MAIS 4 PONTOS PARA CONTINUARMOS A COMPREENDER A INVISUALIDADE DA PINTURA

 

Mémoires d’Aveugle: L’autoportrait et autres ruines, foi agora por cá traduzido num inexcedível labor de especialista derridiana por Fernanda Bernardo (Universidade de Coimbra) como Memórias de Cego: O auto-retrato e outras ruínas, sob chancela da Fundação Gulbenkian. Estas Memórias (ou registo de um sonho com amplas consequências metafóricas e definidoras; sonho, portanto, de Derrida, coisa autobiográfica: “os cegos do meu sonho eram antepassados, pais sobretudo, ou mesmo avós, em todo o caso anciãos. E eram vários, dois pelo menos. Um ‘duelo’, tinha eu anotado na noite. Esqueçamos então Édipo…”, sim porque Édipo já cansa…) não são exactamente o catálogo de uma exposição (serão antes a exposição do catálogo? Talvez), mas são o acompanhamento perfeito, simultâneo, de uma exposição comissariada por Derrida a pedido do Département des Arts Graphiques (F. Viatte e Régis Michel) do Louvre, “memórias” (inesquecíveis) aí mesmo apresentadas entre Outubro de 1990 e Janeiro de 1991.

1.
E se nos desviássemos até Wittgenstein, um tanto, diria ligeiramente, explorando introdutoriamente ao que aqui nos traz (a “cena de cego” como a origem do desenho, ou seja, do desenho e da pintura) algumas das contradições entre o “primeiro” e o “segundo” Wittgenstein? É uma hipótese que aqui quero, repito – quero (eu), colocar, e por ela começar. Lembremo-nos pois como termina o Tractatus Lógico-Philosophicus: “Acerca daquilo de que se não pode falar, tem que se ficar em silêncio” (6.54). Ora, cala-se a linguagem, fala a imagem? A visão? Vemos mais amplamente e melhor do que falamos? Sim. Ora, se sim, como lidamos com o facto de que na linguagem não deixa de existir uma imagem? Wittgenstein: “Estávamos presos a uma imagem. E dela não podíamos sair”, porquê?, pergunto eu, “porque ela própria estava na nossa linguagem” (das Investigações Filosóficas, 115). Kosuth viu bem que aqui residia um problema sobretudo estético quando decidiu disto fazer uma das bases do conceptualismo, criando uma “imagem de palavras” e dando razão a Derrida (por ligeira antecipação), quando em Memórias de Cego nos diz que a linguagem nos fala sempre da cegueira que a constitui (ed. Gulbenkian, p. 12 – as indicações de página referem-se sempre a esta edição).

JOSEPH KOSUTH. 115 (+216, After Augustine’s Confessions). 1990.

2.
Recapitulemos: então, que avista a visão? Algo além da linguagem? A imagem que reside na linguagem (como julgava Kosuth, mas tal nunca ele nos demonstrou cabalmente, logo a sua obra se queda em aberto e relativamente fracassada…)? Ou terão a visão e a linguagem, cada uma por si ou as duas ao mesmo tempo, de tactear o mundo? Eu quero partir daqui para o problema abordado por Derrida neste Memórias de cego. E porquê? Porque o “teatro das mãos” indica sempre uma forma de omnipresença da cegueira, como escrevo (e mostro) em baixo. Ora, se aqui digo omnipresença quero dizer que ela, a cegueira, está na base do desenho e da pintura (que não se distinguem, como também em baixo afirmei). Porque há em ambos (desenho, pintura) algo que é conduzido pelas mãos, pelo tacto, mesmo quando Duchamp dizia que, sintetizado por De Duve, a arte era qualquer coisa a que se punha o nome de “arte” e um título como sua “cor invisível”. Trata-se aqui de tactear o mundo, de pôr a palavra (e o desenho) ao serviço do tacto. É pois o toque que é essencial no desenho, e o toque é aquilo que a lucidez de Derrida permite que se veja em primeiro lugar: “Como o toque, a imposição das mãos orienta o desenho” (p. 16). O toque é pois aquilo que aquele que desenha ou pinta (ou faz um vídeo tacteando o mundo desse modo duplicado tecnologicamente) tem em comum com o cego, porque é igualmente cego, ou melhor, INVISUAL (o que é bem diferente).

3.
A propósito de Tobias curando o seu pai Tobite da cegueira, mostrei em post anterior que a visão ou visualidade é um ciclo fechado de cegueira, pois o que a cura de Tobias permite a Tobite não é ver, mas apenas ver Tobias, aquele que curou, aquele que devolveu a visão a seu pai: ver é, portanto, ver a própria visão, e nada mais (Livro de Tobias, XI, 1-18). E o cego que vê apenas a “visão” continua cego.

Então, porque é que há pintores, desenhadores e não-pintores ou não-desenhadores, apesar de Duchamp nos levar a crer que não, que a arte é “fazer não importa o quê” e, assim, coisa pertença de “todos” e ao alcance de todos? Se a arte fosse um “fazer não importa o quê”, teria razão Benjamin Buchloh quando criticava a arte conceptual dos anos 60/70, sem dúvida “filha de Duchamp”, por ser não mais do que um “processo administrativo/legislativo” (pois bastaria nomear ou legislar uma coisa, qualquer coisa arbitrariamente, como “arte”).

Mas, com efeito, há pintores e desenhadores e outros que o não são. Entretanto, aqui a resposta de Derrida parece ser dupla, ambígua, ambivalente. Ao mesmo tempo há eleitos (artistas?), e, por outro lado, não há, todos somos eleitos, pintores, desenhadores (sendo que o problema da escultura estava resolvido já por Roger de Piles, o defensor do colorismo de Rubens contra Félibien, o defensor de “desenhismo” de Poussin – creio eu que aqui de Piles aceita a existência de um “escultor cego” precisamente para reforçar a sua ideia de pintura como colorismo).

E quem são os eleitos? São os cegos que Deus castigou, testemunhos da fé – e este possuidor da fé bem poderia ser o pintor omnisciente. Derrida: “De cada vez que um castigo divino se abate sobre a vista para significar o mistério de uma eleição, o cego torna-se a testemunha da fé” (p. 115), ou seja, um artista, um mensageiro e um profeta, ou o pintor que teacteia (como Svetlana Alpers diz de Rembrandt, aquele que usa a luz, o claro-escuro atmosférico como uma forma de pôr o olhar a entrar nos espaços definidos pela pintura – que quase sempre ignora a perspectiva linear – tacteando planos, espaços e personagens, traçando desse modo um “caminho para o olhar”). Mas o cego é aquele que não vê a luz (porque cegou precisamente através da luz), mas não a vê porque ela também não existe (mas é a luz que faz a pintura – como se sai disto?).

A obra que exponencia este problema é a Conversão de S. Paulo, Caravaggio, a tela que está em Santa Maria del Popolo (Roma). Paulo está no chão, cego e de braços abertos, mas, meu deus, onde está a luz que o cega? (Actos dos Apóstolos, IX, 1-8: “E levantou-se Saulo da terra, e abrindo seus olhos, não via a ninguém. E guiando-o pela mão, levaram-no a Damasco”, onde Paulo ia precisamente para perseguir cristãos). Nesta versão da Conversão, Caravaggio opta por uma luz quase uniforme em todo o quadro, ou seja, nem aqui há luz nem…. deus.

Segue aqui Caravaggio a profecia de Isaías que Cristo conta a uma multidão, surpreendendo os seus discípulos que lhe perguntam, porque fala à multidão por parábolas? Eis a resposta que interessa a Derrida: falo-lhes em parábolas “para que vendo, não vejam, e ouvindo não ouçam nem tampouco entendam” (Mateus, XIII, 13).

CARAVAGGIO. Conversão de S. Paulo. 1600-1601.

4.
O eleito parece pois ser aquele que já se despediu da visão. Quem? O pintor.  Mas no final do Memórias de Cego, Derrida avança outra hipótese: não há eleitos, somos todos eleitos, porque aos olhos de todos se juntam e deles jorram as lágrimas de todos. Derrida: “No fundo, no fundo do olho, este não seria destinado a ver mas a chorar” (p. 130). Ora, as lágrimas são a essência do olho, algo que diz respeito ao humano e a mais ninguém, pois só o humano sabe chorar. Derrida: “A essência do olho é o próprio do homem. Contrariamente ao que se crê saber, o melhor ponto de vista (…) é um ponto fonte e um ponto de água – vem a ser as lágrimas”. Estas obscurecem, podem enevoar um pouco, mas revelam: “A cegueira apocalíptica, a que revela a própria verdade dos olhos, seria o olhar velado de lágrimas” (p. 130).

E é esta cegueira que nos faz ver o que nada tem a ver com a visão. Como alguém dizia: perdendo a vista, o homem começa a pensar os olhos.

E é isto a pintura. Apenas. (E perdão se não me fiz entender.)

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25 Responses to MAIS 4 PONTOS PARA CONTINUARMOS A COMPREENDER A INVISUALIDADE DA PINTURA

  1. |«»| diz:

    Adorei (começar) a ler isto, Msr. le Professeur. Terei que ler este post com + atenção à noite acompanhado de um chazinho “mistura” + biscoitinhos de erva doce. Afinal parece que Derrida tinha algo de pertinente a dizer. Bem me parecia. O seu temperamento é o seu maior inimigo.

    Parabéns por um excelente post, Vidal.

  2. eu vi logo que o Vidal Radical é dos que fala muito mas depois percebe muito é de pintura.

    Tá bem abelha…..

  3. Carlos Vidal diz:

    A. Cunha, o anticomunista primário, mas genuíno (prefiro-os aos anticomunistas snobs, que os conheço infelizmente também bem, da blogosfera e não só), você conhece muita gente que não saiba mais ou menos muito pelo menos de uma coisa, uma só coisa que seja? V. só conhece médicos de clínica geral??

  4. |«»| diz:

    Vidal a dissertar sobre o snobismo.

    Eu, que não sou snob e que sempre tive o prazer de bater com ambas as patas em snobs (anti snob primário, moi), interrogo-me acerca do seguinte:

    o que significará isto: “você conhece muita gente que não saiba mais ou menos muito pelo menos de uma coisa…”

    O snob é um labirinto. Uma dispersão labirintinista de significados que não podem ser facilmente interpretados ou compreendidos. Esta é a condição da possibilidade do snob: ele ou ela tem que inventar um vocabulário próprio, quase indecifrável…inacessível aos restantes mortais…e é esta inacessibilidade, tão artificial quão patética, que mais tarde é invocada na legitimação do snobismo: como não pode V Exa compreender isto!?!!?

    O snob é, na realidade, um imbecil inseguro.

  5. |«»| diz:

    Vidal,

    Não interprete mal o que escrevi. V. Exa não é um snob. Se o fosse, jamais teria publicado os meus comentários. Estava a brincar consigo.

  6. |«»| diz:

    ah, bolas, a palavra que procurava era labiríntica (como não a encontrei na minha misera meloa, optei pelo neolog labirintinista…ui ui)

  7. Carlos Vidal diz:

    Caríssimo |«»|, bela sigla, aliás,

    Não se preocupe com o que diz pois estamos a conversar sobre temas que me tocam, digamos, me interessam.
    Gosto da sua definição de snob: “o snob é um imbecil inseguro”, e digo-lhe mais: não direi que dessa água não beberei. Como poderia fazê-lo. Não digo que sim nem que não, tenho de deixar isso aos outros, a si nomeadamente, comentador inteligentemente provocador. Mas a definição é pertinente e pode encaixar em muitos de nós, não digo em quem, não desdigo em quem.
    Mais a sério, interpretou mal a minha frase de que todos nós podemos saber (sabemos) MAIS OU MENOS muito de pelo menos uma coisa.
    Vamos lá a ver, não sei se é o meu caso, mas sei que pelo menos uma coisa tacteio muito (assim dito, talvez para ir ao encontro do post, quem sabe?).

  8. Carlos Vidal diz:

    [Deixe estar “labirintinista”, e não a troque por labiríntica – a primeira palavra designa uma militância num “ismo”, designa um “ista”, um desejo de se perder em labirintos, á maneira de W. Benjamin; a segunda palavra designa de forma neutra algo que existe como é – apenas. A primeira é mais rica e faz todo o sentido. Cumps.]

  9. Gostei muito do artigo, copy/pastei-o para o ler mais tarde e com (muito) mais atenção, Carlos Vidal .

    🙂

    A propósito dos comments, não resisto a linkar o que fica abaixo, un vieux ami à moi: (não o autor, mas o cantor…)

  10. continuamos no mundo das hipóteses, portanto.
    É sabido que a prevalência do desenho está associado à razão em oposição à côr associado aos sentimentos sendo o grande Caravaggio no entender de R. De Piles um colorista e não um desenhista (16 – 6).
    Quanto aos omni isto e aquilo “ut pictura rhetorica divina”, e vanitas, “por que não é lícito atribuir a Deus qualquer figura visível, e por que todos os que recorrem a imagens se revoltam contra o verdadeiro Deus”.
    João Calvino, 1559.
    Ousar torcer, ousar levar.

    • Carlos Vidal diz:

      E, curiosamente, de Piles nem apreciava muito nem Caravaggio nem Poussin (aquele que tornou o desenho o denominador comun à pintura e à escultura, pois pintava sempre a partir de modelos que moldava à mão e que descreviam toda a cena, portanto, pintava a partir de “esculturas”).

  11. |«»| diz:

    Lisonjeado pela referência a Benjamin. É dos poucos que releio de quando em quando, sempre que o azul reaparece.

  12. O boneco seria este:The story of Doubting Thomas (John 20:24-30) is sometimes taken as evidence of the fideistic nature of Christianity. When told by his fellow disciples that Jesus has returned from the grave, Thomas replies: “Except I shall see in his hands the print of the nails, and put my finger into the print of the nails, and thrust my hand into his side, I will not believe.” When Jesus finally shows up and Thomas is convinced, Jesus rebukes him, saying “Because thou hast seen me, thou hast believed: blessed are they that have not seen, and yet have believed.” On a popular interpretation, Thomas is someone who refuses to believe without evidence, and the meaning of Jesus’s rebuke is that Thomas ought simply to have believed, evidence or no.
    Evidente, não?

  13. miguel serras pereira diz:

    A luz é cega; o pensamento, que nasce ou acontece na sua sombra, transformando o seu sofrer a luz em acto de visão, procura não a luz, mas dentro e fora parte dela o reverso inúmero que lhe é imanente, o magma do seu fundo sem-fundo; o gesto, no avesso carnal interior ao pensamento, faz-se e faz ser acontecimento irredutível aos seus antecedentes: consuma a criação. Não sei se é bem isto, mas arrisco assim. Para recomeçar a pensar enquanto leio o escrito – por uma vez, mas já não era sem tempo – lá em cima.

    msp

    • Carlos Vidal diz:

      A luz é cega, a luz cega e é um interdito, de Platão (“República”, Livro VII, os que saem da caverna têm de sair “gradualmente”) a Bataille; é cega, provoca cegueira e é interdita. É o tema da cura de Tobias: o seu pai Tobite aquilo que vê pela primeira vez é Tobias, a fonte da visão, a própria visão. Não podemos considerar, assim, que Tobite “veja”.
      Cito de um texto meu (com algumas alterações): nos quatro textos que no segundo volume das “Obras Completas” são apresentados como «Dossier de l’oeil pinéal», Bataille refere-se ao fracasso das figuras míticas que pretenderam alcançar o sol (Prometeu e Ícaro), e ainda à diferença de “atitude” entre os símios e os homens em torno desta impossibilidade. Nos símios desenvolveu-se um ânus pleno de cores, o verdadeiro olho com que podem enfrentar o sol; nos homens deveria desenvolver-se a chamada glândula pineal, onde, por exemplo, Descartes chegou a albergar a alma. Mas esse projecto não foi concluído pelo mundo biológico. Então, para Bataille, o sol tinha duas facetas: a iluminante e a destrutiva (das asas de Ícaro), aquilo que ilumina e o que cega. Em Derrida, igualmente, esta metáfora solar ou heliotrópica é uma impossibilidade, sobretudo quando, paradoxalmente, abandonamos a obscuridade. Acontece exactamente o mesmo com a luz na pintura: ela existe para gerar a pintura; uma vez terminada a pintura, desaparece a luz que a fez nascer (transformou-se em “quadro” ou, como no Renascimento, em “janela”).

  14. Ana Alpha-beta diz:

    Caro, caríssimo Mestre,

    Muito eu gosto de ler estes seus posts.
    Sabe-me tão bem aqui do outro lado mundo.

    (É uma pena eu nunca acertar no temas do CV! O CV é como Cristo e eu como os discípulos; “para que vendo, não vejam, e ouvindo não ouçam nem tampouco entendam” (Mateus, XIII, 13).
    Está bem!

    Ah, mas em compensação, o “outro” (o das vénias) acerta sempre… Vai sempre direitinho à “mouche”…, salvo seja, e paz à sua alma…

    Ah e CV, fez-se entender, sim, parabolicamente falando…

    Cumprimentos para si, muitos cumprimentos sempre, sempre

  15. Ana Alpha-beta diz:

    Parabolicamente
    = parábola
    = parabólica

    • Carlos Vidal diz:

      Ana Alpha, quando pára de encher estas caixas de verbo para nada.
      Quem é o “outro”?
      Quem está interessado nisso?

  16. A Verdade e Ela

    A Verdade visitava os homens; sem roupas e sem adornos, tão nua quanto o seu nome. E todos os que a viam viravam-lhe as costas de vergonha ou de medo e ninguém lhe dava as boas vindas.

    Assim a Verdade percorria os confins da Terra, rejeitada e desprezada.
    Numa tarde, muito desolada e triste, encontrou Ela que passeava alegremente, num traje belo e muito colorido.
    – Verdade, porque estás tão abatida? – perguntou Ela.
    – Porque devo ser muito feia já que os homens me evitam tanto!
    – Que disparate – riu Ela – não é por isso que os homens te evitam. Toma, veste algumas das minhas roupas e vê o que acontece.
    Então a Verdade pôs algumas das lindas vestes d’Ela e, de repente, por toda a parte onde passava era bem vinda.

    Então Ela falou:
    – A verdade é que os homens não gostam de encarar a Verdade nua; eles preferem-na disfarçada!

  17. E o Elefante de fato de Jeans completo talvez seja um crítico ainda maior, não se lhe pode é tocar em Religião, Arte e Intersubjectividades, um fã da intuição da matéria, prefiro o outro, mais solitário ainda.

  18. Verdade diz:

    Caro CV,
    Quando pára de me tentar impingir o seu : 5 o’clock tea?? Well you were a bit late this time…(6 de Novembro de 2010 at 17:53).
    Que nececisidade de dar chá de óleo de fígado de bacalhau.
    Caraças, que moralista!!!
    Hombre, que eres muy aburrido, tan aburrido!Como es possible?. Debias estar cantando: “Grácias a la vida que me ha dado tanto…” E rir e apreciar o que há de bom na vida?? Nada? Zero?
    É tudo fel?? (Que miserabilista!)
    Ainda não percebeu que o fel é seu? (Mora na sua alma.Merece-o todinho! Eu se fosse a si divorciava-me de si próprio (aproveite que o nosso querido Sócrates tornou o divórcio fácil…) Como aguenta viver consigo próprio?? E todos os dias?? (Às vezes até faz dó! Tanto fel!).
    Que moralista!!!
    (O CV recorda-me as “monjas” de Cluny, a quem eu fiz cabelos brancos e a vida negra. Paz às alminhas delas!)

    Eu paro de lhe encher as caixas de verbo quando me apetecer, i. e. quando me cansar. Descanse! Não se preocupe!
    O estimado CV despeja as ditas caixas de comentários sempre que apetecer. (E eu ralada…)
    Vou-me divirto-me bués de maningue e mereço!

    É tão simples, cego.
    Apoquenta-se tanto para nada.
    Abrrre olllhoooo, ó ceguinho/invisual.

    Cumprimentos Mr Verde (Ó para a sua foto: :mrgreen: giraço, q.b. mas tão verdinho)

    • Carlos Vidal diz:

      [ Qué isto, Ana Alpha?????????????
      E se fosse matar saudades de portugal para um sítio queu cá sei?????????
      Ou melhor, pra outro sítio queu cá sei???????? ]

  19. Ana Alpha-beta diz:

    Olá Mestre,
    Por que razão publica os meus comentários,CV?
    Por que não “lhes” despeja de imediato????????
    Por que motivo “me dá-me” troco????????????

    Infelizmente para si, eu vou-lhe achando graça. O mestre e artista é inédito. Exótico. Excêntrico.
    Para além de eu subscrever muitas das suas corrosivas críticas aos “nossos amados líderes da pátria”, dou valor à sua coragem.
    Gosto de todos os posts sobre arte.
    E a acrescer a tudo isto, acho-lhe piada, a si, e ao outro, ao das vénias.

    Estou numa boa onda, divertida, mas tudo indica que a minha onda é incompatível com a sua. Por isso mesmo, ainda acho mais graça!

    Ó meu caro, a vida já tem problemas tão dramáticos… Não ganhe cabelos brancos com o que não tem relevância, sou apenas uma Ana Alpha-beta que anda pelos confins do mundo, sempre, sempre à luta por dias melhores, mas com riso fácil (é o que me vai safando e dando alento, um pouco de sentido de humor…)

    Tenho ido ao Skype, sim, matar saudades, daqueles de quem tenho verdadeiras saudades. E, por enquanto, não tenciono ir outro lado. O Skype está a ser o mais eficaz. Aceito conselhos seus de ir para outros lados, mas só se for para melhor… “Para melhor: Está bem! Está bem! Para pior já basta assim!” (lembra-se da cantiga?)

    Vá, não se desgaste comigo. Deite no lixo. “Bote” tudo no lixo, valente! (Divirto-me, CV. A vida não tem que ser cinzenta!)

    Entrementes, neste país enfeitiçado tive uma visão-invisual: Apareceu-me Caravaggio, lindo de morrer, envolto numa luz nua e crua, assim como só um pintor/artista/invisual sabe representar (ao estilo da Conversão de S.Paulo) e disse-me claramente numa voz do além, numa voz inequívoca de milagre (não sabe como é??? Eu sei! Semelhante à de Pavarotti ou Plácido Domingo, ao som das teclas de Harrowitz): “Antes do Natal vou fazer de um Mestre, Doutor”.
    Cumpra-se a Palavra do Senhor! Oremos, Irmãos!

    Cumprimentos e saudações revolucionárias e já agora saudações místicas também,
    Ana Alpha-beta (Destravada e divertida)

  20. Com os bens dos pobres serve-se aos olhares dos ricos. Os curiosos encontram com que deleitar-se e os miseráveis não encontram com que sustentar-se (…) Muitas vezes cospe-se na figura dum anjo, muitas vezes ferem a face dos santos os calcanhares dos transeuntes (…)

    Porque decoras o que logo sujas? Porque pintas o que se deve calcar? Que valem aí essas bonitas imagens, onde tão freqüentemente se enchem de pó? Por último, que vale isso para os pobres, para os monges, para a gente espiritual? (XII.28)

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