Manifestações da manifestação

A polícia não queria confusão e não teve confusão. O PCP não queria ir com os anarquistas e os anarquistas não queriam ir com o PCP, pelo foi fácil ambos conseguirem os seus objectivos, pese embora isso tenha feito com que o PCP descesse a avenida da Liberdade com os esquerdistas e os anarquistas com as forças da ordem. O “Paz Sim, NATO não!” apelou a que os partidos não cavalgassem a manifestação mas dois terços do cortejo parecia a vista do palco principal do Avante. O BE foi à civil mas nem sobre a cidadania abriu a alma e os anarquistas, apesar de serem muitos, foram também obedientes. Os militantes de base do PCP são bem mais afáveis do que os dirigentes do serviço de ordem que, em articulação com a polícia, reservou-se ao direito de admissão. Todos partiram em paz mas as guerras da NATO continuam no Médio Oriente, no Leste da Europa e no nordeste de África.

Depois do rufar dos tambores e enquanto os legionários ainda desfrutam da noite de Lisboa, entre Eleven’s e Elefantes Brancos, o Castelo das Nações é devolvido à cidade, depois de entrar para a história como o palco onde para a Aliança o mundo passou a ser o limite. Pode ser que seja por aí que a resistência deixe de ser praticamente só islâmica, pois mal estão os povos sob o jugo da ocupação, se tiverem que esperar por “uma esquerda anti-imperialista com a capacidade de mobilizar as populações do mundo” de que fala o Nuno.

Enfim, como diz o De André, cada um terá direito à sua primeira página. Pena é que as impressas entre os destroços dos fuzis da guerra imperialista tenham tão pouca difusão no lado moderno do muro.

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48 Respostas a Manifestações da manifestação

  1. Posso intrometer-me nisto ?
    Eles estavam exilados por lá, eu felixmente de livre vontade.
    A voz (e o violão, claro…) são óbviamente do Toquinho e da Ornella, a trad. para italiano ´(do poema do Vinicius, ‘ Sinal Fechado’) é do Sergio Bardotti , à época o marido da referida, enfim a gente deleitava-se (isto nos intervalos de sermos extremamente agressivos…)
    Le cose sono cosí, eppoi si sei un strondzoli, va vfnc.

    ;-)

  2. a carp-ml+uer-ml+fec-ml+o chico martins que deus têm e já me esquecia das fap=udp.de esquerda? sim, porém, todavia, contudo!enquanto foi udp e a lisnave existia e a albânia era o farol do mundo. quando o rapaz da capela do rato disse que era “trosquista”e avançou com os apoios que se conhecem para a lci e principalmente contra quem se sabe, que não os partidos burgueses e pró-capitalistas (esta linguagem não está infelizmente fora de uso), e, não tendo dado o resultado esperado, diminuir a influência do pcp na sociedade portuguesa, tentou e conseguiu com um pouco mais de apoio criar o psr a ovelha ronhosa(de ronha) da família da 4ªinternacional. como mais esta tentativa não resultou aproveitou-se os rapazes desavindos e traquinas do “séculoXXI” mais uns descontentes avulso do pcp e lá conseguiram com as ajudas de sempre, desde a capela do rato até agora sempre foram os mesmos, criar o bloco mesmo tendo engolido com esforço a udp que morreu sem glória nem proveito. o esquerdismo sempre foi uma doença que urge estripar para bem da clareza e da sanidade de um povo. por tudo isto o bloco NÃO é uma força progressista. é um grupelho de agitadores com bom marketing.

  3. enganei-me no sítio mas o que queria sublinhar et por cause ou por tudo isto o bloco NÃO é uma força progressista. é um grupelho de agitadores esquerdistas com bom marketing que sempre deram jeito ao grande capital que o apoia com um brilhozinho nos olhos .

    • Leo diz:

      Ontem, depois da Manifestação aproveitei para ir até à Bertrand pois precisava de encontrar um livro. E quando andava a espreitar as últimas, qual é o meu espanto quando me deparei com uma Biografia do boy da Capela do Rato. Era a dele e a do Sá Carneiro as mais promovidas… bom marketing? Não sei, mas que se esforçam no culto da personalidade não há dúvida.

      • E continua por resolver o assassinato de ambos. Pois é. E que tal uma manifestação ou um post a reclamar a reabertura do processo, arquivado com as mais impossíveis e irracionais explicações?

        Eu compreendo que esse seja um acontecimento perigoso de discutir. As culpas podem acabar por cair em quem menos se espera. Ou não.

        Sá Carneiro, grande HOMEM!

  4. francisco caetano, duas coisinhas ou três.

    1. O seu querido Pê Quê Pê não presta p’ra nada desde há décadas. Conversa fiada, [i]ah, e temos que nos aliar a _______(nome ou “classe social” aqui -risota…).

    Essa gente de quem fala é tudo “estudantariado”, têm/tinham um proleta por outro para fazer [i]flores[/i]. O pessoal mais sensato ria-se [i]para dentro[/i], não era de bom tom desatar à gargalhada…
    Essa gente vivia quase toda em Paris (e arredores, Bruxelas era um ‘arredor’ , comboio, um instantinho…) sempre nos mesmos cafés e/ou nos mesmos jardins, e o grande entretenimento deles (e a sua excelsa vaidade) era fundarem com mais outros dois ou três tipos/as uma qualquer outra coisa qualquer, mais “genuína” e mais “autêntica” e mais “pura” que a anterior.

    Me adisculpe, risota…

    :-D

  5. vítor dias diz:

    Para além da insistência doentia e porca num suposto «direito de admissão» (todos os manifestantes da parte final ter feito como eu que deambulei sózinho ou acompanhado pela manifestação, de cima para baixo e de baixo para cima, pela direito e pela esquerda da Avenida), Renato Teixeira volta a não querer perceber que se há um grupo que quer desfilar colectivamente e organizadamente numa manifestação por que outros são responsáveis legal e politicamente é porque nessa manifestação quer afirmar uma identidade ou consignas próprias distintas dos outros.
    E, quando assim acontece, só há duas soluções democráticas: ou se obtém o acordo dos organizadores ou se faz a sua própria manifestação noutro local e hora.
    Pior que tudo: o Renato Teixeira podia ter-se informado e ficaria a saber que não foram as entidades promotores ou o «serviço de ordem» da manifestação que determinaram a forma como a Polícia enquadrou o grupo final. Mais: ficaria a saber, o que tem alguma importância, que o grupo final só desfilou no fim da manifestação porque «os sectários» ou «brutos» da organização da manifestação o autorizaram .

    • Renato Teixeira diz:

      Afinal a constituição de que a Mariana fala, é coisa para ter lugar no museu de antiguidades, pelo menos na cabeça do PCP e quando em causa estiver a organização de manifestações. Está enganado e deixe que o esclareça. O PCP escolheu quem pode entrar no seu cortejo, (obrigados, obrigados) e decidiu também que o segundo só chegaria aos Restauradores depois do fim do comício. Em suma, o grupo do fim marchou por tem esse direito. Continuo sem perceber tanto receio à “identidade ou consignas próprias” que o PCP tem relativamente a todas as outras organizações à sua esquerda. Sim, que a UGT foi bem vinda a greve geral e não consta que os seus objectivos tenham nada que ver com a derrota do PEC ou o derrube do governo.

      • vítor dias diz:

        Perante tanta má-fé e cegueira, despeço-me deste assunto com seis afirmações essenciais:

        1º os promotores da manifestação ou serviços de ordem desta não têm a mais pequena responsabilidade na forma como a PSP enquadrou a «manifestação» Pagan ou afim.

        2º esse desfile desse grupo no fim da manifestação, como muito sabem membros da Pagan, só se verificou porque os promotores da manifestação lhes e à polícia manifestaram que não tinham nenhuma objecção a que desfilasse no fim. Sem essa atitude, provavelmente a polícia nem sequer teria consentido no seu desfile.

        3º O Bloco de Esquerda e a Marcha Mundial das Mulheres não fazendo parte das 100 entidades promotoras desfilaram em bloco dentro da manifestação porque dialogaram com os organizadores que não tiveram nenhuma objecção a essa integração.

        4º Perguntar-se-a qual a diferença de critérios então. Respondo o óbvio:o Bloco de Esquerda e a Marcha Mundial das Mulheres são entidades responsáveis, identificadas e conhecidas em cujo sentido de responsabilidade, à luz até de outras experiências, há que confiar. Quanto a mim, 0 Pagan e afins são grupos difusos e voláteis que não reunem essas caracteristicas de interlocutores fiáveis.

        5º É muito cómodo conjecturar que nada de espcialmente grave ou provocatório teria acontecido se a grupo final tivesse sido permitido participar dentro da manifestação. Os mesmos que juram por isto seriam os primeiros a, caso se verificasse alguma grave provocação por membros desses grupos, a vir clamar que era inconcebível que os organizadores e os seus serviços de ordem não tivessem tomado medidas preventivas.

        6º Repito o que alguns não quiseram ouvir: estando de acordo com os objetivos da manifestação, pessoalmente não senti necessidade de integrar qualquer bloco da manifestação, deambulei livremente como me apeteceu, andei para baixo e para cima como me deu na telha. Repito também: em democracia, quem quer desfilar como grupo afirmando uma identidade própria diferente da dos organizadores, só tem dois caminhos: ou obtém o acordo dos promotores ou organiza a sua própria manifestação noutro local ou hora.

        • Renato Teixeira diz:

          Esqueceu-se de referir, talvez porque até nem saiba, que foram mais as organizações que não pertencem ao Paz Sim, NATO não que tiveram autorização para entrar no desfile e mais do que a PAGAN que ficaram de fora. Não percebo o caracter algo aleatório das escolhas, e também não vejo que haja muito mais a acrescentar.

    • Youri Paiva diz:

      Mas a organização da manifestação não tem de permitir ou deixar de permitir seja o que for.

      Várias pessoas, não simplesmente uns anarquistas, juntaram-se no final da manifestação – alguns grupos, como o PAGAN, lá estavam -, e depois? É natural que a polícia forme um quadrado à volta de um grupo que tenha como único «crime» participar na cauda uma manifestação?

      A coisa não tem de ser burocratizada, não tem de ser igual do início ao fim de uma manifestação nem me parece que as mensagens que esse «grupo» excluído fosse contraditório à organização Paz Sim! NATO Não!.

    • subcarvalho diz:

      Um texto elucidaivo sobre esta situação, a duplicação das forças repressivas, do estado e do aparelho partidário.

      Abraço,
      sub.

      Reemergência de sociedades de ordens
      Por António Dores, ACED

      A modernização de um país periférico como Portugal faz-se de forma acelerada sempre que há ocasião para mais fortes contactos com o exterior. A cimeira da OTAN em Lisboa, no final de Novembro de 2010, trouxe pacifistas treinados na desobediência civil. E polícias treinados para enfrentarem desacatos de manifestantes violentos, cuja presença em Portugal nunca foi detectada. Eis um bom teste empírico para verificar qual seja a relação entre o Estado de Direito e o sistema prisional.
      A observação da situação não foi difícil, pois a actividade esteve reduzida a dois episódios. O corte de uma via junto da cimeira por manifestantes que sujaram o chão e a si próprios com tinta, a sugerir sangue derramado pelos militaristas. Outros fixaram-se ao chão no mesmo local. Noutro local, a manifestação de pequenos grupos libertários e de pessoas de outras convicções foi cercada por polícias de choque, após serem impedidos de entrar na manifestação pela segurança própria da manifestação oficial.
      No caso da manifestação contra o militarismo e a OTAN, dividida fisicamente entre partidos de esquerda e sindicatos devidamente identificados, tudo se passou segundo o modelo lógico da velha tradição inquisitorial, em que um juiz entregava o relaxado ao braço secular para o castigo – ao mesmo tempo que pedia misericórdia. Ao contrário desse tempo, como já tinha notado Foucault, o castigo não é público e representado como espectáculo mas antes privado e representado intramuros, como psico-drama. Neste caso a organização da manifestação emitiu um comunicado a hostilizar antecipadamente aderentes à mesma – equivalente ao relaxamento – sugerindo a reacção policial que vincará a imposição do respeito pela vontade política dos organizadores da manifestação de ostracizarem e estigmatizarem sectores considerados heréticos dos apoiantes da mesma causa.
      Não é a primeira vez que tais desacatos ocorrem por iniciativa de organizadores de manifestações de esquerda em Lisboa. Pode referir-se, por exemplo, o modo como os dois partidos mais à esquerda do parlamento português impuseram a divisão entre si dos aderentes à possibilidade da construção da secção portuguesa do Fórum Social Mundial, organizando duas manifestações hostis e pondo aí um fim definitivo às actividades, logo no princípio da primeira década do século. Regularmente os raros e pequenos grupos de manifestantes não enquadrados política e sindicalmente são hostilizados pela organização de forma mais ou menos explícita. Mas não é costume saírem comunicados alarmistas contra estrangeiros e contra práticas por estes adoptadas. A polícia não costuma intervir como aconteceu no dia 20 de Novembro. E o que fez a polícia nesse dia?
      A polícia desenhou no meio da Avenida da Liberdade uma prisão com cordões de polícias de choque fortemente armados. O trabalho da polícia, recém-treinada para acções repressivas, era por um lado mostrar uma força capaz de prevenir qualquer ideia de reacção por parte dos manifestantes e, por outro lado, evitar usar a violência sem aparente e evidente provocação de manifestantes, pois os olhos do mundo, através das câmaras de jornalistas, polícias e activistas, estavam postos naquele espaço em que os processos de estigmatização se constroem como se fossem arquitectura.
      Cientes de tais contradições, alguns manifestantes exploraram-nas, tirando partido das posições de alheamento impostas aos guardas (que não falavam com ninguém a não ser de modo gestual e apenas recebiam ordens da sua hierarquia): faziam como se os guardas não fossem gente, utilizando os seus bastões como se fossem varas para dançar por de baixo, trocavam impressões com pessoas fora da cadeia como se os polícias ali não estivessem, passavam entre os polícias para dentro e fora da prisão (o que, às vezes, era impedido pela força e outras vezes funcionava sem reacção policial). Face à provocação policial de ameaçar com prisão os manifestantes, a tensão aumentou. Mas foi aliviada pelos comportamentos cómicos de contra-provocação e pelos ritmos percutidos por jovens artistas-manifestantes. A tensão e a provocação arriscaram tornar-se violência directa, mas não aconteceu.
      Como nas prisões, há regras para cumprir. Apenas ninguém sabe quem, como, quando as faz cumprir, de absurdas e arbitrárias são tais regras não ditas. Apenas a autoridade ausente do terreno conhece tais regras, pois fabrica-as à medida da sua interpretação do que deve ser feito em cada momento, em função do comportamento de alheamento ou tensão de agentes e manifestantes. Nem os agentes nem os manifestantes, apesar de treinados, sabem efectivamente o que irá acontecer a seguir: a violência descontrolada ou a debandada. Fica tudo nas mãos de alguém a quem foi dado o poder de decisão, como aconteceu no fim da manifestação contra a guerra e contra a OTAN. A polícia debandou.
      A manifestação oficial tinha sido rapidamente desmobilizada no fim da avenida e apenas ficou a prisão com alguns manifestantes dentro e outros fora, à espera do que pudesse vir a acontecer.
      A organização da manifestação ganhou, pelo efeito de estigmatização dos anarquistas e das ideias de oposição distintas das tradicionais sobre o momento político – isso mesmo consta do comunicado dos organizadores, nomeadamente quando se insurge contra o destaque da comunicação social dado às acções espectaculares dos minoritários e amigos de práticas estrangeiras. O efeito mediático dos poucos activistas estrangeiros, esse, foi irresistível para a comunicação social, ou não estivéssemos numa sociedade do espectáculo. A prisão organizada pelo quadrado da polícia, porém, não foi mencionada.
      Como ocorre com o sistema prisional, para o senso comum a restrição da liberdade, ainda que sem justificação plausível e evidente, é um direito que assiste aos agentes da autoridade, sem que a tensão gerada pela situação mereça debate público. Ou melhor, as causas de qualquer escalada violenta das situações de encarceramento serão geralmente debitadas aos reclusos, descontadas as causas mais estruturais e reduzidos os conflitos a desordens. A seu tempo, a situação poderá vir a ser ponderado judicial e politicamente – ou não.
      Simbolicamente aquelas pessoas fechadas no quadrado estiveram excluídas da sociedade por serem consideradas perigosas: estavam a manifestar-se ilegalmente, isto é contra a vontade da organização da manifestação oficialmente reconhecida como sua proprietária. De onde, das duas uma, ou toda a manifestação se solidariza com os excluídos e defende a sua liberdade – o que não foi aqui o caso – ou a generalidade da manifestação simplesmente ignora (ou finge ignorar) que é gente com os mesmos direitos que segue à sua retaguarda. Evidentemente, a polícia e os manifestantes relacionam-se entre si em função das percepções difundidas sobre a realidade presente – quem são e onde estão os provocadores – e das estratégias próprias, de apresentação pública das respectivas identidades, vontades e capacidades.
      No caso da desobediência civil intencionalmente organizada, as coisas correram como habitual: as tarefas de remoção dos activistas inertes foram deixadas à polícia – carregaram os corpos mortos com cuidado para não os aleijar, mas com dureza para os punir pelo incómodo e pela desobediência – e na sequência do espectáculo foram conduzidos à prisão de alta segurança de Lisboa, onde durante algumas horas ficaram isolados inclusivamente do contacto com advogados. (Nestes períodos de isolamento podem ocorrer situações de descontrolo emocional por parte das partes envolvidas, como sabe qualquer agente prisional que acontece aos recém-entrados, e também sabe o relator especial para a tortura da ONU, já que essa – a lei da incomunicação espanhola que autoriza o isolamento de alguns tipos de presos durante bastantes dias – é uma situação esse ligada a uma alta percentagem de denúncias de tortura no país vizinho).
      Os Estados modernos controlam a contestação às suas políticas pressionando os limites do Estado de Direito, utilizando nomeadamente a diferença de rapidez de actuação entre o poder executivo – mais rápido – e o poder legislativo – mais lento – e explorando as divisões populares, nomeadamente a rivalidade entre partidos e as divisões sociais, em especial a situação dos excluídos. Como referem Jakobs e Meliá (2003) a prática do direito tende a aplicar-se nas sociedades actuais em três modos lógicos distintos: o direito para os mercados, em que as penas de prisão não são usadas, o direito para os integrados, em que as penas de prisão podem ser aplicadas, e o direito do inimigo, em que os direitos deixam de ser considerados: é como se os excluídos vivessem na prisão embora à solta. É nessa perspectiva – actuarial como dizem os anglo-saxónicos para a contraporem à perspectiva de utilização das penitenciárias para fins de reintegração social dos condenados – foram lançadas ideologias e tecnologias policiais sob a designação de tolerância zero, não aplicadas directa e estritamente em Portugal, segundo as quais qualquer acto de delinquência sinaliza um futuro criminoso e a sua liberdade passa a ser um risco conhecido para a sociedade (com direito a registo no Big Brother). Trata-se da versão globalizada da ideia salazarenta de que umas chapadas a tempo evitam males maiores.
      Efectivamente o estado de direito pode estar a ser comprimido entre o mundo livre, onde grassa a ganância e a corrupção sem regulação, a que os norte-americanos chamam Wall Street, e o submundo dos under-dog (para voltar a usar um termo inglês) dos desqualificados, estigmatizados e reprimidos. Compressão agravada com a crise financeira de tal modo que a própria sociedade de classes fica secundarizada, juntamente com o respectivo estado de direito, face à reemergência de uma sociedade de ordens, à medida que os contratos sociais (negociação colectiva, concertação social, segurança social, partilha de riscos sociais, igualdade perante a lei) se transformam de objectivos de progresso em ambições insustentáveis.
      A civilização da contenção incorporada da violência, descrita por Norbert Elias (??), pode estar a transformar-se numa sociedade penitenciária, como pressentiu Loïc Wacquant (2000??) ao analisar o Gulag norte-americano. Para os activistas do pacifismo europeus – herdeiros e continuadores dos que, durante a Guerra Fria, acusados de serem quintas colunas dos comunistas, diziam preferir viver vermelhos do que morrer – deve ser irónico serem os herdeiros dos comunistas em Portugal quem os vá relaxar à polícia. Sabem por experiência própria, experiência que não existe em Portugal com a mesma acuidade, que não é a violência directa ou a integridade propriedade o que os torna inimigos do Estado. O que os torna inimigos do Estado são as ideias que fazem ver as mesmas realidades e oportunidades de vida de outro modo, nomeadamente ver as prisões e os limites à livre iniciativa e ao empreendorismo que não sejam os virados para a exploração de terceiros, a promoção da ganância e do golpe económico sem consideração nem pela sociedade nem pelo meio ambiente, os mercados que não sejam protegidos pela força dos Estados e pelas conjuras políticas secretas. Nos países mais ricos da Europa, onde o Estado Social funciona regularmente há décadas, viver à margem da sociedade normal tornou-se uma opção de vida atraente para quem faça de crítica incorporada da sociedade normalizada e das respectivas contradições uma passagem ao acto. Por exemplo, tornando-se nómadas e, portanto, solidários com outros nómadas e a harmonização com a natureza que procuram e os acolhe.
      Quadro 1. Frequência de acções violentas e vítimas, por autoria
      incidentes mortos feridos
      Nº % Nº % Nº %
      nacionalistas ou separatistas 4723 38% 9800 36% 26925 38%
      comunistas ou socialistas 3708 30% 2823 10% 6656 9%
      religiosos 2572 21% 13270 49% 36938 52%
      esquerdistas 432 4% 337 1% 125 0%
      diversas outras ideologias 299 2% 338 1% 712 1%
      anti-globalização 216 2% 22 0% 98 0%
      conservadores de direita 127 1% 275 1% 93 0%
      anarquistas 121 1% 1 0% 16 0%
      ambientalistas 72 1% 3 0% 42 0%
      racistas 41 0% 7 0% 79 0%
      reaccionários de direita 14 0% 14 0% 10 0%
      total 12325 100% 26890 100% 71694 100%

      Fonte: João Freire (2009) “De onde vem a violência” em A Ideia nº 66, Almada, Tipografia Lobão,
      citando Francisco Proença Garcia (2007) “O terrorismo transnacional” em Revista Militar, V.59, (4), que citou dados do Memorial Institute for the Prevention of Terrorism, http://www.mipt.org

      No quadro 1 mostra-se como as forças da ordem, caso queiram, podem estar informadas de que os anarquistas são o menor dos riscos, quanto se trate da defesa da integridade física das pessoas. Porém são sobretudo a etiqueta anarquia e os anarquistas os alvos – será precisamente por serem os menos potencialmente ofensivos? – da repressão policial global, quando se trata de cimeiras.

  6. vítor dias diz:

    Desculpem, mas esqueci-me do mais importante, ou seja, a piadola do Renato a propósito das bandeiras vermelhas do PCP.

    Grande cultura democrática a do Renato ! Insinua que os promotores «censuraram ou «isolaram» uma entidade que não fazia parte das convocantes mas não se inibe de fazer uma censura políticia ao facto de militantes de uma das entidades também promotoras – o PCP – (que, atenção, não desfilaram em bloco, ao contrário do que outros costumam fazer na manif do 1º de Maio) terem levado bandeiras do seu Partido.

    Em suma: todos os direitos para grupos exteriores à organização da manifestação, retirada de um direito natural a uma força ou organização que fazia parte das 100 que convocaram e trabalharam para a manifestação.

    • Renato Teixeira diz:

      No caso das bandeiras tenha a santa paciencia. Defendo que todos levem as suas, ao contrário do PCP que defende ter o monopólio dessa actividade quando avança o paleio das manifestações não partidárias.

      • Rui diz:

        O PCP não leva bandeiras partidárias em manifestações organizadas por sindicatos ou outras estruturas unitárias e os seus militantes, como é visível, desfilam soltos ou integrados nas mais variadas organizações em que também militam (a começar, desde logo, pelas sindicais). Ao contrário do BE que, talvez, para fazer juz ao nome, desfilam sempre em bloco e com os seus símbolos partidários próprios (como nos placards da manifestação de ontem).

        Mas ontem a Avenida não estava cheia de bandeiras vermelhas do PCP? Estava sim senhor, mas isso é porque o PCP era, formal e explicitamente (ao contrário do BE), uma das organizações que convocava e organizava a Manifestação. Noutro tipo de manifestações, como a dos trabalhadores, convocadas pelos sindicatos ou pela sua central, a CGTP, não há bandeiras ou placards partidários do PCP.

        Mas posso acrescentar. Sou militante do PCP e desfilei por onde quiz. E não levei bandeira, aliás como a grande maioria dos meus camaradas que ontem participou na manifestação.

        • Luís Neves diz:

          É evidente que não esteve na mesma manif que eu, com certeza…
          O único sítio onde não se viu uma maré de bandeiras do PCP foi no quadrado emoldurado pela polícia…
          Aliás, não foram apenas o “perigosíssimos anarquistas” que foram excluídos do corpo da manif, respeitáveis militantes do PCF (quiçá seus dirigentes) também marcharam atrás de um cordão de gente que envergava coletes vermelhos com os dizeres “apoio à manifestação”.

  7. Augusto diz:

    O Bloco de Esquerda representa hoje para muitos portugueses a alternativa de Esquerda.

    Denuncia a Nato e o Imperialismo Americano, mas tambem as DITADURAS Cubana , Chinesa , Norte Coreana .

    Não embarca na defesa de populismos de Chavez e outros compadres como o da Nicarágua, mas não deixa de denunciar serventes dos americanos como o da Colombia.

    Em suma é isso que incomoda muita gente.

    Quanto ao amigo Leo, o livro que na Bertrand está em destaque tem o titulo Os Donos de Portugal, e é de LEITURA OBRIGATÒRIA, para quem realmente pretenda saber quem mexe os cordelinhos em Portugal.

    Foi escrito por vários dirigentes do Bloco de Esquerda, e apesar da sua real importância, tem tido um boicote quase total da Comunicação Social, essa é a melhor resposta a quem diz que o Bloco é só Marketing.

    Vitor Dias, deveria recordar-se do Maltez, e dos seus cães policias e dos policias cães, não entendo que quem sofreu na carne a repressão, lembra-se do Comicio no Vasco Santana da CDE em 69, possa sequer sentir-se á vontade, com que se passou ontem na manifestação entre a policia de choque e os putos que se consideram ” alternativos”, nós com a idade deles, é verdade que as condições eram outras, mas pintámos a manta, é por isso que não gostei nada de ver gente da minha geração, em amena cavaqueira com a policia de choque, que impedia os tais jovens de fazerem parte da manif.

    Estarei errado …talvez….. mas para mim ser de esquerda, é não alinhar nestas tristes
    figuras

    • Leo diz:

      Ora essa, vá lá e veja. A Biografia do boy da Capela do Rato está lá com grande destaque no escaparate das promoções mesmo ao lado da do Sá Carneiro. Se isto não é culto da personalidade vou ali e já venho…

      • Augusto diz:

        O seu problema é não haver uma biografia do Jerónimo de Sousa em escaparate na Bertrand .

        È fácil, com tantos funcionários, porque não escrevem uma…

        Mas se eu o entendo….. o LEO se tivesse o poder, certamente só teríamos direito á biografia AUTORIZADA do Jerónimo, azar o seu, de não viver num regime como o que existe na sua amada Cuba……

    • Ao que parece, há os donos do país e tb os donos da luta…

    • J diz:

      «e apesar da sua real importância, tem tido um boicote quase total da Comunicação Social». Permita-me só que pergunte: de qual Comunicação Social? Da finlandesa? Essa faz-me lembrar o choradinho habitual dos católicos, estão por todo o lado e fazem-se ouvir das mais variadas e histriónicas maneiras. Mas passam a vida na lamuria de que não têm voz no espaço público. Não sei, mas parece-me assim um pouco patético…

  8. Leitor Costumeiro diz:

    Enganei-me no Post, o comentário era para aqui…

    Enquanto não houver unidade, mais vale ficarem todos em casa ou irem pra lá fazer daquilo um mega “Botellon”…Nenhuma das posturas anti-NATO conseguiu passar fosse o que fosse. Tudo se virou para um acontecimento que, querendo ou não é deveras importante a nível institucional, portanto este espartilhamento das forças resistentes às políticas da NATO que IRÃO VIGORAR, demonstra uma gigante burrice.
    O Estado quase falhado em que vivemos, é de facto saloio e tem manifestações de mediocridade que chocam profundamente…A Ideologia misturada com mesquinhez idiossincrática é um cancro….

  9. fuckthem diz:

    Pois, Renato é tudo isso mais a tua resistência islâmica. Mas na verdade, 50.000 manifestantes menos o Rubra e uns quantos grupelhos, queriam e têm o direito de se manifestar pacificamente sem ter que gramar com cenas tristeza como as que se têm repetido nas últimas manifs.

    Só é pena que em vez de falares na grande manifestação que tivemos, venhas para aqui atacar as organizações que a souberam construir. E eu pergunto, tu fazes o quê? Porque pelo que vejo, escreves umas merdas na net, vendes uma revista ranhosa e agregas meia dúzia de amigos.

    “Anarquistas”? Fuck them! Na maior parte das vezes são tão tristes que só sabem fazer o jogo da bófia e andam infiltrados por ela. Querem partir montras? Força! Mas façam-no à parte

    • Guerreiro diz:

      50.000 ……..nem 15.000 eram, e isto já contando com as centenas de camaradas da policias de choque .

      Será que no dito PCP anda alguem a usar lentes de aumentar…..

      Construir manifestações…eu pensava que quem ia ás manifestações era por decisão própria e ás suas custas.

      Mas agora é com camionetas á borla,e se calhar farnel pago pela organização…..

      É puro Eça de Queiroz , adaptado ao seculo XXI

    • Youri Paiva diz:

      Mas quem é que partiu montras? Alguém esteve perto de o fazer?

    • Abilio Rosa diz:

      Mais tarde eu vi muitos «anarquistas» a comer ostras numa brasserie muito conhecida em Lisboa.
      O PCP fez bem em isolar esse vírus da burguesia reaccionária!

  10. maumaria diz:

    Os bófias foram uns provocadores,sr.Vitor Dias.Nada tenho a ver com anarquistas mas,prefiro eles do q aos burgueses!
    Aquilo era uma matilha de acéfalos; a principio ainda pensei q ali estivessem para dar umas marretadas ao joão rendeiro,oliveira(e) costa,ao isaltino de morais,ao duarte lima e à cáfila corrupta do presidente da república das bananas,mexias,antonios borges.Mas, não.Estavam lá para carregar e tive pena q não carregassem para ver os militantes do PCP irem pelos ares democráticos pq para cães era tudo o mesmo!!!Viva o alzheimer cavaco,o penteadinho dopassos coelho,do dias loureiro e,já agoar pelo seu sobrinho Vitor Gonçalves e a boa promoção feita pela mulher daquele autarca em q esteve a Judite a espiolhar em Sintra

  11. Guerreiro diz:

    Na Madeira atiram para uma ribeira , cadeiras e mesa de recolha de assinaturas do Coelho.

    Em Lisboa chamam a policia de choque, para não deixar entrar na SUA manifestação, gente que não fosse da cor.

    Em 7 de Fevereiro 1975, acusavam os operários da Lisnave de serem provocadores, por fazerem uma manifestação contra a presença de navios da Nato no Tejo, até diziam á população, para receber bem os marinheiros da NATO.

    Hoje já lhes convém protestar contra a Nato, mas com o dedicado apoio dos camaradas da policia de choque.

    Dizem que são o Partido Comunista Português……. será verdade…..

    • Boots diz:

      Ai sim foi o PCP que chamou a polícia de choque, ahahahahah quando a mentira é deste tamanho é difícil esconder a estupidez de quem a profere.

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  13. Carlos Vidal diz:

    «O “Paz Sim, NATO não!” apelou a que os partidos não cavalgassem a manifestação mas dois terços do cortejo parecia a vista do palco principal do Avante.»
    (Renato)

    parece-me que o Reanato não pára de insistir nisto, na divisão e conflito de interesses da manifestação e das “esquerdas” em geral, distribuindo culpas ao Paz Sim, NATO não!”, eventualmente à CGTP e ao PCP (metendo a Festa do Avante ao barulho, etc. etc.).

    Mas o Renato não percebe uma coisa. Não imagina o quão ridículo seria se eu, concordando com os propósitos da próxima expo de Serralves (“Às Artes, Cidadãos!”, um projecto político de certa radicalidade), não tendo sido convidado para nela participar (embora sendo amigo de longa data dos comissários), nem como artista nem como teórico (até agora), não imagina pois o quão ridículo seria se eu por lá aparecesse a querer colocar obras minhas nas paredes ou no chão, organizar painéis de discussão a meu gosto, sob o pretexto de eu ser um artista defensor de uma “arte política” contra “subjectivismos” atávicos (como teorizávamos nos 90s), não imagina o quão ridículo seria eu querer à força participar numa coisa onde não fui tido nem achado, apesar de ter uma plena sintonia com o projecto em causa. Isso não me dá o direito a nada de especial, OK?

    Resumindo, concordo com o Vítor Dias:

    «Repito também: em democracia, quem quer desfilar como grupo afirmando uma identidade própria diferente da dos organizadores, só tem dois caminhos: ou obtém o acordo dos promotores ou organiza a sua própria manifestação noutro local ou hora.»

    Mas lamento, no fundo do fundo, um não entendimento entre todas as plataformas, até porque se alguma delas “descambasse” para a violência, eu não a(s) condenaria, pois não me considero um pacifista. Por mim, marcharia (não pude estar por lá) com o PCP e o Paz Sim, NATO Não, olharia com simpatia para os chamados (pela bófia) “anarquistas”, e se de algum ponto da manifestação partissem actos de violência, não seria eu a criticá-los. Nem um pouco. Entendido?

    • Renato Teixeira diz:

      Mais que entendido Carlos, mas totalmente em desacordo. O paralelo com as artes é disparatado. Ninguém contesta o direito do PCP controlar as suas fronteiras dos protestos, a novidade, desta feita, foi querer controlar o protesto dos outros. Enfim. Adiante.

      • Carlos Vidal diz:

        Não há nenhum paralelo com as artes. Dei exemplos e comparei situações.
        Ambas ridículas que é o que aqui me interessa.

        Quando os artistas de vanguarda de finais de XIX queriam contestar os Salons e mostrar, com os seus nomes, outras vias de trabalho, não queriam expor nos Salons, não tentavan lá expor.
        E, por falar em Salons, o mesmo se aplica ao Far-West:
        – eu gosto de ter por perto os chamados “anarquistas”, os de Paz Sim Nato Não, não gostam.
        O que é que queres fazer perante isso?

        • Renato Teixeira diz:

          Perante isso nada. Mas tenho pena que a diplomacia usada para levar os amarelos para a greve geral, não se aplique a outros aliados (de negro e das demais cores) quando a luta é a anti-imperialista.

  14. fernando valente diz:

    Augusto disse
    “O Bloco de Esquerda representa hoje para muitos portugueses a alternativa de Esquerda.

    Denuncia a Nato e o Imperialismo Americano, mas tambem as DITADURAS Cubana , Chinesa , Norte Coreana .

    Não embarca na defesa de populismos de Chavez e outros compadres como o da Nicarágua, mas não deixa de denunciar serventes dos americanos como o da Colombia.

    Em suma é isso que incomoda muita gente.”

    Que engraçado, o Augusto diz que o BE não embarca em populismos como o de Chávez, então diga-me lá o que fazia Renato Soeiro, membro da direcção do BE na reunião internacional de Partidos de Esquerda realizada em Caracas em Novembro de 2009, onde foi anunciada a intenção por parte do Comandante Hugo Chávez de criar a V Internacional ? Deixo aqui o link do youtube, no mínimo dá para rir um bocadinho, quem diria que iriamos ver alguém do BE a dizer: “QUERIDO CAMARADA (!!) Hugo Chávez”; “não podemos esquecer-nos dos nossos inimigos, os capitalistas, os imperialistas, a burguesia em geral”. Ora vejam (a partir do minuto 2):

  15. Anónimo diz:

    Uma palavra para os seis manifestantes da Rubra, sempre presentes

  16. Vitor Ribeiro diz:

    Se eu fosse de direita, ria-me a bandeiras despregadas com as discussões ‘existenciais’ que continuam a dividir a esquerda e (arrisco-me a dizê-lo) a impedem de ir mais longe do que fazer umas simples e inofensivas cócegas à aqueles contra os quais lutam. Ao invés, lutam entre si como galinhas a disputarem o último grão de milho, resistindo (teimosamente) a unir-se no essencial. Até quando? A-t-é q-u-a-n-d-o?

  17. Abilio Rosa diz:

    Ainda estou para perceber qual foi a estratégia politica ou o pensamento politico do PCP em organizar uma manifestação anti-NATO.

    A verdade é que Portugal sempre pertenceu à NATO – mesmo no tempo de Costa Gomes e Vasco Gonçalves – e é verdade que a NATO nessa altura tinha uma configuração, uma doutrina e um objectivo muito diferente da actual NATO.

    A crítica e as divergências devem ser feitas livremente mas para isso não é necessário engrossar o folclore que é financiado por organizações obscuras.

    Afinal de contas a actual NATO não ameaça regimes comunistas nem persegue cidadãos comunistas.

    Os comunistas devem demarcar-se rapidamente desse folclore, pois esse folclore só interessa a organizações fora do contexto ocidental, nomeadamente os fundamentalistas islâmicos, que como toda a gente sabe, se conseguirem a bomba nuclear, despejam-na em cima das vossas cabeças, e não vão perguntar se você é comunista, socialista ou fascista!

    O que o PCP deve fazer – uma vez que Portugal é membro da NATO – é pressionar esta organização, em conjunto com outros partidos dos países da Aliança, para que o tratado de defesa seja cumprido à risca e dentro dos preceitos e resoluções da ONU.

    Quando o Estado pária e sionista de Israel atacou BARCOS dum membro da NATO – ainda por cima com fins humanitários – a NATO devia responder solidariamente.

    É esta luta dentro da NATO que os povos desta aliança devem fazer. Aliás como na UE, como já se verificou em diversos domínios.

    Se um dia o PCP tiver que formar Governo, vai propôr a saída de Portugal da NATO?

    E quem nos vai defender?

    A Mauritânia?

    Pensem nisto.

  18. o da boa-fé diz:

    sr. Abílio,
    Só mesmo você para não trocar a defesa da NATO pela da Mauritânia [ http://www.topnews.in/files/al-Qaeda.jpg ]… Não vê que ficaríamos protegidos pela própria Al Qaeda! Quem nos atacaria então?

    Saudações terroristas.

  19. Boots diz:

    Em primeiro lugar dizer que foi uma grande resposta do povo português que mesmo com o clima de pânico que tentaram passar através da comunicação social, a malta veio para a rua sem medo.
    Quanto às questões das bandeira do PCP, assim se prova quem mobiliza e participa, se vos chateia agora é hipocrisia, pois quando as manifs são convocadas por sindicatos o PCP para fazer valer a unidade da acção não vai identificado, ao contrário do BE, ontem que o PCP era um dos convocantes da Manif (ao contrário do BE) e resolveu aparecer identificado tornou-se uma vez mais evidente quem faz mobilizar com mais força a Luta. Por último referir que o Bloco também ia perfeitamente identificado ao contrário do “ia à civil” que fala o autor, agora eram um número diminuto e talvez por isso ou por um espírito de calimero do autor se tente ocultar a realidade.

  20. Abilio Rosa, só duas notinhas absolutamente marginais.
    1 . A referida brasserie só pode ser o G., espero que tenham comido ao balcão, é género 3 vezes mais barato que na sala.

    2. Ostras não é p’ra toda a gente (básicamente aquilo é um pedacinho de “nhanha” que sabe a maresia, no Brasil fritam a coisa com um polme à volta e ficam escandalizados se um gajú disser “Quero isso cru, traga também meio limão e aquele frasquinho de Tabasco”) e não é assim tão caro, na maior parte dos ‘sítios’ a coisa paga-se à unidade , não ao grama, não à dúzia, portanto vc. paga aquilo que decidir comer.

    As nossas são pequenininhas (“les portugaises” vd. um livro do Hemingway chamado <a href="http://triphow.com/wp-content/uploads/2008/11/a-moveable-feast-ernest-hemingway.jpg&quot;isto aqui ) dos tempos em que ele era um teso e comia disso em Paris com meia “caraffe” de viño blanco, enquanto escrevia umas m#$%&=s…

    As ostras ‘franciús’ (Olonne, p/ex.) são bem maiores , e bem mais caras, garanto-lhe eu.

    ;-)

  21. João Martins diz:

    A malta vai-se entretendo com umas picadelas uns aos outros e os vampiros a comerem-nos as papas na cabeça divertindo-se ao mesmo tempo lendo estas respostas…

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