PAZ SIM NATO NÃO ou ANTI-GUERRA ANTI-NATO

Passado agora mais de uma semana (e passada a Greve Geral) sinto-me compelido a revisitar a Cimeira da NATO e o grande desfile da Campanha nacional «PAZ SIM, NATO NÃO», no dia 20 de Novembro.

Penso que foi muito bem participado (estima-se 30 mil pessoas), em particular porque foi antecedido de uma campanha que efectivamente intimidou muitas pessoas a participar, com receio de actos de agressividade. Campanha que forçou o CPPC e emitir um comunicado antes do desfile distanciando as suas iniciativas das de outros grupos, em particular da Plataforma Anti-Guerra Anti-NATO: PAGAN. As razões desse comunicado e o facto de não existir um campanha unificada pode ter surpreendido algumas pessoas. Daí sentir que tenha de contribuir com o que me foi dado a entender sobre o processo de preparação nacional de resposta à Cimeira da NATO. O segundo motivo que me compele a escrever, depois do evento, é conteúdo do comunicado do ICC (o Comité Internacional de Coordenação Anti-Guerra Anti-Nato), a estrutura internacional ligada PAGAN.

Antes de mais algum contexto. Tem-se tornado frequente nas cimeiras da NATO, do G8 e G20 haver protestos. Os que geralmente recebem mais atenção mediática são os episódios de choque entre manifestantes e as forças policiais. Tal é infeliz, porque mascaram muitas vezes acções de massas, com milhares de participantes de forma ordeira dando expressão à sua voz anti-imperialista e anti-capitalista, pela paz. Este enviesamento por parte dos média leva o cidadão desatento a descartar as mobilizações como sendo compostos por poucos elementos à procura de conflito, sem informarem sobre acções bem mais representativas da opinião e forma de protesto.

Esta foi desde o início uma preocupação do CPPC e das centenas de organizações que vieram a juntar-se à Campanha nacional «PAZ SIM, NATO NÃO»[PSNN, para abreviar] (movimentos ambientais e de mulheres, partidos, sindicatos, colectividades, associações de estudantes, etc). Apesar disso houve um período extenso de abertura à integração de organizações criando uma ampla frente nacional. [Cabe diferenciar que o PSNN era uma campanha de organizações, aberta à participação de indivíduos nas suas iniciativas; enquanto o PAGAN se caracterizou como uma plataforma de indivíduos.]

Algumas organizações decidiram não se afiliar à PSNN. O caso mais notório é o do Bloco de Esquerda, que tendo sido convidado a integrar, foi a uma assembleia de organização e declarou não se afiliar. Tal não impediu que depois estivesse presente com a sua própria propaganda no desfile de dia 20, o que creio é demonstrativo do carácter unitário da PSNN.

A PAGAN desde a sua concepção sempre perfilou realizar múltiplas iniciativas, incluindo o uso de desobediência civil e resistência pacífica. Esta forma de protesto tem um historial de prestígio, se pensarmos na luta pela independência na Índia e pelos direitos cívicos nos EUA. Embora os nestes casos, os envolvidos não fizessem uso de violência, o objectivo era o de provocar as forças opressivas. Este tipo de acção tem a sua validade e sob certos contextos é apropriada, em particular quando é se torna uma estratégia de massas. Contudo nas últimas décadas tem sido praticado por grupos que praticando desobediência civil respondem de forma violenta, quando confrontados com as forças policiais. Há inúmeros casos de batalhas nas ruas com arremesso de pedras, cocktails Molotov por parte de pessoas que, tendo provado as situações de tensão, não podem legitimamente declarar-se seguidoras dos métodos de Ghandi ou Martin Luther King, Jr. Diga-se que estes grupos, como o Black Block, pelo seu tipo de estrutura de organização (ou ausência dela) é particularmente susceptível à penetração de agentes policiais, que agem como agentes provocadores, precisamente os que instigam incidentes de violência.

Com respeito pelos elementos do PAGAN que não se revêem neste tipo de resposta, a verdade é a sua estrutura e a organização internacional a que está ligada, o ICC, fomentou acções e mobilizou elementos dispostos a esse tipo de resposta. Felizmente não houve casos de escalonamento de violência. Mas foi esta diferença em termos de estratégia fundamental e as diferentes ligações internacionais que impediram a convergência entre os dois movimentos.

Cabe então distinguir as ligações internacionais da PSNN e da PAGAN. O PSNN, em particular o CPPC, membro do Conselho Mundial para a Paz, organização fundada em 1949, isto é com a mesma idade que a própria NATO, e que desde a sua fundação luta contra a NATO. Estiveram assim presentes vários representantes de Conselhos da Paz de outros países no desfile do dia 20, e no encontro que o precedeu no dia 19, na qual participaram estes representantes e membros das organizações integrantes da Campanha PSNN. Afirmar que houve resistência à internacionalização do movimento em Portugal é portanto uma calúnia, sobretudo, como é feito no comunicado do ICC, ao apontar o PCP – uma das muitas organizações membros da PSNN – como o elemento sectário, a «negligenciar a internacionalização dos protestos contra a NATO!». A Campanha PSNN era eminentemente nacional, pois era em Portugal que se realizava a Cimeira, cabendo às forças Portuguesas garantir o grosso do protesto. Algumas organizações estrangeiras ligadas ao CMP, além de enviarem representantes, organizaram campanhas nos seus países e tomaram uma posição conjunto. (Acusar o PCP de negligenciar a internacionalização dos protestos contra a NATO é sim uma afirmação que acusa sectarismo. Basta dar o exemplo, da participação anual do PCP nos protestos na base da NATO em Rota, Espanha.)

O PCP, enquanto organização, juntou-se à Campanha PSNN. E através dos seus contactos com outros partidos comunistas e progressistas apelou à participação nos eventos da Campanha. É relevante dizer que o Bloco de Esquerda participou numa das assembleias da Campanha PSNN, e se negou a juntar à campanha (embora tenha participado no desfile do dia 20, organizado por esta campanha). O ICC acusa ainda o PCP pela presença de bandeiras do PCP no desfile, como se o BE não tivesse levado propaganda própria bem identificada. Além de que, uma bandeira com a foice e o martelo é também uma bandeira da paz e internacionalismo entre as classes trabalhadores.

Enquanto o CMP tem um longo historial e é reconhecido como ONG pelas Nações Unidas, o ICC surgiu em Outubro de 2009. Isto é, a sua natureza é ainda pouco clara.
Para caracterizar o ICC, e evitar acusações de sectarismos nacionais, aproveito as palavras mais experientes e com maior perspectiva histórica do Secretário Executivo do Conselho Mundial da CMP, Iraklis Tsavdaridis, pronunciadas na contra-cimeira do dia 19 de Nov, em Almada:

Notamos e levantámos questões sérias sobre o aparecimento de chamadas novas forças anti-NATO antes e depois da cimeira de Estrasburgo. À parte da afirmação pertinente e arrogante dos seus materiais de se afirmarem como representantes do “Movimento Internacional da PAZ”, com 650 organizações (!), eles abertamente anunciam ser patrocinados e financiados por um partido político Alemão. A diversidade multi-cor e multi-propósito da estrutura do ICC, com membros líderes provenientes do da estrutura do ICC, com membros líderes provenientes do International Peace Bereau, uma associação internacional dominada pela social-democracia, provou estar muito ansiosa por criar confusão entre as organizações amantes da Paz, especialmente nos países centrais do imperialismo (EUA, GB, França, Alemanha). A sua intenção óbvia de ofuscar o CMP e interferir com o Movimento de Paz Português e em dividi-lo, tornou-se mais claro quando criaram em Portugal a estrutura PAGAN, uma acção claramente marcada pela sua orientação anti-CPPC e anti-CMP. Fazemos algumas perguntas simples:

  • Estas pessoas reconhecem e confrontam o imperialismo e as suas estruturas, organismos e objectivos, ou crêem em bom e maus imperialismos? Já condenaram as políticas militaristas da União Europeia (EU)?
  • Consideravam a NATO como um contra-peso contra a URSS e outros países socialistas, ou não? O seu lema “60 anos basta” usado por eles implica que não falemos nos primeiros 60 anos? (…)
  • Qual a foi ou é a sua posição sobre a agressão da NATO na Jugoslávia em 1999 e sobre o protectorado do Kosovo?
  • Qual é a sua posição sobre o plano do “Novo Médio Oriente” conjuntamente apoiado pelos EUA, EU e NATO? Qual a sua opinião sobre a ocupação Israelita e genocídio dos Palestinos?
  • Qual a sua visão sobre Cuba Socialistas e outros países que exigem a sua determinação independente e livre  sobre os seus destinos?
  • Quem mais pode organizar uma conferência anual em Washington, como a realizada pelo International Peace Bereau em 2009?
  • Porque gastam tantos energia e recursos em definir-se como alternativa ao CMP? Qual é o seu receio?

Com estas questões apenas queremos sublinhar que no decurso de 60 anos de história, o CMP tem visto muitas “organizações” e estruturas em muitos países e a nível internacional, que desapareceram tal como apareceram. O seu papel foi sempre de diluir e provocar os esforços consequentes das forças anti-imperialistas, nomeadamente o CMP. Assim, não nos surpreende o aparecimento do ICC e o seu braço Português. Também sabemos que a NATO é capaz de criar as suas próprias “estruturas anti-NATO”, o que não quer dizer que todas as organizações e pessoas envolvidas nessas estruturas estejam inteiramente integradas dos seus planos.

Artigo Publicado no Jangada de Pedra

Sobre André Levy

Sou bolseiro de pós-doutoramento em Biologia Evolutiva na Unidade de Investigação em Eco-Etologia do Instituto Superior de Psicologia Aplicada, em Lisboa
Este artigo foi publicado em André Levy, Imperialismo & Guerra. Bookmark o permalink.

46 respostas a PAZ SIM NATO NÃO ou ANTI-GUERRA ANTI-NATO

  1. Leo diz:

    Acho que o André terminou dum modo muito feliz este seu texto necessário:

    “Também sabemos que a NATO é capaz de criar as suas próprias “estruturas anti-NATO”, o que não quer dizer que todas as organizações e pessoas envolvidas nessas estruturas estejam inteiramente integradas dos seus planos.”

  2. Ricardo Noronha diz:

    Bom André, mas não é preciso ter esta ou aquela opinião sobre Cuba (desde logo a questão da natureza socialista do seu regime) para ter uma posição sobre o imperialismo. Qual a posição do Conselho Mundial da paz acerca da invasão da Checoslováquia em 1968?
    Prevenir infiltrações policiais cooperando com a polícia na repressão de manifestantes é uma estratégia inusitada para lidar com o assunto. O facto de terem já ocorrido «inúmeros casos de batalhas nas ruas com arremesso de pedras, cocktails Molotov» não pode servir de argumento para legitimar a criminalização do protesto e de uma parte do movimento contra a guerra. Ou isso vai-se tornar uma prática no futuro?

    • A.Silva diz:

      Há pessoas que ficam lá atrás…. em 68, na Checoslováquia e ainda hoje repetem a mesma cassete, como se entretanto as coisas não tivessem mudado radicalmente, ignorando todas as reflexões feitas entretanto, insistindo nos mesmos preconceitos anticomunistas… porra, que gente tão triste!

      • José Canelas diz:

        Este comentário parece-me provocação para desviar atenção (vide https://secure.wikimedia.org/wikipedia/en/wiki/Troll_(Internet)). Como é evidente, a pergunta sobre a posição sobre uma questão qualquer que divide opiniões na esquerda é tão justa como a inicial, feita pelo autor. O ponto é que se o questionamento sobre a posição de uma plataforma acerca de Cuba é aceitável, então igualmente aceitável será o rol que se pode fazer de volta acerca de outras questões.

  3. augusto diz:

    Também a União Soviética e o Pacto de Varsóvia sabiam criar movimentos pela Paz, de que este CPPC é herdeiro.

    Que como se sabe, nunca levantou a voz a condenar na altura , a invasão soviética no Afeganistão.

    • A.Silva diz:

      Falso! O CPPC sempre condenou a interferencia imperialista no Afganistão, o patrocinio dos americanos aos fundamentalista islâmicos, ao Bin Laden, recorda-se?

      • augusto diz:

        Quer referir-se ao imperialismo Soviético?
        A esse o CPPC foi sempre , cego, surdo e mudo….

        E sabe porquê?

      • LM r diz:

        Brincamos, portanto. A questão posta é se o CPPC alguma vez protestou contra a invasão soviética do Afeganistão.
        Mas claro que não: se se tratou de uma mera ajuda a um povo irmão em dificuldades…

    • Bruno Carvalho diz:

      Adoro essa da “invasão soviética no Afeganistão”. Que chatice a URSS ter acorrido ao apelo de ajuda do Afeganistão progressista que acabou com grande parte da opressão e humilhação da mulher. Que chatice aquele Afeganistão progressista que apostava na educação, na saúde e no desenvolvimento do país. Felizmente, os talibans foram vitoriosos e devolveram ao augusto a soberania nacional patrocinada pela Casa Branca.

      • adeus-vai-te-embora diz:

        Então mas não foi isso que a NATO foi fazer ao Afeganistão? Acorrer ao povo afegão e acabar com a opressão e humilhação da mulher pelos Taliban?

        Tirem as palas dos olhos, não podem condenar as acções militares da NATO (e dos EUA) sem condenarem também as da antiga União Soviética.

      • LM r diz:

        Isso dos direitos das mulheres e do progresso até já serviu, noutro século, para justificar a invasão do Egipto por nações “civilizadoras”.
        Nem na retórica oca se aprende nada.

  4. renegade diz:

    Um texto deste tamanho para não dizer o essencial: trata-se de mais um capítulo na disputa pela hegemonia da organização do protesto social. PCP de um lado, BE do outro. O primeiro estava habituado a correr sozinho nesta pista. Agora tem de sofrer a concorrência dos outros.
    Ca estou na bancada para ver os episódios seguintes.

  5. POKE diz:

    …e nem uma palavrinha sobre a eficiência dos seguranças da festa do avante a garantir que os não credenciados não entravam… assim não André. Assim não vais para o CC.

    • Ricardo diz:

      Fui à manifestação «Paz sim, Nato não» acompanhado dos meus dois filhos. O mais velho tem sete anos e a mais nova ainda não fez três. Foram porque penso ser bom para a sua foramção a afirmação de valores como a participação e a Paz. Pergunto-me se os teria levado se não me sentisse seguro de provocações, de vidros partidos e outros mediatismos protestativos que pouco mais fazem que afastar novos e velhos dos movimentos de protesto e das manifestações.
      Fique satisfeito em ver tantos jovens empenhados em garantir que a manifestação corresse bem, como correu. Fiquei muito satisfeito em que ambos os meus filhos não tenham medo de se cruzarem com polícias na rua e nas manifestações e fiquei muito satisfeito porque viveram um sábado de protesto e de afirmação de valores fundamentais como o direito dos povos à Paz e em especial o direito das crianças crescerem, aprenderem e bricarem, em Paz!

      • POKE diz:

        Ricardo: e os “não-credenciados” também levaram filhos e também protestaram a favor da paz.
        Foram foi impedidos de estar em liberdade na manif.
        Tem aqui uma página que mostra o que eu também vi por lá, dentro da cerca de polícias, veja se estiver interessado.
        http://antinatoportugal.wordpress.com/2010/11/23/manifestacao-pela-paz-lisboa-20novembro2010/?ref=nf

        • Ricardo diz:

          Curioso como encontro nestas imagens vários quadros conhecidos que vi manifestarem-se num outro grupo mais à frente e vejam lá que depois perante uma «encenação» já preparada voltam a manifestar-se junto a quem chama de «não credenciados»… Curioso…

          • POKE diz:

            (penso que se refere ao José Soeiro, que o Major Tomé desceu a avenida sempre dentro do cordão, foi estilo apanhado…)
            Por acaso eu, que não sou desse partido, achei estranho não ver lá os comunistas indignados com o facto de cidadãos anti-nato tivessem de se manifestar entre tropa de choque…
            Mas por certo as banderas rubras andavam por certo a fazer coisas melhores e acham normal que pessoas anti-nato sejam angaioladas entre polícias.

            Já agora, viu nas imagens alguma razão para ter medo? Já repudia o engaiolamento dos polícias?

      • José Canelas diz:

        “Pergunto-me se os teria levado se não me sentisse seguro de provocações, de vidros partidos e outros mediatismos protestativos que pouco mais fazem que afastar novos e velhos dos movimentos de protesto e das manifestações.”
        Resta saber se algum risco realmente existia ou se foi totalmente inventado (pelos média, pelo governo e clique adjunta e pela polícia, para justificar repressão e uso e compra de meios de repressão e para justificar o dinheiro gasto). E resta saber se o risco de confronto violento não aumentou, com a exclusão de pessoas da manifestação pela PSNN e cerco e prisão pela polícia, sem qualquer justificação. Quanto à forma dos protestos, a mediatização dos episódios de violência serve sobretudo para descredibilizar as manifestações perante a opinião pública, tanto que muitas vezes esses episódios são encenados (um ex: http://www.youtube.com/watch?v=cZfbuCQMYro) ou provocados (com essas tácticas de kettling – http://www.newstatesman.com/blogs/laurie-penny/2010/11/children-police-kettle-protest – ou outras – http://blogs.news.sky.com/frontlineblog/Post:25a1d1f5-a371-4130-abab-bbeb70b3cb98, http://www.sumpter.org.uk/?p=300). No resto dos casos parece-me que se trata mais de impulso de retribuir um pouco da violência sistémica sentida todos os dias e que quem não percebe isso é porque a sente de forma pouco directa. Como dizia um jovem a semana passada nesses protestos contra os cortes na educação e triplicar das propinas, “o que são umas janelas partidas comparadas com a destruição do nosso futuro?”.

        • Ricardo diz:

          Não por partiri uma janelas que conseguirá travar esse aumento de propinas, nem será por partir uma janelas que mobilizarão mais e mais gente, capaz de criar uma força suficiente para mobilizar verdadeiras mudanças, e nãoa encenar alguns radicalismos inconsequentes…
          Essa práticas enecenatórias servem para forçar visibilidades. Mas há de convir, várias avenidas da liberdade cheias de gente, novos, velhos, homens e mulheres, tem muito mais força que uns aventureirismos pouco consequentes e inconsistentes, pois não são duradouros. Desaparecem como um fugacho…

          • José Canelas diz:

            Não disse que partir janelas ajuda ao que quer que seja, isso é outra discussão. O que disse é que as acções violentas são expressões de revolta e compreensíveis. Mas a encenação que apontei foi do lado da polícia e dos governos, mentiras para descredibilizar os protestos. Responde-me como se fosse outra coisa.
            Quanto à eficácia de manifestações massivas versus aventureirismos, terá razão. Mas estreitou apenas a isso. Se a comparação fôr entre a nossa greve geral e a francesa, por exemplo, que incluiu acções de confronto e bloqueio ou com as revoltas dos jovens gregos que depois foram seguidas e apoiadas pelos trabalhadores e sindicatos, o caso muda de figura e já não se poderá qualificar de aventureirismo, inconsequentes, inconsistentes ou pouco duradouros ou pouco eficazes.

  6. ah pois é! diz:

    Então mas…o PSNN não era aquele Partido dos velhinhos que uma vez elegeu um Deputado?! Eu gosto desse!

  7. ezequiel diz:

    Olá André,

    Abolias a NATO, certo?
    Criarias uma outra organização de segurança colectiva?

    Outras perguntas:

    Quais são, para ti, as mais importantes ameaças de segurança?
    (distribuição global de riqueza injusta, presumo)

    Imagina-te como Presidente dos EUA. O que é que terias feito, por exemplo, na Jugoslávia ou no Kosovo? ideias concretas, s.f.f.

    Não estou a escrever isto numa de ironia bla bla. Estou genuinamente curioso.

    cumps
    ezequiel

    • Carlos Vidal diz:

      ezequiel,

      Tudo isto me parece mentira ou então é uma fraude gigantesca:
      como é que é possível um homem que, por um lado, sabe discutir inteligentemente Putnam ou Rorty e, de seguida, enviar comentários como o lido em cima, burro e obtuso, ou obtuso e burro.
      Sim, não creio que a resposta do André seja outra (falo por ele, mas creio não me enganar muito): abolia e dissolveria a NATO, sem dúvida nenhuma.

      Em contraponto, ou como resposta à sua segunda pergunta, meu caro, deveria tornar-se efectivo e útil (só Israel o ignora soberanamente, como sabe) o Conselho de Segurança da ONU – repito, Israel, estado pária acima de todos, é aquela entidade (retiro-lhe a palavra “estado”) que mais contribui para ridicularizar o Conselho de Segurança.
      Sabendo eu que o ezequiel é um sionista-fascista fanático e doente, creio mesmo que não deve perceber aquilo que eu estou para aqui a dizer (e, quiçá, aquele que inteligentemente fala de Putnam e Rorty seja outro “ezequiel”).

      Outra da suas questões: a maior ameaça à paz mundial: a sistemática violação da lei intenacional pela entidade sionista.

      O que faria no Kosovo e na Jugoslávia. Forçaria, com a UE, uma negociação entre as partes (sem forçar a fragmentação do país, sem privilegiar “independências”, sem me ligar ao narcotráfico kosoviano…), primeiro; segundo (falhada a primeira hipótese) não diabolizaria a Sérvia, que, como se viu, foi apenas um gesto cómodo da NATO e USA, prova provada da abjecção NATista.

      Satisfeito, ó seu pseudo-analítico??

      • adeus-vai-te-embora diz:

        E se a Sérvia se recusasse a negociar. E se esta prosseguisse com a sua campanha de terror e genocídio sobre as populações civis do Kosovo? Como resolveria este problema?

        E já agora, Israel não é a única nação a não acatar decisões do conselho de segurança. De repente, recordo-me do Irão que por diversas vezes impediu o trabalho dos inspectores da comissão de energia atómica das nações unidas, dos militares das FARC na Colômbia, muitas vezes condenados por rapto de civis, ou de violações dos tratados que dividem a Coreia do Norte da Coreia do Sul (cometidas por ambos os países de tempos a tempos).

        • Milé Sardera diz:

          Mas conheces o processo da ex-jugoslávia?
          Quem se recusou SEMPRE a negociar? Foram os sérvios? Ou foram os católicos e os muçulmanos (que ficamos a conhecer por croatas e bósnios) que se deixaram levar pelos apelos do “não negoceiem que nós estamos convosco nesta guerra” do mundo ocidental?
          Onde é que houve uma limpeza étnica? No Kosovo sob domínio sérvio ou no Kosovo (pós intervenção) sob domínio NATO e/ou dos nacionalistas albaneses?
          É melhor reveres a tua história em vez de te deixares comer pela propaganda oficial veiculada pelos jornais e outros média de massas

        • Carlos Vidal diz:

          E se… E se…
          Nem se, nem meio se…
          No Kosovo, província sérvia (exactamente, não são os USA, nem Clinton, quem decide as fronteiras na Sérvia), o UÇK não possui ou não possuiu nenhuma forma de santidade, nem característica de exército “libertador” – curioso, como o sr. “vai-te-embora” ataca as FARC e parece exaltar o UÇK, apenas uma mafia do narcotráfico e tráfico de carne, nada mais.
          Dizia, não há santidade no UÇK; não houve santidade em Milosevic, logo, ambas as partes teriam de ser chamadas à “barra”. Por igual. Como é que isso se fazia? Não bombardeando a Sérvia, como berço do mal, evidentemente.

          As FARC não são uma nação nem um estado. Pelo contrário, elas defendem as populações colombianas do “estado” fascizante colombiano. Logo, não têm de responder perante o Conselho de Segurança da ONU.
          Comparado com Israel, o Irão é um estado exemplar no que respeita à lei internacional.
          Agora, se me dá licença, retiro-me. (Já aqui, em mais do que um post, publiquei a lista de violações de Israel de resoluções da ONU – centenas! Procure, e não desvie o assunto. Ou então convide a NATO a bombardear o Irão: é essa sua vontade, sr. vai-te-embora??)

          Ah… o ezequiel emudeceu. Pudera!

          • adeus-vai-te-embora diz:

            Não digo que a solução seja bombardear ou diabolizar a Sérvia. Mas defendo a intervenção armada de um organismo internacional (algo que a NATO é) em casos de crimes contra a humanidade, seja no kosovo ou na palestina.

            Aquilo que me aborrece mesmo é a hipocrisia de criticar apenas alguns dos actores. Criticar apenas a intervenção da NATO na Sérvia, e não criticar a invasão soviética do Afeganistão. A guerra é a guerra. Independentemente de quem a pratica, é abjecta e merece sempre as nossas críticas e o nosso repúdio. A única justificação que encontro para uma guerra é parar algo ainda mais abjecto: o extermínio de civis.

        • Asib Mohamed diz:

          Acho engraçado que haja ainda alguém que se sinta na legitimidade de intervir em casa dos outros. Os países são soberanos e mais que isso, os povos. Quem quiser revolução ou mudança nas suas casas que o procure. É de atitude arrogante e de falsa moral, achar que as outras casas devem funcionar como a minha. Não sou dono da verdade e ninguém é.
          Se calhar até é verdade que não é só Israel a não aceitar decisões do conselho de segurança, mas é uma tentativa de estado que é ofensivo e ocupador. Já o Irão defende-se em casa dessas ideias de uniformizar o mundo na imagem e semelhança dos EUA. Estes sim que acabam sempre por não fazer e colocar entraves em coisas como o tratado de quioto. Querem acabar com as armas de destruição maciça e nucleares mas continuam no seu país com a construção e investigação das mesmas. Na realidade querem, isso sim, ser os únicos a possuí-las, para controlarem melhor e de forma mais opressiva sem hipóteses de defesa, qualquer um que lhes possa fazer frente nesta conquista do mundo.

      • LM r diz:

        Como seria possível “forçar” as partes a uma negociação, com o apoio de uma UE com interesses contraditórios na Jugoslávia? E quem o faria; a ONU? Seria coisa sem precedentes…

        • Carlos Vidal diz:

          Esta perspectiva do sr. LM r é muito interessante.
          Em Oslo, Arafat aceitou o que Mandela nunca aceitou: a multiplicação de bantustões. Aceitou negociar, negociou, de nada serviu – agravou o problema.
          Mas, com ou sem negociações (do mesmo tipo das de Oslo não foram certamente), o apartheid acabou (na lei da nação – no terreno, o problema é outro).
          Mas, a lógica de LMr é interessante: ninguém os consegue sentar à mesma mesa, logo bombardeia-se um dos lados: Belgrado; depois, fica ainda sem uma sua zona ou província, simbólica.
          Como é que se consegue?
          Fácil: nazificamos os gajos. Estabelece-se um paralelo entre kosovares e judeus, etc.
          Resultado: o estado Kosovo.
          Bom proveito lhe faça.

          • LM r diz:

            Isso do “logo bombardeia-se” e dos paralelos é acrescento seu. Nunca me passou pela cabeça apoiar tais coisas.
            Limitei-me a apontar o erro da sua “alternativa”: as tais negociações “forçadas” (pois, pois) pela UE.

  8. subcarvalho diz:

    André,
    é capaz de dar um exemplo de grupos, colectivos, associações, que tenham criado situações como as que refere no excerto que abaixo reproduzo?
    Não meta tudo no mesmo saco! Uma coisa é desobediência civil com recurso à violência, coisa que pessoalmente não condeno, e outra é a desobediência civil pacífica, coisa que ajudei a concretizar no dia 20 de novembro, no Cabo Ruivo, Lisboa.
    Quanto à manifestação, palavras leva-as o vento…vejam-se as imagens e tirem-se as conclusões.
    “Contudo nas últimas décadas tem sido praticado por grupos que praticando desobediência civil respondem de forma violenta, quando confrontados com as forças policiais. Há inúmeros casos de batalhas nas ruas com arremesso de pedras, cocktails Molotov por parte de pessoas que, tendo provado as situações de tensão…”

  9. Milé Sardera diz:

    O texto serve basicamente para branquear as acções sectárias do CPPC. A PAGAN convidou-os para uma frente comum e eles rejeitaram (não andavam a reboque dos estrangeiros, como foi dito). No dia (há muito anunciado) de lançamento público da PAGAN, a PSNN decidiu (muito em cima da hora e com conhecimento sobre o lançamento da “outra” Plataforma) fazer o seu próoprio lançamento, coindidentemente, na mesma cidade, à mesma hora.
    O mito da violência e dos black blocs associados à PAGAN poderá ter sido invenção dos histerismo mediático, mas para tal muito terá contribuido a denúncia da União de Sindicatos de Lisboa sobre a violência da “outra” plataforma. Dito doutra forma, a PSNN foi fazer queixa à polícia (sim, à PSP) de que a PAGAN era um grupo de destruidores de propriedade.
    A PSNN não se limitou a afirmar as suas técnicas de organização e protesto. Fez questão de tentar matar as dos outros (eles são violentos, eles não são representativos de nada, eles têm técnicas que não levam a lado nenhum, …). Isto é um ataque a companheiros do mesmo lado da barricada que não tem desculpa. E neste sentido, pergunto eu quem terá estado do lado da NATO ao dividir o movimento desta forma.
    A PAGAN portou-se mal ao apelar para uma manif (que pensava unitária), sem ter o cuidado de referir expressamente que essa manif era organização da PSNN. Ao invés de falar com a PAGAN, a PSNN decidiu emitir um comunicado indecente e, ele sim, potenciador de atitudes violentas (e que traduziu para todas as línguas existentes).
    Para finalizar (sem ser demasiado exaustivo), a PSNN juntou-se às autoridades (sim, à PSP) para cercar militarmente toda a gente que não gostava de ver na sua manif unitária. As visões duma manif partida em dois, com um bloco autorizado e outro “detido” dentro dum cordão policial foram brutais para mim e demonstram quem divide e que tenta promover “encontros” dentro da diversidade.
    Dizer que meter 500 manifestantes dentro duma prisão ambulante é uma tentativa de aplacar a violência é desonesto. A opção da PSP/PSNN foi potenciadora de violência, coisa que, creio, servia os objectivos políticos do PCP/PSNN. Digo e repito-o… se houve alguém a criar ujm clima que propiciasse cenas de violência foi a PSNN com a sua atitude sectária de “os nossos protestos é que são válidos”, “a nossa Plataforma é que é representativa”, “os outros são fantoches nas mãos de interesses ocultos (talvez até agentes da NATO”).
    Eu assisti, na luta contra a NATO a lutas fraticidas que não pretendem impedir a violência ou desmantelar a NATO, mas apenas marcar território eleitoral (BE contra PCP).
    Coisa que correu mal, porque o BE decidiu retirar o tapete à PAGAN (talvez também com medo da tão afamada violência – que todos deveriam ter redireccionado para dentro do cordão de segurança mas que acharam melhor colar aos “perigosos anarquistas” que se juntaram à PAGAN) e acabaram por ficar os dois (PCP e BE) amigos como sempre, uma espécie de Sporting Clube de Braga / Vitória de Guimarães em que as massas associativas se odeiam mas as direcções têm uma acordo mais ou menos tácito de “hoje ficas tu em quarto lugar e amanhã ficou eu”.
    O que aprendi realmente é que se deve confiar mais num agente da PSP do que num dirigente do BE ou do PCP.

  10. ezequiel diz:

    Vidal,

    eu fiz a pergunta ao André mas é sempre um prazer ser insultado por V Exa.

    os seus insultos confirmam a minha sanidade mental. obrigado.

    eu poderia responder-lhe mas não me apetece nadinha conversar consigo. o sr mistura alhos com bogalhos com a mestria de um schizo delirante. eu n falei das farc, nem mencionei a criminalidade associada ao UÇK ou aos grupos de extrema-direita nacionalista SÉRVIOS.(como os célebres Tigres de Arkan) enfim, esta sua “resposta” é uma cacofonia. você não muda: eu n insultei o André. apenas fiz-lhe uma pergunta.

    emudeceu, pudera?? em dias como hoje eu simplesmente não tenho pachorra para dignificar a p..a da sua má-criação com uma resposta.

    eu já n comentava aqui no 5 há imenso tempo. venho aqui e deparo-me com esta inenarrável persona, Carlos Vidal.

    A “entidade sionista agradece-lhe (presumo eu). O sr e o renato são dois recursos vitais do estado de Israel. até eu lhe agradeço.

    Uma boa tarde para si, sr professor.

    PS: Rorty e Putnam não são o meu “forte”, por assim dizer. Considero tudo o que escrevo sobre eles como sendo de qualidade mediana, vulgar até. 🙂

  11. ezequiel diz:

    tal foi o brilhantismo dos seus comentários que a mais enigmática mudez e surdez atingiram-me repentinamente. overwhelming insightfulness!!

    numa coisa acertou, pelo menos: sou um sionista fanático. n tenha qq dúvida.

  12. ezequiel diz:

    Então André,

    Não me respondes e n publicas os meus comentários??

    Este post é teu ou do Vidal?

    Que tristeza, André.
    Eu tinha vergonha de me associar a este gajo.
    VERGONHA.

    • Carlos Vidal diz:

      Vergonha, vergonha, vergonha…..
      Olhe, peça um F 16 emprestado.
      É só que vocês sabem fazer.
      Lá de cima, de bem longe – “ganham” sempre.

      Agora a sério: não gosta do Conselho de Segurança, não é?
      Prefere a Nato.
      Mas não se preocupe, os EUA hão-de vetar tudo sobre o seu Israel.

  13. ezequiel diz:

    fuck off.

  14. ezequiel diz:

    o sr faz com o que há de pior em mim salte ao de cima.
    não gosto de celebrar a violência
    não gosto mesmo
    porra. porque raio respondi eu ao sr?
    estúpido de merda(eu)

    au revoir prof Vidal.

    • Carlos Vidal diz:

      Z,
      Pois, o sionismo é uma doença que ultrapassa o próprio doente.
      Incontrolável.
      Depois nem repara que doente está.
      Velocidade da luz.

      LMr,
      às vezes basta um gesto simples para começar, depois se verá como acaba tudo (se esse gesto simples for o justo, o que nos salta pelos olhos, como o que defendo adiante, tudo poderia ter sido diferente:)
      Ora, bastava começar-se por não se diabolizar apenas-apenas a Sérvia.
      Entendido?

  15. ezequiel diz:

    Não resisto.
    Quase todas as resoluções das NU referentes ao conflito Israelo-Árabe condenam todos os beligerantes. E, como é sabido, ambos ignoram sistematicamente e “soberanamente” as resoluções do Conselho de Segurança. Por conseguinte, a sua critica aplica-se tanto a Israel como aos “resistentes” que o sr defende. Um tiro no pé, portanto. O sr não menciona o facto de que a constituição do estado de Israel foi aprovada, em sufrágio universal, nas NU. Um dia depois de aprovada a sua constituição, exércitos árabes, movidos pelo imperativo de pintar o med com sangue judeu, atacaram o jovem estado. Esta é a história da resolução 181, a da independência (e em nome da qual Israel travou a sua primeira guerra) do estado de Israel.

    Sérvia, Bósnia, Croácia, Kosovo, Albánia.

    Abstraio-me de fazer juízos morais acerca dos beligerantes. Digo-lhe isto apenas: O conflito na Bósnia-Herzegovina (e outros) ameaçava directamente a segurança da Europa. Na altura, previa-se um autêntico dilúvio de refugiados para os países vizinhos que poderia criar uma crise humanitária de proporções dantescas. Ninguém queria receber os refugiados. Além disso, é sabido que muitos jihadis provenientes do afeganistão instigaram conflitos inter-étnicos naquela região. A dinâmica nacionalista + crescente fluxo de jiahdis poderia ter criado um cenário ainda mais desolador e quase impossível de resolver. Era imperativo interromper o processo de guerra. O Sr acusou-me de diabolizar a Sérvia apesar de eu nem sequer ter mencionado a republica Serbska no meu comentário. Todavia, diga o que quiser que nada ocultará um facto indesmentível: foi o Milosevic que iniciou as anexações dos territórios bósnios e croatas onde viviam minorias Sérvias e foi ele que iniciou as chamadas limpezas étnicas que, pouco tempo depois, foram imitadas pelos seus inimigos. Não se esqueça que Milosevic iniciou uma guerra contra a Eslovénia!!!!! O nacionalismo sempre foi o mais importante atributo de toda aquela região. Nem a “terceira via” Jugoslava foi eficaz na supressão do nacionalismo como força política. A Jugoslávia de então (ou as suas ruínas) era o palco de uma guerra macabra de todos contra todos, bósnios contra croatas, sérvios contra todos, enfim, uma espiral diabólica criada por uma guerra que combinava guerrilha, terrorismo, milícias populares, mafias, jihadis e a guerra dita convencional. Ou seja, um INFERNO, na verdadeira acepção da palavra. Os comunistas sempre subestimaram a imensa resiliencia do ideal nacionalista. Ou talvez não. Talvez tenha sido por terem reconhecido que o nacionalismo havia resistido a tudo e mais alguma coisa que o suprimiram de forma tão determinada. Não sei. Os historiadores dirão.

    Quanto à acusação de FRAUDE? Parece-lhe impossível um sionista interessar-se pela filosofia de Putnam e a de Rorty? Ficou espantado? Herzl nunca escreveu em parte alguma que os sionistas não se podem interessar pela filosofia.

    Obtuso/burro, burro/obtuso ou fraude??

    Eu respondo-lhe:

    A resposta já tem + de 20 anos.
    É 145.

  16. Grazia diz:

    A conversa é interessante e já vai longa. Chamaram-me a atenção sobre o tema e aproveitando o privilegiado conhecimento que tenho sobre o tema, aí vai:
    1 – Em 30/9/2009 constituiu-se a PAgan tendo para tal sido convidadas todas as forças políticas da esquerda, blogs, colectivos, etc disponíveis. Ninguém da pouco difusa área do PC apareceu
    2 – Foi a Pagan que nesse dia informou por aÍ, em conf de imprensa que ia haver uma cimeira
    3 – Tentou-se falar com a CPPC (então desactivada, com notícias desactualizadas no seu site – o Iraque, por ex não era notícia desde 2006. o que demonstra a atenção dada à paz pelo PC. A Inter também nada respondeu
    4 – Em Dezembro 11ou 12 membros da coligação internacional em reunião com a Pagan em Lisboa forma falar com a CPPC, sem resultados; e, até eram membros do insuspeito PCF
    5 – Em 18/1/2010 no dia da primeira sessão/debate da Pagan, à mesma hora (coincidências…) surgiu a coligação PSNN como produto de 100 organizações, umas fantasmas, outras sobrepostas, como é fácil de ver
    6 – Em Fevereiro houve o único contacto direto Pagan/CPPC. Soube-se que a CPPC (Carlos Carvalho, que é da USL, da Inter, do CPPc, da PSNN e sei la que mais)proclamou não querer a CPPC obedecer a gente estrangeira e discordar da desobediência civil
    7 – Entretanto a Pagan começara a ir às manifs da Inter, sem problemas, falando e distribuindo comunicados, sendo sempre bem acolhida pelas pessoas de bem
    8 – Em finais de Junho nova reunião de dois estrangeiros da coligação com a CPPC onde se acordou haver uma só manif, como óbvia conveniência contra a NAto, tendo sido afirmado que da área do PC nada mais seria feito
    9 – Quando a manif de dia 20 foi anunciada a Pagan começou a divulgar o evento. Uma manif vale pelos seus objectivos e é pouco relevante quem a convoca formalmente no governo civil. E não houve qualquer intenção de esconder o nome dos convocantes, apenas descuido
    10 – A 13 de Outubro, começa a campanha de criminalização lançada pelas organizações do PC, com a ideia de que a PAgan é um bando de desordeiros, violentos, etc. O governo(agradecido) e a imprensa geraram logo cenários apocalíticos para a altura da cimeira, para assustar as pessoas.
    11 – Claro que o objectivo também seria atemorizar as pessoas perante o cenário da greve geral. E isso, no seu sectarismo, o PC não pensou, procurando diabolizar uma parte dos activistas e da esquerda e sabotar a unidade. De facto, o PC só concebe a unidade intramuros ou de quem se lhe submeta. E dá para pensar se com essa atitude não estariam à procura de um bode expiatório caso as coisas corressem mal no dia 24. Sim, porque o comité Central tem sempre razão
    12 – Entretanto a PSP chamou a Pagan duas vezes e ter-se-á convencido do seu carácter pacífico embora mantivesse as suas reservas, nomeadamente em relação aos nossos amigos estrangeiros
    13 – Soube-se entretanto que a USL apresentara queixa da Pagan à polícia, numa atitude que se deve designar como pidesca. E até se sabe quem foi o funcionário que lá a apresentou – Libério Domingues
    14 – A Pagan não se intimidou e manteve-se firme na ideia de estar na manif, pacificamente, no exercício dos seus direitos, com os seus amigos estrangeiros, também eles anti-NaTO … embora o comunicado do dia 13 apenas apelasse “ a todos os portugueses” na habitual visão nacionalista do PC
    15 – Naturalmente que isso enervou o CC do PC e, em vésperas da manif, outro comunicado violentíssimo contra a Pagan, o ICC, o WRI, o Bomspotting, repleto de falsidades, calúnias e ameaças. Dias antes, um membro da PSNN havia dito à RR que a Pagan estava proibida de participar, como se uma manif seja propriedade privada ou o marquês de Pombal privatizável (Sócrates porventura até aproveitará a ideia…)
    16 – A Pagan esteve na manif, entre o poder policial/militar do corrupto Estado português e o poder da burocracia do PC (até houve um dos seus gorilas que referiu a necessidade de credenciais para estar na manif), exasperado por não ter um Gulag disponível para enviar as centenas de manifestantes da Pagan e outros grupos que vinham dentro do cordão policial. E há testemunhos de um membro do CC do PC – Dias Coelho – a indicar com o braço onde estavam os “não credenciados”; no mínimo vergonhoso
    17 – De facto, o civismo da Pagan e dos “anarcas” – como estupidamente a imprensa designa tudo o que não se enquadra na esquerda institucional – estragou a festa do PC e dos seus burocratas. Não houve pancada, a polícia não interveio contra uns desordeiros (que nunca o foram) e o PC irá arcar sozinho com qualquer coisa que corra menos bem no dia 24. O patinho feio, a Pagan não será o bode expiatório.
    18 – Quanto ao BE, ficou mal no retrato, sobretudo o actual deputado Jorge Costa que enviou para Pagan um funcionário disfarçado para manipular as coisas. Debalde e teve de sair quando começou a criminalização mediática da Pagan. E, sempre procuraram que a Pagan não fosse referida onde fosse, mesmo nas vésperas da contra-cimeira.
    19 – O papel do BE era complicado. Tinha de estar no filme anti-Nato para satisfazer a maioria dos seus militantes; e tem de arcar com um Alegre que é a favor da NATO. Chuva na eira… é difícil
    20- Sobre financiamentos. A coligação pagou apenas o aluguer do Liceu Camões e trouxe o equipamento do live streaming. O resto foi suportado pela PAGAN, com as vendas dos seus produtos, os contributos dos seus activistas, sem apoios sindicais, políticos ou estatais

    • Gualter diz:

      Apenas um detalhe a adicionar ao que o grazia já disse: aquando da primeira reunião internacional em Berlim, da plataforma internacional No To NATO (onde há membros de homólogos europeus do PCP, tais como o PCF ou o Die Linke), alguns dos elementos com maior afinidade marxista-leninista propuseram a integração de elementos do CPPC no Comité de Coordenação Internacional (ICC) da No To NATO. Contudo, como o grazia referiu, todos os contactos, quer da PAGAN, quer do ICC com o CPPC falharam (ausência completa de resposta). Em Janeiro, o CPPC aparece com uma assembleia precisamente no mesmo dia em que a PAGAN tinha uma convocada.

      André, faz-me um favor e vai branquear o sectarismo do CPPCP para outro lado onde eu não tenha que ler.

  17. Grazia diz:

    só mais uns detalhes

    É de justiça referir que existem alguns membros do BE dentro da PAGAN e que não se solidarizaram, antes pelo contrário, com o comportamento alheado dos seus dirigentes e mais ainda com os do trotsko/stalinista Costa acima referido. E que estiveram entre os “não credenciados” da manif, como também o deputado do BE, José Soeiro

    É justo referir também a presença dentro do cerco policial de alguns sindicalistas do PC que ostensivamente se juntaram, afastando-se do cortejo oficial

    E, aproveita-se a ocasião para propor um debate conjunto, paritário sobre a NATO entre membros da PSNN/CPPC e da PAGAN. Seria bom dar-se um sinal de harmonia numa altura de grande ofensiva contra os trabalhadores portugueses por parte da UE/BCE/”mercados” através dos seus agentes Sócrates/Passos

Os comentários estão fechados.