A Christmas Carol

Aproxima-se o Natal, a sua comidinha, o quente do lar, as boas leituras, o número de Natal do Economist. Porque a realidade, teimosa, insiste em ultrapassar sempre a ficção, aqui vai um pedacinho de ficção que tenta “capturar” a realidade, a benefício das vossas horas de ócio, do convívio familiar, da meditação natalícia. Tudo começou um dia quando o Ocidente decidiu que, na ex-Jugoslávia, a Sérvia era o vilão e os outros eram os mocinhos (Richard Holbrooke ia explicar-nos porquê, mas à última hora declinou o convite). Desse facto incontroverso resultaram extranhíssimas consequências: o bando de criminosos auto-intitulado K.L.A., nomeadamente, ganhou estatuto de freedom fighter e o General Mladic deles até chegou a Primeiro-Ministro. Azarucho, um suiço chato como a potassa, já com cadastro noutras guerras, veio dizer que esses amigos do bem afinal traficavam os órgãos dos prisioneiros que faziam, que sendo sérvios eram maus, embora os bons afinal também não fossem tão bons como parecia. Política, crime… Temos então tudo o que faz uma boa história de Natal? Não, falta a religião: porque os prisioneiros eram mortos, e os seus órgãos vendidos… mas quem é que os comprava? Malta temente a Deus, que não deixa mexer nos seus próprios órgãos, nem morta!, mas que aprecia os órgãos alheios, sobretudo de quem morre de propósito para lhos deixar. Pensem bem: Esta é uma história maravilhosa, que ensina, que forma, que educa. Leiam-na bem: e aprendam a desconfiar do bem que é bem e do mal que é mal (porque o bem quase sempre é mal e o resto vocês adivinham). Merry Xmas to you all!

Sobre António Figueira

SEXTA | António Figueira
Este artigo foi publicado em cinco dias. Bookmark o permalink.

29 Responses to A Christmas Carol

Os comentários estão fechados.