O mais recente livro de Possidónio Cachapa (um alentejano radicado nos Açores) é um retrato poderoso de um mundo em desagregação e em desmaterialização, com uma história e um conjunto de personagens bem densas e com breves pontes de contacto com a temática do catastrofismo de obras como Ensaio sobre a Cegueira de Saramago ou A Estrada de Cormac McCarthy. Com a particularidade irónica de ter um rapaz-coelho e uma Alice sem que as personagens se encontrem (a propósito do clássico de Lewis Carroll), julgo que o livro peca pela falta de conexão nas primeiras páginas, capaz de agarrar o leitor de imediato, e por algum excesso de negativismo macabro. Uma pena, porque não fosse isso e teríamos aqui uma obra-prima como as anteriormente referidas.
P.S. Foi o primeiro livro que li do autor e fiquei naturalmente com vontade de conhecer melhor a sua obra, nomeadamente o mais mediático Maternal Doçura





Nunca li nada desse Possidónio, tenho algum dia que remediar isso.
Em compensação sei exactamente porque é que esse nome tem uma conotação negativa, e todos vcs. também deveriam saber…
Materna doçura. Sem éle.
: )))
“O mar por cima” e “Materna Doçura” (por esta ordem) são os meus preferidos deste (subvalorizado) autor.