Trapalhadas

Em galego do sul, a palavra trapalhada quer dizer “Atitude ou manobra propositadamente enganosa.” Em português do norte acrescentamos a ideia de “coisa mal feita e sem valor”. Neste sentido, podemos encontrar como exemplo o 89% das minhas postas, a minha formação académica e o tema das Scut (ou ex-scut). O que não sabia eu era que esta questão (acho eu que bastante pouco lógica na forma, mas não me liguem muito que não tenho nem carro) chegara à Galiza. Há uns dias, o meu padrinho (não é realmente padrinho, mas como se o fosse) interrompia uma conversa familiar (já se ouvia de fundo enquanto eu falava coa minha mãe “Passa-me aí o aparelho que quero falar co rapaz“) para me largar um directo “Oes! Que trapalhada estão fazendo os portugueses coas estradas, oh? Que tenho que pagar e não lhes posso dar dinheiro!” Saltando a parte na que perguntava com sorna se “os portugueses” queriam que lhes pagasse com o caralho ou que, a pergunta apanhou-me fora de jogo. “Epa… são medidas que o governo fez para ganhar dinheiro… a coisa da crise, e tal…“. Meu padrinho respondeu célere “Pois mira-me aí o assunto que eu tenho que viajar ao Porto” (duvidando se com esse “mira-me aí o assunto” tinha que me informar ou ligar ao PM para solucionar a coisa, respondi-lhe que sim) (resposta que também não quer dizer nada).

Andam na Galiza preocupados com as futuras viagens a Portugal (lembremos que o principal aeroporto galego é o Sá Carneiro). Pelas bandas do meu padrinho, o PM pode estar tranquilo, que é pessoa pacífica. Mas a pergunta segue no ar:

E esta trapalhada? Terá solução?

(Fonte: www.obichero.blogspot.com)

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6 respostas a Trapalhadas

  1. Antonio Mira diz:

    Sobre o desenho do sempre atinado DaVila, dizer só que “Peaxe” quer dizer “Portagem”.

  2. helder diz:

    Obrigado pelo esclarecimento, já estava convencido que era uma banca de entrega de robalos.
    Está bem esgalhado.

  3. Morgada de V. diz:

    Mira-me isto, Mira. Ando tão zangada com isto tudo que tenho sonhado que sou argentina, pelotudos!

    Atentamente,
    Eu (galega de Viana do Castelo, B.I. caducado)

  4. Morcego diz:

    Essa tropa ávida de dinheiro está-se nas tintas para as consequências destas medidas cegas. Para quem não saiba, a fronteira Valença-Tui é a fronteira terrestre mais movimentada do país. De um lado como do outro do Minho trata-se de uma região densamente povoada, uma das mais populosas da península, estando umbilicalmente ligada entre si

    As alternativas são nulas, ou se recorre a estradas com características urbanas, ou ao comboio, que demora o mesmo tempo que demorava no Séc. XIX, ou seja, QUATRO HORAS PARA PERCORRER A CURTA DISTÂNCIA ENTRE O PORTO E VIGO!
    As minhas sinceras desculpas aos irmãos do norte pela insensatez dos nossos governantes.
    Saudações de mais um galaico-minhoto.

  5. Antonio Mira diz:

    Eu gostava de vos dizer que isto vai ser chumbado pela UE… mais a verdade é que vejo mais provável que o governo galego comece a fazer o mesmo do outro lado da fronteira (apesar de o das autoestradas galegas também tem delito…).

    A loucura esta das ex-scuts é incrível. Já se está a ressentir na comunicação Gz-pt pois, como bem diz Morcego, o comboio é do século XIX (seguindo a tradição ferroviária do resto da Galiza) e o autocarro que liga Porto-Sá Carneiro-Vigo também não é uma maravilha (subiram o preço do bilhete e em ocasiões encontras-te viajando por estradas secundárias para evitar portagens…). Se os governos fazem tudo o possível por nos separar é por algo… se calhar a revolução mundial começa nessas vilas com dupla-denominação: A Guarda/ Caminha, Tominho / Vila nova da Cerveira, Tui / Valença…

    Espero que o governo rectifique (mas duvido…)

    Morgada, não se equivoque, os “boludos” somos nós… :s

  6. E não se esqueçam do IKEA

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