Tanta gente “preocupada” com a despesa e ninguém se lembra dos pensionistas milionários?

A lei diz que o subsídio de desemprego não pode ser inferior ao Indexante de Apoio Social, um valor um pouco abaixo do Salário Mínimo Nacional, e não pode ser superior a pouco mais de 1000,00 €. Contudo, curiosamente, no que toca às pensões de reforma a lei é bastante mais liberal. Se a remuneração mensal mínima de um desemprego e de um trabalhador não pode baixar dos quatrocentos e picos euros, já uma pensão de reforma pode ser muito inferior. Que artes se pensará que os reformados têm para conseguir viver abaixo do que se considera ser uma remuneração mínima mensal aceitável?

Por outro lado, ao contrário do subsídio de desemprego, as pensões de reforma podem atingir valores exorbitantes. Veja-se, por exemplo, o caso de Cavaco Silva que alegadamente acumula o salário de Presidente da República (7.630,00 € + 2.962,00 € – despesas de representação) com a pensão de reforma do Banco de Portugal (4.152,00 €) e da Universidade Nova de Lisboa (2.328 ,00 €). Questionado sobre a matéria, Cavaco argumenta que recebe duas pensões de reforma em resultado dos descontos que efectuou ao longo da sua vida profissional. Mas se é esse o princípio, porque será que existe um tecto máximo para o subsídio de desemprego, que também é o resultado dos descontos que se fazem ao longo da nossa vida profissional? E porque será que em todas as medidas de austeridade anunciadas há sempre mais um corte no subsídio de desemprego e as pensões douradas sempre ficam de fora?

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