O novo pacto de Varsóvia?

Com a visita ao Líbano, Ahmadinejad deixou israelitas e norte-americanos à beira de um ataque de nervos e não foi só por ter sido recebido em êxtase pela população. Entre afazeres diplomáticos, onde se destaca o encontro com o primeiro-ministro pró-americano Saad Hariri, Ahmadinejad aposta no reforço a aliança que une Teerão, Damasco e Beirute (com o Hezbollah, seu governo de facto) que tem valido a qualquer um destes países o adiamento de uma intervenção militar de Israel e dos EUA. O mal amado presidente iraniano estará a poucos metros da fronteira de Israel, a mesma onde dentro de poucos messes eclodirá novo conflito militar, e deixa claro que do lado de lá do muro ninguém vai ficar a ver as tropas da aliança fazer nestes países o que tem feito no Afeganistão e no Iraque. À margem da diplomacia, houve ainda tempo para abrir mais as vias que têm armado a fronteira, pelo que importa esperar para saber que novos “brinquedos” ficaram estacionados em Tyr. Terá sido desta que chegaram os mísseis terra-terra com capacidade de arrasar qualquer cidade em Israel? Quantos mais terra-ar chegaram para emboscar a aviação? Serão estes os verdadeiros motivos da ansiedade?

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31 respostas a O novo pacto de Varsóvia?

  1. Tiago Silva diz:

    Renato, achas mesmo que a eclosão do conflito é inevitável? Porque à primeira vista, não me parece que nem Israel, nem o seu amo americano estejam muito para aí virados…Pelo menos, não nesta conjuntura, pois correm um risco enorme.

  2. Renato Teixeira diz:

    Como tenho escrito Tiago, parece-me uma loucura, mas esses senhores há muito nos habituaram à falta de sensatez. Todas as fontes no terreno que pude auscultar afirmaram a inevitabilidade do conflito. Percebe-se que não vem na melhor altura para Obama, mas Israel tem alguma margem para forçar a coisa, e em caso de guerra aberta Obama sabe qual é a sua trincheira de sempre.
    Do outro lado o Irão pode encontrar no campo externo a solução para alguns dos seus problemas internos. Ainda assim não acredito que, mesmo galvanizados, sejam eles a atacar primeiro.

  3. subcarvalho diz:

    Ainda há 2 semanas atrás, Norman Finkelstein, na conferência que deu no Porto, afirmava que o ataque de Israel ao sul do Líbano era inevitável!
    Quando lhe colocaram a questão que o Tiago acima refere, a posição dele foi peremptória: Israel está neste momento governado por loucos!!

  4. Leo diz:

    Na sua visita de dois dias ao Líbano, Ahmadinejad teve conversações com as mais altas autoridades do país – o Presidente Michel Sleiman, o Primeiro-Ministro Saad Al-Hariri e o Presidente do Parlamento Nabih Berri – sobre questões regionais e bilaterais.

    Ahmadinejad visitou a capital Beirute e o sul do país, onde foi entusiasticamente recebido pela população. A cooperação económica e política entre os dois países foi reforçada, e ficou patente perante todos os países da região o apoio do Irão à nação libanesa.

    Foi uma visita histórica que por aqui se reduz a alegados “brinquedos”. Que miopia e seguidismo, Renato.

  5. Luis Rainha diz:

    Meia hora depois de alguma rampa de míssil terra-terra estar instalada no Líbano, seria destruída pela força aérea de Israel. E não estou a ver que tecnologia iraniana seja capaz de abater um caça americano corrente.
    Isto para nem falar de uma eventual retaliação nuclear de Tel-Aviv.
    Infelizmente, o gap tecnológico acarreta destas injustiças.

  6. E o Irão também. 🙁

    Será que preciso de vos lembrar de que esse senhor enquanto dix que o holocausto é uma invenção uu um exagero, reprime (e mata) brutalmente os estudantes da Univ. de Teerão, e todos aqueles que se lhe opõem ?

    http://www.youtube.com/watch?v=9I0cfCCuggg

    ou

    http://www.youtube.com/watch?v=e4DY-4WA860

    Toda minha solidariedade aos estudantes iranianos, que estão na vanguarda do combate a um horrível regime teocrático-fascista, e pagam com a vida esse combate.

  7. Vitor Ribeiro diz:

    Israel está neste momento governado por loucos? Parece-me evidente. Mas fosse esse o problema: um mal localizado e devidamente isolado pode ser simples de resolver; mas em se tratando de uma doença generalizada cujas ramificações já se espalham por todo o corpo… Dito por outras palavras: quando a maior parte dos governos dessa região (e não só…) parece governada por loucos (cada um à sua maneira) a quem basta um ‘bom pretexto’ – que, sabemo-lo bem (e alguns serviços secretos ainda melhor…), são mais fáceis de arranjar que uma mulher bonita num concurso de misses – o caso, convenhamos, torna-se um pouco mais complexo…

  8. Índio Joe diz:

    Como disse Uri Avnery, Israel não é um estado com um exército; é um exército com um estado…
    Não me surpreenderia se os novos názis, com a ideia de um “espaço vital” ( ou Grande Israel… ) levassem adiante um ataque nuclear contra o Irão.
    Já o fizeram, no passado, contra Saddam, como também na Síria…
    O seu ministro dos negócios estrangeiros é demasiado perigoso e os seus militares comportam-se como autênticos “gangsters”… usando os miúdos palestinianos como escudos humanos nas suas incursões a Gaza e à Cisjordânia…

    E, no entanto, Renato, o melhor é para por aqui… Não vá aparecer por aí o Daniel Oliveira e dizer o mesmo dos iranianos, dos sírios, dos palestinianos, para a coisa ficar no “politicamente correcto”, n’est-ce pas?

    P.S. Subcarvalho, só agora soube que este autor esteve no Porto, o que demonstra como funciona, de maneira eficiente, a nova censura… Tem um livro que procuro sobre o último cerco a Gaza, chamado “This time we went too far”. Já li algumas páginas do livro, através de um artigo que saíu no site “uruknet”… Já agora, para alguém que goste de cartoons, aconselho a leitura do livro, “Footnotes in Gaza” de Joe Sacco… Não existe grande diferença entre os massacres que vêm descritos de Khan Younis e Raffah (em 1956) e aquilo que os názis fizeram…

    E agora vou, antes que apareça aí o Daniel Oliveira…

    Toksha aké!

  9. Renato Teixeira diz:

    Leo, todas as informações históricas que avança estão contidas na posta. Não embirre. E sim, as armas são centrais em tempos de guerra.

    Luis Rainha, tenho dúvidas sobre essa supremacia israelita. Acho que não. Acho de resto que eles estão já instalados. Quero dizer que não há gap? Evidente que há, mas se ele é assim tão abissal porque é que Israel não limpa a zona de uma penada?

  10. Renato Teixeira diz:

    A pergunta Índio Joe, é se será alguma coisa além de exército.

  11. Luis Rainha diz:

    Renato,
    Existe uma prova insofismável de que Israel escolhe não “limpar a zona”: o seu arsenal nuclear. Quanto à supremacia tecnológica, parece hoje totalmente impossível que os sistemas de radares e de AAA iranianos sejam capazes de sequer assestar miras num F-35, por exemplo. E mesmo os vectores actualmente em serviço parecem areia de mais para as camionetas iranianas.
    E tu acharás que já há rampas instaladas, eu duvido; mas quem sabe ao certo é Israel, com a preciosa ajuda dos satélites do tio Sam. E tais estruturas não sobreviveriam uma semana.

  12. Mariana diz:

    “Isto para nem falar de uma eventual retaliacao nuclear de Tel-Aviv.”

    O Rainha endoideceu de vez. Os Israelitas nunca usaram armas nucleares e nunca ameaçaram usar tais armas. Bombardearam as instacoes nucleares do iraque.

    O Renato, demagogo-mor, trata uma declaraçao do porta voz do Partido de Deus com uma descriçao dos estado de alma de Israel e EUA (estao nervosos com a visita) O porta voz dos padrecos diz que EUA e Israel estao nervosos…logo…deve ser verdade.

  13. Mariana diz:

    trata uma declaraçao do porta voz do Partido de Deus COMO uma descriçao

  14. subcarvalho diz:

    Sem dúvida, Indío!
    E a verdade é que o GAP, um dos colectivos que organizaram a sua vinda, enviou comunicados de imprensa para tudo o que era jornais e televisões.
    Estiveram, se não me engano, 2 jornalistas presentes. Saiu posteriormente uma entrevista no DN e no Expresso.
    Mas também deveria estar mais atento a esta tasca onde foi divulgada a conferência num post do tasqueiro Renato.
    Se quiser, pode sempre ver a conferência aqui: http://grupoaccaopalestina.blogspot.com/2010/10/conferencia-de-norman-finkelstein-no.html

  15. Renato Teixeira diz:

    Tem razão Mariana. Israel e os EUA nem ficaram nervosos nem têm qualquer intenção (e acrescentaria tradição) em usar material nuclear. De resto, qualquer crítica à ética militar destes dois países é pura demagogia.

  16. Ricciardi diz:

    De constactar que os terroristas já se substituiram ao próprio estado libanes… e recebem com flores o general e senhor da guerra Libanês, Ahmadinejad claro. Grande Libano, pobre povo.

    E já tem misseis terra-ar-terra e tudo, assim diz o Renato. Já podem, diz ele, atacar as cidades de Israel. Sempre a considerar a seriedade da questão para os civis Israelitas, claro.

    Espero que, desta vez, os misseis não tenham efeito boomerang e rebentem com eles próprios. Misseis ‘chipados’. Era uma pena gastar tanto dinheiro em armamento, desperdiçar tantos milhões na guerra para eliminar Israel, fazer sofrer o próprio povo e depois puff. Era uma pena.

    A certeza na superioridade Iraniana é tão grande, o arsenal no Libano tão pujante… que me faz lembrar quando Israel numas horas entrou pela Siria adentro e destrui o arsenal nuclear que eles, os Sirios, juravam a pés juntos não ter. Dizem que os radares ficaram cegos. Uma pena.

    O Irão tem mais dias de gloria pela frente. Uma central nuclear para construir e desperdiçar dinheiro do povo. A fanfarronice pacóvia não acabará já.

    Primeiro é preciso garantir o espaço aéreo disponivel do caucaso, que faz fronteira com o Irão e Turquia.

    Pá, já nem consigo comparar Ahmadinejad a Hitler. Era desonesto da minha parte faze-lo… comparar um mente tão maldosa quanto inteligente como era Hitler, com uma besta maldosa e burra como uma porta como Ahmadinejad não é sério.

    Tudo tem um tempo certo para agir. Agir sem fanfarronice. Cão que ladra não morde.

    O unico país com capacidade militar séria para Israel é a Turquia.

    RB

  17. Renato Teixeira diz:

    Ricciardi, uma vez sem exemplo voltei a aprovar um comentário seu. Não se acostume. Apenas fiquei sensibilizado com a sua visão extremosa sobre Hitler. Explica seguramente muito do que para aqui vem dizer.

  18. Leo diz:

    “Leo, todas as informações históricas que avança estão contidas na posta.” ??

    Lamento, Renato, mas na posta não verifico grande diferença com as narrativas dos medio ocidentais. Que sublinharam duas coisas: a “anormalidade” desta viagem e o carácter “provocatório”. Ora esta foi uma normalíssima viagem de Estado do Presidente do Irão, respondendo ao convite do seu homólogo libanês. Uma viagem de Estado normalíssima, com uma agenda normal e com visitas normais.

    Este aspecto de normalidade não foi sublinhado pelo Renato, que preferiu sublinhar a parte supostamente controversa da viagem (“norte-americanos e israelitas à beira de um ataque de nervos”, “estará a poucos metros da fronteira de Israel”).

    Não há qualquer tipo de controvérsia ou de anormalidade nesta viagem de Estado do Presidente do Irão ao Líbano. Ele foi convidado por quem de direito e a agenda foi acordada por quem de direito.

  19. Leo diz:

    Pela 1ª vez em 36 anos o Irão assume a presidência rotativa da OPEC. O seu Ministro do Petróleo foi hoje eleito presidente na Cimeira de Viena. Pertencem à OPEC a Algéria, Angola, Irão, Iraque, Kuwait, Líbia, Nigéria, Qatar, Arábia Saudita, Emiratos Árabes Unidos e Venezuela.

    Como vê, o Irão é um país importante. Não o subestime, Renato.

  20. Renato Teixeira diz:

    Leo, pode acusar-me de muita coisa mas não encontra uma linha em que tenha subestimado o Irão.

    Veja que só nesta caixa de comentários já considerou a viagem “histórica” e “normalíssima”.

    É inegável o seu carácter provocatório e é daí que procuro retirar consequências políticas que de resto vão ao encontro da ideia de que os países deste pacto estão bem mais fortes do que se julga.

  21. Luis Rainha diz:

    Mariana,

    O Rainha até poderá ter “endoidecido”; mas não a propósito do que aponta. Eu mencionei o arsenal nuclear israelita precisamente como demonstração de que “arrasar” com o irão não é uma obsessão toda-poderosa nas cabecinhas dos criminosos que governam Israel. Eles já têm hoje essa capacidade e não a usam.

  22. Leo diz:

    O título e a foto que escolheu não é uma subestimação?

  23. Leo diz:

    Sim, a viagem foi histórica, porque foi a primeira deste Presidente do Irão. E é de facto uma normalissima visita de Estado do Presidente do Irão ao Líbano.

    E é este aspecto de visita de Estado que o Renato se recusa a sublinhar, preferindo apostar em aspectos exóticos, totalmente alheios aos dois países: Irão e Líbano .

  24. Renato Teixeira diz:

    Não Leo. Está evidentemente mais próximo da sobre-estimação.

    Quanto ao histórico-normalíssimo confesso que fiquei baralhado. Exotismo meu, não ligue.

  25. Leo diz:

    É a 1ª visita de Ahmadinejad ao Irão, certo? Aqui está o aspecto histórico. Mas é uma normalissima visita de Estado do Presidente do Irão a convite do Presidente do Líbano, ao Líbano.

    Sim. O Presidente do Irão faz visitas de Estado a países do resto do mundo e também a países do Médio Oriente. Esta é uma normal visita de Estado e a 1ª que Ahmadinejad faz ao Líbano. Ahmadinejad não é nenhum pária, é o Presidente do Irão.

  26. Renato Teixeira diz:

    Homem, está percebido. Histórico mas normalíssimo. Prossiga.

  27. Leo diz:

    E esqueci-me: nem o Presidente do Líbano precisa de licença de Washington para convidar quem bem entender, nem o Presidente do Irão foi clandestinamente a Beirute.

  28. Carlos Carapeto diz:

    Israel ainda não fez uso do arsenal nuclear que dispõe porque ainda não se viu metido em apuros sérios. Golda Meyr quando da guerra do Yom Kippur confessou que ponderou faze-lo.

    Quantos vizinhos já o Irão agrediu ou se imiscuiu nos seus assuntos?
    É precisamente isso que os fanáticos judeus não podem dizer.

    • diz:

      “Quantos vizinhos já o Irão agrediu ou se imiscuiu nos seus assuntos?”

      Líbano e Gaza, e já nem falo do Iraque. O Irão meteu-se em guerras contra Israel, apesar de Israel nunca ter atacado o Irão.

  29. maumaria diz:

    Ricciardi,para o indispor a uma crónica azia,tenho a dar-lhe a feliz noticia q o abominável Haminejad é de origem Judia. Eheheheh )

  30. Índio Joe diz:

    Eu adoro comentários como aqueles, por exemplo, do Ricciardi.

    Faz lembrar uma viagem que fiz de táxi, em que o táxista perguntou-me se queria ler o jornal (Correio da Manhã)…

    Não queria ler aquilo, mas numa das páginas vinha uma fotografia de dois soldados israelitas a ensinarem dois miúdos a usarem armas (metralhadoras).

    Perguntei ao táxista: «Já viu esta miséria? Dois soldados israelitas a ensinarem duas crianças a usar armas de guerra?»

    Resposta do táxista: «É, é!… Mas não se esqueça que o Irão tem a bomba atómica!»

    Neste país, a imprensa e a televisão dão cabo da cabeça de muita gente, assim como a do Ricciardi (será ele táxista nas horas vagas? Who knows… who cares…)

    Porém, uma coisa é certa, a maioria não está interessada no sofrimento dos palestinianos e se 10.000 palestinianos estão presos nos estabelecimentos prisionais israelitas… Provavelmente, sentirão mais pena do soldado Shalit, porque «esses palestinianos só levantam problemas»…

    Toksha!

    P.S. Subcarvalho, sem dúvida, já dei com a minha falta de atenção… posso até dizer que este cartoon de Carlos Latuff se aplica ao que se passou no nosso país com a vinda de Norman Finkelstein:

    http://kanan48.files.wordpress.com/2010/03/israel__criticism_not_allowed_by_latuff2.jpg

    ou

    http://desertpeace.files.wordpress.com/2008/01/israel_cannot_be_criticized_by_latuff2.jpg

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