É urgente que deixemos de ser governados por representantes da banca

Este post é recorrente.
Mais uma notícia que dá conta que a banca nacional aumenta os seus lucros. Dizem-nos que  são os seus fantásticos investimentos no estrangeiro e, desta feita, um ligeiro aumento das “margens” e comissões.
Não há volta a dar, a banca é o princípio e o fim da crise que vivemos e, como se constata, acumulam alegremente as suas mais valias.
Nos EUA, a classe média abandona as suas casas e devolve-a aos bancos. Apesar da tragédia, os bancos não amainam a gula, conseguindo que o Senado aprove uma lei que tornará mais fácil os despejos – por enquanto, vetada por Obama.
Entretanto, por cá, caminhamos no mesmo sentido. No OE2011, 90% do esforço de contenção é feito através da redução dos salários, do aumento dos impostos e da diminuição das prestações sociais, no valor somado de 5.200 milhões de euros – conforme Jerónimo de Sousa aqui refere. À banca, no máximo dos máximos, é pedido 150 milhões de euros, ou seja, os lucros de três dias por mês.

Este artigo foi publicado em cinco dias. Bookmark o permalink.

10 respostas a É urgente que deixemos de ser governados por representantes da banca

  1. Leo diz:

    Dessa intervenção do Jerónimo que o Tiago sublinha, destaco este excerto:

    “Na verdade é preciso que se saiba que os mercados têm bilhete de identidade. São nomeadamente os bancos, da Alemanha, da França e da Holanda. A especulação sobre a dívida pública, com as taxas de juro de agiotagem que estão a praticar acabavam de imediato se estes bancos não tivessem a conivência dos governos das grandes potências ou se o Banco Central Europeu tivesse outra política.

    Admitiu-se que o Banco Central Europeu, naquilo que chamaram medidas não convencionais, conceda créditos a 1% apresentando estes como “garantia” a dívida dos respectivos Estados. E que estes bancos, por sua vez concedam crédito aos Estados a 4, 5 e 6%! Vão buscá-lo a 1% e emprestam-no a 4, 5, 6%. O que é isto senão agiotagem e da mais pura? Onde é que está então a solidariedade europeia e o famoso princípio da “coesão económica e social”? E perante isto o que faz a Comissão e o presidente da Comissão Europeia que por acaso até é português? Ajudam à chantagem sobre o nosso país, como fez Durão Barroso ao reafirmar que este Orçamento tem que ser aprovado!

    O que se está a passar com a Grécia, Irlanda, Portugal e Espanha é um processo de clara rapina, um processo de neocolonialismo, é a agiotagem ao serviço do capital financeiro, europeu e nacional. A agiotagem com a cobertura do directório das grandes potências e do presidente da Comissão Europeia. Agora é sobre o défice orçamental e amanhã perante a recessão a que nos vai levar este Orçamento, será sobre a falta do crescimento económico. E tudo isto vem dos países que mais têm ganho com o Euro e com o mercado único, como é o caso da Alemanha que agora com a arrogância de grande potência já nem disfarça a dominação e pretende exigir mais sanções para os chamados “Estados faltosos”, rever tratados, impor o seu governo económico dito europeu com novas ameaças à soberania nacional.

    Quando se tratou de ir em socorro dos banqueiros, de Barroso a Sócrates, de Merkel a Cavaco Silva, de Passos Coelho a Teixeira dos Santos, nenhum pôs em causa o défice, nem a despesa pública, pelo contrário, todos incitaram e aplaudiram que se usassem os dinheiros públicos como é exemplo claro o escândalo do BPN. Depois de se entregarem milhões dos impostos de quem trabalha ao capital financeiro e de se aplicarem milhões a tentar contrariar a recessão vêm os mesmos dizer hipocritamente que tais défices são inaceitáveis.

    Perante a chantagem e as práticas neocoloniais o que se exige de um governo e de um Presidente da República que defenda o interesse nacional é que na União Europeia não se tenha um papel de submissão mas que se diga basta. Basta de roubo, basta de agiotagem! Que não se diga, como Cavaco Silva e o governador do Banco de Portugal, que os bancos são os donos da bola ou que não devemos insultar os bancos e as empresas de notação. Não se trata de insultos, trata-se sim de denunciar a hipocrisia e a natureza de classe das medidas.

    Portugal precisa de um Orçamento que promova o aumento da produção nacional e o emprego e não o definhamento nacional e a entrega às garras dos especuladores. Portugal precisa de uma política de afirmação nacional e não de submissão e claudicação. Portugal precisa de um Orçamento e de uma política ao serviço dos portugueses e do país e não ao serviço dos banqueiros. “

  2. Abilio Rosa diz:

    É triste ver um país sem governo capaz e com uma assembleia de deputados (PS e PSD) completamente ao serviço e em obediência a um sindicato de bancos nacionais, já para não falar na submissão ao exterior.

    Uma vergonha. Estes politicos do PS e do PSD deviam ter vergonha de sair à rua.

    Puseram o país na bancarrota e condenaram os mais pobres a pão e água.

    Isto não pode ficar assim!

  3. adeus-vai-te-embora diz:

    É uma vergonha ofuscarem desta maneira o triunfo d’O Glorioso!

  4. maria povo diz:

    Pois não!! mas vai ficar assim… infelizmente! e no domingo já estarão todos a descansar…

    Só com um Governo com muita coragem para fazer realmente uma politica ao serviço do Povo (palavra abolida do léxico ps/psd…) é que poderemos sair desta situação. Esse governo não se vislumbra no horizonte, antes pelo contrário…

    Estaremos na Rua, porque a Rua é o local do nosso encontro, mas não alteramos a situação… infelizmente!!! temos os exemplos recentes na frança, espanha, grécia, grandiosas greves, manifs, e ?? qual o resultado?? dizem os governantes que os trabalhadores estão no seu direito, blá, blá, mas a realidade não é alterada!!! e continuam com os pec’s… pois é!!!

  5. Tiago Mota Saraiva diz:

    adeus-vai-te-embora, o Benfica ofuscou-se primeiro – a 15 minutos do fim do jogo.

  6. ana diz:

    “Terão os funcionários públicos que pagar a incompetência e a desonestidade dos nossos políticos?”

    Parecer de Garcia Pereira, solicitado por Paulo Guinote e um grupo de professores diz que redução de salários é inconstitucional.
    http://educar.wordpress.com/

  7. ana diz:

    http://sol.sapo.pt/inicio/Sociedade/Interior.aspx?content_id=3597

    Parecer diz que redução de salários dos trabalhadores da Administração Pública é
    inconstitucional
    3 de Novembro de 2010
    A redução de salários dos trabalhadores da Administração Pública viola artigos da
    Constituição, do Código de Trabalho e da lei 12/A de 2008. As conclusões são de um
    parecer de Garcia Pereira, pedido por um grupo de professores, liderado pelo bloguista
    Paulo Guinote.

    «Perante isto, qualquer trabalhador da Função Pública pode impugnar em tribunal a sua
    redução salarial», afirmou ao SOL Paulo Guinote, que recebeu esta quarta-feira as notas
    preliminares do parecer jurídico, que afirma de forma clara que «o Estado não pode
    reduzir vencimentos de forma unilateral».

    Guinote – que promete divulgar o parecer no blogue A Educação do Meu Umbigo, durante esta
    quinta-feira – assegura que «há jurisprudência do Tribunal Constitucional» que apoia a
    teoria defendida no parecer pelo advogado Garcia Pereira.

    Segundo as notas preliminares do parecer, o Código de Trabalho determina que « é proibido
    à entidade empregadora pública (.) baixar a remuneração do trabalhador, excepto nos casos
    especialmente previstos neste Código , sendo certo que em parte alguma do mesmo se prevê
    a hipótese de abaixamento unilateral e generalizado das remunerações dos trabalhadores da
    Administração Pública».

    Garcia Pereira escreve mesmo que o Governo não poderá invocar «interesse público» ou
    «necessidade especial de compressão de custos», já que essas não são razões previstas no
    Código de Trabalho para um corte salarial.

    Apesar de o pedido de parecer ter sido feito por um grupo de professores, Paulo Guinote
    sublinha que não se trata «de uma questão corporativa, mas sim de Estado de Direito»,
    pelo que as perguntas feitas «não dizem respeito apenas aos docentes».

    Guinote explica que o trabalho de Garcia Pereira será pago com o remanescente de um fundo
    recolhido há meses, quando o mesmo grupo de professores contactou o jurista no sentido de
    perceber a legalidade de alguns pontos do Estatuto da Carreira Docente e da Avaliação do
    Desempenho propostos por Maria de Lurdes Rodrigues.

    «Não foi preciso fazer nova recolha de fundos, porque ainda havia algum dinheiro aberto
    na conta que foi aberta por essa altura», comenta o professor.

  8. Pingback: Os resultados da política de Lula no Brasil | The Key Factor

Os comentários estão fechados.