Pobre Siza…

Afinal, ao contrário das minhas espectativas, não foi Julian Assange que ganhou o cinto de castidade* do Prémio Trienal-Millennium BCP.
Foi com enorme surpresa que vi anunciado o nome de Siza Vieira pois até pensava que já o tivesse ganho.

Em Portugal, sobretudo no meio da arquitectura, existe este hábito fantástico de premiar alguém que possa prestigiar o prémio, e não o inverso.

(fotografia João Morgado)

Siza, depois de ter passado muitos anos a ser excluído e desqualificado por muitos dos que hoje querem tirar fotografias a seu lado já terá ganho todos os prémios, designadamente, o mais importante na área da arquitectura: o Pritzker. Em 1992, ano em que recebeu o Pritzker era preciso ter coragem para atribuir ao arquitecto comunista qualquer galardão.  Foi preciso ser uma figura incontornável do panorama arquitectónico internacional para começar a receber todos os abraços, todos os prémios e todos os títulos nacionais.

A sua humildade impede-o de recusar os prémios pós-Pritzker como fez, sabiamente, Saramago após o Nobel. Assim, vai tendo de fazer uso da sua fina ironia comentando:

“É um prémio muito especial, mas fica sempre a dúvida se a idade não teve influência na atribuição”

* direitos de autor à anarca.

PRÉMIO TRIENAL-MILLENNIUM BCP

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