Exército fura a greve dos controladores aéreos a mando do Governo Zapatero que pela primeira vez em 35 anos declarou o “estado de emergência”.

Roubado ao El País

No Estado Espanhol a democracia está suspensa. Se já se sabia que ela não era lá grande coisa por estas bandas, é inaugural substituir trabalhadores em greve pelo exército. Pior do que o governo só mesmo os seus lacaios. O Sindicato dos controladores apelou à calma, garantiu não ter nenhuma responsabilidade no protesto que classificou de “espontâneo” e simultaneamente exortou os trabalhadores a regressar aos seus postos de trabalho.

Aqui, via Rubra.

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68 respostas a Exército fura a greve dos controladores aéreos a mando do Governo Zapatero que pela primeira vez em 35 anos declarou o “estado de emergência”.

  1. joaopaulo diz:

    Vale tudo… à falta de acontecimentos com um carácter realmente de classe, apoia-se um grupo restrito de trabalhadores (quantos são? 80? 10? 200?) que ganham o que ganham trabalhando 28 horas por semana, mesmo tendo em conta a responsabilidade do seu trabalho… é talvez qualquer coisa de pouco “operário”. E se calhar mesmo até pela grande responsabilidade e pelo nível salarial seria talvez mais correcto, do ponto de vista do materialismo dialéctico, ter um headline menos século XIX neste post.
    E não é assim tão inaugural: já aconteceu noutros países (e acho até que aconteceu cá).

    • Renato Teixeira diz:

      É inaugural como poderá ver no insuspeito El País.

    • Daniel Nicola diz:

      joaopaulo, se percebe tanto de materialismo dialéctico, decerto saberá que a “classe operária” não luta para que a sociedade partilhe no seu todo a sua miséria. Não joaopaulo, o objectivo é partilhar a riqueza, aquilo que se produz com um mínimo de justiça e equidade. O capital tem sempre um meio de colocar os pobres contra os pobres e os pobres contra os remediados. Conta a função pública porque ganham 1000€ ou 2000€ ou 3000€, contra o rendimento mínimo porque levam 180€ para se governarem. Entretanto, enquanto os pobres se entretêm a ver quem rouba mais da caixa, os bancos e agências e agiotas e demais ladrões de fato e gravata vão assaltando impunemente o cofre-forte.
      Afinal, quanto ganha um controlador aéreo espanhol joaopaulo, para o transformar automaticamente em inimigo da classe operária, que até aposto não ser a sua?
      Bem, consultando um pasquim do século XIX, do revolucionário Belmiro, pode verificar que:
      “Os controladores aéreos reivindicam direitos de trabalho como o pagamento das horas extraordinárias. A decisão dos 2300 controladores aéreos aconteceu depois de o Governo anunciar a privatização da AENA, a gestora aeroportuária espanhola.” http://economia.publico.pt/Noticia/controladores-aereos-espanhois-comparecem-mas-recusamse-a-trabalhar_1469455
      Segundo a sua teoria económica, se calhar nem as deveriam pagar, afinal só trabalham 28h semanais, independentemente de terem a seu cargo mais responsabilidade directa pela vida de milhares de pessoas numa só hora, do que o joaopaulo durante toda a sua vida.

  2. My own diz:

    Greve?! Aquilo não foi greve e nem os partidos comunistas nem os sindicatos estão a favor da selvajaria dos controladores!

  3. JDC diz:

    Greve? Os controladores não alegaram baixa médica?

  4. Leo diz:

    Tanto disparate junto… nem sequer percebeu que os controladores não estavam em greve?

    • Renato Teixeira diz:

      Perigosos esquerdistas a mando da CIA, já se está a ver, não é Leo?

      • Leo diz:

        A “mando” do sindicato deles, não estavam. Talvez alguns a mando do PP? Sabe-se lá, mas provavelmente… Mas a maioria estava doente e/ou tinha já ultrapassado as horas anuais de serviço. Que o sindicato se esforçou a apelar à calma e à negociação, lá isso esforçou-se. E que não houve qualquer pré-aviso de greve, também sabemos que não houve.

  5. É pouco operário, eles não são nada mal pagos, é cansativo para a vista (screen fatigue) a ‘rotação de pessoal’ não é pouca, a responsabilidade sobre a vida de pessoas é enorme, sem eles mais vale ir a pé ou de barco.
    Não há nada como ter ‘friends in the right places’ e já ter estado dentro de uma torre de controlo, mas c’raro, podem sempre irver se o Vili da tanga ou o Mao da tanga tinham opiniões sobre o assunto e as deram à estampa, p’ra fazer doutrina e acólitos…
    🙁

  6. militante do bloco a viver em madrid diz:

    **para que não haja dúvidas sou um esquerdista militante do bloco a viver em madrid**

    é muito típido de bloggers desinformados publicar tudo o que lêem sem o minimo sentido de análise ou crítica.. é tão fácil criticar tudo o que se mexe e ser apologistas de todas as greves, sem sequer pensar de tratam realmente os problemas…

    Factos sobre o que está a acontecer em Espanha:
    1) de facto, o que fizeram os controladores foi ilegal, não se trata duma greve; mas sim de alegar doença para não trabalhar e receber na mesma. não tiveram a coragem suficiente de avisar que fariam greve pelo impacto que causaria, por isso às 19h do dia 2, (dia de partida de milhares de pessoas para passar a ponte do dia 7, porque em espanha é feriado 2a e 4a feira da proxima semana) decidiram abandonar os postos de trabalho afectando a mais de 500.000 trabalhadores em toda a españa que só queriam, como eu, ir passar a ponte do dia 7 aos seus países de origem. havia pessoas que iam voar para américa do sul (como um amigo meu que ia de madrid para o Brasil para se casar) após muitos meses de trabalho mal pago e que ficaram retidas, assim como crianças com cancro que iam fazer operações, idosos, etc… continua a parecer-te razoável o que fizeram?

    2) os controladores aéreos são uns previligiados e há que admitir-lo. os seus salários brutos anuais vão dos 200.000€ aos 600.000€, ou seja, como mínimo ganham 15€mill liquidos mensais. queixam-se dos turnos e não sei quê… tudo bem! mas que escolham as datas que mais fodem todos os outros trabalhadores parece-me indecente e de uma tamanha falta de solidariedade para com todas as pessoas que apenas querem descansar uns dias por ano e que ganham uma migalha comparando com esta gente… razoável não? coitadinhos dos belmirinhos que controlam os avioes…

    3) o que o ZP fez foi uma palhaçada como é óbvio. eu presenciei o acto mediático do exercito a distribuir mantas aos viajantes em barajas, lamentável… quando há gente a dormir ao relento pelas ruas de madrid e o exercito não mexe uma palha…

    no entanto,

    4) dizer que a democracia está suspensa é uma mentira grandiosa e pura demagogia… se não sabem do que falam calem-se simplesmente… eu que vivo aqui em madrid, ler este post dá-me risos hoje porque está totalmente fora de contexto e de qualquer factualidade. lamento, mas como leitor assíduo do blog, estou desapontado…

    5) dizer que o exercito furou a greve também é mentira porque não se trata de uma greve, mas sim de uma ilegal recusa a trabalhar alegando falsos motivos de doença e prejudicando dessa forma milhares pessoas e ao mesmo tempo, num período díficl, com o que vivemos, causar tamanho impacto na economia já debilitada de um país…

    hoje, por tudo o que passaram os milhares de trabalhadores que todos os dias se matam a trabalhar para ganhar migalhas e que por culpa de meia dúzia de previligiados com salários milionários não puderam voar aos seus países/cidades de origem para passar alguns dias com os seus maridos/esposas/filhos/pais/avós/amigos, eu digo “que se fodam os controladores aéreos!”

    • Daniel Nicola diz:

      E eu também sou “militante do bloco a viver em” neste caso Viseu, e não é por uma paralisação me afectar directamente, que deixarei para trás a solidariedade.
      De resto, repito aquilo que disse ao joaopaulo no início.

  7. Renato Teixeira diz:

    “militante do Bloco” e “esquerdista”, “que se fodam os controladores aéreos”. Muito bom. Mais alguém que queira mandar para o caralho?

  8. Renato Teixeira diz:

    Acho piada a acusação de que são minoritários. Se assim fosse, como estão a ter tanta capacidade para paralisar os aeroportos?

  9. ah pois é! diz:

    Granda Renato! Mais uma tirada à Fox Mulder!
    O Renato tem um ‘gut feeling’ que o comum dos mortais não entende. O Renato está acima da racionalidade. É um génio da argumentação de improviso!
    Ah fadista!

    • Renato Teixeira diz:

      Obrigado. Também gosto muito de si.

      • ah pois é! diz:

        Não há nada como um amor correspondido!
        O Renato dá-me vontade de abrir um negócio de carros usados e pô-lo como vendedor…era fortuna garantida!
        Não ligue a esta malta que o provoca e questiona as suas ideias. São uns invejosos!

  10. Vou desfilar com burka diz:

    Um bando de perigosos esquerdistas, aventureiros ao serviço do Governo. Eles, os nossos professores que foram tirados da rua a 8 de Março pelo Mário Nogueira, os camionistas, os pescadores, enfim. Gente boa, séria e trabalhadora são os sindicalistas do PC.
    Ainda dizem que os europeus não lutam. Eu diria que lutam e muito, porque lutam contra os governos e contra os sindicatos.

  11. LAM diz:

    Qualquer greve convocada pelo sindicato teria de ter serviços mínimos. Logo, lá se ia o efeito da paralisação. Eu não sei nada (mas aceito o que diz quem sabe), sobre as condições de remuneração dos controladores em Espanha bem como de horários de trabalho, etc. Sei que, lá como cá, as condicionantes a uma greve (e os serviços mínimos é só uma dessas condicionantes) são impostas de maneira a retirarem-lhe todos os efeitos práticos e relevância política. Assim como não entendo algum apego legalista de algumas opiniões quando, os atropelos à legalidade são o pão nosso de cada dia quando são convocadas greves, que inclusivamente e contra a legalidade, podem ditar o despedimento de trabalhadores que a ela adiram. Tivemos mais uma vez prova disso no passado dia 24, quando muitos trabalhadores, e não só os a termo, de empresas privadas são sujeitos às ameaças conhecidas.
    Não se trata portanto de qualquer simpatia especial nem o contrário pelos controladores aéreos espanhóis, trata-se de admitir que atingiram o sistema onde mais dói, e não, não houve bandeiras nem cânticos bonitinhos.

    • Leo diz:

      Imagino o que diria se se tratasse de qualquer simpatia especial…

      • Daniel Nicola diz:

        Nem mais! Quando é ao contrário, quando se atropelam os direitos dos grevistas, desde a substituição ilegal de trabalhadores às ameaças e agressões a piquets, os legalistas não se incomodam. E às vezes é de facto ir contra governos e sindicatos, “sem bandeiras e sem cânticos bonitinhos”.

      • LAM diz:

        Penso que não é relevante, nem nada adiantaria à conversa, responder a mais essa sua provocação.

  12. Nuno diz:

    Da-se!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

    Os governos P«S» já chalaram a malta. Já ninguém sabe o que faz e o que diz.

  13. LAM diz:

    Resposta de Cristina Antón, controladora aérea, a um comentário no seu blog:

    ” A ver cómo te lo explico: Llevamos un año poniéndonos en el lugar de los demás y tragando carros y carretas e intentando negociar con una empresa que no negocia.
    Los demás a cambio no se han puesto en nuestro lugar ni un segundo y se limitan a insultarnos sin parar y a exigir que trabajemos hasta reventar para que tengan sus vacaciones.
    ¿Y qué pasa con las mías? Porque me han robado tres semanas. Yo me ocupo de las tuyas si tú te ocupas de las mías ¿te vale?

    Nadie se ha enterado de nada porque el gobierno lo tapa todo:

    No ganoo 200.000 pavos, ni siquiera la cuarta parte, para empezar. Pues todo el mundo sigue diciéndome que cobro un huevo…,de pato viudo.

    No se me aplica el Estatuto de los Trabajadores.

    Puedo trabajar sin límite de horas anuales y doscientas horas a turnos al mes ¿habéis probado alguno a hacerlo? Porque es incompatible con la vida. Y encima esperáis que esté en forma y despejada para controlar vuestros aviones ¿y cómo coño lo hago? ¿Me lo puedes explicar?

    Tenemos un sindicato con el que la empresa se niega a negociar hace meses y un bufete de abogados que se enfrentan a jueces que refrendan decretazos ilegales, y donde a tí te dan la razón a mí me la niegan por ser controladora aérea.

    No puedo ponerme de baja aunque tenga 40 de fiebre porque los médicos tienen consignas de no darnos bajas aunque nos estemos muriendo.

    No tenemos derecho a la huelga, porque nuestros servicios mínimos los pactan los sindicatos de clase pagados por el gobierno y en los que no hay ni un solo controlador. Para la huelga general que NO HICIMOS pactaron el 120%.

    Ahora define mi derecho a la huelga.

    Estoy muy cansada de que me pongáis todos a caldo sin molestaros en enteraros de lo que está pasando. Léete este blog y vas a flipar. Y luego me cuentas si tú serías capaz de aguantar lo que aguanto yo.

    En France Telecom se han suicidado ya 44 tíos por un acoso como el nuestro. No estamos de broma y te aseguro que no nos quejamos ni por pasta ni por vicio, sino porque a día de hoy no tenemos ningún derecho laboral.
    Si quieres te lo crees y si no sigue poniéndome a caldo, yo tengo la conciencia muy tranquila, te lo aseguro.
    Y ya no puedo más.
    3 de diciembre de 2010 21:08 “

    • Leo diz:

      Isto não foi uma greve, foi um boicote que encerrou o espaço aéreo da Península Ibérica.

      Por interesses corporativos de menos de 200 trabalhadores. O que é absolutamente condenável.

      • Renato Teixeira diz:

        Clap, clap, clap. Leo a porta-voz do PC. Nem mais nem menos!

      • José Canelas diz:

        Ah, as regrazinhas preciosas para a luta de classes. “Com tento, meninos, com juizinho”. Eles fazem as regras, estabelecem os limites do permitido e aceitável e depois deixam os senhores e senhoras da esquerdazinha muito responsável disciplinar e moralizar a maralha. É um pouco o que vimos na manifestação contra a Nato.

        • Leo diz:

          Sabe o que é o direito à greve? Nós os trabalhadores é o que que fazemos – porque é a coisa legal a fazer – quando não gostamos das nossas condições de trabalho.

          A democracia não é sequestrar o espaço aéreo de um país, nem sequer ameaçar fazê-lo, encobertamente, à traição. Como trabalhadores temos direitos e deveres.

          O que não se pode fazer é que haja trabalhadores que se pensem acima da lei e das normas que os demais têm que respeitar.

          A mim se me ausento do trabalho sem justificação despacham-me para o olho da rua, e isso sou eu que ganho menos de 1.000 euros por mês e trabalho mais de 2.000 horas por ano. Acha que outros só porque trabalham menos e ganham 10, 20 vezes mais podem fazer o que lhes apetece?

          Não podem. Há regras e leis a respeitar.

          • José Canelas diz:

            Respeitar as leis e as regras do capital. E depois os belmiros hão-de distribuir as estrelinhas douradas por bom comportamento à esquerdazinha responsável, e verão que até são tipos porreiros, estes trabalhadores, com quem dá para falar e se calhar beber uns copos. E exageram na coisa e trocam-se um bocado e no meio da paródia toda… tropeçam e largam o poder nas mãos da malta. Hmm, agora vejo. Estratégia brilhante!

    • Leo diz:

      Se querem fazer greve, entregam um pré-aviso.

      Se a empresa abusa e os obriga a fazer mais horas que as legais, metam-na em tribunal. De certeza que o sindicato lhes arranja bons advogados.

      Um chantagista faz chantagem e não se importa de prejudicar um país inteiro em vez de fazer as coisas bem feitas e conforme a legalidade.

      Imaginem só que num dia frio de inverno os médicos do SNS de todos os serviços de urgência do país se declaram doentes e não põem os pés nos hospitais. Ou que quando se declara um incêndio todos os bombeiros adoecem de repente.

      E imagine o LAM que um filho seu nesse dia de doença geral dos médicos caia com uma pneumonia ou que a sua casa estava ao lado do incêndio no dia da doença súbita dos incêndios. Tenho dúvidas que linkasse por aqui blogs desses doentes.

      • José Canelas diz:

        São uns irresponsáveis, os trabalhadores. Até deixam morrer gente e queimar cidades. E as criancinhas com que se banqueteiam?

        • Renato Teixeira diz:

          BUH! 😉

        • Leo diz:

          O meu ponto é precisamente o contrário. Precisamente a maioria – por cá, em Espanha, em todo o lado – quando não está satisfeito com as suas condições de trabalho, faz greve. Legal. Com pré-aviso. Foi isso que os controladores espanhóis não fizeram.

          • Renato Teixeira diz:

            De cravos com hora marcada está o inferno cheio. Se depender de si Leo, assim continuará. Continuação de bom socialismo democrático. Ele, estou certo, há-de gostar de si.

  14. o da boa-fé diz:

    Pergunta inocente: para que servem afinal os sindicatos?

    Segunda pergunta inocente: como é possível haver um filiado que seja em sindicatos, se não servem para ABSOLUTAMENTE NADA?

    • Leo diz:

      Recordo-lhe, se ainda não percebeu, que isto não foi uma greve, mas sim abandono de posto de trabalho o que é um delito, em qualquer profissão e em qualquer país do mundo. Eles têm direito a fazer greve, entregando obviamente um pré-aviso. Declarando-se doentes, não trabalham e recebem. Os sindicatos servem para apresentar pré-aviso de greve. E para negociar com a entidade patronal, apresentando alternativas. Por exemplo de reduções horárias, de mais postos de trabalho para cobrir turnos mais curtos. Nada disto se viu neste caso.

      • Renato Teixeira diz:

        GULAG! GULAG! Gostava de saber o que anda a fazer em Espanha a classe trabalhadora do Leo.

      • o da boa-fé diz:

        Resposta do Leo à minha 1ª pergunta inocente:
        “Os sindicatos servem para apresentar pré-aviso de greve.”
        Muito bom !!!!….. Demasiado até… Leo sempre a superar-se… Sempre. Todos os dias.

        Na verdade, um sindicato jamais trai os trabalhadores, na medida em que, sendo uma organização separada destes, ele é um poder burocrático exercido CONTRA eles. O seu fim sempre foi o de melhorar a escravatura assalariada, torná-la suportável aos corpos diariamente explorados. Creio que ninguém com um pingo de lucidez (e fundamentalmente de energia revolucionária) o poderá negar. Muleta indispensável do capitalismo avançado, o sindicato tem por missão negociar as condições em que a selvajaria da exploração assalariada se deve tornar praticável, aceitável, generalizável.

        Como dizia o outro, num livrinho que teve muito êxito entre nós em 1974 (e em que outra altura poderia ter sido?), “Os sindicatos são a burocracia para-estatal que completa e aperfeiçoa o poder que a classe burguesa exerce sobre o proletariado.” Aqui, em Espanha, na terra do Leo, como em qualquer parte…

        ps: Muitos se questionaram como Henri Lefebvre aguentou permanecer no Partido Comunista francês até 1958. Saiu tarde, mas ainda a tempo de dedicar-se umas boas décadas à causa revolucionária. Em DOIS MIL E DEZ pessoas como o Leo (e muitas delas, que não parece claramente ser o caso do Leo, inteligentes) apoiam o PCP. O que só vem dificultar quem ainda sonha com uma transformação radical do existente: terá de derrotar, além da bófia, esses obstinados e perpétuos empecilhos à revolução…

        • o da boa-fé diz:

          Pérolas dessa ave rara revolucionária, chamada Leo, só nesta página:

          Ou

          Uma série de perguntas imaginadas por mim com respostas da ave rara:

          P – O que pensa que devemos fazer para melhorarmos as nossas condições de vida?
          R – “Há regras e leis a respeitar.”

          P – O que lhe parece do boato de que os controladores espanhóis estariam feitos com o PP?
          R – “A “mando” do sindicato deles, não estavam. Talvez alguns a mando do PP? Sabe-se lá, mas provavelmente…”

          P – Acha que o seu método deve ser considerado ‘de luta’?
          R – “Quem parou os aeroportos foi uma doença súbita que atingiu os controladores. Não foi nem sindicato nem luta.”

          P – Qual é então a forma que defende de luta?
          R – “Legal. Com pré-aviso.”

          P- Ao fim de tantas décadas, para que lhe parece que servem os sindicatos? Considera os sindicatos uma muleta a que os patrões recorrem para negociar as formas da exploração?
          R – “Os sindicatos servem para apresentar pré-aviso de greve. E para negociar com a entidade patronal.”

  15. Renato Teixeira diz:

    Seguir os bons contributos LAM para não comer patranha neste tema. Essa de que porque foi à margem do sindicato o protesto é merdoso, e que os controladores aereos são aristrocacia operaria é de ir às lágrimas.

    Não ganham, como disse o militante do BE em Madrid 200 mil. Nem coisa que se pareça. Em Espanha, se tirarem 2 a 3 mil euros nunca dará mais do que 50 mil ano, já com prémios e bonificações de pontualidade.
    De resto, porque caralho a luta há-de ser condenável se feita por quem não está ainda a comer merda? Que demagogia barata.

    • Leo diz:

      Por 1.670 horas anuais os controladores aéreos espanhóis ganham no mínimo 200.000. E não fizeram greve. Adoeceram.

      • Renato Teixeira diz:

        Não diga asneiras, sabe quando isso dá por mês? Seja um amarelo de convicções fortes. Não calunie. E veja que além de não ter razão nos números, também lhe escapa o reconhecimento. Tudo o que para o Leo não for da linha justa faz o jogo do regime e os sectores dos trabalhadores que vão à luta, com as armas que têm, são para o Leo aristocratas privilegiados. Sinceramente a paciência com a sua ortodoxia tem limite. Nem o PCP o merece.

        • Leo diz:

          Depois de insistentemente interrogada sobre o seu salário disse a controladora no seu blog:

          “Mi salario no figura en ningún sitio porque se lo inventan cada vez. No lo sé ni yo.
          Se inventan complementos que quitan y ponen. Hacen lo que les sale de los huevos. Es que ya no sé ni cómo explicarlo para que lo entendáis. ”

          Ao que respondeu um comentador:

          “Bueno pues con lo que quitan y ponen si tanto quieres que os permitan hablar di a las claras… los 4 últimos meses de salrio y así podremos sacar una media con esos complementos que quitan y ponen. ”

          Até à data a controladora ainda não respondeu. E a coisa já vai com mais de 5.000 comentários.

  16. Leo diz:

    Trabalham 1670 horas por ano, ganham 200.000 euros e sentem que estão a ser explorados e contudo nem um pré-aviso de greve apresentam e abandonam os postos trabalho sem dizer água vai?

    Parece-me que que de tão habituados que estão a viver na torre que perderam a noção da realidade.

    E o que me espanta é que quem se diz apoiante dos precários bata palmas a isto.

    • Renato Teixeira diz:

      Meta o pré-aviso onde Deus lhe deixou os olhos.

      • Leo diz:

        Ah! O tradicional desprezo da luta organizada… Afinal onde chegarem estes com a sua espontaneidade? A voltarem ao trabalho, 20 horas depois, a toque de caixa militar. Mais isolados que nunca e tontamente desafiadores, a ameaçarem com nova doença colectiva no Natal. Mesmo sabendo que o regime de alerta pode ser prolongado, agora por decisão parlamentar.

        Isto é, o desprezo pela luta organizada levou-os a um beco sem saída e a perderem qualquer simpatia que antes pudessem ter tido.

        • Renato Teixeira diz:

          O Leo despreza a luta. Faz dela um fado. Um infinito e maçador Natal. Ponto final paragrafo. Foi o único a desmandar na luta insultando estes trabalhadores com todo o ranço que leva na sebenta, pelo que não colhe contra-atacar dizendo que quem defende as lutas por fora da estrutura sindical está contra as lutas do sindicato.

  17. JDC diz:

    Curioso, quando a lei protege o trabalhador, deve ser cumprida até às últimas consequências. E muito bem, acrescento eu.
    Quando a lei obriga o trabalhador a algo tão simples como um pré-aviso de regra, que se foda a lei que é opressora e perpetuadora do capitalismo.

    Realmente, a democracia não é chamada para este blog…

    • Leo diz:

      Quem tem essas teorias JDC é quem ainda não compreendeu o que tem custado a gerações de trabalhadores leis como a do direito à greve.

      Evidentemente que estabelecido o precedente, a requisição militar vai tocar a outros sectores laborais e nesse dia espero que o Renato e os outros partidários do “espontaneanismo” que por aqui abundam tenham a honestidade de se lembrar que foi esta “doença súbita” dos controladores que abriu o caminho dando motivos para isso.

      • Renato Teixeira diz:

        Foda-se. Chispe daqui para fora. O senhor é um provocador. Culpar estes trabalhadores com a repressão que há-de vir é digno de cobarde. Verá que os esponteneístas defenderão a sua liberdade quando ela não for respeitada e o seu direito à greve e a sua luta laboral estiver em causa. Já sabemos que o mesmo eles não podem esperar do Leo.

        Qualquer dia, já lhe disse, até o PCP pede para que cale a boca.

        • Leo diz:

          Evidentemente que estabelecido o precedente, a requisição militar vai tocar a outros sectores laborais e nesse dia espero que o Renato e os outros partidários do “espontaneanismo” que por aqui abundam tenham a honestidade de se lembrar que foi esta “doença súbita” dos controladores que abriu o caminho dando motivos para isso.

          Foi isto que escrevi e reitero. E o mais trágico é que esta “doença súbita” não só deu o pretexto para este governo do PSOE declarar pela primeira vez desde 1936 o estado de alarme em Espanha, como isso foi bem recebido pela generalidade dos espanhóis. O que obviamente abre a porta à sua utilização por outros governos, noutras circunstâncias.

  18. Pingback: Lições de Victor Jara a propósito da luta dos controladores aéreos do Estado Espanhol – Desalambrar, sem chicha, ni limonada, nem pré-aviso! | cinco dias

  19. Semeador de Favas diz:

    Leo, assim mesmo é que é. Os trabalhadores que fartos dos impasses sindicais avançam para a luta autonomamente, estão a semear a futura repressão que se abaterá sobre o conjunto dos movimentos sociais anti-capitalistas. Seguindo a sua brilhante lógica, os operários (comunistas e anarquistas) que construíram o soviete da Marinha Grande (1934) foram os culpados do endurecimento da repressão fascista do Estado Novo daí para frente. Em ultima análise, nunca teria existido o campo de concentração do Tarrafal e outros destinos de degredo – onde foi destruído por completo o movimento anarco-sindicalista português – se a malta se tivesse sabido comportar dentro da legalidade, não é assim?
    E podia continuar por aqui fora a citar exemplos históricos nos quais a sua doutrina assentaria que nem uma luva (branca e amarela)…

  20. Leo diz:

    “Os trabalhadores que fartos dos impasses sindicais avançam para a luta autonomamente” ???

    Mas se nem isso fizeram, limitaram-se a meter baixa… E podiam ter ido para a luta autonomamente, bastava terem tal aprovado numa Assembleia Geral e entregue o pré-aviso de greve. Mas não foi isso que fizeram, limitaram-se a abandonar o posto de trabalho e isso no mínimo – como se vê – deu no resultado desastroso que deu.

    E compara agora o regime fascista português dos anos 30 à actual democracia espanhola? Haja o mínimo de bom-senso.

    O que se passou na Marinha Grande foi o contrário do que ocorreu nos aeroportos espanhóis. Na Marinha Grande houve luta organizada – com o Partido Comunista e o Sindicato dos Vidreiros na primeira linha -, nos aeroportos espanhóis não houve luta sequer.

    • Semeador de Favas diz:

      Leo,
      Não compreendo o porquê dessa volúpia legalista, nem o que o cumprimento escrupuloso do dogma da legalidade (e de todos os parâmetros que tens referido) tem conseguido alcançar, em Espanha, Portugal or elsewhere. Aliás, não compreendo o que para ti seja uma luta.
      O meu exemplo encaixa perfeitamente nos teus comentários anteriores, em que parecias inclinado a responsabilizar @s trabalhador@s que fizeram esta ________ (coloca aqui o que quiseres) pelas futuras acções repressivas do governo espanhol.
      Já agora, se o que foi feito nos aeroportos espanhóis não foi uma «luta organizada», então não sei o que isso seja.

      • Leo diz:

        Vejo que ao que lhe perguntei nada respondeu. Para si, salazarismo é pois igual a zapaterismo, certo?

        E se agora chama a meter baixa “luta organizada” o que é que chama à entrada imediata ao serviço a toque de caixa militar? Milagre de Fátima?

    • Manuel Monteiro diz:

      Este gajo dorme e acorda com o direito de greve…
      Manuel Monteiro

      • Leo diz:

        Nem por isso. Mas quer em Espanha quer em Portugal muitos morreram para termos esse direito. Eu respeito quem lutou por esse direito e quem o exerce.

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