Família saharaui assassinada na sua residência
Mais de 4500 feridos, mais de 2000 presos, um número ainda incalculável de mortos
Quinta-Feira, 11 de Novembro de 2010
A cidade de El Aiun, capital do Sahara Ocidental ocupado, continua sob estado de sítio após o desmantelamento do acampamento de Gdeim Izik pelas forças militares marroquinas. Exército, Forças Auxiliares e polícia continuam a invadir as residências de cidadãos saharauis, apossando-se de tudo o que encontram, espancando famílias inteiras, sequestrando jovens, em particular nos bairros de Skeikima, Bucraa e Mattalla, enquanto que nos bairros a este da cidade, como Raha, Duerat e outros, até ontem de manhã produziam-se buscas em residências pelos diferentes corpos de repressão, que obrigavam os cidadãos a gritar “Viva o Rei”, “Sahara marroquino” e frases do estilo.
O exército tem roubado veículos de saharauis queimando-os em plena rua, detendo os seus ocupantes, assim como dezenas de jovens onde quer que se encontrem.
Os cidadãos saharauis detidos de que não há notícia até ao momento ultrapassam os dois mil (2000), embora alguns tenham sido libertados depois de serem brutalmente torturados e num estado muito crítico, procuram refúgio em suas casas ou noutros lugares. Os centros de detenção que se encontram localizados são:
Difundido pela Associação de Amizade Portugal – Sahara Ocidental
Quartel da polícia
Quartel das Forças Auxiliares
Prisão Negra de El Aiun
Três quartéis do exército
A escola secundária Alal Ben Abdala
Dois espaços dentro do campo de Futebol
Quartel da praia de El Aiun
O número de feridos supera os quatro mil e quinhentos (4500). Devido ao estado de sítio e terror que se vive nestes momentos na cidade de El Aaiun, muitos dos feridos encontram-se escondidos nas suas casas sem que se possa conhecer a evolução do seu estado.
A família do jovem Ali Salem Lanzari, que apresentava fractura de pescoço, decidiu arriscar-se e empreendeu viagem até Agadir, no sul de Marrocos, para que o seu filho fosse atendido no hospital. Ao chegarem ao hospital o jovem faleceu.
Esta situação está a ocorrer com muitos dos feridos graves que não podem receber tratamento hospitalar.
Testemunhas oculares relataram a existência de dezenas de mortos dispersos em redor do acampamento de Gdeim Izik e na zona este da cidad de El Aiun.
O número de desaparecidos é incalculável, mas contam-se por muitas dezenas sem se saber se estão mortos, feridos em qualquer lugar, ou se foram presos.
A dificuldade para realizar a contagem dos cidadãos saharauis em diferentes situações é enorme, uma vez que não há segurança para a população e todos se encontram em situações críticas.
Na cidade ocupada de Smara, tiveram lugar manifestações no dia de ontem, organizadas por jovens estudantes dos liceus, em solidariedade com os cidadãos saharauis de El Aiun. A polícia dispersou-os violentamente e para evitar uma maior sublevação foi decretado o estado de sítio na cidade, tendo sido encerradas as aulas até ao próximo dia 19 de Novembro.
Extractos de um comunicado do Ministério dos Territórios Ocupados da República Árabe Saharaui Democrática (RASD)





É pena a Espanha , antiga potência colonial do Sarah Ocidental, estar calada e nada fazer no âmbito diplomático para denunciar os crimes de Marrocos, um narco-reino absolutista.
Também os espanhóis estão caladinhos como ratos.
Contra o Papa, por causa dumas mariquices quaisquer, fizeram o chinfrim do caraças.
Quando estão a morrer antigos irmãos da história (os sarauis) às mãos assassinas das milícias marroquinas, os espanhóis não dão um passo e preferem primeiro dormir a «siesta».
Ao menos podem aprender com os portugueses, que perante um caso de descolonização vergonhosamente mal resolvido, estiveram unidos na libertação e na independência de Timor Leste.
Correndo o risco de voltar a desviar as atenções para assuntos menores mas igualmente importantes, pergunto-te o que se passou com o “filosemitismo” desta imagem.
http://5dias.net/2010/06/14/a-violencia-das-imagens-ou-as-imagens-da-violencia/
Em Gaza e na Palestina, como no fascismo régio de Marrocos imposto a El Aiun e ao Sahara Ocidental, a violência das imagens vem de quem as desenha, não de quem as denuncia. Ou não será assim no final das contas?
Renato,
Eu tinha imagens de crianças feridas e não coloquei no post. Não vou voltar à discussão se não te importas. Não creio que houvesse nada de novo a dizer.
Não voltemos. Não voltemos. Deixemos as crianças em paz…
Caro Abílio Rosa,
Os espanhóis não estão calados. Quem está vergonhosamente calado é o governo espanhol, o que é diferente.
Há em Espanha grande simpatia pela causa do Sahara e inúmeras organizações da sociedade civil se mobilizam para ajudar. Há várias formas de intervenção, nomeadamente o programa “férias em paz”, que muito contribuiu divulgação do que se passa no território (e que proporciona a 14.000 crianças por ano cuidados médicos e alguma “normalidade”). Nestes dias, tem havido protestos em várias cidades espanholas, com mais gente até do que havia nos protestos gay contra o Papa. Só que não aparecem na televisão. Não confunda a realidade com a TV e os jornais.
Os critérios duplos dos governos europeus: à Cuba, donde não nos chegam imagens deste teor, onde a “dissidência” (subsidiada por potências estrangeiras e por prémios neocolonialistas) está de boa saúde, exige-se tudo e mais alguma coisa pra normalizar as relações diplomáticas; a esta monarquia feudal e fascizante que mora ao pé da Europa dão-se cumprimentos e bem-hajas.
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Senhor Ramos de Almeida,
se aplicar a ideologia que defende ao uso que faz das imagens, verá que pouco ou nada restará da primeira.
Perante essas imagens, não há palavras que bastem. Só acções.