Inside blowjob às mãos das escribas do costume e uma ode a Julien Assange

O Público anda em grande. Depois do manifesto da Teresa de Sousa com que o Nuno nos presenteou, cujo discurso sobre a WikiLeaks é todo um paradigma jornalístico, a opinião de hoje é varrida pela prosa “songamonga” do Miguel Esteves Cardoso, por um tango da ensaísta Helena Matos, por um editorial que classifica o trabalho de Julien Assange como “uma vingança a conta-gotas (…) sem que daí se veja um contributo que beneficie o mundo” e pelos ensinamentos toráticos de Esther Mucznik que judicia Assange de Mercenário. A fechar, temos o Pedro Lomba a carpir mágoas na reeleição de Marinho Pinto na Ordem dos Advogados.

No meio do burburinho com que todos os dias nos abençoam, os fieis do dono definem bem os alvos da sua ira e quem quer que saia da linha justa do regime leva com o chicote vil da sua permanente vigilância, qual impiedoso castigo de quem tem que zelar pela pacatez do povo do reino, a qualquer custo.

Melhor do que se preocuparem com a agenda escondida de Julien Assange seria bem mais interessante se escrevessem sobre a agenda escondida dos líderes que nos governam, que tanta luz recebe com este tipo de denúncias. Para lá do prazer de ver a sarna que o seu contributo gera naqueles que afirmam viver na “democracia mais transparente” do mercado, não sobra nenhum gozo em ver como estas pistoleiras já arranjaram maneira de nada se falar sobre o material divulgado.

Este voto de fé no “não querer ouvir” e no “não querer saber”, é uma verdadeira profecia da ignorância a que a esmagadora maioria dos fazedores de opinião se rendeu há já demasiado tempo. Pelo andar da carruagem e perante a cegueira com que todos parecem querer esconder os crimes e as manobras do poder, confirma-se que já esteve bem mais longe a majestosa chegada da Novilíngua. Se não tivermos as palavras necessárias para ilustrar a verdade ela deixa finalmente de ser subversiva e esta gente toda pode voltar a dormir descansada.

Whisky, soda e rockandroll!

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16 respostas a Inside blowjob às mãos das escribas do costume e uma ode a Julien Assange

  1. ah pois é! diz:

    Concordo plenamente!
    Recomendo tamb]em a leitura desta grande entrevista ao Assange na Forbes: http://blogs.forbes.com/andygreenberg/2010/11/29/wikileaks-julian-assange-wants-to-spill-your-corporate-secrets/
    O wikileaks como factor que ajuda a eliminar a assimetria de informação do market for lemons do Akerlof. No fundo, o wikileaks integra-se e ajuda o capitalismo, como o Assange bem afirma.

  2. maradona diz:

    saudades. o wikileaks é optimo; todos os jornais do mundo só falam nisso; o guardian e o new york times, capitais do capitalismo, são, neste momento, suplementos do wikileaks. sem ser o capitalismo não estou a ver outro sistema que abraçasse de forma tão sexual a exposição dos seus próprios podres. os homens, incluindo algumas pessoas de esquerda, são más, sabia? o zizek, que você parece levar muito a sério, costuma explicar muito bem esta fagia da oposição e do contrário pelo capitalismo. o que as pessoas por cá têm tentado explicar é que, por um lado, esta leva do wikileaks tem sido fraquita de coisas importantes que já não se soubessem, por outro, que falta uma wikileaks do wikileaks. vocês aqui tentam fazer o vosso trabalho, com as limitações que se conhessem, eu compreendo-vos, o amor pelos trabalhadores e assim obriga à imaginação. o wikileaks revela a agenda escondida dos nossos governantes, mas essa agenda continua mesmo assim a ser preferida à agenda não escondida de todas as alternativas, como as vossas e as outras do outro lado, à direita. é isto que é bonito, pelo menos para mim. ai, o o orwell, muito boa a referencia! tenho tido muito dificuldade em explicar o meu amor por vocês às pessoas de bem, é o que vos digo. chamam-me maluco.

    • maradona diz:

      corro o risco de me repetir, mas este é mais um excelente comentário, caro maradona. em uma dúzia de linhas você conseguiu acariciar todos os pontos essenciais, e, assim ao longe, sem erros ortográficos de maior. muito bem. venho ao 5 Dias apenas para ler as suas consideraçãoes, que considero essenciais para a construção de uma personalidade política inteligente e íntegra. vê-se que é uma pessoa que gosta de ler, que lê muito, principalmente em inglês.

      os meus cumprimentos
      muito obrigado por existir

      • Renato Teixeira diz:

        acaricie Maradona, acaricie.

        • maradona diz:

          gostava tanto que me dessem mais importância, que a minha obra teórica fosse por vós respeitada. mas brincam comigo como se eu fosse uma criança, como se não le-se tanto como leio. é muito triste. o carlos vidal há quase semana e meia que não expectura sobre mim. será que já não me lê?

          • Renato Teixeira diz:

            Não posso falar pelos outros, mas se é verdade que como teórico não é lá grande coisa, ninguém o pode acusar de não estar a deixar obra feita.

            Mas não fique enciumado que as Causas Corporativas com que nos tem brindado serão sempre alvo de grande carinho.

  3. o da boa-fé diz:

    Boa posta.

    Sem dúvida que os ardinas da mentira (Teresas de Sousa e afins) dão conta do feudo mediático melhor do que ninguém. Os Senhores que governam podem ficar tranquilos.

    Mantenho: os quiosques não são recuperáveis, mas são inflamáveis. Se em vez de queimar eucaliptais, queimar quiosques, o povo deste pacato rectângulo entretém-se com uma tarefa simples, útil, necessária e urgente. Afinal, são os quiosques e as mentiras que guardam e propagam que mantêm o sistema unido.

    – Mas ó sr. da Boa-Fé, credo, que pseudo-radical! Lá vem você com a violência (que teima em não saber canalizar: falha sempre o alvo). Não seja assim… Olhe que a ‘tasca’ (isto é mais restaurante que tasca, é certo) é frequentada por CCCPs, os verdadeiros radicais, os autênticos; e eles gostam de ler jornais, andar informados, estar ao corrente das deformações jornalísticas que descrevem um mundo que NÂO EXISTE.

    -Pois é, meu caro sr. Teixeira, aonde é que estão os mil milhões de habitantes de favelas nessas deformações das Teresas de Sousas? E as dezenas de milhões de vítimas anuais de doenças tropicais? E os milhares de explorados nas fábricas do IKEA na Índia ou da NIKE na China? Sabe quando é que comprei a última vez o Público? Nem eu, mas faz mais de uma década. A informação está em todo o lado, à excepção dos jornais (exceptuando talvez e pontualmente o Le Monde).

    (ps: muito importante: alguém sabe do paradeiro de um tal de José Borges Reis? Estará apaixonado? Ofereço um micro-organismo com arsénio que descobri numa pegada que a minha gata deixou numa travessa de arroz doce a quem der preciosas notícias… Sim hoje estou bem disposto!)

    • Renato Teixeira diz:

      Sempre vulneráveis ao fogo caro Boa Fé. No fundo tem razão. Perdidos por dez perdidos por mil não é assim?
      Também já tenho chamado pelo Reis e pelo Tiago mas não há maneira de eles virem a terreiro mais vezes.
      Abraccio.

      • José Borges Reis diz:

        Quando tiver internet no meu novo domicílio, ajudará ao meu renascimento de fénix…

        • o da boa-fé diz:

          É ELE (!!!), senhores;
          já ninguém duvida que é ELE(!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!)

          ps: ufa!

        • Renato Teixeira diz:

          Essa merda de só postar nas horas de sono não dá com nada.

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  5. Daniel Nicola diz:

    Os lacaios do mainstream andam todos a zurzir por haver pelo menos uma voz livre e independente, sem medo ou constrangimentos, no fundo por fazerem e disponibilizarem aquilo que o Público e demais já há muito deixaram de fazer: a verdade.

    Mas na blogosfera já começam a surgir mais paladinos defensores do jornalismo de reVerência: Wikitreats, a verborreia pelo escritor gestor Rui Herbon

    http://jugular.blogs.sapo.pt/2344637.html

  6. Brandy Delgoda diz:

    Eu estava procurando por esta informatuon há muito tempo. Obrigado por escrever sobre este

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