar em Olivença….

    Sr. Paulo também não quer mostrar à familia do célebre defenestrado Vasconcelos e sus muchachos?Pobrezinho o comentário,muito pobrezinho….

  3. paulo diz:

    fraquinho fraquinho é dizer que uma violencia é toleravel e outra não
    eu tanto condeno a tortura dos prisioneiros bascos como os ataques da eta contra civis ou militares.

    …as vítimas da ETA representam, comparativamente, uma migalha relativamente às vítimas do estado terrorista espanhol…” isto é gozar com o povo pois a Eta já assassinou mais de 800 pessoas que para o sub carvalho não valem um c…
    quanto à questão basca é necessaário lembrar que existem movimentos independentistas que repudiam a luta armada e já agora qul a % de bascos e que pais basco?

    quanto ao cmentário do koshba aprezo a independencia de Portugal, às custas da catalunha. e se outras regiões de espanha querem ser independentes que o sejam, mas que eu saiba as outras regiões de espanha nunca foram solidárias com a nossa luta pela independencia, antes pelo contrário. isso é só ler um pouco sobre a história de portugal

    • Bruno Carvalho diz:

      Paulo, a carta é de uma militante do Batasuna e não da ETA. Como deve compreender, a mulher faz trabalho político pacífico. Não anda de armas em riste ou a meter bombas. Ainda por cima, está a esforçar-se para haver um processo de paz.

      Em segundo lugar, podem-se condenar muitas coisas mas a ETA não tortura. E sim, a ETA já matou mais de 800 pessoas e o Estado espanhol matou outras centenas de cidadãos bascos, torturou milhares, prendeu durante décadas outros milhares e condenou ao exílio e deportação também milhares.

      O País Basco tem mais de três milhões de habitantes. A maioria vota em partidos que têm a independência nos seus programas (PNV, Batasuna, Eusko Alkartasuna e Aralar). Por exemplo, o Batasuna que foi ilegalizado tem uma votação que oscila entre os 10 e os 18 por cento. Estranho sítio esse onde a luta armada é tão condenada que quase 18 por cento vota no partido que todos dizem que é terrorista…

      Em relação às solidariedades, posso dizer-lhe que todos esses povos foram solidários com a revolução portuguesa.

  4. paulo diz:

    bruno
    na alemanha partidos neo-nazis têm 10% de votos e isso a meu ver não dá credibilidade ao partido em causa
    por essa ordem de ideias o bruno defende que partidos nazis não só possam existir (desde que aparentemente sejam “pacifistas”)
    por ultimo há uma diferença entre os partidos autonomistas e independentistas e dentro destes aqueles que o fazem pela via politica e os outros que o fazem pelo sangue

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