Valupi B – Um elogio ao elogio: porque na verdade, estamos todos de parabéns!

Valupi, o homem do leme do Aspirina B, atira a matar a propósito de uma efeméride que todos saúdam: “O Jugular celebrou dois anos de vida a 17 de Outubro. E vale a pena pôr em risco a tensão arterial da Palmira, exclamando — Bendita a hora em que saíram do 5 Dias! Por um lado, ganhou-se um blogue de referência nas áreas da cidadania e da esquerda democrática, paradigmático das vantagens intelectuais e políticas desta forma de comunicação. Por outro, levou à deriva do 5 Dias para o radicalismo agit-prop e a exaltação fundamentalista da esquerda imbecil; o que acaba por ser bem mais divertido – e instrutivo – do que o projecto originário baseado em caganças elitistas.”

O duplo elogio, ao Jugular e ao 5dias, apenas peca por ter um lastro de inveja que não lhe fica bem e que deixa no ar o jeito tolo de um amante rejeitado. É que se a saída de muitos aqui da tasca dá mais blogues à blogosfera sem que nos esvazie o sentido de humor, a verdade é que com a saída de muitos dos seus escribas, o Aspirina B ficou a meio de lugar nenhum: não é um blogue de referência nas áreas da cidadania e da esquerda democrática, prescinde qualquer radicalismo ou cagança, e, acima de tudo, já praticamente não diverte ninguém.

De todo o modo, entre tantas efemérides, até eu me sinto solidário com a tensão arterial da Palmira: bendita a hora que saíram do Aspirina B para fazer coisas mais lindas!

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19 Responses to Valupi B – Um elogio ao elogio: porque na verdade, estamos todos de parabéns!

  1. Paulo Jorge Vieira diz:

    muito bem Renato… mas fiquei a pensar como a cidadania está potencializado como conceito hegemónico neo-liberal…

  2. karibu diz:

    ‘radicalismo agit-prop…esquerda imbecil’,estes gajos sabem pensar com os pés!!!

  3. maradona diz:

    eheheheheheh ganda maluco. “não é um blogue de referência na area da cidadania”… eheheheh ai que caralho que se me empapa o couscous que estou a fazer. ao contrário do 5 Dias, depreende-se que, pelo contrário, é um “blogue de referencia na area da cidadania”, portanto. lá de não divertir é que este blogue não pode ser acusado. no fundo, divertir é talvez o principal valor da intervenção cidadã, pelo que, realmente, talvez vocês tenham razão.

    como pessoa, despeço-me com amizade de vocês, cidadãos

  4. Pingback: Com os comunas é sempre a somar at Aspirina B

  5. Renato Teixeira diz:

    Que grande confusão Maradona. O “blogue de referência na area da cidadania”, ao qual o Valupi se referia, é evidentemente o Jugular. Por aqui, os defeitos são outros.

  6. PP diz:

    o aspirina B ainda existe?

  7. António Figueira diz:

    O Maradona escreveu um post sobre isto que até podia ser interessante não fosse o facto de dizer que o Renato disse o contrário daquilo que de facto disse; o Maradona devia ler outra vez este post e pedir muita desculpa, para mostrar que é tão grande como o André Villas-Boas. (O Valupi é clownesco.)

  8. Abilio Rosa diz:

    Esse Valupi é um socretino que mete nojo.

    Dessa marca Valupi tenho dois no curral!

  9. maradona diz:

    primeiro, no post, e se bem me percebi a mim próprio, acho que não digo nunca que o renato disse que o 5 dias é não sei quê na area de referencia (só condeno que ele ache bem uma pessoa deixar de ser referencia nessa area), mas não tenho paciencia para ler aquela merda toda. em todo o caso, vai tudo dar ao mesmo; vocês acham bem que as pessoas participem em coisas para alem das eleições de 4 em 4 anos; eu acho isso mal, estou contra; e ainda mais contra se condenam os que, alegadamente, recolheram a esse lugar; se se considera de referencia ou não é irrelevante; é só mais um ponto e virgula à frente: o renato, digamos, implica, com ar de aprovação, que, ao contrário do valupi, quem saiu do 5 dias não prescindiu do “radicalismo”, ou que “continua a divertir”, ou seja, se “continua” é porque considera que voces aqui, no 5 dias, ainda o fazem, a divertir, a ser radical e, claro, a ser de referencia. o villas boas é maricas, não sabe que no futebol para se admitir que se errou basta permanecer calado e não falar mais no assunto. não é corajoso, é apenas sincero; no futebol, para se ser sincero não é preciso coragem, só ser tótó.

  10. António Figueira diz:

    Isso de ser tótó é uma alusão elíptica ao facto de eu me chamar António? (o Sassoon também é clownesco, embora menos que o Valupi, há muito melhor sobre o tema, troco essa informação contra a indicação de um bom compêndio geral de geologia).

    • maradona diz:

      quem percebe do assunto costuma oferecer dinheiro a quem encontrar um erro neste volume:

      http://www.amazon.co.uk/Manual-Geology-Treating-Principles-Science/dp/1115319299/ref=sr_1_6?s=books&ie=UTF8&qid=1287784554&sr=1-6

      embora este livro não seja bem para ler, seja mais para aprender; para ler, qualquer bocado de página escrito pelo richard fortey serve.

      embora não tenha nada a ver com o assunto, faz-sed notar que eu já li todo o eric hobsbawm, e que adorei adorei adorei, ao ponto de até não ter duvidas sobre a ortografia do nome (o que, aliás, também acontece com wordsworth, a unica palavra que nunca me enganei a escrever, nem tive duvidas, wordsworth), solicito que qualquer conselho com que me decida honrar deve seguir as seguintes directrizes gerais:

      1) existir em paperback
      2) fonte mais para o pequeno, margens pequenas e linhas pouco espaçadas
      3) ser grosso e pesado
      4) cada parágrafo contar, autonomamente, uma boa história, dado eu, geralmente, não me lembrar do que é que se passou antes
      5) não ser daqueles gajos que não contam histórias engraçadas porque acham que, dessa forma, dispersam a temártica pelo o acessorio; eu gosto de acessorios! para mim não existe diferença entre essencial e acessório: o acessório só não é essencial para os gajos que não leem muito.

      obrigado

      * note-se que resisti a tentar qualquer pidada que incluisse a aprovação do orçamente

      • António Figueira diz:

        Conselho com que honro o meu interlocutor e satisfaz os requisitos um a cinco: “The Struggle for Mastery in Europe”, A.J.P.Taylor. De resto, e na minha modesta opinião, a historiografia britânica do século passado conta, para além de Hobsbawm, e por ordem cronológica aproximada, com quatro outros pilares fundamentais, a saber, E.H.Carr, A.J.P.Taylor, C. Hill, E.P.Thompson: o essencial do que escreveram está em paperback e constitui, na celebrada frase, “part of the mental furniture of educated people”. Substituir o Sassoon com uma única obra não é fácil: pessoalmente, continuo a achar que as velhas (e não reeditadas, que eu saiba) “Considerations on Western Marxism” são o melhor que existe sobre a matéria, e que o seu autor, apesar de trotskista, está longe de ser parvo. Subjectividade pura: o livro de história inglesa (no duplo sentido de ser da autoria de uma inglesa, ou no caso galesa, e sobre a história de Inglaterra, ou mais exactamente britânica) que mais gozo me deu a ler nos últimos trezentos anos e também satisfaz os requisitos um, quatro e cinco foi escrito por Linda Colley e tem por título “Britons: Forging the Nation 1707-1837”. Vou investigar a pista Fortey.
        Melhores cumprimentos.

        • maradona diz:

          uma vez, aqui há um ano ou assim, encomendei variados Taylores, mas, por alguma razão a que, possivelmente, não sou alheio, nunca chegaram. por essa altura, dediquei-me a ele durante uns pares de meias horas, e fiquei absolutamente convencido, não sei hoje porque razão. cheguei, inclusivamente, a ler umas merdas, que não me ficaram. vocês, as pessoas, tendem a desqualificar os livros digest, como aquelas coisas maravilhosas do orlando figes sobre a russia, porque, normalmente, eles copiam o rigor, mimetizam a inteligencia e empacotam-no para literatura de autocarro do burgês que pensa que lê o TLS: as ideias nunca demoram mais que 10 minutos a serem despachadas, mas são sempre anti-intuitivas o suficiente para que nos sintamos mais cultos e espertos do que, provavelmente, somos. ora, este senhor, o sasson, para alem do mérito de não me aborrecer, faz isso maravilhosamente, sem que me pareça, por outro lado, que evite os obstáculos e desafios mais complexos e ambiciosos. a ideia de que há “muito melhor sobre o tema” (que não me oferece a minima duvida) esbarra muitas vezes (não estou a dizer que é o caso, depois logo faço critica literária) na pretensão de que toda a história competente, se for bem contada, pode ser inteligivel para toda a gente, independentemente do volume de conhecimentos de cada um e do numero de horas que contactou com os problemas. no fundo, é a ideia de que a história é um género literário. discordo totalmente desta visão, (e tenho trabalho academico publicado sobre a matéria, num post que, felizmente, já não existe): a historia é um ramo das ciencias humanas que precisa de tradutores para o publico geral, não no sentido do critico literário de romances que por natureza inflaciona a complexidade das obras por forma a ilucidar o seu sentido profundo, mas para que, de facto, a rebaixe até uma linguagem que acolchoe o contacto dos virgens com factos, ideias e raciocinios que ninguém, em boa verdade, domina com total confiança. ler sobre um livro de literatura é como que um mergulho mais fundo nele, enquanto o que se escreve sobre historia que já foi feita convirá ser um respirar de ar mais oxigenado, liberto e despreocupado. há, com certeza, quem alie melhor ou pior as duas coisas, mas a conversa entre historiadores nunca será a mesma conversa que se tem para o publico, e é bom que os historiadoress percebam a necessidade de não não verem o rigor ou o merito académico como um caminho sobreponivel ao explicar historia às pessoas. bom, talvez a historia seja um genero literário, adiante. quanto menos dominio temos sobre um assunto mais dificil é acomodar a duvida e a incerteza, e este sassoon parece deixar no ar apenas a quantidade suficiente de espirito crítico para que eu, que também tenho outras merdas para ler, simultaneamente, fique com uma ideia concretamente logica e casual das coisas, mas não perca de vista a dificultade e imponderabilidade do que se está a tentar explicar. alem disso, o tony judt fala bem dele, que também é um gajo que gosto muito pelas mesmas razões.

      • maradona diz:

        não me despedi, como a minha mãe me ensinou

        bom fim de semana
        obrigado
        eu

  11. Renato Teixeira diz:

    Castigo divino: “Considerations on Western Marxism” são o melhor que o existe sobre a matéria, e que o seu autor, apesar de trotskista, está longe de ser parvo. Subjectividade pura: o livro de história inglesa (no duplo sentido de ser da autoria de uma inglesa, ou no caso galesa, e sobre a história de Inglaterra, ou mais exactamente britânica) que mais gozo me deu a ler nos últimos trezentos anos”.

  12. e o novo look caralho? ninguem diz nada? olha que nao sei se gosto.

  13. Nuno Ramos de Almeida diz:

    António,
    Ignorava que o Perry Anderson era trotskista. Acho que te enganaste. Isso, de qualquer forma, explica a razão por que te esqueceste injustamente do Isaac Deutscher na tua listagem.

  14. Renato Teixeira diz:

    Até Deus! Até Deus. Embora provavelmente não soubesse.

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