Um tributo à luta dos estudantes italianos e ingleses, e início de uma série que vai resgatar alguns dos melhores programas do “Clandestino” da RUC

Descarregue o programa Clandestino de 25 de Outubro de 2004, da grelha da Rádio Universidade de Coimbra (RUC), dedicado ao Reitor Seabra Santos, poucos dias depois da sabotagem da abertura solene das aulas pelo Conselho de Repúblicas, de sucessivas invasões para evitar a aplicação das propinas, e por fim, da chamada do corpo de intervenção da PSP por parte do reitor (confesso militante do PCP, por sinal), que impediu quer a invasão que a participação dos representantes dos estudantes no Senado.

Em jeito de tributo aos estudantes da Universidade de Coimbra que hoje decidem entre continuar calados ou juntarem-se ao coro de protestos que varre quase todas as cidades universitárias da Europa, fica o primeiro de alguns programas realizados com o José Borges Reis (escriba, mas pouco, desta tasca) e Luísa Acabado, dos quais irei dando conta de alguns dos que me deram mais gozo emitir.

De seguida, ficam dois vídeos, o prometido aqui com a ocupação da A14, e outro da carga policial em Bolonha numa das muitas ocupações das estações de caminhos-de ferro italianas.

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8 respostas a Um tributo à luta dos estudantes italianos e ingleses, e início de uma série que vai resgatar alguns dos melhores programas do “Clandestino” da RUC

  1. Bruno Carvalho diz:

    Não havia a necessidade de se puxar o PCP para o barulho. Em momento algum, o PCP esteve a favor das propinas e das cargas policiais. Não só milhares de estudantes comunistas lutaram contra elas como o PCP esteve na linha-da-frente do combate à aplicação e aumento das propinas. Mas posso dar conta, por experiência própria, de como fui acusado com estudantes comunistas, bloquistas e outros de interromper os trabalhos na Assembleia da República, na altura da aprovação do RJIES. Para não irmos a tribunal, propuseram-nos assumir a culpa e cada um de nós pagar 100 euros. Os estudantes comunistas recusaram pagar, foram levados a tribunal, num processo que durou três anos, e foram absolvidos. Os juízes consideraram que tínhamos direito ao protesto. Os bloquistas, com a excepção de uma pessoa, optaram por pagar. São opções. Mas não se pode acusar os comunistas de não estar ao lado dos estudantes.

    • Renato Teixeira diz:

      É verdade que a JCP foi a favor das invasões em muitas academias, em Coimbra só aderiu ao protesto num segundo momento. De resto, o mesmo se passou com o BE. O que se diz, e é inegável, é que quer o Reitor Seabra Santos quer ou ou dois dos vice-reitores eram militantes e dirigentes do PCP, e que o partido, pelo menos a nível regional, nunca se demarcou.

      Houve um voto de protesto no parlamento, proposto pelo PS (era Santana no poder), e o sentido de voto esclarece a posição nacional dos partidos. Não obstante, o mais importante é outra coisa, que se prende com a actualidade de uma agenda mais combativa por parte dos estudantes.

  2. Bruno Carvalho diz:

    Estamos de acordo com a necessidade de uma linha mais combativa por parte dos estudantes.

    • Renato Teixeira diz:

      É o central. Noutros tempos, esta banalidade levaria a horas de discussão. É um bom sintoma da situação política. 😉

  3. José Manuel diz:

    Uma linha de combate activa é necessária, mas não pode passar por fazer desacatos e arruaças. Isso só desacredita a luta, não conquista novos aliados que são essenciais e faz com que os temas da luta política desapareçam no meio do ruído de fundo.
    Para a luta ter sucesso é necessário que seja desenvolvida de forma responsável e credível. Tentativas de radicalização serôdia e acções folclóricas protagonizadas por pequenos grupos (como ocupações selvagens ou partir vidros) apenas criam ruído e muitas vezes são contraproducentes ao objectivo central da luta, uma vez que acabam por afastar do movimento os sectores menos politizados e que poderiam ser ganhos com uma estratégia mais inteligente.

  4. Renato Teixeira diz:

    José Manuel, sabe, estou certo, distinguir arruaça de radicalidade. Tomar de assalto a sede do partido de governo em Inglaterra, bloquear o sistema de transportes (sem resistência dos trabalhadores diga-se) em Itália, entre as tradicionais ocupações de universidade, são formas de luta sérias e que colocam em xeque as leis, ao contrário do eterno ram ram dos políticos de fraldas, capa e batina.

  5. José Borges Reis diz:

    Ah, os tempos em que se tinha tempo…
    José Manuel, quanto à necessidade de uma luta “responsável e credível” em vez de acções “serôdias e folclóricas”, leve o meu testemunho pessoal, falível, saturado, irresponsável. Isso é o que tivemos exclusivamente em Portugal nos últimos 30 anos. Resultado: derrotas atrás de derrotas. Se é isso a responsabilidade, venha a irresponsabilidade. Está na hora de alargar o repertório. Mais me surpreende a quantidade de gente moderada em meu redor que vai pensando assim por estes dias.

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