Cartas de amor 2.0: Julian Assange, estou contigo – mas és um cromo, pá


O que falta descobrir sobre a presença online do porta-voz e editor-chefe da Wikileaks?

Resposta: o seu perfil num site de engates online.

O sítio tem um nome sugestivo – em português: OK Cupido – e foi considerado pelo jornal The Boston Globe como «o Google dos sítios de encontros amorosos online». Aposto que alguém ainda vai buscar esta página para sustentar mais umas quantas acusações em relação ao carácter de Assange.

Graças à descoberta da página de perfil de Assange, descobri que o homem da Wikileaks sabe fazer o que 99,9 por cento dos tipos que se inscrevem nesses sites também sabem: inclinar levemente a cabeça e ensaiar um olhar de matador para a objectiva.

Assina com o pseudónimo HarryHarrison, o nome de um escritor de ficção científica que advoga a utilização do Esperanto.

Tudo isto é fait-divers, claro, mas sempre nos ajuda a perceber melhor alguns aspectos da personalidade de Assange.

Diz que que dirige um exaustivo e perigoso projecto de Direitos Humanos. Diz que passa grande parte do tempo a pensar em mudar o mundo através da paixão, inspiração e trapaça.

Pensa em viajar. Já esteve em 33 países. Preocupa-se com a estrutura da realidade. O nascimento e o fim do Universo. Ontologia. Os seus estudos em neuro-ciência levam-no também a pensar no processo de corte de cérebros humanos. (Nesta parte é capaz de ter provocado algumas desistências entre as candidatas).

De qualquer modo, como avisa Assange às meninas, «Atenção! Procuras um tipo normal, terra-a-terra? Então segue em frente. Não sou o andróide que procuras. Poupa-nos tempo enquanto podes.» Assange assume-se como «um apaixonado e casmurro activista» que busca encontrar «sereia para caso amoroso, filhos e, ocasionalmente, conspirações criminosas».

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TERÇA | Nuno Ramos de Almeida
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