Quanto vos pagam para fazer isso?

Enquanto os carros blindados para a cimeira da NATO passam a carros com protecção balística… lembro-me desta canção que ouvi a semana passada em Montreuil:

Ho je n’oublierai pas devant nous les casqués,
Les fusils lance-grenades, et les grands boucliers,
Tout ça pour nous forcer quand nous n’avions pour nous
Que nos poings, le bon droit, et puis quelques cailloux.
D’abord on s’avançait en frappant dans les mains,
Y en avait parmi eux, de vrais têtes de gamins,
Les regards s’affrontaient, face à face, de tout près,
Eux devaient la boucler, nous pas et on chantait

Allez les gars, combien on vous paye, combien on vous paye pour faire ça ?
Allez les gars, combien on vous paye, combien on vous paye pour faire ça ?

Combien ça vaut, quel est le prix
De te faire détester ainsi
Par tous ces gens qu’tu connais pas,
Qui sans ça n’auraient rien contr’ toi ?
Tu sais, nous on est pas méchants,
On ne grenade pas les enfants.
On nous attaque, on se défend,
Désolé si c’est toi qui prend.

Allez les gars, combien on vous paye, combien on vous paye pour faire ça ?
Allez les gars, combien on vous paye, combien on vous paye pour faire ça ?

Pense que ceux pour qui tu travailles,
Qu’on voit jamais dans la bataille,
Pendant qu’tu encaisses des cailloux,
Empain, Schneider ramassent les sous.
Avoue franchement qu’c’est quand même pas
La vie qu’t’avais rêvée pour toi :
Cogner des gens pour faire tes heures.
T’aurais mieux fait d’rester chômeur.

Allez les gars, combien on vous paye, combien on vous paye pour faire ça ?
Allez les gars, combien on vous paye, combien on vous paye pour faire ça ?

Je ne me fais guère d’illusions
Sur la portée de cette chanson.
Je sais qu’tu vas pas hésiter
Dans deux minutes à m’castagner.
Je sais qu’tu vas pas hésiter,
T’es bien dressé, baratiné,
Mais au moins j’aurai essayé,
Avant les bosses, de te causer.

Allez les gars, combien on vous paye, combien on vous paye pour faire ça ?
Allez les gars, combien on vous paye, combien on vous paye pour faire ça ?

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28 respostas a Quanto vos pagam para fazer isso?

  1. Leo diz:

    Activismo fragmentado

    O objectivo das elites corporativas tem sido fragmentar o movimento popular num enorme mosaico “faça você mesmo”. A guerra e a globalização já não estão na linha da frente do activismo da sociedade civil. O activismo tem tendência para se fragmentar. Não há um movimento anti-guerra e anti-globalização integrado. A crise económica não está a ser vista como tendo uma relação com a guerra liderada pelos EU.

    A dissidência foi compartimentalizada. São encorajados e generosamente financiados movimentos de protesto separados “orientados por assuntos” (por ex. ambiente, antiglobalização, paz, direitos das mulheres, alteração climática), em oposição a um movimento de massas coeso. Este mosaico já era prevalecente na manifestação contra as cimeiras G7 e nas Cimeiras Populares dos anos 90.

    Leia aqui o resto texto de Michel Chossudovsky, “A fabricação da dissidência”:

    http://resistir.info/chossudovsky/comunicacao_serpa.html

    • LAM diz:

      Resta saber se isso é uma coisa má, como parece apontar o seu texto, ou se é uma coisa boa dada a relativa falência dos movimentos de massas mais tradicionais. Muito do desenvolvimento dos movimentos de contestação na América Latina, por exemplo, têm tido a génese nessas formas mais fragmentadas de intervenção. Na Europa, um pouco por todo o lado, vai-se passando isso também. A recente contestação em França às medidas do Sarkosy, curiosamente, aconteceram num país da Europa em que a percentagem de sindicalizados é das mais baixas. Ou seja, provavelmente com os espartilhos ideológico-burocráticos de que padecem a maioria das organizações unitárias “de massas”, a pulverização da contestação por grupos “orientados por assuntos” como diz, a luta não só atingiu maiores proporções como obrigou as estruturas sindicais (e não só) mais burocráticas a acompanhar a luta.

      • Leo diz:

        Mas o seu objectivo é o desenvolvimento dos movimentos de contestação na América Latina? Penso que os povos da América Latina – como os povos europeus – o que pretendem é o desenvolvimento das suas condições de vida. E a maior parte deles estão a conseguir elegendo partidos progressistas que têm governado a favor dos mais desfavorecidos e pelo desenvolvimento económico. È o caso da Bolívia, Equador, Venezuela, Brasil, Argentina e muitos outros, por exemplo.

        E não entendo porque tem sempre de ir buscar exemplos ao estrangeiro, mesmo nos casos das manifestações. Por cá temos tido um forte movimento reivindicativo dinamizado por sindicatos de classe. E são estes mesmos sindicatos de classe que continuam a dinamizar as lutas. Porque é que oculta esta realidade?

        • LAM diz:

          Leo, eu não oculto nada, antes pelo contrário. Aliás os exemplos que cita sobre a América Latina (que não é o nosso caso nem eu disse que era), sublinham o que eu digo acima.
          O que digo é que, provavelmente (provavelmente, repito, porque nem sou bruxo nem tenho a verdade à mão de uma qualquer resolução política a dizer que é assim), também aqui na Europa como referi, esses movimentos “menos integrados” (chamemos assim), terão hoje em dia um papel mais relevante na luta política, principalmente quando ela aquece, do que algumas estruturas sindicais anquilosadas, e muitas vezes co-responsáveis pela actual situação (isso seria outra discussão e só aqui havia pano para mangas). A perda de influência dos sindicatos ou a sua transformação em agências de viagens ou ATLs para adultos, não será alheia a isso. E não adianta falar em passados gloriosos quando a actualidade mostra diferente, não se vive com isso.

          Isto, note-se, não retira qualquer papel aos sindicatos nem os menoriza em qualquer processo de luta por melhores dias. Mas se queremos mudar alguma coisa também convém saber, os sindicatos e outras estruturas organizadas aprenderem a conviver, com outras formas de organização, resistência e luta.
          Não há patrões da luta dos trabalhadores, nem velhos nem novos.

          • Leo diz:

            “esses movimentos “menos integrados” (chamemos assim), terão hoje em dia um papel mais relevante na luta política, principalmente quando ela aquece, do que algumas estruturas sindicais anquilosadas”????

            Como qualquer um pode constatar com o que se passa em França, Grécia, Espanha e Portugal foram os sindicatos que tomaram a iniciativa da luta e a iniciativa do esclarecimento e da mobilização para a luta e são os sindicatos que continuam a dirigir a luta. Sempre houve e sempre haverá outros extractos da população a apoiar a luta dos trabalhadores – reformados, jovens, desempregados, micro e pequenos empresários – e muitos até se juntam à luta. Outros, como por cá já se topa, verbalizam apoio à luta mas na realidade ficam de fora e assim obtém o resultado de impedir outros de participar na luta. É o caso da festarola no Camões neste Sábado.

  2. Diana Dionísio, um pouco ao lado, mas também tem a ver com transportes e pouca vergonha, estava no mail, proveniente de um dos meus primos, capax de ser verdade…

    A medidazita que faltou
    DN 2010-09-30

    Ele é vogal de uma dessas entidades reguladoras portuguesas – insisto, não é ministro de país rico, é um vogal de entidade reguladora de país pobre – e foi de Lisboa ao Porto a uma reunião.

    Foi de avião, o que nem me parece um exagero, embora seja pago pelos meus impostos.

    Se ele tem uma função pública é bom que gaste o que é eficaz para a exercer bem: ir de avião é rápido e pode ser económico. Chegado ao Aeroporto de Sá Carneiro, o homem telefonou: “Onde está, sr. Martins?” O Martins é o motorista, saiu mais cedo de Lisboa para estar a horas em Pedras Rubras.

    O vogal da entidade reguladora não suporta a auto-estrada A1.

    O Martins foi levar o senhor doutor à reunião, esperou por ele, levou-o às compras porque a Baixa portuense é complicada, e foi depositá-lo de volta a Pedras Rubras.
    O Martins e o nosso carro regressaram pela auto-estrada a Lisboa. O vogal fez contas pelo relógio e concluiu que o Martins não estaria a tempo na Portela.

    Encolheu os ombros e regressou a casa de táxi, o que também detestava, mas há dias em que se tem de fazer sacrifícios.

    Na sua crónica nesta edição do DN, o meu camarada Jorge Fiel diz que o Estado tem 28 793 automóveis.
    Nunca perceberei por que razão os políticos não sabem apresentar medidas duras. Sócrates, ontem, ter-me-ia convencido se tivesse também anunciado que o Estado passou a ter 28 792 automóveis.

    Ora aqui está um rapaz com pintarola! Eu só acho que deveria ter enviado a caneta de tinta permanente por combóio Alfa, para não haver perigo de borrar a camisa no avião.

    pam

  3. helder diz:

    O governo já veio dizer que os “blindados” não são para a cimeira. Estou com a esperança que sejam para entrar pela motaengil adentro.

  4. Leo diz:

    Não faça dos profissionais das forças de segurança o “inimigo”, Diana. Em todas as manifestações onde tenho participado – e já lá vão muitas! – eles comportaram-se sempre com profissionalismo.

    Saibamos nós os manifestantes comportarmos com o habitual civismo. Exuberância, entusiasmo, alegria, determinação, combatividade, sim. E civismo sempre.

    • helder diz:

      O Leo, tens-te andado a baldar ás manifs de certeza.

      (a Ponte, Leo a Ponte) e sempre que os trabalhadores se manifestam á porta das fabricas para impedir os patrões de roubarem equipamentos têm sido de um profissionalismo a toda a prova.
      É possivel que tenhamos algum desentendimento acerca do que é “profissão”.

      • Leo diz:

        Sim, nessa da Ponte – já lá vão uns anitos – tomei o pequeno-almoço por volta das 19 horas.

        Por acaso na altura morava no Pragal, apanhava o autocarro na ponte e claro que quando lá cheguei estava o circo montado e por lá fiquei nas correrias até que às 19h00 deu um salto a casa para comer qualquer coisa e voltar.

        E não chamaria manifestação às concentrações frente às empresas ou à vigílias. Nem sequer aos piquetes de greve. Também participei nalgumas e nem é dos polícias que tenho mais razões de queixa.

        Nas manifestações propriamente ditas não tenho nenhuma razão de queixa dos polícias, pelo contrário, testemunho que se portaram como verdadeiros profissionais.

        • helder diz:

          Nessa da Ponte , a zelosa policia, deixou um gajo de cadeira de rodas. Acho que lhe deram com o “profissionalismo” na espinal medula.

          • Leo diz:

            Eu sei estive lá. Uns foram mais lestos a fugir que outros. E aquilo nunca foi nenhuma manifestação. E a conversa era sobre manifestações, certo?

    • Diana Dionísio diz:

      • Youri Paiva diz:

        Então que raio é uma manifestação? Só o é quando convocada por sindicatos e os polícias não batem em ninguém?

  5. Não sei bem como é onde vcs. vivem, aqui na minha aldeia a Guarda N.R. (fica a 4,5 kms) são das pessoas mais civilizadas que alguma vex conheci.
    Novos, tudo com 12º ano mínimo, alguns a tirar Direito, disciplinadíssimos, delicadíssimos e fazem o que tem que ser feito, sem má-educação ou agredir a despropósito ninguém.

    (Só tenho dúvidas sobre saber se as Walther PPK — arma de oficial alemão, WWII — que eles têm à cintura disparam mesmo ou é só decoração.
    Eles dixem que sim, mas isso é a sua — deles — obrigação).
    Eles e elas (sim, também há elas).
    Claro, a minha experiência é limitada a isto aqui, e eu não tomo a nuvem por Juno, deve haver imbecis e f.d.p.’s em todo o lado.
    Felixmente que aqui não.

    🙂

    • LAM diz:

      “deve haver imbecis e f.d.p.’s em todo o lado.”

      Claro que há. Tente visitar alguns fóruns na net (não, não deixo links), de PSPs e GNRs, GOEs etc, e é ver o que por lá vai sendo dito…

  6. Abilio Rosa diz:

    Não tenho dúvidas que há determinadas organizações ligadas aos países da NATO que pagam a grupos anarquistas e inorgânicos para montarem festa e arraial às portas das cimeiras da NATO, para criar um clima propício à politica expansiva e ofensiva da NATO.

    Apelo aos meus camaradas comunistas para que não ponham um pé nessas manifestações contra a NATO.

    É uma parvoíce. É contraproducedente. E só vai dar trunfos aos extremistas que utilizam a NATO como seu escudo.
    Um dia (não está muito distante…), quando o PCP, ascender ao poder em Portugal, nessa altura, qual vai ser a atitude de Portugal?

    E se um belo dia os extremistas islâmicos ou o Reino anti-democrático de Marrocos quiser invadir Portugal?

    E se o Reino de Espanha, dos Bourbons, quiser invadir as nossas águas territoriais, como já fizeram nas Ilhas Selvajens, como é que vamos combater? Com cacilheiros?

    Abram os olhos, meus amigos. A terra é redonda…

    • Leo diz:

      “quando o PCP, ascender ao poder em Portugal, nessa altura, qual vai ser a atitude de Portugal?”

      Espero que seja a mesma de hoje: propor, no respeito pela alínea 2 do Artigo 7.º da nossa querida Constituição da República: – “Portugal preconiza a abolição do imperialismo, do colonialismo e de quaisquer outras formas de agressão, domínio e exploração nas relações entre os povos, bem como o desarmamento geral, simultâneo e controlado, a dissolução dos blocos político-militares e o estabelecimento de um sistema de segurança colectiva, com vista à criação de uma ordem internacional capaz de assegurar a paz e a justiça nas relações entre os povos – a dissolução da NATO.

      E não tenha medo, Abílio. Venha no dia 20, às 15 horas, descer a Avenida da Liberdade numa grande manifestação, Pela PAZ e Contra a NATO.

      • Abilio Rosa diz:

        Camarada Leo:

        O camarada Abílio não vai descer a Avenida e não vai fazer o jogo dos imperialistas.
        Não sou lírico nem acredito que um dia os povos vão viver todos irmanados como as Testemunhas de Jeová anunciam.
        Enquanto houver Humanidade vai haver lutas e contradições.
        O que eu pretendo é que a sociedade evolua para um novo estádio de civilização, mas como isso não se faz sem esforço, luta e perseverança, é óbvio que não poderemos desguarnecer as nossas costas.
        Seria como votar no Alegre. Não acredito na retórica balofa nem em poesia utópica.
        Como diria Lenine, um estratega na luta, temos que estar sempre preparados para dar um passo em frente e às vezes dois para trás.
        Olhe que andar para trás às vezes salva o nosso exército e as nossas ideias.

        • Leo diz:

          “O que eu pretendo é que a sociedade evolua para um novo estádio de civilização”

          Qualquer pessoa minimamente decente pretende isso. Acontece que a NATO e as suas bombas atómicas podem dum momento para o outro pura e simplesmente desencadear uma guerra e acabar com a civilização.

          Dimitrov tem razão: não basta querer a paz, há que lutar pela paz.

  7. Niet diz:

    Oh.Deuses, como é que isto é possível? Dizer bem das forças repressivas e acalentar promessas de pacifismo… Quem me ajuda a perceber? Como tudo isto é possível? Traça-se,assim, uma vingância terrível contra o movimento popular e os trabalhadores: criar ilusões sobre o pacifismo/lealismo das forças repressivas.Alimentar essas atoardas é prova provada de profunda crise de identidade. Em França, com mais de 200 e tal manifs. a cobrirem todo o território, nas últimas semanas, a polícia de choque não desarma apesar do esforço tremendo a que é sujeita, e a população sabe muito bem que tem que estar alerta para impedir o irremediável como o produzido pelas balas de flash-ball contra liceal na banlieu de Paris, Montreuil, ou os tiros assassinos da polícia com de balas reais em Grenoble…Niet

    • LAM diz:

      Pois é, Niet. A coisa começou logo a descambar quando, já há muitos anos, começaram a chamar às manifestações, “desfiles”. Deixou de haver manifestação de trabalhadores, passou a haver “desfile” de trabalhadores, coisa bonita, carnavalesca.

  8. Leo diz:

    Dizer bem das forças repressivas? Eu limito-me a dar o meu testemunho sobre o profissionalismo das forças de segurança portuguesa.

    E confio que o civismo vai reinar na grande manifestação Paz Sim, NATO Não no dia 2o em Lisboa, às 15 horas, no Marquês de pombal. E que, como habitualmente, seremos acompanhados por elementos das nossas forças de segurança.

  9. Leo diz:

    Desde que foi conhecida a disponibilidade das autoridades portuguesas para receberem a cimeira da NATO em 2010 (a mesma que demonstraram para receber a cimeira das Lajes, que determinou a invasão do Iraque pela coligação EUA-Inglaterra-Espanha), que o movimento da paz se mobilizou.

    Nasceu assim, em Janeiro deste ano, a Campanha “Paz Sim! NATO Não!”, em torno de questões essenciais: a manifestação de repúdio pela realização da cimeira da NATO em Portugal; a exigência de retirada das tropas nacionais de missões da NATO; o fim das bases militares estrangeiras e das instalações da NATO no país; a recusa da transformação da União Europeia em pilar europeu da NATO; a exigência do desarmamento, do fim das armas nucleares e de destruição maciça e da dissolução da NATO.

    Em torno destas causas, a Campanha rapidamente alargou a sua influência a vários sectores, reunindo actualmente mais de uma centena de organizações nacionais (entre as quais se contam o CPPC, a CGTP-IN e o PCP). Entre as ações realizadas, destaca-se a petição que recolheu 13 mil assinaturas e que foi já debatida na Assembleia da República, obrigando PS, PSD e CDS a assumirem as suas posições em defesa das guerras e ocupações e da corrida aos armamentos.

    A manifestação de dia 20 de Novembro, que começa às 15 horas, entre o Marquês de Pombal e os Restauradores, em Lisboa, estou ciente que pela sua dimensão e significado, entrará na história da luta pela paz em Portugal.

  10. Sorry… acho mais fácil um camelo passar pelo buraco de uma agulha do que … o PCP, ascender ao poder em Portugal…

    Nem que isto se chamasse Itália, o PCP se chamasse PCI, e em vex do ‘Gerónimo’ (e do “vosso” nóvel Lopes) estivesse lá o Enrico Berlinguer, esse “tradittore”, pois…

    😛

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