Mais metalurgicos e menos ciclistas, sff

O Zé Neves e o Nuno Teles têm trocado posts sobre se a esquerda se deve basear no trabalho e na aposta de uma maior produção ou se pelo contrário estes termos estão ultrapassados e devemos ambicionar uma esquerda que se reivindique da superação do trabalho.
Não compartilho da poética do Neves. Acho que todos temos o direito de participar e determinar a construção das nossas sociedades. Esses direitos exercem-se de várias formas, uma das quais é a participação livre e racional no trabalho comum necessário para construir uma humanidade num planeta melhor.
A reivindicação de um trabalho liberto da alienação, em que o produtor é dono inteligente do seu esforço, é um objectivo político essêncial. Mas isso não se confunde com a liquidação do trabalho e com a instauração de um mirífico subsídio universal que parece ser a única reivindicação prática das correntes autonomistas. Todos nós somos condicionados pelas nossas vivências. Gosto daquela parábola de um autor neocon que dizia que ‘os países que têm grandes martelos têm a tendência de ver todos os problemas como pregos’. Às vezes parece-me que o movimento autonomista consegue ver pouco para além dos muros das faculdades e tende a querer resolver a questão do trabalho pela atribuição de uma espécie de bolsa de investigação a toda a população. É certamente uma caricatura, mas isto não passa de um post para justificar uma boa canção.

Sobre Nuno Ramos de Almeida

TERÇA | Nuno Ramos de Almeida
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