EDUCAÇÃO DA PISA – Um estranho coro de aplausos

Miguel Abrantes, Fernanda Câncio, João Galamba e Daniel Oliveira, acham que tudo vai bem no reino da educação. Ou pelo menos, que tudo podia estar muito pior. Se até aqui ouvíamos que o problema das políticas educativas era a falta de consenso na matéria, podemos finalmente respirar de alívio. Com tanta gente de acordo das três, uma: ou chamam a Maria de Lourdes Rodrigues para vir continuar aquilo que no entender destes especialistas só pode ser um bom trabalho, ou na falta de vontade desta em regressar do seu exílio, endossam a proposta directamente ao Veiga Simão ou ao José Hermano Saraiva. Nada como o relatório PISA da OCDE para deixar toda a gente satisfeita.

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17 respostas a EDUCAÇÃO DA PISA – Um estranho coro de aplausos

  1. Duvido que qualquer um desses acima aceite.
    Até porque como já lá andaram devem saber do gigantesco édredon que existe naquele ministério.
    Ah, e também levaram no f”#$%&o do ‘estudantariado’ no seu (deles) tempo.

    Nota:
    A expressão “efeito de édredon” paga direitos de autor para um ‘frenchie’ (Michel Crozier ?) e significa básicamente que os tipos do ‘meio’ instalados e contentinhos resistem bravamente (a assobiar para o lado, ou por outros meios) a qualquer tentativa de mudança vinda dos de ‘cima’ ou dos de ‘baixo’.

    • joão viegas diz:

      Concordo completamente, caro James. E, infelizmente, o problema do efeito edredon, é que ele sabe muito bem recuperar a energia das forças que o sacodem por fora em beneficio do seu aconchego.

      O problema é que, tanto as criticas à MLR, como as leituras dos resultados do PISA, podem facilmente ser utilizadas no sentido do imobilismo.

      E, tenho muita pena, mas a esquerda da esquerda tem sérias culpas no cartorio.

      Eleitoralismo puro, que se confunde aos meus olhos com traição dos ideais de esquerda, que você lembra mais abaixo e que deviam levar a considerar que o que se distribui, no sistema edicativo, não é apenas o dinheiro dos salarios de professores.

      Mas para quê estar aqui a gastar labia ? Ja todos vimos que os resultados do PISA cumprirão religiosamente, em Portugal, a sua missão que consiste em servirem de resultados do totobola, uma vez que ninguém quer ver neles outra coisa.

      Por exemplo, o James por acaso ja leu algum comentario, emanando dos criticos ou dos arautos, que aponte para possiveis correcções a fazer tendo em conta os resultados publicados ? Eu ainda não vi…

  2. Augusto diz:

    Mas essa é tambem a conclusão do debate na Assembleia da Republica, em que TODOS os partidos, com mais ou menos nuances destacaram o resultado positivo do relatorio.

    Para uns, foi o esforço dos professores, que apesar das tontarias da Maria de Lurdes Rodrigues, conseguiram que os seus alunos tivessem melhores notas.

    Para outros as reformas e o papel da dita Maria de Lurdes Rodrigues foi determinante.

    Para outros uma coisa e outra.

    Houve para todos os gostos, mas lá que o relatório, indica uma melhoria de resultados, isso ninguem pode negar.

    Eu falo só no relatório, desconheço se a realidade no terreno seja bem essa.

    Aliás o debate importante é sobre a defesa da escola publica.

    E esse , é debate que realmente conta.

  3. Augusto, gostava de ter as suas certezas, mas (infelizmente) já não tenho.
    A escola pública se não fôr de boa a excelente é uma perda de tempo e do seu e do meu dinheiro (e dos outros que pagam impostos).

  4. Ah, ia-me esquecendo: só dei 3 anos de aulas, em tempos que já lá vão, e sempre em escolas públicas.
    A taxa de sucesso dos meus alunos em exames nacionais foi sempre entre os 80 e os 90 %.
    Mas claro que o mérito é todo deles
    😉

  5. sm diz:

    no entanto parece que quase toda a gente está a ignorar denúncias de professores: na sua escolha a aleatoriedade dos alunos seleccionados para PISA deu em 4 alunos bons para 1 médio e nenhum mau.

    • Renato Teixeira diz:

      Critérios objectivos. Muito bom. O que vale é que para alguma esquerda embandeirar em arco é um desporto nacional.

  6. “Nada como o relatório PISA da OCDE para deixar toda a gente satisfeita”

    “Toda a gente” que, mesmo sendo o PISA o que é, não se deu ao trabalho de o ler. Ler mesmo:
    http://lishbuna.blogspot.com/2010/12/no-publico-de-facto-o-mundo-ainda-muda.html

  7. Citando o João Viegas:
    Por exemplo, o James por acaso ja leu algum comentario, emanando dos criticos ou dos arautos, que aponte para possiveis correcções a fazer tendo em conta os resultados publicados ? Eu ainda não vi…

    Nopes, nunca, ‘int’é’ agora…

    🙁

  8. ana diz:

    Vamos lá começar a esclarecer as pessoas …

    http://educar.wordpress.com/2010/12/14/um-fio/

  9. ana diz:

    A subida milagrosa dos alunos portugueses (eheheheh): De 2006 para 2009, o número de alunos que frequentavam o 10.º ano, usado na amostra, aumentou 20%. Por sua vez, os que frequentavam o 8.º ano (alguns repetentes, a maioria bi-repetentes) diminuiu 31,3%. E em relação aos que frequentavam o 7.º ano (alguns bi-repetentes, a maioria tri-repetentes) a sua participação na amostra diminuiu 65,1%.

    Outra (grandessíssima) … vigarice …!!!

    Será que melhoraram os resultados ou a amostra é que era melhor? (eheheh)

  10. Isto é abaixo de inacreditável…
    Não admira que aprofessoria aki ande toda a meter os papéis para se chegar para o lado, e que as m#$%&s que akele gaju que era do MES obrou pela Caixérrima Naxxionalle de Penso-isso em calhando vai ‘à vida’ muito antes do ‘horizonte delineado’, não há nada como ‘tuguês burocrático’, delicioso até dixer chega…

  11. ana diz:

    Como José Sócrates enganou a OCDE, ou: afinal este Sócrates também é grego

    Ver um burlão burlado não é coisa que cause piedade ou terror. A OCDE pode fazer as avaliações que quiser pelos critérios que entender; o que não pode é fazer passar por técnicos critérios que são políticos – por mais rotineira que esta burla se tenha tornado em todos os debates, a começar pelo económico. Escrevi sobre isto na mensagem anterior: é tempo de passar adiante.

    José Sócrates usou de vários truques para falsear os resultados do do relatório PISA. Sobre alguns deles, já não preciso de escrever: Octávio V. Gonçalves desmontou-os no seu blogue melhor do que eu o faria. Mas quero fazer referência a mais um: varrer o lixo para debaixo do tapete. Conseguiu isto criando um ghetto – os CEF – onde escondeu os piores alunos, de modo a que no ensino geral os “piores” de 2009 correspondessem aos médios de 2006. Brilhante, não é?
    Só não sei se a OCDE se deixou enganar voluntária ou involuntariamente. Nem isto interessa muito: como comecei por escrever, o espectáculo do burlão burlado não impressiona ninguém.
    http://educacaosa.blogspot.com/2010/12/cesse-tudo-o-que-musa-antiga-canta-que.html

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