Afinal a estratégia repressiva no Brasil mudou: em vez de uma grande Candelária, vamos antes ter uma grande Varsóvia ou uma grande Gaza. Enfim, o futuro.

As imagens da tomada da favela do Alemão são reveladoras. Afinal ainda não mudou assim tanta coisa desde a idade média. Quem controla a terra, os meios de produção e a mão-de-obra, controla tudo. Porque será que se cala a verdade escondida da guerra do Rio? Porque é que praticamente toda a esquerda emudece a sua indignação pelo facto desta vergonha se passar com a cumplicidade de um governo dito de esquerda? Se tal estivesse a acontecer nas slums de Los Angeles, dos subúrbios de Paris ou nos musseques de Luanda ninguém calaria a o espanto dos pasmados de serviço, porque será que perderam o piu agora? Porque é que quando o assunto é o PT quase todos assobiam para o lado?

Quando o caos descer à barra da Tijuca, ou à Lapa, talvez aí se perca definitivamente a esperança em programas mínimos, em eternas concessões e em capitulações infinitas à política da esmola e à lei da bala.

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27 respostas a Afinal a estratégia repressiva no Brasil mudou: em vez de uma grande Candelária, vamos antes ter uma grande Varsóvia ou uma grande Gaza. Enfim, o futuro.

  1. David diz:

    Percebi. Uma grande manobra de repressão fascista contra os desprotegidos do capitalismo que fazem pela vida traficando droga, dominando as favelas com mão de ferro, dando uns tiros aqui e ali, matando aqui e ali, mantendo uma grande cidade refém das manifestações do seu poder.

    • Renato Teixeira diz:

      Arrasar com aquela merda toda. Tudo abaixo. Zás. Tudo resolvido. Ou então assim, fechadinhos e a definhar, para que a sua mão-de-obra valha cada vez menos, e para que a turma da tijuca tenha coca cada vez mais barata.

      • ah pois é diz:

        É isso Renato! Isto é tudo uma conspiração para baixar o preço do factor trabalho dos traficantes e das pessoas das favelas. Os demais habitantes das favelas só estão do lado das forças policiais; porque o capitalismo, os israelitas e os americanos que fizeram o 11 de Setembro lhes lavaram a cabeça. Isto só lá vai com uma Greve Geral!

  2. Ibn Erriq diz:

    Ó Renato, qual é então a solução?
    Parece-me que a democracia tem que ser fundada num Estado de direito, não lhe parece?

    • Renato Teixeira diz:

      http://www.youtube.com/watch?v=deyU6ueA3io

      Democracia desta pode ficar por aqui. Como é que dizia a canção? Queremos democracia mas com o povo a mandar. Ou a coisa vai lá pela emancipação, ou deixar isto nas mãos dos de sempre deixa-nos o futuro traçado.

      • Ibn Erriq diz:

        Mas então, ó Renato, qual é a solução, deixar tudo como está? Ou seja, permitir que criminosos controlem o território de um país, é isso?

        Vexa critica a intervenção do Estado que foi legitimado pelos cidadãos. Em troca disso propõe o quê? NADA! A continuação do crime sem qualquer tipo de controlo. Ó homem as ideias arrojadas nem sempre são brilhantes, e neste caso diria que são mesmo disparatadas.

  3. Nem oito, nem oitenta, por mim.
    Antes do mais, esclarecimento geográfico: há duas ‘Tijucas’ no Rio, a Floresta e a Barra, bem mais a sul. Qualquer delas tem favela e favelado. A Lapa é bem mais p’ró centro, tem um antigo aqueduto por ali (não posso dizer na ‘zona’, isso no Brasil não significa ‘área’) e é p’ra lá que se encontra também a livraria portuguesa do Rio, óptimos livros e não muito caros.
    Agora: o tráfico domina ‘os môrro’.
    Aí não cabe dúvida. Traficante substituia/substitui o Estado em funções de assistência e solidariedade social, num jeitinho feudal, ´cê se comporta aí ´cê tem que eu dou. Tá entendendo ? ´Cê num fais, eu mando atirar em ócê.
    Daí o sentimento dividido dos favelado.
    Não dá p’ra arrasar, tem muuita ‘hente. Tem lá a sua empregada, tem o seu garajista, tem lá o seu patrício portuga, tudo. Gente do bem.

    Pobrema grande…
    Aos dispois também tem na Baixada (zona Norte) espaço p’ra traficante enterrá um carro com a família inteira que mandou matá e que ninguém vai descobrir por muito tempo. E se não der ali, se enterra em Belford Rôxo.
    ‘Tão me entendendo ?

    **tristeza**

  4. Leo diz:

    O Renato é dos que acha que quem vive nas favelas não têm direito à ordem pública e à segurança?

    Pois eu acho que todos os brasileiros – e também todos os brasileiros que vivem nas favelas – têm direito a viver com ordem pública e em segurança. Desejo que estas operações nas favelas do Rio de Janeiro cumpram esse desígnio, felicito as autoridades estaduais e federais pela sua determinação e espero que continuem até libertarem todos moradores dos bandidos que durante anos os mantiveram reféns.

    • Renato Teixeira diz:

      Não Leo, sou daqueles que mantém os mesmos critérios, de Los Angeles ao Rio de Janeiro. O Leo define a sua posição não em função dos factos mas tendo somente em conta o partido que está no governo. Diga lá: se isto fosse nos estates o camarada já não estaria de dedo em riste a culpar a barbárie capitalista, o lado repressivo das democracias de marcado e a face negra do imperialismo?

      Ops, estava esquecido. Dedo em riste com o Leo é só para esfregar na cara dos esquerdistas.

      • Leo diz:

        [Deixei de lhe aprovar insultos gratuitos, compreenderá. Enquanto o seu paleio interessar ao escalpe da ortodoxia vou continuar a aprovar as suas ideias, mas não abuse da paciência. RT]

        Está provado, para ele quem vive em favelas não tem direito nem à ordem pública nem à segurança. Que tristeza!

  5. Abilio Rosa diz:

    Sr. Renato:

    Não brinque com coisas sérias nem faça comparações que são insultuosas para quem sofreu em Varsóvia e sofre em Gaza.

    Se naquelas favelas não vivesse gente boa, honesta e trabalhadora (e que são reféns daqueles criminosos e traficantes) a solução seria bombarbardear as favelas até aqueles ratos de esgoto desaparecerem da face da terra!

    • Renato Teixeira diz:

      Entre a favela, Gaza e Varsóvia, não escolho. É tudo ressaca capitalista. Já o camarada Abílio, estou certo, corria para o paraiso do Alemão. É isso?

      • Abilio Rosa diz:

        Corria para o «paraíso do Alemão», mas para metralhar a corja de assassinos e traficantes.

        • Renato Teixeira diz:

          A cada um o seu saco de boxe. Se o desporto virar moda olímpica, então eu escolho Wall Street.

          • Pedro diz:

            Claro que escolhe Wall Street, Renato. Quando muito, vai à Tijuca. Não o estou a ver a escolher a Rocinha ou o Complexo do Alemão, nem para passear, quanto mais para andar ao boxe. É melhor ver tudo de longe. Sempre fica com uma pesperctiva mais abrangente dessa massa informe que para sí é o Povo.

  6. Pedro diz:

    O que está a acontecer no rio de janeiro é uma vergonha. As imagens são arrepiantes, e não é de admirar que a população tenha recebido os assaltantes com choros lancinantes e uma chuva de pedras. Depois de décadas de auto-gestão em comunidade, com uma economia própria, organizada, que deu provas de auto-suficiência, assim uma espécie de Palmares do Zumbi, o governo resolve entrar por ali adentro, como se fosse território seu. Ora, isto, se não é fascismo, o que é? Eu tenho a certeza de que eles estão ao serviço dos ricos da Tijuca. Deus me perdoe por não perceber nadinha da explicação do Renato, mas ele próprio diz que há ali uma verdade escondida e eu confio. Eu acho que o Renato devia lá ir, passar videos do Seu Jorge e lavantar outra vez o ânimo daquele gente.

    • Renato Teixeira diz:

      Pois eu percebi cada uma das explicações do Pedro. É por aí.

      • Pedro diz:

        A sério, Renato, aqueles policias são lacaios ao serviço do capitalismo mundial e dos ricos da Tijuca e do Restelo? Aquilo foi uma acção de tomada de controlo da favela pelos porcos capitalistas? Eu só queria saber como é que é esse mecanismo, como é que isso funciona.

  7. ah pois é diz:

    É isso Renato! A malta é que não tem vistas largas. Para mim, o Renato é uma espécie de Fox Mulder, sempre com a capacidade de ver mais além e descobrir a conspiração por detrás de um acidente de viação no IC 19, se for preciso. Só ainda não me decidi sobre quem é a Agente Scully. Se calhar, o Carlos Vidal…

  8. E$$a da ” a gente scully” (akela baixota ??) é de gritos.
    Mas não me compete, estou só a rir à gargalhada, para dentro…
    😀

  9. Rui F diz:

    Renato Teixeira

    Vá para o Rio de Janeiro falar assim, a cada um dos seus habitantes e terá a resposta adequada.

    Pela forma aborda o problema, não só não sabe distinguir um bandido dum tipo honesto duma favela – que por coincidência nasceram e cresceram juntos – como não conhece o Rio, o Carioca, o PT, a Barra ou o Vasco da Gama.

  10. Von diz:

    Vamos lutar pela protecção do narcotraficantes. Boa gente, os narcotraficantes, que estão a ser brutalizados pela forças da autoridade…

  11. Dédé diz:

    Então a causa próxima da invasão das favelas não foi a onda de terrorismo na “cidade do asfalto”levada a cabo nas semanas anteriores?
    O problema é a invasão das favelas, ou se Estado lá vai ficar?
    Ou se recua e faz um “acordo de cavalheiros” com os barões da droga: fiquem lá com as favelas mas comportem-se no asfalto, que temos aí à porta o Mundial de futebol e os jogos olímpicos.

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