Queda livre – João Onofre em Coimbra a partir do próximo dia 13 de Novembro

JOÃO ONOFRE. Sem título (SUN 2500). 2010. (Vídeo HD, cor, som, 8′ 10”).

Tendo já exposto no P.S.1/MoMA de Nova Iorque, no Pompidou de Paris (onde também conferenciou), na Tate Modern, estando ainda representado pela galerias (onde individualmente expõe regularmente) Franco Noero de Turim, Toni Tápies de Barcelona, I-20 de Nova Iorque e pela Cristina Guerra de Lisboa, parece-me claro que João Onofre (n. 1976) é provavelmente (isto é, merecidamente) o artista português de mais ampla e consequente circulação nacional e no exterior. Marcante foi ainda a escolha de uma obra sua (por sinal uma das mais “carismáticas”, Casting, 2000) pelo “comissário dos comissários” do século XX, o já falecido Harald Szeemann, para figurar em 2001 na Bienal de Veneza, exposição central Platea dell’Umanitá.

Mas vamos a factos: inaugura no próximo sábado, dia 13 pelas 22h no CAV/Centro de Artes Visuais de Coimbra, uma exposição individual do autor, constituindo uma oportunidade de ver e antologiar a sua produção desde 2006 até ao presente. A exposição é comissariada pelo sempre surpreendente e heterodoxo curator Marc-Olivier Whaler, director do Palácio de Tokyo (Paris). Vídeos, filmes, desenhos e uma performance (na noite de sábado) serão apresentados até final de Fevereiro próximo.

No momento será apresentado um livro de razoável extensão sobre a obra recente do autor, edição CAV (bilingue), com textos de Albano Silva Pereira, Marc-Olivier (que, com humor, recria o impacto do momento de apresentação do primeiro readymade comparando-o a uma experiência física de proporções inauditas), Giorgio Agamben (um texto inédito em português, sobre a relação entre imagem e morte) e uma análise por mim assinada, que pretende abarcar a obra do autor desde 2002/2003.

Para já, acho que mais não posso fazer do que vos deixar com o primeiro parágrafo do meu texto:

Percorrendo com atenção a complexa e diversa trajectória criativa de João Onofre (e aprofundando um anterior estudo sobre a matéria) nos últimos treze anos (e tomo por referência charneira o vídeo Untitled (We Will Never be Boring, de 1997), trajectória que se tem desenrolado sobretudo em dois media, o vídeo e o desenho (apesar de podermos falar também em projectos de natureza performativa), iniciaria esta abordagem da obra do autor introduzindo quatro conceitos agregativos (a que corresponderão vários conjuntos de obras, sempre exemplificados), dois deles configurando determinadas novidades (o de esquizo-imagem e o de “duplo obscurecimento”), outros dois apenas desenvolvimentos de ideias mais ou menos estabilizadas, passíveis de ligação a Onofre (mas oriundos do vasto campo das artes visuais) pela particularidade com que o autor se interessa pelo limiar da imagem, legibilidade, ilegibilidade, em suma considerando as suas formas de significação e representação (conceitos como o de confusionalidade, uma realidade também psicológica, ou de “representação do irrepresentável”, quando Onofre toma a seu cargo o omnipresente tema da representação ou figuração da morte, humana e/ou histórica).

Mais detalhes: no local, claro.

Image of: Every Gravedigger in Lisbon (Olivais Cemetery) (Ajuda Cemetery) (Carnide Cemetery) (Benfica Cemetery) (Prazeres Cemetery) (Alto São João Cemetery)

JOÃO ONOFRE. Every Gravedigger in Lisbon (Alto de São João Cemetery). 2006 (Foto).

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5 respostas a Queda livre – João Onofre em Coimbra a partir do próximo dia 13 de Novembro

  1. a anarca diz:

    ah ah ah ah ah ah ah !
    esqueceu-se
    do
    esquizo-deslumbramento …

  2. am diz:

    olha é o On/Off
    o on/off devia era dividir o pilim com os os coveiros, que são muito mais artistas que o próprio
    é possível ser mais parolo que isto!? é, mas não seria um glande artista da tugolândia

  3. Carlos Vidal diz:

    Foda-se, cambada.

  4. Événementiel par nature, a iarte realizada em contexto real dos nossos grandes arquitontos, pour l’artiste, é uma mise en acte de sa présence.

  5. ou é um acontecimento no quintal?

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