O enigma Francisco Lopes

Cada um escolhe o candidato que quer, mas alguém quer fazer o favor de explicar-me por que é que o PCP escolheu Francisco Lopes como candidato?

Para disputar realmente a eleição, a candidatura óbvia seria a de Manuel Carvalho da Silva, comunista e secretário-geral da CGTP, a organização que mais tem protagonizado a resistência aos PECs de Sócrates e Cavaco. Possivelmente, não ganharia a eleição, mas o que é para a esquerda, hoje, «ganhar» umas presidenciais: eleger um Mário Soares (no further comments needed)? Talvez um Jorge Sampaio (que, recorde-se apoiou a utilização dos F16 portugueses no bombardeamento da Sérvia pela NATO)? Ou juntar forças, como noutra campanha qualquer, para combater a miséria (e o mais que se verá) para onde estamos a ser conduzidos?

Bom, supondo que o próprio Carvalho da Silva (ou o PCP) não queria, para o objectivo mais limitado de ‘usar o tempo de antena’ e ajudar a construir o partido, não seria claramente melhor Jerónimo de Sousa, que todo o País conhece e tem uma imagem de simpatia?

Por exclusão de partes, escolher este homem apagado e desconhecido, apesar de ser membro do secretariado e, como diz um seu conterrâneo de Vinhó, Arganil [cerca de 100 habitantes], ser «uma excelente pessoa, educada, que tanto fala ao pobre como ao rico» (jornal i, 26 de Agosto de 2010) poderá significar ou que o PCP se prepara para dizer aos seus eleitores que engulam o ‘sapo’ Alegre (também o ‘sapo’ Soares não era para engolir e depois foi o que se viu), ou que a escolha é simplesmente o resultado de uma surda luta fraccional dentro do partido, tendo sido imposto o mais ‘ortodoxo’, ainda que como figura pública seja pouco mais que uma nulidade. Com cerca de 1% nas sondagens, arrisca-se a bater o recorde negativo de António Abreu há dez anos (que obteve 5,1% e apenas 223 196 votos), um resultado que terá um evidente efeito desmoralizador. Para mim, nenhuma destas razões é convincente para apoiá-lo.

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40 respostas a O enigma Francisco Lopes

  1. koshba diz:

    Piois.Nem eu para votar no Garrafão de Águeda que apoiou a politica(?) deste dergoverno,tão bom quanto os do cavaco dos Banksters.Eu não engulo nenhum sapo-que se fodam!Mais 5 anos de ladrões amigos do alzheimer?que se lixem.É isto q o povinho quer

  2. antónimo diz:

    se fôssemos espertos aproveitávamos era esta boleia

    http://economia.publico.pt/Noticia/felipe-gonzalez-insta-bce-a-comprar-divida-publica-dos-paises-visados-nos-mercados_1468808

    finalmente alguém vagamente da social-democracia dá o tiro de partida: o nosso keresnky bem podia activar os amigos alemães e nórdicos mostrando-se capaz de cortar com o calculismo da realpolitik

  3. Bruno Carvalho diz:

    O Francisco Lopes é desconhecido? Dirigente do PCP há décadas e deputado há duas legislaturas, Francisco Lopes se é desconhecido deve-se, em grande parte, à comunicação social. Mas há alguém no PCP que seja conhecido para além do seu secretário-geral, do líder da bancada parlamentar e de um ou outro autarca? Alguém duvida de que a maioria dos votos obtidos pela CDU se devem unicamente ao esforço dos seus militantes e candidatos junto das populações? Se o PCP se limitasse a cumprir o calendário de campanha da maioria dos partidos e se não fosse um partido de massas que tem como prioridade a luta dos trabalhadores nunca conseguiria a percentagem que regularmente obtém.

    Sobre a questão de ser o Francisco Lopes e de não ser o Carvalho da Silva, parece-me que a escolha tem a ver com a capacidade de cada um dos dois de levar adiante o projecto que defendemos. O Francisco Lopes está mais capaz de cumprir até ao fim esse projecto, pese não ser tão conhecido. Felizmente, não é a comunicação social que escolhe os candidatos apoiados pelo PCP.

    Muitos dos que querem o Carvalho da Silva como candidato é gente descontente com o candidato Manuel Alegre. Ou seja, gente que não é da área do PCP mas que está descontente por as suas áreas políticas terem como candidatos Manuel Alegre e Fernando Nobre. Estão descontentes por só haver um candidato anti-NATO, anti-Orçamento, que nunca se sujou no lamaçal das políticas de direita, um candidato que apoiou a greve geral. Esse candidato é, sem dúvida, Francisco Lopes. Coloco outra pergunta: faria sentido lançar Carvalho da Silva na corrida sem a desistência de Manuel Alegre em seu favor? E este alguma vez desistiria? Claramente, não.

    • António Paço diz:

      Bruno Carvalho, a lógica da sua pergunta sobre se «faria sentido lançar Carvalho da Silva sem a desistência de Manuel Alegre a seu favor» é que não se lança o Carvalho da Silva para não o «queimar». Pergunto eu então: o Francisco Lopes é para «queimar»?

      • gg diz:

        E o projecto António, interessa discutí-lo, ou são só as futelidades “cor-de-rosa”?

        A defesa da CRP, que ainda nenhum PR fez cumprir?

        O compromisso dos outros candidatos com o actual estado de coisas?

        Para que serve um PR? Vá lá, o António é capaz de mais…

      • o da boa-fé diz:

        Eu entro com o gasóleo…

  4. JMJ diz:

    Ou seja,
    o homem foi escolhido para (das duas, uma) ou ajudar o Alegre; ou porque o PCP está em pé de guerra e este é o mauzão dos mauzões;

    Como raciocinio é infalível.
    É como este texto, que foi escrito para (das duas uma) ouajudar o Alegre; ou porque quem o escreveu é burro como uma porca riscada…

    Se não sabem dizer mais do que isto, mais vale estarem calados.

  5. jal diz:

    Fico a saber que as eleições presidenciais são um concurso de vedetas, onde para além da figura pública mais conhecida ainda há lugar para uma miss simpatia que mesmo não sendo eleita sempre salvaria a honra do convento.

    E como Francisco Lopes é desconhecido e um carrancudo ortodoxo e as sondagens dão 1% o melhor é não apoiar o homem.

    Na feira de vaidades em que alguns teimam em transformar a política, o PCP decide-se pela luta de ideias e pela combatividade, apresentando um candidato que não regateia a defesa da Constituição e dos seus princípios, que não abdica de propor um Portugal sem explorados nem exploradores e que se assume neste combate como a única voz clara e determinada em defesa dos trabalhadores e do povo português.

    É claro que para alguns isto não chega, teria de ser uma vedeta…

    • A. Melo diz:

      “E como Francisco Lopes é desconhecido e um carrancudo ortodoxo e as sondagens dão 1% o melhor é não apoiar o homem.”

      Alto! temos a lógica Carmelinda Pereira de regresso e fora de tempo.

  6. VBranco diz:

    Caro António Paço,

    Com este post entrou em campo minado… Não tarda nada, os habituais camisas castanhas do PC que por aqui param estarão aí para lhe dar porrada. Reconhecer erros não é apanágio dos partidos políticos e o PC não é excepção. Além do mais o PC nunca é derrotado nas eleições e reforça sempre no essencial a sua posição; se não vai mais além é porque há uma conspiração na comunicação social contra o PCP.

    De resto concordo no essencial com o conteúdo do post.
    Cumprimentos

    • gg diz:

      Só frases feitas… é daqueles que “pensa” pela sua cabeça, e mais não faz que reproduzir MENTIRAS, PRECONCEITOS… veja resoluções dos Congressos do PCP, aí encontrará auto-crítica, como em nenhum outro Partido…

      • A. Melo diz:

        “veja as resoluções”?!

        Era o que faltava. Que, para criticar o PCP, ter que ler as “resoluções” e fazer de conta que a prática diária não existe. Que arrogância tão bacôca. Ainda por cima se, das “resoluções” do PCP algo houvesse a aprender. Livra! isso é como os católicos que apesar de se confessarem ao padre, no dia seguinte voltam a pecar.

    • Leo diz:

      Este VBranco deve ser daquela raça que avança logo com bombas atómicas contra mosquitos. Da raça palerma, mas convencida obviamente.

      • o da boa-fé diz:

        E eu que pensava que dessa raça já só restava o Leo…

        • VBranco diz:

          Caraças, só não não acerto no euromilhões…
          O que palermas como o Leo não entenderam ainda é que outros palermas como eu que até votam PCP não se reveêm em muitas decisões do partido e principalmente nos dogmas de fé de alguns palermas como o Leo. São palermas como o Leo que acham que são as pessoas menos palermas que têm que entender o partido e não o partido e os seus palermas que tem que se fazer entender. enfim palermices…

  7. João Valente Aguiar diz:

    António Paço,

    1- E desde quando é que (os supostos) 1% de intenções de voto (algo que não acredito) são critério principal? Como o Bruno Carvalho (mto bem) referiu no comentário acima, quem é o único candidato anti-Nato, anti-capitalista e anti-Orçamento e medidas de austeridade? É o Francisco Lopes. Ora, eu escolho um candidato pelas suas posições e não pelo “sucesso numérico e quantitativo”. Tb em 2006 havia sondagens que davam 60 e mtos por cento ao Cavaquinho e depois quase que ia à segunda volta… Por isso, nada de desânimos. É desse tipo de comportamentos que o capital e seus acólitos esperam instalar nas fileiras da esquerda e de quem luta pelos e com os trabalhadores.

    Para acabar, isso de ser a CGTP a organização que mais tem protagonizado a luta contra os PECs é verdade. Mas é uma verdade parcial. Porque a CGTP, felizmente, conta com milhares de comunistas e de outros democratas que, da sua comissão executiva ao sindicato de base, lhe dão a espessura de classe e a linha programática adequada para defender os trabalhadores. Sem os militantes comunistas a CGTP seria mto diferente. Para pior. Evidentemente, nada disso obsta ao trabalho que os comunistas têm sempre feito de reforço da unidade e do diálogo com trabalhadores e dirigentes sindicais de outras correntes que estejam inseridos numa perspectiva que busque romper com o bulldozer neoliberal.

  8. Filipe Diniz diz:

    Há coisas que só são “enigma” para pessoas cujos meios para ler o que está à sua volta são um bocado limitados. Ainda por cima António Paço descobriu um “enigma” com dois meses de atraso. Tem que ir aos arquivos do 5dias, meu caro.
    Vou repetir o que na altura foi dito: a) a candidatura de Francisco Lopes preenche o enorme vazio que resultaria de, sem ela, o terreno ser inteiramente ocupado por personagens ligados à política que conduziu o país à desastrosa situação actual, ou incapazes de se demarcar dela; b) com excepção da candidatura de Salgado Zenha, todas as candidaturas presidenciais apresentadas pelo PCP foram de dirigentes de primeira linha. A hipótese Carvalho da Silva só existe na cabeça fantasiosa de algumas pessoas. Se por acaso o PCP tivesse optado por aí (e alguém sabe se Carvalho da Silva estaria nessa?) o coro não seria o do “candidato desconhecido”. Seria o orfeão alargado da “prova definitiva da instrumentalização do movimento sindical pelo PCP”, do “sectarismo” que poria em causa a grande organização unitária e de classe dos trabalhadores portugueses, e também da “manobra do PCP para ver o Carvalho da Silva pelas costas”. O colossal ataque mediático e patronal que houve contra a Greve Geral teria incluído o saboroso tópico “a Greve Geral é uma manobra eleitoral do PCP”; c) Pode ser que Francisco Lopes seja pouco conhecido. O Bruno Carvalho já comentou bem a questão. É um problema de campanha. Mas os outros candidatos têm um problema inverso e bem maior, que é o povo português já os ir conhecendo de ginjeira mais ao que representam. A candidatura de Francisco Lopes cá estará, para falar claro sobre os que são parte do problema e para deixar nítidas as perspectivas de saída para o buraco em que estamos metidos; d) Quanto à questão do “candidato apagado”, espere pelos debates televisivos, se os houver. E se não houver, pode ter a certeza de que não houve por medo das outras candidaturas em confrontar-se com Francisco Lopes.
    Por último: se você pertence ao clube dos que querem derrotar Cavaco, e também Sócrates e toda a política de direita, acompanhe atentamente a campanha e decida-se. Vai ver que, se forem esses os critérios de escolha, a opção é clara. Se pesarem outros factores (talvez preconceitos e ideias feitas, sabe-se lá) abstenha-se, homem. Não é por aí que vem mal ao mundo.

  9. Abilio Rosa diz:

    Francisco Lopes é de facto o único candidato presidencial com futuro.
    É ainda muito novo e também hipótese de ainda recandidatar-se a um novo mandato, ao contrário dos outros dois candidatos – apoiados pelo sistema – que se viessem a sai da presidência, já iriam direitinhos para um lar da 4ª idade.
    Francisco Lopes só tem que falar com mais calma e evitar o tom «cassetiano» que já fez escola no PCP.
    Tem que falar baixo para que todos o ouçam.
    Tem que ser cordial e tem que demonstrar que é ele o candidato mais bem preparado para levar o país para outra situação.
    É preciso demonstrar – ideológica e matemáticamente – que Cavaco e Alegre são também eles responsáveis pela destruição de Portugal e que são marionetes nas mãos de políticos, banqueiros e empresários obscuros, oportunistas e calculistas, como se tem visto nos últimos «apoios» ao Cavaco.
    Francisco Lopes é um homem que veio do mundo de trabalho e tem muita mais sensibilidade social e até económica do que aqueles dois candidatos que só têm circulado nos salões e corredores do poder a declamar poesia ou a dissertar sobre a economia da miséria.
    Francisco Lopes é futuro.
    Cavaco e Alegre têm um gande passado à sua frente.
    Seria uma tragédia para Portugal se algum deles viesse a ser eleito.

  10. CausasPerdidas diz:

    “Faria sentido lançar Carvalho da Silva na corrida sem a desistência de Manuel Alegre em seu favor?” Faria, não como candidato do Comité Central mas como uma emanação da resistência à ofensiva anti-social. Se o PCP fez o costume, já que a sua concepção de unidade não ultrapassa a “frente popular” muito limitada dos “Verdes” e dos “democratas” da CDU, ao Bloco de Esquerda faltou a coragem para desafiar o PCP a fazer o contrário. No caso do apoio do Bloco a Alegre, tratou-se de uma escolha política que só os mais distraídos não previram, uma vez que o projecto de construção do BE passa pela “ofensiva” sobre as bases socialistas e sociais-democratas… E pela ignorância ostensiva do PCP. A este propósito, leia-se a imprensa do BE. Nem um esboçar de reflexão sobre a forma como o PCP “gere” a sua influência nos sindicatos, é o seguidismo completo em relação à burocracia.
    Se Alegre se candidataria à mesma? Suponho que sim. E daí?
    Em resumo, teremos um candidato de partido a falar para a audiência do partido (Francisco Lopes) e um candidato (Manuel Alegre) apoiado por dois partidos e duas razões diferentes e diametralmente opostas. Por um lado a perspectiva pragmática de arregimentar forças para defender o que ainda não foi destruído de um Estado Social nado-morto (BE). Por outro, a lógica da toalha atirada ao chão, “tanto faz”, “Cavaco já ganhou”(PS)… além de que, sugiro eu, não sobra ninguém credível para dar a cara por uma política governamental desastrosa . A indiferença em relação ao resultado eleitoral, é o que explica que um candidato que se apresenta em defesa da Educação e do Ensino Públicos seja apoiado pelo partido que mais atacou esses fundamentos nos últimos anos. Na excepção, torpeadeado pelos seus camaradas (Mário Soares) que pressentem uma reconfiguração do eleitorado socialista caso o candidato Alegre tenha uma votação razoável.
    Ainda no caso de Alegre, convenhamos: não foi propriamente um modelo de resistência activa à governação do PS, como pretende o Bloco, mas ignorar a contradição que o candidato representou em algumas matérias nucleares que foram debatidas nos últimos tempos, como faz o PCP, é uma visão demasiado estreita de um partido que, tal como eu, já votou em candidatos sem lhes perguntar o que pensam da NATO e da perspectiva de uma Revolução Socialista em Portugal. Aqui a pergunta ao PCP é simples: alguém acredita seriamente que votar em Alegre é votar em Sócrates? Só a miopia e o sectarismo podem fazer chegar a essa conclusão.
    De qualquer forma: admito que votar num candidato porque se é contra outro é bem menos agradável do que depositar o papelinho por quem se confia. Aí o PCP aí está em vantagem em relação ao BE.
    Por mim, exponho-me parafraseando aquela senhora do “Mickey Mouse”: contra Cavaco Silva até votaria no “Daffy Duck”.
    (Bem… votar no “Daffy Duck” nunca seria um mal menor)

  11. Leo diz:

    O problema do António Paço é que nem sequer deu uma espreitadela aqui:
    http://www.franciscolopes.pt/

    • A. Melo diz:

      Custa muito entender que é o candidato que tem de chagar às pessoas e não o contrário?
      O outro mais acima mandava ler as “resoluções” do PCP, vc manda a visitar o site do candidato. Deusmalivre! o que é que vocês tomam?

      • Leo diz:

        Agora é o Melo que nem sequer se deu ao trabalho de espreitar aqui:

        http://www.franciscolopes.pt/

      • João Valente Aguiar diz:

        Você é genial homem! Então para que serviriam os sites na internet? Para que os outros possam ir lá ver informação, não para o candidato levar/transportar (no sentido literal, como vc apontou) informação ao colo das pessoas.

        Por outro lado, essa de que o candidato não vai ter com as pessoas não se aplica decerto ao PCP e ao Francisco Lopes. Se há alguém que continuamente tem um contacto permanente (e não apenas em campanha e pré-campanha), nas fábricas, nos locais de trabalho mais variados e na rua, com a população trabalhadora portuguesa esse alguém não é seguramente o aristocrata Alegre ou o proto-fascista Cavaco.

        • A. Melo diz:

          “Se há alguém que continuamente tem um contacto permanente (e não apenas em campanha e pré-campanha), nas fábricas, nos locais de trabalho mais variados e na rua, com a população trabalhadora portuguesa esse alguém não é seguramente o aristocrata Alegre ou o proto-fascista Cavaco.”

          Pronto, é o Francisco Lopes querem ver? um personagem que até há 2 meses nunca ninguém tinha visto ou ouvido falar, (excluindo os camaradas de partido, claro, mas nem todos). Desculpe lá, então eu como nunca tinha ouvido falar no Francisco Lopes, não devo ser português então.

          Leo, e espreitar para ver o quê? há alguma novidade no site de Francisco Lopes que não se conheça já do que é o habitual discurso do PCP?, acrescenta o candidato, ou o seu site, alguma coisa de novo do que pode ser visto no site do PCP, por exemplo? Acrescenta a candidatura de Francisco Lopes algo de diferente e que possa significar uma possibilidade de conglomeração de forças de esquerda, além do PCP, que, quer pelo discurso quer pelos objectivos possam estender e abrir o campo da esquerda para além das possibilidades que nessa matéria o PCP tem parecido capaz?
          Não, Leo. Eventualmente o design do site será diferente, nada mais. Não basta apresentar um candidato e repetir vezes sem conta que ele é o melhor. É preciso a ousadia que tem faltado ao PCP de acreditar no povo, não ter medo do povo, e assumir candidaturas capazes de atrair e ampliar a frente de luta, do descontentamento e da revolta, em vez de ficar entrincheirados e satisfeitos em manter os votozinhos da seita. (“seita” não é para ofender, mas é o que cada vez mais se parece o PCP, e vc percebe porquê).

          • Leo diz:

            Espreitar para ver que ele anda de facto em contactos por todo o país e até junto das comunidades portuguesas no estrangeiro.

            Anda pelo país e pelo estrangeiro. Por onde pode circular livremente. Não anda de facto nos estúdios das TV’s e das rádios que são, como sabe, coutada reservada aos candidatos do PSD, CDS, PS e BE. Gente fina, como sabe.

            O Lopes – como a maioria dos portugueses – não frequenta mesmo o jet-set, é do lado laboral, como nós somos. É do lado dos que têm que contar os cêntimos todo o mês para andarem de cabeça levantada e providenciar para os seus. Careta? Não. Um dos nossos que sabe mais do que nós porque se esforçou, porque lutou, porque ousou.

            E que vai fazer uma grande campanha. Disso, não tenha qualquer dúvida. E é jovem, tem muito tempo pela frente. E muita determinação. E muitos amigos e camaradas. Que é o que conta. Um homem sozinho não vale nada.

  12. ah pois é! diz:

    [bocejo]

  13. ah pois é! diz:

    Bora aí discutir uma coisa igualmente interessante! Tipo o…Leça Belenenses da época 96/97!

  14. A candidatura de Francisco Lopes de enigmática não tem nada:

    1 – A direcção do PCP tem total confiança em Francisco Lopes;

    2 – A direcção do PCP não tem confiança política (nenhuma) em Carvalho da Silva

    3- A direcção do PCP não quer nenhum partido/associação política atrelado ao seu candidato ( Verdes não contam );
    4- A direcção do PCP não concorre, nunca concorreu às presidenciais para as vencer (nem com Zenha, este era socialista).

    Simples!

  15. Dédé diz:

    O Problema é que não é só o António a não perceber, o problema é que muitos militantes do PCP também não percebem.

    Até agora não encontrei um único militante de base que, embora apreciando as qualidades humanas e politicas de Francisco Lopes e achando indispensável nesta campanha um candidato que se demarque claramente das politicas de direita, ache que Francisco Lopes seja a pessoa indicada para ser o rosto duma campanha eleitoral minimamente mobilizadora.

    E a única “explicação” que até agora ouvi é que a candidatura é para tornar o camarada conhecido, para depois substituir Jerónimo de Sousa.

  16. ah pois é! diz:

    O Renato está a fazer uma discussão mais gira e que envolve mais votos sobre as eleições na Universidade de Coimbra. Bora nessa!

  17. Francisco d'Oliveira Raposo diz:

    Caro Paço

    As coisas são como são e o quadro de candidato está definido:

    1. Cavaco: O integro amigo de ladrões, o economista do monetarismo e neoliberaismo brutal, o democrata que nunca prestou contas à Assembleia da Republica, o … mais palavras para quê
    2. Defensor de Moura: Quem?
    3. Fernando Nobre: um nobre cidadão empenhado, respeitado e navegante numas águas que claramente não são suas. Pontos a favor: ter tomado partido na Greve Geral, ser consistente na sua actividade de tentar vazar o oceano com uma colher, isto é minorar os danos sociais o capitalismo.
    4. Manuela Alegre: Poderia ter sido o Oskar Lafonatinne português… Podia, mas não foi.
    Bem que a direcção do BE namorou, empurrou, correu atrás dele, correu à sua frente:
    Apoia o OE- com reservas, pois, não se pronuncia face à Greve Geral, defende a NATO, no seu auge como “enfant terrible” – já não tem idade para isso, mas vá lá – nos momentos críticos, ou não esteve nas votações do Parlamento, ou absteve-se ou… pois.
    Teve 1 milhão de votos nas ultimas eleições e contra a direcção do PS, e poderia ter dinamizado uma dinâmica de mudança à esquerda?
    Pois podia…. mas não fez.
    Agora conta com o apoio oficial do BE… e do PS.
    Ponto.
    4. Francisco Lopes. Candidato do PCP, apresentado para expor a opinião do PCP sobre o papel do Presidente. Claro como água. De todos, o único candidato claramente anti-Nato, anti-capitalista e anti-Orçamento. Desconto o tradicional “patrioteiro” do PCP, – que sonha com a ” via portuguesa para o Socialismo”, e vê o Socialismo como algo para o futuro.

    Poderia ser diferente?
    Aqui há dois termos: os outros e o PCP.
    Começando pelo PCP, eles lá sabem quem escolhem. Para mim, o programa político é decisivo. Este é, de facto, o menos mau para mim. Como não sou do PCP e a candidatura é deles, que se cozam com a escolha que fizeram. Mas parece-me que o PCP aguardou bastante tempo até apresentar um candidato. Ou estou enganado?
    Quanto ao PSD e PP, em equipe que ganha não se mexe e segue em frente Cavaco que os Dias Loureiros e outros moços do BNP precisam de “anjos da guarda”, os Belmiros, que são espertos como o raio, continuam a apoiar as medidas do PS mas evitam votar no candidato o BE, etc e tal
    O PS, ora aí está, entalou o BE e não se fala mais nisso.
    O BE entalou-se a si mesmo. Quando se diz que Alegre é (Luís Fazenda, Socialismo 2010), se antecipa no apoio e se vê muitos dos activistas a apoiar formal ou informalmente outros candidatos…

    Nota desviada das presidenciais
    Face a este quadro, é bom termos o PCP para “poder bater” mas porque é que o BE não desafiou o PCP a discutir um candidato comum? Quero dizer: no Parlamento na esmagadora maioria das votações o BE e o PCP votam em comum. Nas propostas concretas para a sociedade, e para sair da crise, há fortes traços de identidade, nas lutas concretas os activistas do BE estão lado a lado com os do PCP. É caso para perguntar: qual é a vossa, oh meus? à Mesa Nacional do BE e ao CC do PCP.

    Enfim…
    Poderia-e acabar com sectarismo mais bacoco entre a Esquerda do sistema? Poderia… mas não era a mesma coisa…

    Voltando às Presidenciais
    Voltando às presidenciais, desta vez vou votar no Xico Electricista.

    • Leo diz:

      “Mas parece-me que o PCP aguardou bastante tempo até apresentar um candidato. Ou estou enganado?”

      Por acaso está enganado. O Xico foi escolhido e apresentado mais ou menos dentro dos prazos em que o PCP costuma escolher os seus candidatos e apresentou a candidatura logo depois da Festa do Avante e escolhido em meados de Agosto. E desde então tem estado em pré-campanha por todo o país. Claro que os media pouco têm passado, mas da mesma forma trataram as anteriores candidaturas do PCP.

      E até foi o primeiro a formalizar a sua candidatura junto do TC. São pois também infundadas as acusações de que pouco ou nada se faz. Faz-se muito mas acontece que os media não relatam. Por isso íamos deixar de tomar as nossas decisões? Nem pensar.

  18. Francisco d'Oliveira Raposo diz:

    Caro Paço

    As coisas são como são e o quadro de candidato está definido:

    1. Cavaco: O integro amigo de ladrões, o economista do monetarismo e neoliberaismo brutal, o democrata que nunca prestou contas à Assembleia da Republica, o … mais palavras para quê
    2. Defensor de Moura: Quem?
    3. Fernando Nobre: um nobre cidadão empenhado, respeitado e navegante numas águas que claramente não são suas. Pontos a favor: ter tomado partido na Greve Geral, ser consistente na sua actividade de tentar vazar o oceano com uma colher, isto é minorar os danos sociais o capitalismo.
    4. Manuela Alegre: Poderia ter sido o Oskar Lafonatinne português… Podia, mas não foi.
    Bem que a direcção do BE namorou, empurrou, correu atrás dele, correu à sua frente:
    Apoia o OE- com reservas, pois, não se pronuncia face à Greve Geral, defende a NATO, no seu auge como “enfant terrible” – já não tem idade para isso, mas vá lá – nos momentos críticos, ou não esteve nas votações do Parlamento, ou absteve-se ou… pois.
    Teve 1 milhão de votos nas ultimas eleições e contra a direcção do PS, e poderia ter dinamizado uma dinâmica de mudança à esquerda?
    Pois podia…. mas não fez.
    Agora conta com o apoio oficial do BE… e do PS.
    Ponto.
    4. Francisco Lopes. Candidato do PCP, apresentado para expor a opinião do PCP sobre o papel do Presidente. Claro como água. De todos, o único candidato claramente anti-Nato, anti-capitalista e anti-Orçamento. Desconto o tradicional “patrioteiro” do PCP, – que sonha com a ” via portuguesa para o Socialismo”, e vê o Socialismo como algo para o futuro.

    Poderia ser diferente?
    Aqui há dois termos: os outros e o PCP.
    Começando pelo PCP, eles lá sabem quem escolhem. Para mim, o programa político é decisivo. Este é, de facto, o menos mau para mim. Como não sou do PCP e a candidatura é deles, que se cozam com a escolha que fizeram. Mas parece-me que o PCP aguardou bastante tempo até apresentar um candidato. Ou estou enganado?
    Quanto ao PSD e PP, em equipe que ganha não se mexe e segue em frente Cavaco que os Dias Loureiros e outros moços do BNP precisam de “anjos da guarda”, os Belmiros, que são espertos como o raio, continuam a apoiar as medidas do PS mas evitam votar no candidato o BE, etc e tal
    O PS, ora aí está, entalou o BE e não se fala mais nisso.
    O BE entalou-se a si mesmo. Quando se diz que Alegre é (Luís Fazenda, Socialismo 2010), se antecipa no apoio e se vê muitos dos activistas a apoiar formal ou informalmente outros candidatos…

    Nota desviada das presidenciais
    Face a este quadro, é bom termos o PCP para “poder bater” mas porque é que o BE não desafiou o PCP a discutir um candidato comum? Quero dizer: no Parlamento na esmagadora maioria das votações o BE e o PCP votam em comum. Nas propostas concretas para a sociedade, e para sair da crise, há fortes traços de identidade, nas lutas concretas os activistas do BE estão lado a lado com os do PCP. É caso para perguntar: qual é a vossa, oh meus? à Mesa Nacional do BE e ao CC do PCP.

    Enfim…
    Poderia-e acabar com sectarismo mais bacoco entre a Esquerda do sistema? Poderia… mas não era a mesma coisa…

    Voltando às Presidenciais
    Voltando às presidenciais, desta vez vou votar no Xico Electricista.

  19. paulo diz:

    ‘queriam… telenovela?’

  20. Este post anti-lopes tem alguma novidade?
    Desfia uma série esbatida de preconceitos e falsos moralismos sobre o pc e acaba sempre com a mesma declaração de voto.
    Pessoal: O FL é o único candidato que defende Abril, porra! O único! isso não vos chega?
    Irra…

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