Sugestão visual (um)

Nos momentos de ócio hiper-estimulado da vida actual, atingimos por vezes clarões de uma placidez benquista tanto quanto imprevista, assim como as montanhas nascem das entranhas (da terra).

Kim Jong-Il olhando para um rabanete

Kim Jong-Il olhando para um rabanete

Olhe-se. Atente-se na tectónica tensão conceptualismo/figurativismo latente no rabanete timidamente soerguido, na indecisão Falo-erecto/Falo-murcho (erguendo-se/murchando-se) e prismáticas alusões que projecta (confucianas, freudianas, marxianas, clausewitzianas, pessoanas, juchianas), na dialéctica cromática vermelho-sangue-homem-revolução-alto/verde-natureza-Deus-apocalipse-baixo, não descurando em 2º plano de intenções (e de enquadramento e consequências) a dialéctica branco/preto, luz/escuridão, mais longamente constitutiva do mistério da pintura, da fotografia, da Arte. Conclua-se: é isto a Arte, simplesmente (e desculpas a quem não a entende).
Mais arte de vanguarda, verdadeira, não-falsificada, em Kim-Jong Il looking at things.
(Com a devida vénia ao amigo garimpeiro D.Belo)

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5 respostas a Sugestão visual (um)

  1. o da boa-fé diz:

    Koenige,

    Puxa, para quem andou uns meses de férias é um regresso verdadeiramente em força…

    Mas, caro amigo, anda sem dúvida a precisar de umas leituras desse seu companheiro de profissão, hoje tão, mas tão mesmo, na moda, e que se dá por nome (e quem haveria de ser mesmo, senão ele?) de Bruno Latour: há que atender à agencialidade das coisas, dos objectos, da matéria. Porque as coisas, o não-humano, também age. Ou pelo menos, se formos um pouco cépticos, temos de admitir que o não-humano (o rabanete, o palácio, o porco e tudo o mais que concentra a atenção do líder e respectiva comitiva como revelam as diferentes fotografias) é dotado de um papel activo (mais do que meramente no circuito económico que alimenta a subsistência) na vida social e política.

    Precisamente pela sua influência na vida social, o rabanete deixa-nos inquietos (ainda que acredite que sensibilidades como a do Leo não se deixem apoquentar com tão pouco). Faz-nos questionar: mas porquê ele, o rabanete, e não qualquer outro legume? Qual o papel do rabanete naquela cultura, naquela sociedade, na vida daquela pólis ou na mente daquele personagem? E porquê parar para contemplar o não-humano numa mercearia, numa cozinha de restaurante, num mercado? Que estatuto distintivo é dado ao não-humano destes lugares (neste caso os legumes e, mais especificamente, o rabanete gigante) que não é dado por exemplo ao não-humano de uma casa de banho (uma sanita, um lavatório, um rolo de papel higiénico)?

    Porque, tal como com as pessoas, também com o não-humano encontramos entidades radicalmente diferentes, com diferentes papéis na vida cultural, social, política.

    Quanto à arte da coisa, claro que sim: é arte e da melhor, ao nível de um Martin Parr. Grandioso!

    (Mas tenho andado tão fodido com a perseguição à wikileaks que neste momento não poderei certamente dedicar-me ao desfrute que as imagens claramente merecem)

    Beijos por esse corpo e “llamame por la noche, tío!”

    • José Borges Reis diz:

      da boa-fé,
      Grandes e graves questões que coloca, que tenho dificuldade como proletário em dirimir com a profundidade que exigem. Mas terei muito gosto em aprender consigo, enquanto não possa fazê-lo com os originais.

  2. Renato Teixeira diz:

    Foda-se, não digo do restos das fotografias, boas mas onde não se percebe os espantos, agora se os solos da Coreia do Norte dão rabanetes assim, imagino como serão as melancias ou as abóboras.

  3. A.Silva diz:

    Segundo um amigo meu, especialista na matéria (seja ela qual fôr), aquela coisa de cor avermelhada que o querido camarada dirigente tem na mão, são pilhas de urânio altamente enriquecido para produzir muitas, muitas bombas nucleares, que irão depois ameaçar a doce liberdade do mundo ocidental (a liberdade do resto do mundo não interessa).
    Hui que medo!!!

  4. Esperemos que a ‘Chinzongue’ se sensibilize atire p’ra lá com “Amiguinhos, foi divertido mas acabou a hora do recreio”, senão capax de haver uma ‘ensarilhada’ e da grossa… com ou sem o especificado vegetal.

    :-/

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