«Ces animaux ne sont pas devenus des totems parce qu’ils sont bons à manger, mais parce qu’ils sont bons à penser.»
(citação de memória e aproximadamente exacta de Levi-Strauss)
Um artigo especulativo mas muito interessante, publicado hoje no Canalmoz, levanta uma hipótese curiosa (mas plausível) acerca da pressa demonstrada pela bancada parlamentar da Frelimo em rever a Constituição moçambicana.
Será que, agitada pelas visíveis tensões e competição entre grupos de interesses (e facções político-empresariais) no seu seio, vendo o aumento do número de mandatos do Presidente da República como uma alteração arriscada a nível interno (veja-se o caso Mbeki) e externo (reacção dos “doadores”), e tendo dificuldade em encontrar um candidato presidencial forte que não subvertesse o status quo interno, a direcção da Frelimo pretende tornar o Presidente e o Primeiro-Ministro figuras teleguidas pelo partido, que continuaria a ser liderado por Armando Guebuza?
A ideia é que o Presidente da República (todo-poderoso no actual quadro constitucional)passaria a ser eleito indirectamente, pelo parlamento, e veria as suas competências diminuídas até às de um corta-fitas. O Primeiro-Ministro (actualmente, um coordenador governativo)tornar-se-ia o efectivo chefe de governo e ganharia competências estatais para além dele, mas ficaria em bastante maior dependência do parlamento do que está, hoje, o Presidente.
Confesso que a política partidária moçambicana me interessa muitíssimo pouco, em si própria.
E que também não sou nenhum entusiasta do estudo de formatos constitucionais.
Mas lá que (como dizia o Levi-Strauss acerca dos tótemes) a hipótese levantada pelo Canalmoz é «boa para pensar» e, independentemente de ser ou não factualmente verdadeira, nos dá indicações interessantíssimas acerca da forma como a política é pensada em Moçambique “de cima para baixo”, lá isso é verdade.
Mas… Será que a coisa é muito diferente por cá – ou que seria, se um partido tivesse 3/4 dos assentos parlamentares?
É que, quanto à promiscuidade (e coincidência) entre elites políticas e económicas, temos vindo a dar passos significativos em direcção à moçambicanização…





Estou desmemoriado… e devo confessar que a ‘política moçambicana’ hoydia também me dix pouco.
Essa do Lévi-Strauss é dos “Tristes Tropiques” ?
Não sei onde pára o meu exemplar… Devo confessar que foi a única ‘coisa’ dele que li de cabo a rabo.
Não. É do “O Totemismo Hoje”.
Não tem a parte de “literatura de viagens” e centra-se na análise dos tótemes (como representantes/participantes/comungantes de grupos familiares de descendência) numa perspectiva estrutural de classificação e representação simbólica, por oposição à anterior perspectiva funcionalista, centrada em tabus alimentares.
Apesar desta descrição assustadora, é fascinante – mesmo para quem não tenha nenhum interesse pelo tema propriamente dito.
A citação é feita de memória, de um livro lido há uns 20 anos…
A ideia e o essencial da forma estão lá, mas é provável que algumas das palavras não sejam bem assim.
“Ferpeito”.
Daki da minha ignorância suponho que a passagem à representação simbólica tenha que ver com o enriquecimento das sociedades (‘surplus’) e com a possibilidade de não se ter que pensar ‘o que é que nós vamos comer hoje ?’.
Seja como fôr tudo o que disse faz sentido.
Não. A coisa não passa por aí.
Houve uma escola teórica anterior e muito marcante (que ficou conhecida por Funcionalismo), que se baseava no princípio de que todas as instituições, costumes, práticas e representações sociais, em cada lugar, existiam e tinham sido criadas PARA cumprir funções sociais elementares, ligadas à subsistência física e reprodução dos respectivos grupos.
A perspectiva seguinte é que, se essas coisas acabam por cumprir determinadas funções, a sua génese raramente tem esse objectivo em vista – e que quase tudo o que caracteriza, classifica e simboliza tem, precisamente, uma lógica classificatória e simbólica por trás.
Teorias com quase 50 anos de quem nunca pôs os pés em África…
Essa de certeza que não é para mim…
http://www.flickr.com/photos/maria_eugenia/4083222222/
Está acontecendo com o PS aquilo que podemos de classificar como «africanização» ou «mexicanização» da nossa vida politica e social!
Tudo gente trafulha, aldrabona e relapsa.
Quando avisto um «sucialista» na rua, mudo de passeio e agarro-me à carteira.
Aconselho o mesmo aos leitores deste blogue. Nestes tempos conturbados eles até roubam as igrejas! Cuidado com essa 4drilha!
Parabéns pela nova “cara”.