A sexta, o sábado e o domingo no Centro Mário Dionísio

O Centro Mário Dionísio foi honesto: espera que o Fim de Semana Diferente que organizou para os próximos três dias faça entrar fundos que ajudem à sua sobrevivência. Isto porque, para além de continuar a tratar do espólio de Mário Dionísio e a disponibilizá-lo a quem o quiser consultar e estudar, quer que as actividades que realiza continuem a ser todas de entrada livre – oficinas, filmes, debates, conversas, exposições, espectáculos. Neste fim-de-semana estarão à venda os quatro livros editados pelo Centro, as 5 serigrafias a partir de desenhos de Mário Dionísio recentemente editadas, postais com reproduções de quadros do pintor, diversas obras de arte oferecidas por vários artistas para os leilões organizados na Casa da Achada, livros, discos e diversos objectos.

Mas, para além das vendas, há «coisas para ver e ouvir, descobrir e até aprender».

O «Fim de Semana Diferente da Casa da Achada» começa na Estónia. Hoje, às 17h, abre uma exposição sobre Tallinn de Maret Sarapu e Tiina Sarapu – Cores, imagens, sentimentos – com peças esculpidas em vidro e gelo. Às 18h30, é projectado o filme Baile de Outono, de Veiko Öunpuu, que será apresentado por Tiago Marques.

No sábado, às 16h, há uma visita, guiada por Sílvia Chicó, à exposição 50 anos de pintura e desenho – 2, composta por quadros de Mário Dionísio e de outros. Às 18h o coro da Achada fará um espectáculo com uma dúzia de canções e excertos de entrevistas de Mário Dionísio, que foram recentemente publicadas pelo Centro:

 

“Olhe, queria uma sociedade organizada de modo a que não houvesse nem exploradores nem explorados, por um lado; em que, por outro lado, as pessoas tivessem as possibilidades de partir do mesmo ponto, quer dizer, à partida todos iguais (…). Isto não quer dizer, como os caricaturistas destas ideias normalmente dizem, que depois sejamos todos iguais porque nós, efectivamente, não somos todos iguais, somos todos muito diferentes e ainda bem porque é isso que faz o encanto da vida, o interesse do mundo… é a desigualdade das pessoas… mas essa desigualdade não tem de ser fatalmente uns terem muitas coisas e outros não terem nada, uns viverem em barracas e outros… enfim, não é preciso descrever, não.”

Para fechar o fim-de-semana, no domingo, às 15h30, há a 3ª sessão da oficina «Prendas sou eu que as faço», orientada por Eupremio Scarpa. Às 18h, um espectáculo de fantoches, resultado de uma oficina realizada na Casa da Achada, em que será apresentada uma cena de Guignol de Jacques Prévert. Às 19h, um espectáculo de poesia e música – Movimento Diplomático do Outono – poemas por Fernando Nunes e baixo com José Nuno Pereira.

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