
A pintura mural (…) já tinha sido impedida dois dias antes chegando os agentes da PSP a deterem e insultarem os jovens comunistas, obrigando-os a despir-se e retendo-os durante várias horas na esquadra”.
A notícia vem no “Avante!” e em numerosos blogues (alguns particularizam que eram quatro raparigas e um rapaz) e, a confirmar-se, não é surpreendente para quem conheça o que se passa hoje em certas esquadras da PSP e relatórios internacionais regularmente vêm denunciando.
Como não surpreende que a notícia tenha singularmente “escapado” à generalidade da imprensa e das TV, mesmo àquelas que fazem dos “faits-divers” o pão nosso noticioso de cada dia e que nem aquele afrontoso “obrigando-os a despir-se” parece ter sido capaz de interessar.
Gostaria de estar certo, eu que sou um ingénuo, que o comportamento a vários títulos abusivo da PSP (a pintura de murais em locais públicos é um direito reconhecido por lei e um parecer do Tribunal Constitucional condena impedimentos ao seu exercício) e o silêncio dos media não se deve ao facto de os cinco jovens serem militantes de uma organização comunista.
Mas temo, sobretudo, o que pode significar o facto de um caso destes já não ser hoje notícia entre nós.
Manuel António Pina toca num ponto interessante. Como admitiu Fernanda Câncio, a comunicação social não dá muita importância ao PCP. Não o acham relevante. Ser-se comunista é para os media uma coisa incompreensível. Como os jornalistas se acham detentores de uma espécie de verdade absoluta, se não percebem algo, é porque essa coisa não faz parte da realidade noticiável. Do mal o menos, se duas “mulheres de branco” fossem detidas pela polícia cubana e obrigadas a despirem-se, a coisa teria certamente muitas páginas de jornais. Para quando o prémio Sakharov para a Esquadra dos Olivais?




Excelente conclusão.
Claro que apenas não foi noticiado por serem comunistas. O que vale é que a câncio elevou o preconceito e o sectarimos ao estatuto de categoria deontológica. Agora só quem não quer é que não vê as linhas com que se cose a comunicação social.
Olha que boa ideia, o prémio Sakharov para a Esquadra dos Olivais.
Nem mais!
Enfim, Nuno…
Nuno,
creio que a questao, hoje em dia, e progressivamente iremos-nos apercebendo mais dessa realidade é que a comunicaçao social e os seus varios actores nao passam por um escrutinio democratico. Pode parecer estranha esta posiçao, de que uma profissao tenha que ser escrutinada, mas 90% ou mais da populaçao, do debate publico faz-se com a mediaçao de jornais (cada vez menos) e televisao (cada vez mais) e isso leva-me à conclusao de que a selecçao dos intervenientes, dos temas a destacar, das posiçoes e opinioes consideradas “importantes” para a tomada de decisao ou apenas para a informaçao ao debate colectivo é cada vez mais crucial para a efectivazaçao de uma verdadeia democracia.
A proposito do OE, tive de desligar televisao e radio, porque eu proprio começava quase a ficar convencido que nao havia alternativa viavel (exagero, claro
), mas a questao central, e sem recorrer ao chavao do pensamento dominante, é que existe um grupo de pessoas contratadas e/ ou exploradas por uma serie de empresas de direito privado que decidem o que “lemos, ouvimos e vemos” e o “que nao podemos ignorar”. Este nao é um problema nosso apenas, na minha Galiza de Espanha, o el Pais e o el Mundo sao jornais oficiais mascarados do PSOE e do PP. Na America Latina, os meios privados de comunicaçao social foram determinantes nas tentativas de golpes de estado na Venezuela, no Equador e nas Honduras (este consumado). Quem pode ter um papel determinante na qualidade e isençao da informaçao? O Sindicato dos Jornalistas, através do seu Conselho deontologico? A ERC? Nós, cidadaos?
Parece-me, claramente, uma luta em que os meios sao desproporcionados…
o que devia ser noticiado é que andam meia dúzia de vandalos a borrar as paredes das nossas cidades. Sendo que muitas dessas paredes são propriedade privada.
Os muros das cidades não são do pcp….
Os muros da cidade, são de quem os trabalha. E isso é que deixa o António Cunha fodido.
Gostei particularmente da comparação com as mulheres de branco, exemplar do enorme poder de agenda-setting por parte das agências noticiosas internacionais, que conseguem vender em bloco miudezas do outro lado do mundo e fazer esquecer ao mesmo tempo aquilo que se passa ao nosso lado. Uma subversão total dos antigos critérios de proximidade do acontecimento.
Entretanto, papagaios como P. Pereira, continuam a exultar contra a omnipresença da esquerda nos media. E fá-lo no seu programa de domingo, na quadratura à sexta, na Sábado ao Sábado, diariamente no seu blog… Sintomático.
E falta um pormenor. Foram agentes M ou F a obrigarem as jovens ao “strip” policial?
Proponho uma manif de solidariedade que consistirá no seguinte: vamos juntar milhares de pessoas em frente a uma esquadra (a mesma, a dita) e pedir que se DISPAM en masse. Original e eficaz. Câmaras video, tudo. Seria um sucesso mediático!! A Câncio e as suas amigas também poderão participar, se desejarem. São tão tão pa frentex…vamos lá a isto. Como querem estas senhoras solidariedade para com as causas LGTB quando não são solidárias com outras causas, igualmente meritórias da indignação pública??? Já me alertaram há muito para o umbigismo ou narcisismo da causa feminista, gay etc. Para a próxima, quando me pedirem que participe (já o fiz) numa qualquer iniciativa LGBT…perguntar-lhes-ei isto: foram solidários connosco??? Não foram! Pois bem, berdamerda.
vamos juntar milhares de pessoas em frente a uma esquadra (a mesma, a dita) e pedir que se DISPAM en masse
Se isto acontecer entre o dia 30 de Outubro a partir das 18 h e 3 de Novembro até às 11 h da manhã, estarei lá para gritar em voz bem alta!!!! Digam, para que eu apareça!!!! Ir a Portugal só comer Pasteis de nata e cozido à portuguesa, torna-se um pouco enfadonho…
Estivesse o Sporting com a tua forma, não estarias atrás da Briosa ao fim de oito jornadas. Essa é que é essa. Quanto ao assunto, tudo dito. Acrescentar apenas que se a casa, e a esquadra, são desprezíveis, o carro é de deixar água na boca.
Daniel Nicola,
Não sei se foram homens ou mulheres. Não é, claro, a mesma coisa. Mas nos poucos casos que a PIDE usou esta forma de tortura eram mulheres a despir as presas com a presença dos homens. De qualquer forma, os insultos e a humilhação não podem ser normais nas esquadras de um país democrático.
Exacto. Só perguntei por mera curiosidade.
E numa época em que se exige vídeo-vigilância em cada esquina até que não haja nenhuma ângulo morto no país, o melhor talvez até seria começar por vigiar quem tem por obrigação nos defender.
http://www.comunic.pcp.pt
na secção JCP na Rede, podem ouvir a entrevista a uma das militante da JCP que foi detida e despida.
“Não sei se foram homens ou mulheres. Não é, claro, a mesma coisa.”
Nuno, não me parece nada claro que não seja a mesma coisa. É o mesmíssimo tipo de abuso e quem o comete devia levar uma ripada que fosse pública e notória.
Já agora gostaria de saber qual o tipo de resposta legal que o PC pretende dar. Porque ficar-se por falar em Sakharovs para aqui e para acolá soa apenas a ressentimento com a antipatia que uma boa parte do mundo nutre pelo regime totalitário cubano.
Abrantes,
Não sei. Tem de perguntar ao PC. Só lhe posso dizer que ontem no facebook falei com um deputado do PC que me disse que tinham entregue queixa.
Já agora, não concordo que se use este péssimo exemplo para meter a polícia toda no mesmo saco.
Esta rotulagem negativa que a esquerda costuma dedicar ás forças policiais é muito negativa para uma sociedade que se quer equilibrada.
Dizer que a polícia é toda má, além de relevar da mais pura ingratidão, opõe-se à crítica construtiva da actuação das polícias, que é uma das formas que a sociedade civil tem de procurar melhorar a polícia que temos (como tudo o resto).
Estes comentários á parte, e a menos de uma investigação que tem lugares e protagonistas próprios, e ainda a ser verdade o que se diz sobre a actuação destes polícias, repugna-me que estes agentes voltem a vestir uma farda. Do mesmo modo que acharia inadmissível que um professor que abusasse da sua posição mandando despir alunos, voltasse a entrar numa sala de aulas.
Não creio que a intenção seja denegrir a polícia. Quem anda a denegrir a polícia são as pessoas que têm essas práticas. Estamos de acordo.
Uma pequena correcção que nada acrescenta à discussão: a detenção aconteceu na esquadra das Olaias, e não na dos Olivais.
Eu sou péssimo a fixar nomes de gajos mortos, mas essa de lhes atribuir o prémio molotov é merecida.
Caro Nuno,
Já comentei esta NOTÍCIA num outro blog, e diante casos destes, fico triste que aquilo que devia ser uma DENÚNCIA feita com todo o sangue a ferver, se fique por casos isolados de uma postura que apela à ética daquele que aflora o caso. Bem sei que é essa a sua postura, como a de outros, mas temos que ter uma realidade sempre presente perante atropelos e violências deste tipo: as coisas são o que são, e se não nos agradam, cabe-nos fazer alguma coisa para que a situação geral melhor, e nem por sombras lhe estou a fazer qualquer espécie de crítica a propósito, mas lucidez e veemência são indispensáveis na DENÚNCIA de acontecimentos destes. E o nome do comandante lá do sitio devia ser público e anunciado, para que os incautos cidadãos possam saber que há um animal raivoso à solta lá pelos arredores do Olival.
se aconteceu o que é relatado sou contra que despido as miudas mas o pcp já não acredita na psp ha muito tempo porque quando foi para malhar nos metalurgicos no pavilhão dos desportos chamaram a policia militar que não despiram ninguem mas marretaram a força toda.
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Os militantes comunistas, não deviam despir-se e exigir a presença de um advogado, se acaso fossem sovados, o que neste tempo não me parece que não possa ser feito com o beneplácito dos grandes defensores da liberdade Mário Soares e companhia(PS). Isto é uma vergonha, é preciso que estes policias sejam punidos exemplarmente. Nem todos os policias são nefastos, estes deviam ser expulsos, senão se cortar a direito, quando quisermos não podemos o estado democrático não pode ter gente desta no seu seio.