A Greve Geral de dia 24 e as “Manifestações Gerais” de 24 (uma questão, várias questões)

O facto de se dizer “vou à greve” é, obviamente, dar-lhe um estatuto elevado. O mais de todos. O maior de todos. É já um primeiro sucesso da Greve Geral. Falta o resto, claro. Falta a greve e geral.
Para quê uma festança à la BE no dia da greve?
Não há festa nem festança em que lá não queira também ir Dona Constança?
Não é forte ver as ruas completamente desertas?
É até mais do que forte.
Para quê pessoas na rua nesse dia? Gostaria, como se dizia pelos 60 “situs” de ver uma cidade vazia e um poder apreensivo com possíveis insurreições invisíveis (o medo do poder vem daí – não saber a que corresponde uma cidade “deserta”, obviamente, se invisivelmente se prepara alguma coisa ou nada, mesmo que nada ou apenas uma “comunidade que vem”).

Para quê espectacularizar uma luta justa?
Para quê carnavalizar a rebelião?
A pergunta é esta: duas:
(1) para quê começar já a criar conflitualidade e dissensão sobre o próximo 24 de Novembro?
(Carnaval é lá para Fevereiro, não é?)
(2) Como realizar uma crítica séria dos mundos e dos capitalismos sem se cair na carnavalização? Numa carnavalização “muita gira” tipo “pós-colonial, multicultural e tal”, ou, como diria o outro, linguageira?

Como transgredir sem ritualizar? – Ora, não será a máquina do capital uma grande consumidora da carnavalização? Porque a temos de alimentar?

Podemos ou não trabalhar a sério para que o 24 seja um dia decisivo?

Este artigo foi publicado em cinco dias. Bookmark o permalink.

80 Responses to A Greve Geral de dia 24 e as “Manifestações Gerais” de 24 (uma questão, várias questões)

  1. filipe says:

    podemos.

    mas o que dói (e ano após ano) sufoca, é que poderíamos muito mais.
    especialmente se ao contrário de outras greves e lutas esta não canalizar o descontentamento geral da população para aquela coisa do…

    vamos lá a falar de outra coisas, como por exemplo, as férias, os ciclos/circos eleitorais (o sr. Aníbal Manuel Nobre Lopes de Moura), o governo tipo ovo em cima do muro, cai/não cai, as eleições são logo ali e vamos lá a votar em mim para engrossar o meu número de deputados e garantir as subvenções parlamentares.

    especialmente, se em vez de garantir nichos e subvenções parlamentares houvesse a real preocupação de mudar esta merda.

    o que preocupa é que todos querem que o dia 24 seja decisivo. mas decisivo para quê? quantos, especialmente nas direcções sindicais, partidárias e afins querem realmente mudar esta merda?

  2. Carlos Vidal says:

    Ah, enganei-me. Não era “decisivo” que eu queria dizer, era “interessante”.
    E festivo, já agora.

    • Niet says:

      Oh, C.Vidal: Para quando a sua catilinária suprema contra os perturbadores rituais e os mal-pensantes de aparelho, os burocratas da rebelota, eles, que agora pululam como cogumelos na BlogaLusa? Espectáculo deprimente dessa espécie de aprendizes da sub-negatividade hegeliana, em que pensam transformar a fatalidade e a banalidade do que lhes falta em maldição quase teológica… E inventam anónimos como despiste e socorro! Niet

  3. Não consigo perceber a lógica de não fazer uma manifestação nesse dia. As manifs são coisas do BE? Enfim, escapa-me a racionalidade da coisa. Em todo o mundo se fazem manifs com greves, veja-se o caso francês, italiano e espanhol e não consta que por lá ande o BE.

    • Carlos Vidal says:

      Caríssimo,

      Quem quer porque não a convoca??
      Convoquem-na, vá.
      Como alguém dizia em baixo, num comentário:
      saiam do Camões, porra! Avancem!

      Porque esperam que seja a CGTP – controlada pelos “comunistas” – a fazer tudo??
      Porquê??

      Defendo o que chamei (a partir de um situacionista, não interessa quem) “insurreição invisível”, mas também defenderia uma manif gigante.
      Aliás, a “insurreição invisível” é património de Maio 68, e coexistia com “festas”.
      Mas aí a claridade era outra.

      Então, temos de distinguir o trigo do joio oportunista:
      Há coisas que têm um selo esquisito. Uma marca. Um padrão.

  4. Carlos Vidal says:

    Se calhar, é o meu leninismo, ó Nuno.
    É que sobre “organização” ainda não li nada que se aproximasse do “Que Fazer?”
    E tu?

    • Renato Teixeira says:

      Leninismo é fazer, não deixar por fazer…

      • Carlos Vidal says:

        É verdade.
        Falta abordar o tema da organização (o tema do “Que Fazer?”).

        E já agora, para quem pensou numa ligação Lenine-Debord, falta experimentar a ideia de “insurreição invisível”.

        Falta muita coisa.

        • Renato Teixeira says:

          Muitas. Às quais muitos dos tradicionais sindicatos e partidos comunistas (vejamos frança) vão dizer que não.

          • Renato Teixeira says:

            Digo mais, sempre faltou muito leninismo a quem se reclamda do leninismo. Aliás, é proporcional. Quanto mais Leninismo se mete no peito, menos leninismo se tem na ferramenta. Não será assim?

  5. Ilídio PG says:

    Qualquer greve, mas especialmente uma greve geral, é um momento especialmente duro de confronto entre os trabalhadores e o capital. Onde os trabalhadores enfrentam abertamente, directamente, cara à cara, o capital. Nas empresas, nos locais de trabalho. Onde se exige o máximo de organização, de disciplina (a disciplina dos trabalhadores organizados, que enfrenta a disciplina imposta pelo capital e os seus agentes), um elevado sentido de responsabilidade, de firmeza, de tensão de forças. Para vencer a indiferença, as hesitações, as vacilações, os receios, os medos. Acima de tudo, para vencer a repressão do patronato e do governo, para vencer as manobras e as tentativas de desmobilização dos trabalhadores.

    Quem quer que conheça minimamente o esforço titânico de organizar uma greve geral, as enormes dificuldades, no momento presente, de consciencialização, de mobilização, de afirmação e convencimento da necessidade de aderir à greve; as enormes dificuldades de constituição e organização dos piquetes em milhares de locais de trabalho, não pode deixar de considerar, objectivamente (isto é, independentemente das intenções), um crime de lesa-Greve, um acto lamentável de fura-greve, qualquer tentativa de desviar as atenções, e, ainda mais grave, de desviar activistas que tanta falta fazem (sim, que tanta falta fazem!) dos locais em que verdadeiramente se joga o êxito da Greve, onde verdadeiramente tudo se decide, dos locais de trabalho, das portas (e do interior) das empresas.

    Posso perceber que a malta bem intencionada, sem responsabilidades e sem tarefas na luta, desinserida de colectivos laborais, desligada dos meios sindicais, das comissões e dos organismos representativos dos trabalhadores, sem quaisquer contactos com dirigentes, delegados ou activistas sindicais, sem pontes com células organizadoras e impulsionadoras da Greve, lhes passe pela cabeça a realização de uma manifestação, onde poderiam dar o seu contributo para o sucesso da jornada de luta.

    Mas há que perceber que, em dia de Greve geral, ao contrário de dia de manifestação nacional, o êxito não se mede pelo número de pessoas que se juntam nas ruas, mede-se, pelo contrário, pelo número de pessoas que se tiram das ruas, que se tiram das empresas, que se tiram dos locais de trabalho.

    Há que perceber que uma grande manifestação nacional só é possível com a organização e o directo empenhamento de centenas de activistas que, neste dia, têm que estar completamente absorvidos na tarefa, mais custosa, mais exigente, mais dura, de assegurar o triunfo da Greve nas empresas, nas instituições, em todos os locais de trabalho.

    Há que perceber que manifestações em dia Greve Geral, em que um dos objectivos centrais, para a Greve ser sentida no país, é parar ao máximo os transportes e interromper ao máximo os deslocamentos, só deixa lugar para manifestações locais, de dimensão reduzida, e nunca nacionais, de grande dimensão.

    Há que perceber que manifestações, necessariamente restritas, podem ser fortemente contraproducentes por descentrarem a atenção da comunicação social do objecto sobre o qual deveriam incidir os seus relatos: a paralização, o mais geral que se conseguir, da vida social do país. Não é preciso ser muito inteligente para perceber que os grandes grupos de comunicação social esfregariam as mãos de contentes se pudessem contar com esse excelente pretexto que lhes seria oferecido de passar as imagens de alguns gatos-pingados (sem ofensa) numa pequena manifestação, em vez da reportagem que se impunha das empresas paradas ou em laboração reduzida, das instituições encerradas, dos transportes parados, do comércio retraído, dos serviços fechados.

    Há que perceber que uma forma de luta acertada, importante e útil, como em geral é o caso de uma grande manifestação, pode deixar de sê-lo, acertada, importante e útil, se conflitua e prejudica o sucesso da jornada que era suposto secundar e apoiar. Manifestações em dias de Greve geral, mesmo em muitos dos desinformados casos francês, italiano e espanhol, são frequentemente o disfarce da incapacidade de fazê-las no sítio onde são mais necessárias, nos piquetes de greve, nos locais de trabalho, onde, repito, o êxito da luta verdadeiramente se decide.

    Como sei que há vários estudantes, bolseiros, jovens investigadores e professores universitários, bem intencionados, atraídos por essa verdadeira expressão de impotência da “manifestação que foge com o rabo à seringa”, se querem sinceramente contribuir para a Greve geral, se querem autenticamente contribuir com o seu quinhão de esforço para o êxito desta determinante jornada de luta, sugiro que se manifestem à porta das suas escolas, das instituições a que pertencem ou com quem colaboram, em expressivos, ainda que informais, piquetes de greve. Façam, como na anterior Greve geral, os docentes da Universidade de Évora, que, vencendo preconceitos, conformismos e impotências, em facto inédito e marcante do movimento laboral português, constituíram piquetes à entrada das suas instalações (com inocultável alcance e reflexo na comunicação social).

    A Greve geral não exclui nem a audácia nem a criatividade. Precisa delas. Mas no sítio certo, no sítio onde é possível e necessário lutar, no sítio onde os lutadores são mais necessários, no sítio onde a solidariedade exterior tem lugar e é bem vinda, no sítio onde não se foge da luta. Nas empresas, nas instituições, nos locais de trabalho.

    • Leo says:

      “A Greve geral não exclui nem a audácia nem a criatividade. Precisa delas. Mas no sítio certo, no sítio onde é possível e necessário lutar, no sítio onde os lutadores são mais necessários, no sítio onde a solidariedade exterior tem lugar e é bem vinda, no sítio onde não se foge da luta. Nas empresas, nas instituições, nos locais de trabalho.”

      Muitíssimo bem dito!

    • Filipa says:

      Está tudo dito… No dia 24 de Novembro temos é que estar todos à porta dos Locais de Trabalho, em piquete, a sensibilizar os trabalhadores para a importãncia da Greve. A Greve Geral será tanto mais forte, quanto mais forte forem os piquetes de greve à porta das empresas, das escolas, dos hospitais.. Querem se manifestar.. manifestem-se junto das empresas.. Quantos mais formos.. máis forte seremos…!!!!

    • Niet says:

      Belíssimo comentário sobre a Greve geral: funções, limites e virtualidades.Niet

  6. Zoko says:

    Mas ninguém me explica então porque é que há manifs no dia da Greve geral nos outros paises e aqui não?
    Todos os argumentos que o Ilidio escreve suponho que se apliquem tb a outtros paises, ficam então a pergunta: Porque é que só em Portugal é que não se faz manif no dia da greve geral?
    Já agora, tem falado com os trabalhadores nos vossos locais de trabalho? ou com trabalhadores no geral?
    Toda a gente pensa que vai haver manif no dia da greve geral, sempre que falava da manif de dia 6 (ninguém sabia da sua existencia, esranho não é? a cgtp não mobilizou para a mesma não sei porque) todos me respondiam que iam à de dia 24 de Nov, ao que eu respondia que não havia manif nesse dia.
    Falem com os trabalhadores…e parem de os culpar sobre tudo o que não acontece em portugal, se as pessoas não avançam é porque não acreditam em quem as dirige
    (BE E PC = ELEITORALISMO)

  7. antónimo says:

    Parece-me, pois, que há argumentações bem mais sólidas e apelativas do que a do Leo.

  8. augusto says:

    A direcção da CGTP, é controlada pelo PCP, ponto final.

    Muitos sindicatos membros da CGTP nada têm a ver com o PCP.

    Muitas greves, gerais ou não, apoiadas pela CGTP têm a participação de milhares de trabalhadores, e a maioria nada têm a ver com o PCP.

    Que esta greve geral do dia 24, assume no contexto actual, uma enorme importância, e que todos os esforços no sentido de mobilizar o maior numero de trabalhadores , tenham eles filiação partidária ou não, deve ser a grande batalha da ESQUERDA, é óbvio para quem realmente é de esquerda.

    Os sectários, no entanto continuam o seu trabalho de sapa, preferem ser poucos e bons ( péssimos) , do que se preocuparem com o que realmente importa, derrotar a politica neo-liberal que a direita e os banqueiros estão a impôr á Europa.

    • Leo says:

      Estou-me marimbando para a Europa o que eu quero é que na minha empresa os meus colegas adiram à denúncia das injustiças e à exigência duma mudança para pôr o país no caminho do desenvolvimento. É por isso que vou estar com eles no piquete de greve.

      • Renato Teixeira says:

        Estou-me marimbando para a Europa. Uma frase, toda uma doutrina.

        • Carlos Vidal says:

          Calma Renato, em inúmeros contextos subscrevemos esta frase e de olhos fechados:
          «Estou-me marimbando para a Europa.»

          Em si, não é uma frase inaceitável, é até oportuna e necessária e sabes quando e como.

          • Renato Teixeira says:

            Quando a Europa se rebela, mandamos a Europa à merda. E nota, falo sempre da resistência, não da União. Essa sim, merece o nosso desprezo.

    • Augusto envagelista says:

      És um sectário…fica-te pelo camões a fumar canhões

    • Leo says:

      Há quem tenha a lata de apresentar o mundo ao contrário e o topete de chamar “sectário” a quem se esforça onde dói – na empresa – a convencer os colegas a aderirem ao que não só dói (um dia de salário a menos) como é perigoso (para os que estão a prazo).

      Bons seremos todos os que fizerem greve e os melhores serão os que mais arriscarem fazendo greve: aqueles com mais necessidade de todos os euros e os que estão a contracto.

  9. Leo says:

    “A Greve geral não exclui nem a audácia nem a criatividade. Precisa delas. Mas no sítio certo, no sítio onde é possível e necessário lutar, no sítio onde os lutadores são mais necessários, no sítio onde a solidariedade exterior tem lugar e é bem vinda, no sítio onde não se foge da luta. Nas empresas, nas instituições, nos locais de trabalho.”

    Muitissimo bem dito!

  10. Armando Monteiro says:

    dia 24, farei greve e virei para a rua para me manifestar, tal como com o exercicio da greve. e nenhum mal viria com o esforço de tentar a manisfestação publica de trabalhadores e outros sectores da população como os desempregados, reformados, estudantes em praças e ruas. E sim espero que alguem convoque essas manifestações

  11. 1. ir para a rua é uma necessidade – não há demonstração da insatisfação popular, nem consequente aumento de força da reivindicação E legitimação das estruturas sindicais, sem que as pessoas demonstrem que são capazes de se mexer e mobilizar contra a politica do bloco central. saindo à rua. protestando. negando a política do medo e do elogio do individualismo.

    2. boa parte dos trabalhadores já não tem direito à greve: o precariado. como tal a CGTP, com ou sem a sua ‘corrente sindical socialista’, e o BE, e o PCP e todas as organizações que se batem contra os PEC e as políticas de austeridade, que reduzem mais e mais o valor do trabalho enquanto o transferem para o capital especulativo, deveriam estar a organizar, permanentemente, todas as semanas, protestos na rua, ao sábado, por exemplo, centralizados e descentralizados.

    3. se não era para organizar protestos de larga escala na rua, demonstrando o descontentamento popular (e sim, a festa é uma parte importante desses protestos, e espero, a bem da festa do avante, que não ponha isto em causa nem os atribua apenas ao BE…), porque demorou tanto (quase dois meses) a preparar esta greve?

  12. Comentário lateral:
    adoro a ideia de ‘carnavalizar a rebelião’.

    Os tipinhos muito sérios, sisudos, que parece que engoliram uma vassoura, e que fazem parte de um rebanho de carneiros veneradíssimos e obrigados, que andam ali às ordens do “serviço de ordem”, a gastar as gargantas em sloganzinhos “aprovados”, com cartazezinhos ainda mais “aprovados”, e depois vão para casa com uma satisfaçãozinha também “aprovada”, por mim podem ir manifestar-se para a Alemanha ou para o Cazaquistão.

    A vossa ‘rabolução’ é um aborrecimento, e depois vamos ser todos fuzilados se ganharem, porque não somos suficientemente “sérios” e “responsáveis” e “moralmente proletários”.

    Que enjôo, f#$k you’s !

  13. Leo says:

    “(1) para quê começar já a criar conflitualidade e dissensão sobre o próximo 24 de Novembro?” pergunta o Carlos.

    Para confundir trabalhadores, desmoralizar activistas sindicais, enfraquecer a Greve Geral. Há gente especializada – desde há muitas décadas! – em dividir para reinar e levar a água ao moinho dos banqueiros e grandes grupos.

  14. Leo says:

    “(2) Como realizar uma crítica séria dos mundos e dos capitalismos sem se cair na carnavalização? Numa carnavalização “muita gira” tipo “pós-colonial, multicultural e tal”, ou, como diria o outro, linguageira?” pergunta o Carlos.

    Começando por ouvir ( nesta caso da Greve Geral), o que dizem activistas sindicais, direcções sindicais, centrais sindicais. E os colegas, nas empresas. Participando depois, consoante a disponibilidade, nos preparativos para o dia 24. Com lealdade, determinação e frontalidade e principalmente com sentido de classe.

  15. Leo says:

    “Podemos ou não trabalhar a sério para que o 24 seja um dia decisivo?”

    Claro que podemos se realmente o que nos move é a denúncia das injustiças e a exigência de mudança.

  16. Nuno Ramos de Almeida says:

    Vidal,
    Espero mesmo que tenhas lido O QUE FAZER?. Quem tem que convocar a manif são os sindicatos que a convocam. É assim em todo o mundo. Há 700 mil desempregados , há centenas de milhares de estudantes onde queres que eles manifestem o seu apoio à greve geral?
    A mim, o sectarismo burro irrita-me. Tenho, parafraseando o outro, mais que fazer.

    • Leo says:

      “Há 700 mil desempregados, há centenas de milhares de estudantes onde queres que eles manifestem o seu apoio à greve geral?”

      Os estudantes à porta das respectivas escolas e universidades. Os desempregados onde normalmente fazem falta piquetes reforçados, basta perguntarem à União dos Sindicatos respectiva. Lembro-me que na primeira greve geral “ajudei” o piquete da então RN, e foi “trabalho” desde a madrugada até à noite.

      E não se irrite. A mim, o sectarismo burro também me faz comichão.

    • Leo says:

      “Quem tem que convocar a manif são os sindicatos que a convocam. É assim em todo o mundo.” ????

      Pela nossa legislação nem há directrizes para convocatórias de manifestações. Qualquer meia-dúzia de gatos-pingados pode organizar as manifestações que entender, basta-lhes para tanto comunicarem por escrito ao governo civil, indicando dia, hora e trajecto.

      As duas centrais sindicais entregaram pré-avisos para a Greve Geral. E estou a achar piada a esta nova teoria que não se satisfaz com a Greve, quer por força juntá-la a manifestações e quem não concorda ou é burro ou sectário.

    • Carlos Vidal says:

      Estou a meio de uma aula muito interessante, Nuno.
      Não vou desenvolver o “Que Fazer?”
      Mas não sei quem não o leu (quem será?)

      Não era um texto nada simpático para o espontaneísmo nem para a dispersão acéfala.

      Boa greve (e melhor organização, é o que se deseja – os acontecimentos fazem-se no momento e não com ideias “giras” independentemente do momento – lá está, a crítica ao renegado Kautsky, a importância do momento NO MOMENTO: e o momento agora é de Greve Geral, apenas! Quem quiser mais que o faça e protagonize, se o souber).

      • Niet says:

        C.Vidal: O ” Que fazer?” de Lénine, data de 1902, meu caro. Trata-se de um dos textos mais livres de sempre de Wladimir Illitch Ulianov. E que combate sobretudo a ” traição ” de Bernstein à Luta de Classes e a paranóia do terrorismo/ Economismo, que ele ” trabalha ” de forma muito livre e superior, pletórica de humor e verve. O Partido Bolchevique ainda não existe- nem sequer em ideia- e Lénine demonstra uma grande vivacidade e aprumo no uso da sua dialéctica histórica contra o Oportunismo da social-democracia europeia da altura. Niet

    • Niet says:

      NR de Almeida: A distinção entre áreas de intervenção( e mesmo estrutura organizativa…) entre sindicatos e partidos é muito relativa, só existindo na teoria como sabemos. Lénine – no Que faire?- diz, preto no branco, que as relações entre as duas entidades representativas do poder dos trabalhadores devem ser o ” mais estreitas e o menos complexas possíveis “. Agora o ” Comité Invisível “, de Coupat e grupo, pode talvez fascinar o C. Vidal porque recupera o ” leninismo puro ” da vanguarda de luta do proletariado, se bem que a sua técnica contenha a virtualidade mágica de um blanquismo estilizado à la Zapata…Niet

  17. Leo says:

    ” ir para a rua é uma necessidade” ???

    Não dei por ninguém defender por aqui ficar em casa ou não sair da cama. Eu até me vou levantar mais cedo para apanhar boleia dum colega e chegarmos à empresa antes da hora habitual. E até vou levar farnel e dose reforçada de tabaco.

  18. Diana Dionísio says:

    1. Carlos, não percebo porque é que uma manifestação é carnaval. Pensa isso sobre todas as manifestações ou só sobre esta, se enventualmente existisse?
    2. Deixar as manifestações para património do Berloque de Esquerda não me parece nada boa ideia…

    Fiz esta pergunta porque percebi de repente que ninguém sabia bem se ia haver manifestação / concentração ou não, e falei com pessoas (por sinal militantes do PCP) que achavam que ia haver de certeza uma manifestação. Como não tinha visto ainda nada anunciado, resolvi pôr a questão.

    • Leo says:

      “Como não tinha visto ainda nada anunciado, resolvi pôr a questão.” ???

      Se a única decisão das duas centrais sindicais foi sobre a Greve Geral. não entendo a expectativa sobre outros anúncios.

      O meu puto quando não lhe interessa não percebe e às vezes também manda o barro à parede, o ingénuo.

    • Carlos Vidal says:

      «Alguma estrutura dessas que tenta organizar as massas está a pensar marcar alguma coisa?»

      Diana, quem escreve isto com esta fina ironia sabe que não vai haver manif (oficialmente) e esboça uma censura. No momento e no estilo quiçá errado.

  19. Justiniano says:

    Caríssimo Vidal,
    Gosto bastante do “Não é forte ver as ruas completamente desertas?
    É até mais do que forte.”, muitíssimo interessante!!
    E acho, de um certo modo, apoteótica “não saber a que corresponde uma cidade “deserta””
    A ideia do deserto silencioso, em suspense, parece-me quase revelatória…
    O desabafo parece-me um pouco aquele grande post lá ao longe, o do “verkitschen”!!

    • LM r says:

      Um dos problemas é que as cidades não vão ficar desertas; por razões vadiadíssimas, muitos não farão greve.
      Haverá menos espaço para as especiosas guerras de números do costume se as ruas forem nossas nesse dia.

      • Carlos Vidal says:

        Não percebo como é que uma manifestação clarificaria os números da greve.
        Em Março discutia-se os números da manif da CGTP.
        Em vez de uma teríamos duas “especiosas guerras de números”.

        Além disso, de forma organizada, ou consensualmente organizada, nada contra a manif.

        • LM r says:

          Carlos,
          Não disse que clarificaria. Mas seria bem mais difícil aos do costume minimizar os números da acção se as ruas estivessem a abarrotar de protestos.

          • Carlos Vidal says:

            E como lidarias com a redução à irrelevância dos protestos, argumento sempre lançado pelos do costume?
            A manifestação última da CGTP foi pelos tipos quase reduzida a nada, por exemplo.
            Além disso, como digo adiante, nada tenho contra uma manifestação. Tenho por certo que para que alguma efectividade essa manif viesse a ter não deveria ser (muito) menor que a anterior.
            Não conheço os detalhes das reuniões na CGTP. Da forma como as coisas estão, prefiro lidar com o que está em cima da mesa: a Greve Geral.

  20. Nuno Ramos de Almeida says:

    Sinceramente, não percebo qual a inteligência política de não fazer manifestações em dia de greve geral. Acho mesmo que é burrice, se eu fosse os ditos festivos, convocava uma. Não ausência das ditas mainfestações oficiais, iria ter mesmo muita gente. A cena de ir às uniões fazer piquetes de greve, não serve. 99% das pessoas não o faz. Nesta matéria há pouco a descobrir, a maior parte dos sindicatos do mundo convoca manifestações. Deve ser alguma alínea do marxismo-leninismo albanês (do Albano Nunes) que proibe que as massas se juntem à luta ou se calhar dava demasiado trabalho fazer o quadrado da manif. Enfim, não há pachorra.

  21. Leo says:

    Nada curioso sobrar para o pobre do Albano.

    E parece-me que o Nuno já está crescidinho para cenas mal amanhadas de RGA’s. Há filhinhos de papá que não crescem mesmo.

  22. Nuno Ramos de Almeida says:

    Leo,
    Essa parte dos filhinhos de papá, espero que não seja para mim. Como pode perceber, a discussão é sobre a lógica de convocar uma manifestação em que as pessoas possam participar. Não sei pq carga de água passou a ser um elemento de dogma ideológico. Mas quem não se preocupa com o conteúdo da dita, costuma arranjar muitas questiúnculas sobre umas letras obscuras. Enfim, é a chamada ocupação de tempos livres.

    • Carlos Vidal says:

      E porque é que uma manif num dia de greve geral é efectivamente mais eficaz que uma manif noutro dia?

      E, claro, no endurecimento dos protestos, uma manifestação contra esta governação teria que ser maior que a anterior.

    • Leo says:

      Olhe que é. De cada vez que vejo as suas birras por aqui lembro-me do honrado Pedro, do sábio Pedro, do sacrificado Pedro, do Pedro nada dogmático, nada sectário e nada burro, bem pelo contrário.

  23. Renato Teixeira says:

    Carlos, curto e grosso, Itália, Espanha, França, Grécia, são todos um bando de imbecis?

    O que se perdia com a manifestação?

    E depois da Greve o que sobra?

    Francisco Lopes?

  24. rms says:

    O NRA que me desculpe, mas uma manif em dia de Greve Geral não lembra ao diabo. Mais, pedir manifs em dia de GG é pedir que trabalhadores abdiquem do seu direito de greve para que outros possam manifestar-se. É mais ou menos como os teus camaradas que alegam que não podem fazer greve, porque alguém tem de noticiá-la.

    Nas últimas manifs descentralizadas organizadas pela CGTP estiveram no Porto mais de 20.000 pessoas, algo que nunca tinha visto desde que sou gente. Uma imagem linda, com trabalhadores, estudantes e desempregados unidos em torno da única central sindical que defende o povo e os trabalhadores – penso que aqui não há margem para dúvidas.

    Obviamente, como vem acontecendo em todas as manifs da CGTP ou nas iniciativas de rua da USP – União de Sindicatos do Porto – há organizações e partidos que as parasitam, quando o que se pretende é que sejam unitárias e abertas a toda a população.

    Aqui no Porto estamos habituados a chamar os bois pelos nomes. As comemorações do 1.º de Maio, por exemplo, é uma iniciativa unitária da USP e não é correcto participar com identificações de partidos políticos, a menos que o verdadeiro interesse seja aparecer na foto e não o comum interesse dos trabalhadores e do povo. O BE não o faz. Surge, invariavelmente, identificado como sendo do BE, no final do desfile, depois de afrontarem propositadamente a organização da Manif, filmando depois os eventuais desentendimentos, vitimizando-se contra o “sectarismo” da CGTP.

    Já dei pra este peditório e estou com o Vidal: Quem quer uma manif institucional que a organize e veja o seu impacto. Ou então que deixem de parasitar a mobilização alheia.

    • Renato Teixeira says:

      Nao lembra ao diabo. E verdade. So aos gregos, italianos, espanhois e franceses.

      • Carlos Vidal says:

        Renato, vamos tentar pensar ou especular, mas com seriedade e frieza.
        A CGTP não tem de fazer ou convocar tudo. Se o fizesse, nem imaginavas que vozes contra ela se levantavam. Imagina o Serras Pereira e pandilha anticomunista a falar do “estalinisno da burocracia sindical” e outras pérolas da personagem.
        Também não se trata apenas de pensar-se, “decidiu apenas a greve, está decidido, respeita-se, obedece-se”.
        Ora, vamos a outra nuance. Sempre aqui disse, neste post, que não vejo nenhuma incompatibilidade entre greve e manif. Mas, vejamos. Uma greve geral tem de ter uma preparação colossal.
        Uma manifestação desejavelmente maior que a última (em Março?) tem de ter igualmente uma preparação e trabalho colossal por trás.
        Porque é que especulamos aqui (censuramos) o facto da CGTP não ter juntado as duas coisas???
        Vamos, responde, se souberes e quiseres, a isto primeiro.
        Primeiro, OK?

        Depois, quem esteve nas reuniões de dirigentes e vários núcleos decisórios da central poderá explicar o que se passou, qual a ideia, quais os limites para a simultaneidade dos eventos que desejas (e eu não recuso), etc. etc.
        É preciso ouvir primeiro e não bojardar de qualquer maneira.
        Nem eu, nem tu, nem a Diana, estamos inteirados do problema.
        Entendido?

        • Renato Teixeira says:

          Entendido, mas longe de estar de acordo. O facto de outros não fazerem o que a CGTP deveria fazer não a torna imune à crítica.

          Saltando o assunto para algo mais geral penso que a posição que te colocas te impede de fazer a critica à burocracia sindical, que tantas vezes castra a violência progressiva da resistência, onde se contam, como é evidente, a capacidade transformadora de muitos trabalhadores.

          A tua escrita e o alcance da tua crítica, que como sabes sou um confesso apreciador, ficam a perder com essas fronteiras. Abraço.

          • Carlos Vidal says:

            Renato, mas uma manifestação anunciada e autorizada, em primeira e última instância, requerida pela CGTP ou outra qq entidade, é sempre um dado da burocracia.
            Repara, por isso é que os “situacionistas” falavam em “situações” e de enleces ou desenlaces fortuitos de acontecimentos.
            Podemos pensar nas contradições entre o leninismo e a espontaneidade das situações (Debord). Podemos encetar um debate teórico. Ou então trabalhar com aquilo que está disponível, que é o Greve Geral – para já.

  25. Fazenda says:

    A cgtp não é tua propriedade nem do pc, caso não saibas há mais organizações que intervém no seio dos sindicatos.

  26. Nuno Ramos de Almeida says:

    Leo,
    Eu tenho a vantagem de saber quem é o meu pai. Não te conheço de lado nenhum. Agora para esclarecermos as coisas rapidamente, se te conhecesse, partia-te a tromba ao pontapé. Gosto pouco de filhos da puta que colocam a família dos outros à discussão. Estamos entendidos?

  27. Pingback: A Domesticação Da Contestação « A Educação do meu Umbigo

  28. Pingback: Uma concentração no dia da greve | cinco dias

  29. luís antunes says:

    Cassete Vidal , tenho uma gravação da ” Sonata ao Luar ” , do Beethoven . M.J. PIRES toca.

  30. luis antunes says:

    Cassete Vidal , a greve geral vai ser um flop.

Deixar uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

*

Pode usar estas tags HTML e atributos: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <strike> <strong>