Que chatice, Helena Matos.

Há dias, escrevi um artigo sobre a comunicação social na Venezuela. Acusei o governo de Hugo Chávez de ser tolerante com as sucessivas agressões dos jornalistas e políticos afectos à direita contra os membros da imprensa mais conotada com a esquerda. O texto focava os ataques à liberdade do trabalho dos repórteres e não ao conteúdo produzido por qualquer uma das partes, esquerda ou direita. Contudo, para Helena Matos, do Blasfémias, as agressões nada importam. O que importa é uma imprecisão que descobriu num dos vídeos que aqui publiquei para exemplificar as dezenas de agressões. Porque uma jornalista erra ao afirmar que Vargas Llosa renunciou à nacionalidade peruana, Helena Matos secundariza as agressões. Para além disso, diz que “ilustra muito bem o que se intende por informar na Venezuela de Chávez”.

Ou seja, uma jornalista de esquerda cometer um erro ilustra bem o que é informar na Venezuela de Chávez mas ser agredido consecutivamente por jornalistas de direita já não ilustra o que é informar com a perseguição e assédio da imprensa de direita. Estes são os critérios de gente como Helena Matos. A própria Fernanda Câncio, há uns meses, secundarizava a repressão policial sobre estudantes comunistas. O que lhe importava era que aquilo – pintar murais – não era ou não deveria ser permitido. São formas de ver as coisas. Depende sempre de que lado da barricada estamos.

Queira ou não Helena Matos esconder, o que fica patente, na Venezuela, é o excessivo à vontade com que economistas, políticos e jornalistas usam as páginas dos jornais para apelar ao assassinato do Presidente da República legitimamente eleito por eleições validadas pelos amigos de Helena Matos. Fica patente a postura violenta e anti-democrática dos que vêem no fim dos monopólios na comunicação social uma ameaça à liberdade. A explosão de meios de comunicação alternativos e populares representa, isso sim, uma arma dos povos para destronar a mentira dos ricos.

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