O coro da Achada a cantar a greve

 Ontem, o coro da Achada andou pelas ruas da Baixa e do Chiado a cantar. Foi uma decisão tomada pelo coro já há algum tempo mas que não foi anunciada: em dia de greve não queríamos fazer um espectáculo para os amigos verem, queríamos sim surpreender as pessoas – todas: as que estavam em greve, as que estavam a trabalhar, as que andavam nas compras ou a deambular… – e levar-lhes as palavras de luta das nossas canções com a força de um grupo de vozes de todas as idades, formas e feitios a cantar em conjunto.

Cantámos na estação de comboios do Rossio, no Largo de S. Domingos, no Rossio, na Rua do Carmo, dentro dos Armazéns do Chiado, no cimo da rua Garrett, no largo do Carmo e no Largo Camões. Cantámos a  Semana sangrenta, o Canto de esperança, o Cio da Terra, o Cânone das fronteiras, De não saber o que me espera, Dulcineia, dulcineia, E o asfalto é tão largo, El ejército del Ebro, En el pozo María Luisa, En la plaza de mi pueblo, Hanging on the old barbed wire, La bande à Riquiqui, La lega, Les canuts, Limões oh limões, e L’estaca. As fotos que mostro aqui foram tiradas por Olinda Gama.

Pior que não cantar
é cantar sem saber o que se canta

Pior que não gritar
é gritar só porque um grito algures se levanta

Pior que não andar
é ir andando atrás de alguém que manda

Sem amor e sem raiva as bandeiras são pano
que só vento electriza
em ruidosa confusão
de engano

A Revolução
não se burocratiza

Mário Dionísio, 1978

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5 respostas a O coro da Achada a cantar a greve

  1. Clara Boléo diz:

    Convém dizer ainda que a escolha do meio-dia para cantar foi sensacional porque a essa hora não havia ainda grevistas nem manifestantes e foi, até certo ponto, uma surpresa para os transeuntes. E abriu caminho aos que vieram depois (Precários, por exemplo).
    Bjos
    Clara

  2. Renato Teixeira diz:

    Foi lindo sim senhora! E agora, e agora, e agoraaaaaaaahhhhhhhh!

  3. Narciso diz:

    foi bonito de ouvir

  4. Pseudo da Silva diz:

    Aquele menino ali, com o punho erguido, parece ter uma cárie no ciso esquerdo superior.

  5. Pseudo da Silva diz:

    Agora, Renato??? O Agora, já dizia Hegel, é um eterno findar.

    Acabou. Mesmo agora.

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